Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC Austin

Thiago Sampaio | 14/02/2018 às 22:06

Acabou o Carnaval, já deu tempo para curar a ressaca e o Luke Rockhold ainda está tentando lembrar do próprio nome após o nocaute brutal sofrido para Yoel Romero.

E como a farra de quem gosta de luta não pode parar, este fim de semana tem mais.

O “UFC Fight Night 126: Cowboy vs. Medeiros” acontece a partir das 21h (horário de Brasília) deste domingo (18) – sim, é domingo! -, na Frank Erwin Center, em Austin, Texas, trazendo na luta principal o combate entre Donald Cerrone e Yancy Medeiros pelo peso meio médio.

No co-main event, Derrick Lewis volta (ou pelo menos só vamos ter certeza disso na hora da luta) contra o polonês Marcin Tybura, num choque de pesos pesados.

E o card está bem recheados de nomes interessantes para agitar um domingão à noite, mesmo para um cara chato que aparentemente não gosta de nada.

E vamos lá aos destaques!

Caçando Cowboys

Donald Cerrone (32-10-0-1, 19-7 UFC) vive uma fase desgraçada. Mas pelo estilo empolgante e a alta frequência de aparições, ainda tem moral com o UFC para encabeçar mais um card.

O Cowboy até parecia que ia se aproximar de um title-shot na categoria dos meio médios, engatando quatro vitórias em seguida. Porém, perdeu as três últimas, para Jorge Masvidal, Robbie Lawler e Darren Till.

Depois do atropelo sofrido para Till em outubro do ano passado, cogitou voltar para a divisão dos leves, onde já disputou o cinturão e foi nocauteado por Rafael dos Anjos, mas a cerveja e a ceia natalina devem ter feito ele rever os planos.

O adversário, Yancy Medeiros (15-4-0-1, 6-4-0-1 UFC), vai para o seu primeiro main-event no UFC, graças à ótima fase. Desde que subiu para os meio médios, venceu Sean Spencer, Erick Silva e na última, Alex Cowboy, numa das melhores lutas de 2017.

Mesmo aparentando fora da forma ideal na categoria até 77kg, o havaiano é bem forte (no começo da carreira ele lutava como meio-pesado!), bate forte e mostrou que aguenta pancadas, como na guerra que travou com o Cowboy brasileiro.

Disposto a laçar o segundo Cowboy em seguida, certamente Medeiros vai imprimir pressão na trocação. Apesar de também curtir a luta em pé, Cerrone já mostrou que desestabiliza fácil quando pressionado.

Como a situação do americano não é das melhores, a opção ideal é partir para a luta agarrada, tentar a queda e buscar uma finalização, pois tem um jiu-jítsu mais justo e já venceu 16 vezes dessa maneira.

Mas conhecendo o ímpeto frenético, Cerrone vai sentir a pancadaria no início, que promete ser bem movimentado. É mais alto (tem 1,85m, contra 1,78m de Medeiros), chutes perigosos e sequências de golpes que ainda oferecem perigo a qualquer um.

Just bleed!

Orem por um fim rápido

A Besta Negra, Derrick Lewis (18-5-0-1, 9-3 UFC), está de volta! Não que os fãs de MMA vão comemorar isso. Mas como ele proporciona alguns momentos divertidos, fica a curiosidade pelo o que está por vir contra Marcin Tybura (16-3, 3-2 UFC).

A última aparição foi em junho do ano passado, quando foi nocauteado por Mark Hunt e teve a sequência de seis vitórias interrompida. Depois, abandonou uma luta contra Fabricio Werdum no UFC 216, no dia do evento, por um agravamento de um antigo problema nas costas.

Entre falácias sobre encerrar a carreira e mais entrevistas bizarras, o futuro vai ser uma incógnita se for derrotado nesse retorno. E a expectativa é que tenhamos um final rápido, caso contrário, existe o sério risco de termos uma luta horrível até o terceiro round.

Adepto da força bruta para além da técnica (Técnica? É de comer?!), Lewis já mostrou ter um gás sofrível e proporcionou momentos de morte lenta para os espectadores que assistiram suas lutas contra Roy Nelson e Shamil Abdurakhimov.

Tem uma mão pesadíssima e se cair por baixo dele, ser esmagado no ground and pound é iminente. Mas não oferece nada muito além disso.

Tybura, apesar de não ser nenhum exímio peso pesado, é bem mais completo e sabe cadenciar uma luta. Tanto que aguentou cinco rounds com Fabricio Werdum e venceu por decisão um combalido, porém, experiente Andrei Arlovski.

O polonês tem chutes potentes, mas deve ter cuidado para não ser derrubado. Tem uma trocação regular o suficiente para usar a envergadura e manter a distância. Também é faixa marrom de jiu-jítsu, tendo vencido seis vezes por finalização, área onde Lewis é nulo.

Nesse claro exemplar de um lutador mais técnico, mas que não é nenhuma Brastemp, contra uma jamanta capaz de derrubar qualquer um na base da ignorância, oremos por um fim rápido, seja lá quem leve a melhor.

Mais um grande desafio para Massara, entendeu?

O querido Massaranduba (22-5, 12-4 UFC) é aquele cara que todo mundo gosta pelo jeito humilde, além de ser um baita lutador. Apesar da derrota para Kevin Lee, ele parece continuar no radar do ranking da divisão dos leves.

Foram nada menos que sete vitórias em seguida contra atletas não ranqueados até ser parado por Lee. Mas depois, mandaram para ele o veterano Jim Miller e o brasileiro venceu por decisão unânime, numa atuação bem convincente.

Se antes faltavam a ele desafios maiores, agora ele tem. Literalmente. James Vick (12-1, 8-1 UFC) não só é alto (1,91m), como é um dos adversário mais difíceis que ele vai encarar.

O The Texecutioner fez campanha para lutar em casa, conseguiu, mas mesmo assim ficou decepcionado por ficar de fora da luta principal. Está numa situação parecida com a do brasileiro, pois precisa bater nomes de maior relevância para crescer no ranking.

Após perder a primeira e única vez, quando foi nocauteado por Beneil Dariush, venceu três em seguida, sobre Abel Trujillo, Polo Reyes e Joseph Duffy, este último, a principal vitória da carreira.

Apesar de Francisco Trinaldo ser um lutador bruto e completo, com uma trocação cada vez melhor sob o comando de André Dida na Evolução Thai, vai ter dificuldade contra um atleta grande, que tem potência e boa mobilidade, como Vick.

Com boa envergadura para a divisão, deve usar o boxe de alto nível para capitalizar na longa distância. Quando cansar o adversário, deve buscar a queda, pois Massaranduba já mostrou falhas quando está com as costas no chão.

Apesar de ser apenas faixa azul de jiu-jítsu, o americano tem boas finalizações no cartel. Mas, o brasileiro já calou a boca de muitos que o colocaram como azarão em outras ocasiões. Promete!

Soltem o Pitbull, por favor!

O brasileiro Thiago “Pitbull” Alves (22-11, 14-8 UFC) até que tem tentado lutar, mas está difícil. A última vez foi em abril do ano passado, quando venceu Patrick Côté, por decisão.

Estava escalado para enfrentar Mike Perry, mas ficou com a família na Flórida por causa do furacão Irma. Depois, viu a luta com Zak Cumming cair pois o adversário fraturou o crânio durante a perda de peso na banheira.

Agora, foi o jeito aceitar enfrentar o estreante Curtis Millender (14-3), que vem de seis vitórias e tem passagens pelo Bellator e pelo Legacy Fighting Alliance (LFA).

A experiência do cearense, que já disputou o cinturão dos meio médios lá em meados de 2009 contra Georges St-Pierre, deve ser crucial para este embate.

O fator estreia pesa para Millender, que tem como principal vitória na carreira o fraco Johnny Cisneros. Além disso, perdeu para Brennan Ward, Fernando Gonzalez e Eddie Mendez.

É um kickboxer que gosta de jogar no erro do adversário, tanto que a maioria das vitórias foram por decisão. Cairia como uma luva para o estilo agressivo do Pitbull, caso o brasileiro já não tivesse enfrentado caras assim.

Apesar de estar no esporte desde 2001, Thiago tem apenas 34 anos e mostrou contra Côté que ainda tem lenha para queimar. Tem um muay thai de alto nível técnico, em que sabe imprimir pressão sem abrir tantas brechas.

E mesmo se levar a pior na trocação, a faixa marrom de jiu-jítsu pode ser uma carta na manga, visto que o adversário nada mostrou até então no solo.

Boa luta para se colocar de novo sob os holofotes, porém, uma vitória não o levará para lugar algum. Imagina uma derrota!

Deixem o menino sorrir

Sage Northcutt (9-2, 4-2 UFC) é um dos queridinhos de Dana White prejudicado pelo próprio hype criado em cima dele com apenas 19 anos. Agora ele volta aos trilhos, galgando os passos de acordo com a evolução que mostrar.

O nocaute sobre Francisco Trevino em 2015, em menos de um minuto, colocaram o mini-Guile do Street Fighter como um futuro fenômeno. Mas as derrotas por finalização para Bryan Barberena e um verde Mickey Gall colocaram uma interrogação em cima da cabeça dele.

Mas a real é que, como um bom jovem de 22 anos, tem talento e muito a melhorar. Em novembro de 2017, venceu Michel Quiñones por decisão unânime na atuação mais segura no UFC até então. Os treinos na Team Alpha Male parecem estar surtindo efeito.

O adversário, Thibault Gouti (12-3, 1-3 UFC), é bem na medida para seguir subindo a escada. Quase foi demitido após perder nas três primeiras aparições no UFC, para Teemu Packalén, Olivier Aubin-Mercier e Chad Laprise, mas escapou da degola ao nocautear o fraquíssimo Andrew Holbrook.

O francês tem como especialidade o jogo de solo, tendo metade das vitórias por finalização. Mostrou até aqui uma trocação bem deficiente, com alguma potência, mas cheia de buracos.

O Super desponta aqui como favorito, com condições de levar a melhor em qualquer área. Como no jiu-jítsu já mostrou que precisa de mais algumas escolinhas e repetir posições em exaustão, a tendência é evitar cair por baixo e manter o combate na trocação.

Se fizer uma luta estratégica como fez com Michel Quiñones, deve capitalizar nos contragolpes, combinações simples de jab-direto e chutes, manter a distância e fintar golpes para entrar com a queda, já que por cima tem bom controle.

Basta seguir o manual e torcer para não receber um adversário bem acima da sua capacidade na próxima.

Card completo

Donald Cerrone x Yancy Medeiros
Derrick Lewis x Marcin Tybura
James Vick x Francisco Massaranduba
Thiago Pitbull x Curtis Millender
Steven Peterson x Brandon Davis
Sage Northcutt x Thibault Gouti
Jared Gordon x Carlos Diego Ferreira
Brian Camozzi x Geoffrey Neal
Roberto Sanchez x Joby Sanchez
Sarah Moras x Lucie Pudilová
Alex Morono x Josh Burkman
Oskar Piechota x Tim Williams

Vale assistir?

O ódio acabou. O mundo nem é tão ruim assim como imaginamos. Pelo menos por enquanto. Não é que esse card, num domingo à noite pós-Carnaval está cheio de casamentos legais?

Mesmo vindo de derrotas, o Cowboy ainda garante boas lutas e Yancy Medeiros tem o estilo brigador que pode garantir um duelo bem agitado.

Se Lewis x Tybura corre o risco de virar um remédio para insônia, pelo menos fica a expectativa para a entrevista pós-luta da Besta Negra. É garantia de pérolas!

Se Thiago Pitbull e Sage Northcutt são bem favoritos em suas lutas, eles terão  testes válidos para medirmos os próximos passos de cada um.

Massaranduba x Vick é talvez o casamento de maior nível técnico da noite e, sem dúvida, um dos maiores testes para o brasileiro. Se vencer, estará apto a se aventurar entre os “grandes” da insana categoria dos leves.

O card preliminar também conta com nomes que devemos ficar de olho, como Oskar Piechota, Sarah Moras, Joby Sanchez, além do retorno do Carlos Diego Ferreira, após mais de dois anos longe dos octógonos, contra o bom Jared Gordon.

Então, já que é um domingão, dá até para curtir como bem entender no sábado, acordar a hora que bem quiser, assistir “Pantera Negra” nos cinemas pela tarde e à noite conferir um evento que promete boas lutas. Sem pretensão.

Isso se até lá o tratamento de choque para conter a fúria deixar de surtir efeito!

  • Tairon de Oliveira

    Tá brincando? Recomendar esse card num domingo de noite, é dose…

    • Nathan Dreak

      Que isso rapaz. Tem massaranduba no card. O homem que nasceu para bater em outro homem.

      • Paul Kersey

        Massara em qualquer card >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> abismo >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> UFC 205 + 214 + 217 + 200

    • Thiago Sampaio

      Explicando: recomendo esse card JUSTAMENTE por ser num domingo à noite…haha

      • Tairon de Oliveira

        Bah, mas é muito tarde. kkk

        • Thiago Sampaio

          Bem melhor do que Fantástico ou Programa Sílvio Santos!

          • Diogo Barbosa

            Fantástico sim.
            Silvio Santos depende do momento.

  • Shotokan Karate

    Vale pelo Pitbull… Nunca foi exatamente um primor de técnica mas a valentia dele é contagiante… Sempre é legal vê-lo lutar é sinônimo de boa luta… Quanto a luta principal torcerei pro Medeiros pq lugar de Cowboy é em rodeio não em cage de MMA kkkkkkkkkkkkkkk

  • Paul Kersey

    Só positivou o card pq tem o Massara. #FuturoMikeHaggarDeAmarante

    • Thiago Sampaio

      Folclores à parte, a luta do Massaranduba contra o James Vick promete ser mesmo uma das melhores da noite!

      • Paul Kersey

        True! Tanto Vick quanto Massara são lutadores empolgantes.

  • William Oliveira

    “Alex Morono x JOSH BURKMAN”

    Piada cortarem o Adriano Martins e o Lucas Mineiro mas esse maluco ainda estar no plantel, vive até hj daquela vitória sobre o Fitch..

    Dito isso, bom evento, Oskar Piechota x Tim Williams pode entregar bastante além das já comentadas.

    • Thiago Sampaio

      Nada justifica mesmo a permanência do Burkman. Kevin de Souza é outro que por muito menos foi demitido.

      • Marcelo

        Ouvi falar que o Kevin não foi demitido, mas não quiseram renovar o contrato. Acho que deu alguma treta interna. Esse empolgava.

        • Thiago Sampaio

          Lucas Mineiro foi o mesmo caso, mesmo ele vindo de vitória (split-decision sobre Rob Whiteford).

  • Lucas Venagas

    parece que a pressao deu resultado,joinha pra esse card é sacanagem
    Alias é o ano do ufc com os piores cards da historia,nunca teve tanto card ruim um atras do outro e vai ficar ainda pior

    • Thiago Sampaio

      Mas há de levar em conta que as avaliações são de acordo com as propostas de cada evento. Os dois últimos cards numerados estavam abaixo da média para vender PPVs lá fora. Este, para um Figh Night num domingo, está de ótimo tamanho.

  • Igor Bittencourt

    O card vale pela luta do Massara e do cowboy, foda que botaram um cara que aguenta porrada contra um que não aguenta

  • Gabriel Quintanilha

    rapaz…parece q foi ontem que lembro da unificação do WEC com o ultimate, e o Cerrone ja ja vai pra 30 lutas só no ufc O.o

    • Thiago Sampaio

      Por essa frequência para lutar e o estilo emempolgante, o Cowboy nunca vai ser demitido. Por exemplo, quando venceu Myles Jury, duas semanas depois estava enfrentando o Ben Henderson!

  • Diogo Barbosa

    Acho que Cerrone leva. Medeiros não é um cara que tem muito a oferecer além de sua resistência, Cerrone tem técnica e não é tão volumoso quanto o Caubói BR pra se cansar de bater., acho que mais uma vez a galerinha do “pós USADA/ ta na hora de se aposentar” vai se decepcionar.

    • Thiago Sampaio

      O poder de absorção de golpes e a estratégia que o Cerrone vai adotar para esta luta serão cruciais para sair com a vitória. Creio que ele menosprezou o Darren Till (não que isso justifique a derrota). Se for inteligente, leva essa.

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