Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC St. Louis

Thiago Sampaio | 11/01/2018 às 13:33

Opa, começou 2018! E depois de um fim de semana inteiro sem UFC, que mais pareceu uma eternidade para quem curte, chegou a hora de uma nova temporada, mais aguardada do que “Game of Thrones”!

Este domingo (14) – isso mesmo, não é sábado, cuidado para não se enganar e fazer planos errados -, tem o “UFC Fight Night 124: Stephens vs. Choi”, no Scottrade Center, em St. Louis, Missouri, a partir das 21h (horário de Brasília).

Na luta principal, os pesos penas Jeremy Stephens e Doo Ho Choi começam o ano prometendo muito vermelho, que não é de amor, mas de sangue mesmo!

No co-main event, Vitor Belfort! Sim, o marido da Joana Prado está lutando fora do Brasil na última luta do acontrato com o UFC contra um ainda perigoso Uriah Hall.

E tem mais, porém, vamos lá aos destaques!

Nada menos que violência grande

Para encabeçar o primeiro evento de 2018, o UFC apostou nem tanto nos nomes, mas na violência. Jeremy Stephens (26-14, 13-13 UFC) tem um cartel bem irregular e Doo Ho Choi (14-2, 3-1 UFC) ainda é uma promessa, mas ambos têm em comum curtirem uma briga franca.

O Lil’ Heathen tem uma pá de derrotas, sempre alternou resultados, mas tem o emprego garantido por proporcionar lutas empolgantes, mesmo não sendo versátil. Na categoria dos penas, é um dos que batem mais pesado.

Inclusive, é grande para a divisão até 66kg (tem 1,75m), tendo atuado boa parte da carreira como peso leve. Apesar de ter apenas duas vitórias nas últimas cinco lutas, os triunfos sobre Renan Barão e Gilbert Melendez foram bem convincentes.

Choi é a personificação da expressão “as aparências enganam”. Ele parece aqueles animês fofos, mas muitos já caíram desligados ao conhecerem as mãos dele. Das 14 vitórias da carreira, 11 foram por nocaute.

Com apenas 26 anos, o The Korean Superboy vai para a quinta luta no UFC, tendo nocauteado Juan Puig, Sam Sicilia e Thiago Tavares. Na última, perdeu por pontos para Cub Swanson num dos combates mais insanos de 2016, repleto de reviravoltas.

Difícil prever o resultado desta luta, já que nenhum deles tem o estilo de amarrar. É certo que os dois vão partir para a pancadaria buscando o nocaute e já mostraram que aguentam bordoadas.

Stephens só foi nocauteado uma vez em 40 lutas como profissional e o coreano ainda não sabe o que é perder dessa maneira (e olha que o que ele aguentou com Swanson não foi brincadeira).

Mesmo vindo de mais de um ano parado, Choi está sendo apontado como favorito nas bolsas de apostas. Mas se o americano aguentar a pressão inicial, pode ter vantagem, já que Choi tem menos experiência e nunca lutou cinco rounds.

Despedida (?!) do velho leão

Há algum tempo Vitor Belfort (26-13-0-1, 15-9-0-1 UFC) tem se esquivado de perguntas sobre aposentadoria. Sempre tem mais um discurso motivacional! Mas agora é sério: contra Uriah Hall (13-8, 6-6 UFC), faz a última luta do contrato no UFC.

Como nosso amigo Leo Salles apontou, Vitor é uma das raras lendas vivas do esporte em atividade. Estrou no UFC em 1997 (!), quando ainda era Vale-Tudo e ganhou o Torneio dos Pesados. Em 2004, ganhou o cinturão dos meio pesados.

Mas como tudo na vida tem validade, o Fenômeno, com 40 anos, não é mais o mesmo lutador do passado. Sem poder usufruir do TRT, hoje encara uma safra de atletas mais jovens. A explosão e o poder de nocaute que marcaram sua carreira perderam força.

Nas últimas quatro lutas, perdeu três por nocaute (o revés para Kelvin Gastelum foi revertido para no-contest). Ok, depois venceu um combalido Nate Marquardt no UFC 212, no Rio de Janeiro, numa decisão sem brilho.

O adversário é na medida para se despedir da maior organização de MMA do mundo com uma vitória, já que Hall é conhecido por entregar a paçoca na hora H. Porém, é de um perigo extremo em pé e todos sabem que o queixo do velho leão está decadente.

O Homem Ambulância do TUF 17 não vingou. Teve o melhor momento quando arrancou um nocaute contra Gegard Mousasi, mas, depois, perdeu três em seguida. Na última luta, estava levando um passeio de Krzysztof Jotko até nocautear no segundo round.

É aquele cara que não sabe muito lutar mas sabe nocautear que é uma beleza! Tem boa mobilidade, chutes giratórios perigosos, mãos pesadas e um chão nulo. Costuma deferir golpes isolados e, se Vitor conseguir se esquivar, pode levar a melhor.

O Belfort de hoje não pode mais ter a euforia de antes. Precisa ter a cautela para evitar a pancada do jamaicano, bater e sair e, quando for preciso, agarrar e levar para a grade. A faixa preta de jiu-jítsu pode ser uma carta na manga.

Um novo revés praticamente fecha as portas do UFC para uma renovação de contrato. Uma vitória pode render a ele mais falatórios entediantes e eventos no Brasil.

Aposentadoria? Pouco provável. A “Liga das Lendas” está logo ali…no Bellator!

Mais uma chance para a gatinha

O UFC nunca escondeu o interesse em promover a bonitinha da Paige VanZant (7-3, 4-2 UFC), que até já participou da Dança dos Famosos gringa. Agora, ela estreia em nova categoria contra Jessica Rose-Clark (8-4-0-1, 1-0 UFC), ainda rumo ao estrelato.

Com apenas 23 anos, a loirinha cria da Team Alpha Male já mostrou que tem potencial. As vitórias sobre Kailin Curran, Felice Herrig, Alex Chambers e Bec Rawlings (que chutaço na cabeça!) aumentaram o hype em cima dela.

É eficiente em pé e com falhas no solo. Quando enfrentou adversárias mais experientes, foi finalizada por Rose Namajunas e Michelle Waterson. Agora, optou por migrar da divisão dos palhas para a recém criada categoria dos moscas.

A adversária escolhida para recepcioná-la, a australiana Jessica Rose-Clark, estreou no UFC em novembro, vencendo a mesma Rawlings por decisão dividida. É mais experiente, com 30 anos, e não tem um cartel de encher os olhos.

Jessy Jess é oriunda da luta em pé, com um kickboxing de certo respeito e uma faixa azul de jiu-jítsu que não apresenta tanto perigo. Levando em conta que deve aceitar a trocação, o cenário é favorável para VanZant.

Como a categoria até 57kg das mulheres conta como campeã a semi-desconhecida Nicco Montano, não duvidem se Paige VanZant for alçada a uma disputa de título já em seguida caso saia vencedora.

Ver Paige ostentando um cinturão pode até parecer um paraíso para o UFC. Mas não tem como pensar diferente que, seja lá quem estiver no topo, estará guardando o título para Valentina Shevchenko.

Casamento sem sentido e perigoso

Kamaru Usman (11-1, 6-0 UFC) é aquele wrestler sinistro que sabe-se lá por que cargas d’água ele não recebe um desafio maior. Não que Emil Weber Meek (9-2-0-1, 1-0 UFC) seja ruim. Pelo contrário, é aquele cara duro e “anônimo” que pode interromper uma grande sequência de vitórias.

O nigeriano vem de nada menos que 10 triunfos consecutivos, sendo seis no UFC, quando se sagrou campeão do TUF 21 ao bater Hayder Hassan. Mas por enquanto, não pegou nenhum ranqueado entre os meio médios. Na última aparição, tirou para nada Serginho Moraes.

Não à toa é o apelido de The Nigerian Nightmare. NCAA All-American em wrestling, tem um ground and pound pra lá de eficiente e violento. Passou sem dificuldade por Leon Edwards, Alexander Yakovlev, Warlley Alves e Sean Strickland.

O norueguês ganhou notoriedade mundial ao nocautear Rousimar “Toquinho” Palhares com uma sequência de cotoveladas em apenas 45 segundos pelo Venator FC. Logo depois foi contratado pelo UFC e estreou com vitória por decisão unânime sobre Jordan Mein, em dezembro de 2016.

O visual nórdico e o apelido Valhalla condizem com o visual selvagem, parecendo um astro do seriado “Vikings”. Trata-se de um striker perigoso, com sete das nove vitórias da carreira por nocaute. Contra Mein, mesmo com a costela quebrada, soube se virar bem na luta agarrada.

Acontece que o nigeriano tem o jogo perfeito para anular o viking de maneira brutal. Contra o sorridente Serginho, nem precisou derrubar para mostrar a força que tem, conseguindo o nocaute ainda no primeiro round, fazendo-o cair dando cambalhota no estilo “Os Trapalhões”.

De qualquer forma, é sempre interessante um confronto de estilos sabendo que há dois selvagens no cage, cada um com sua forma de brutalidade!

Muita gente não gostaria de estar na pele do Meek…

Cão que late, morde?

Pitbull é uma das raças de cães que, se não for adestrada, pode ser letal. Mas como todo ser vivo, o desgaste do tempo tira a ferocidade. Thiago Alves (22-11, 14-8 UFC), de 34 anos, tem a proeza de ser um dos pioneiros a carregar esse apelido tão batido no MMA.

O cearense, no UFC desde 2005 e que disputou o cinturão dos meio médios em 2009, quando perdeu para Georges St. Pierre, coleciona lesões ao longo da carreira. Mas está longe de ser um “aposentado em atividade”, pois ainda apresenta risco aos intermediários.

Nas últimas cinco lutas, venceu Seth Baczynski e Jordan Mein de maneira convincente, foi superado por Carlos Condit e Jim Miller (numa tentativa tardia e falha de descer para os leves) e, na última luta, venceu com propriedade Patrick Côté por decisão unânime.

O adversário da vez é o também rodado Zak Cummings (21-5, 6-2 UFC). Trata-se de um cara alto (1,83m), tanto que lutava de meio pesado, médio, e só foi para os meio médios quando migrou para o UFC.

Foi derrotado por Gunnar Nelson e Santiago Ponzinibbio, mas vem de vitórias convincentes por finalização sobre Alexander Yakovlev e Nathan Coy. Este último, companheiro de treinos de Thiago na American Top Team (ATT), na Flórida, onde foi oficializado como treinador.

Mesmo longe do auge, o Pitbull é um atleta empolgante de se assistir. Daqueles que caem para dentro buscando a vitória, mas não necessariamente sai batendo como um ventilador ligado. Contra o veterano Cotê, mostrou que ainda tem lenha pra queimar lutando três rounds.

Cummings é um lutador com a trocação mediana que, se sair na mão com o brasileiro, deve levar a pior, pois o muay thay do Pitbull é bem superior. Conta com 11 vitórias por finalização e, inevitavelmente, vai tentar levar para baixo.

Thiago até tem um jogo de chão razoável (aquela batucada para Martin Kampmann quando estava com a luta na mão ainda dá raiva), mas a chave para ele claramente é evitar a queda e tentar resolver em pé.

De qualquer forma, temos aqui mais uma promessa de combate em que o sangue nordestino pode trazer alguma selvageria.

Card completo

Jeremy Stephens x Doo Ho Choi
Uriah Hall x Vitor Belfort
Paige VanZant x Jessica Rose-Clark
Kamaru Usman x Emil Weber Meek
Darren Elkins x Michael Johnson
James Krause x Alex White
Matt Frevola x Marco Polo Reyes
Thiago Alves x Zak Cummings
Kalindra Faria x Jessica Eye
Talita Bernardo x Irene Aldana
Kyung Ho Kang x Guido Cannetti
Danielle Taylor x JJ Aldrich
Mike Santiago x Mads Burnell

Vale assistir?

É tradicional do UFC realizar um card num domingo logo no início de cada ano. Para 2018, não sobraram grandes opções de nomes para encabeçar como em 2016, quando tivemos TJ Dillashaw x Dominick Cruz. Ainda assim, a luta principal é promessa de adrenalina!

Belfort até poderia estar na luta principal em honra ao seu histórico no esporte. Mas vê-lo ainda é um atrativo, mesmo que para avaliar as possibilidades de futuro neste fim de contrato. Ainda mais contra alguém com alguma relevância, caso de Hall.

Vamos lá, o evento está cheio de nomes que valem uma olhada, casos de Kamaru Usman, Paige VanZant e o ainda empolgante Thiago Pitbull. Não precisa parar o mundo todo para comentar, mas se há um mínimo de interesse, vai render papo.

Ainda tem a estreia do veterano Michael Johnson como peso pena contra o “carrapato” Darren Elkins. Ele, que reclamou por estar no card preliminar lutando em casa, vem de uma das melhores lutas do ano de 2017 contra Justin Gaethje. É irregular, mas costumar garantir ótimos combates.

Olha a brasileira Kalindra Faria! Ela que era uma das maiores promessas do peso mosca e estreou com derrota, ganha nova chance logo contra a belíssima (e em fase terrível) Jessica Eye!

Então, aproveita que é domingo. Guarda a farra para sábado. Já que o Globo de Ouro foi no fim de semana anterior e ainda são poucos filmes do Oscar em cartaz nos cinemas, aproveita a noite para ver um card com casamentos legais.

Mais cedo dá até para conferir “O Destino de Uma Nação” nas telonas. Gary Oldman manda bem pra caramba e tem tudo pra levar a estatueta este ano!

Quer só rir mesmo sem compromisso? Fica em casa e maratona “The Good Place” na Netflix. Depois tem alguma pregação do Belfort, seja lá qual for o resultado da luta, para continuar rindo.

  • Jonas Greco

    Ótimo card, acho que o Doo Ho Choi com alguns ajustes no seu jogo se junta ao Zabit Magomedsharipov (o melhor prospecto em todas as divisões pra mim) e o Shane Burgos como futuro top da divisão dos penas.

    • Thiago Sampaio

      Magomedsharipov é mesmo um monstro a ficar de olho. Mas desses citados, o Choi foi o que já enfrentou adversários mais rodados. Veremos quando o russo pegar desafios maiores.

      • Jonas Greco

        Verdade. Vantagem do coreano nesse caso.

  • Bodhisattva

    Boas lutas no card, com main event sanguinário….. Just Bleed!!! Foda é o hrario no domingo…. Mas vale a pena sim…
    Só uma correção, a Van Zant não ta mais na TAM….. Agora treina no Oregon, com o Sonnen…..
    https://www.youtube.com/watch?v=eGYYAqUrccA

    • Thiago Sampaio

      Valeu!

    • Saulo Henrique

      Ou seja, se vencer, vai soltar um ” Anderson Silva, you abossluty sucks” hahah.

  • Saulo Henrique

    Jessica eye só não foi cortada por ser bonita, ou pela escassez de meninas???
    Sinceramente? Hall vai ter que se esforçar para entregar a pacoca. Mas vale a pena esse card. Texto divertido como sempre.
    P.s. Essa derrota do Pitbul citada, é igual a segunda do minota vs Mir. Não desce até hoje..haha

    • KRS Porlaneff

      Pela escassez, por ser bonita e por ser da mesma academia de Stipe Miocic, não se esqueça.

    • William Oliveira

      Nem um, nem outro.

      Jessica Eye era uma das top 3 peso moscas quando ela lutava nesse peso.
      Entrou no UFC e subiu pros galos somente pela sua divisão, 125 lbs, não ter sido feita antes. Ela sempre ficou pequena pra galos e era até visível isso contra algumas das meninas que lutou.

      Não faria mt sentido cortar ela sem dar uma chance de lutar na própria divisão original, onde ela estava 10-1 e havia vencido até msm a #1 do mundo (Barb Honchak).

      • Thiago Sampaio

        Acho que tudo isso, junto, influenciou!

  • Silas K

    Estarei ligado com certeza, card muito bom.

  • William Oliveira

    Card mt bom, cheio de implicações nos rankings e algumas lutas do preliminar prometem também.

    • Thiago Sampaio

      Thiago Pitbull, Michael Johnson, Jessica Eye, James Krause…card preliminar está bem legal mesmo.

  • magnuseverest

    Boas lutas,mas num horário ingrato para os brasileiros.

    • Thiago Sampaio

      Para quem precisa acordar cedo na segunda-feira para trabalhar, complicado mesmo.

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