Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC Winnipeg

Thiago Sampaio | 14/12/2017 às 01:57

Olha pessoal! Estou de volta. A semana passada não teve coluna, mas esse fim de semana tem evento que promete compensar a ausência desse mortal aqui que aparece que nem assassino de filme de terror para cortar a empolgação de quem está ansioso para ver MMA.

Este sábado (16) tem o “UFC on Fox 26: Lawler vs. dos Anjos”, que acontece a partir das 19h (horário de Brasília), na Bell MTS Place, em Winnipeg, Canadá.

Na luta principal, o ex-campeão dos meio médios, Robbie Lawler, enfrenta o ex-campeão dos leves, Rafael dos Anjos, num combate que pode render – ou não – uma disputa de título.

No co-main event até poderia ter José Aldo, mas sobrou para Josh Emmett matar no peito e pegar a pedreira Ricardo Lamas.

E são muitas as lutas que merecem um olhar diferenciado, incluindo nomes como Santiago Ponzinibbio, Mike Perry, Glover Teixeira, entre outros.

Mas vamos lá aos destaques!

Não vai ter tempo bom

Just bleed!!! Essa foi a reação dos fãs de MMA quando foi anunciado esse confronto entre o ex-campeão dos leves contra ex-campeão dos meio médios, cujo vencedor pode ser a próxima ameaça a tirar o título do chato do Tyron Woodley.

Depois que perdeu o título da divisão de baixo ao ser nocauteado por Eddie Alvarez, Rafael dos Anjos (27-9, 16-7 UFC) está de espírito renovado na divisão até 77kg. Teve atuação convincente na vitória por pontos sobre Tarec Saffiedine e deu uma aula de jiu-jítsu ao finalizar Neil Magny no primeiro round no UFC 215, em setembro.

Já o sempre empolgante e brigador Robbie Lawler (28-11-0-1, 13-4 UFC), que proporcionou verdadeiras guerras contra Johny Hendricks, Rory MacDonald e Carlos Condit, tirou um ano de descanso após perder o cinturão ao ser nocauteado por Tyron Woodley, em julho de 2016. Retornou no UFC 214 com uma vitória por pontos – bem equilibrada – sobre Donald Cerrone.

Dois atletas que, cada um ao seu estilo, costumam entregar o melhor de si no octógono. O Ruthless é daqueles nocauteadores que, não importa o quanto tiver de sangue na cara, continua andando para frente.

Se o brasileiro quiser vencer, vai ter que segurar o ímpeto inicial (lembrando que Lawler desacelerou a partir do segundo round depois do começo frenético contra o Cowboy). Rafael evoluiu bastante no muay thai desde quando era da Kings MMA e treinando na Tailândia. Deve se arriscar na trocação, mas essa não deve ser a estratégia principal.

RDA está em desvantagem física. Vindo da categoria dos leves, é baixo para os meio médios, com 1,73m, contra 1,80m do americano, que é bem forte e já lutou como peso médio.

Se lutar com a inteligência que teve com Magny, deve levar para o solo quando Ruthless não estiver com 100% do gás e buscar uma finalização. Tarefa um tanto ingrata, já que Lawler não é derrubado com facilidade.

A notícia de que Georges St-Pierre, ex-campeão dominante da categoria, abriu mão do cinturão da divisão de cima foi uma verdadeira água no chopp para ambos, já que o vitorioso pode ter o prometido title-shot adiado.

Não tem Aldo, vai de Emmett

Ricardo Lamas (18-5, 9-3, UFC) teria a chance de vingar a derrota sofrida para José Aldo em 2014, porém, como o brasileiro pegou a brecha que Frankie Edgar abriu ao deixar a luta pelo título dos penas contra Max Holloway, vai ter que se contentar em enfrentar o pouco conhecido Josh Emmett (12-1, 3-1 UFC).

O The Bully está perto de conseguir uma nova disputa de cinturão, agora em posse de Holloway, para quem perdeu no UFC 199, em junho de 2016. Depois disso, finalizou Charles Do Bronx e, na última aparição, nocauteou Jason Knight no UFC 214, em julho deste ano.

Mas se Aldo seria o adversário ideal para garantir o passaporte para a revanche com Max, o mesmo não deve acontecer se vencer Emmett, que entra no papel de franco atirador. Atleta da Team Alpha Male, tem vitórias por pontos sobre Jon Tuck, Scott Holtzman e Felipe Sertanejo. A única derrota na carreira foi para Desmond Green, por decisão dividida.

Ex-peso leve, Emmett é forte para a categoria dos penas. É aquele típico lutador de MMA com base no wrestling colegial, mãos relativamente pesadas e um chão razoável (é faixa azul de jiu-jítsu). Destaque para o primeiro round na luta dele contra Sertanejo, em que aplicou nada menos que quatro (!!!) knockdowns no brasileiro no primeiro round.

Mas a diferença de nível entre os dois é colossal. Já tem algum tempo que Lamas é um dos melhores atletas da divisão, tem se mostrado cada vez mais completo e, se perder, provavelmente vai ser a maior zebra do card.

Detalhe que Lamas estava escalado para enfrentar Chan Sung Jung no UFC 214 e acabou pegando Jason Kinght. Agora, foi casado com José Aldo e vai lutar com Josh Emmett. Se vencer, não se espantem se em seguida ele tiver luta marcada com Frankie Edgar e terminar enfrentando Anistávio Gasparzinho

Quer mais insanidade? Segura!

Acha que a luta principal tem emoção de sobra? Pois tem esse outro duelo entre meio médios que curtem uma boa briga e podemos aguardar um nocaute a qualquer momento de qualquer lado. Afinal, respeito é o que não deve existir entre Santiago Ponzinibbio (25-3, 7-2 UFC) e Mike Perry (11-1, 4-1 UFC).

O argentino “Xente Boa” que conquistou a simpatia dos brasileiros no TUF Brasil 2 vem em grande fase, com cinco vitórias em seguida, sendo a última a mais importante da carreira, quando nocauteou Gunnar Nelson em pouco mais de um minuto em julho, na luta principal em Glasgow, na Escócia.

Perry é aquele bad boy cheio de hype! Cabelo moicano, tatuagens, provoca o adversário nas pesagens e tem um baita poder de nocaute. Todas as 11 vitórias da carreira foram por esse meio, com destaque para a cotovelada mortal sobre um decrépito Jake Ellenberger.

Apesar dos golpes plásticos, socos, joelhadas e cotoveladas potentes, Perry ainda não teve um grande desafio na carreira. Thiago Pitbull seria o seu adversário mais perigoso, mas o brasileiro desistiu na semana da luta, dando vez ao estreante Alex Reyes, que na verdade é peso leve, e cumpriu o protocolo ao ser nocauteado logo após o primeiro minuto.

No único revés da carreira, Perry perdeu por pontos para Alan Jouban, que lutou de maneira estratégica, na longa distância, capitalizando no volume de golpes. Levando em conta que dificilmente algum deles vai tentar levar para o solo, essa pode ser a melhor opção para Santiago, que assim venceu Zak Cummings e Nordine Taleb.

E como estamos diante de dois caras de mãos pesadas e embalados por vitória, não há dúvida que o resultado, seja lá qual for, vai dar uma animada no meio da tabela do ranking da categoria até 77kg.

Pra desatolar a categoria dos meios pesados

Se tem algo que Glover Teixeira (26-6, 9-4 UFC) e a categoria dos meios pesados do UFC têm em comum é que ambos estão com pouco crédito perante o público e precisam aparecer para reconquistar o prestígio de outrora.

E uma vitória sobre o bom Misha Cirkunov (13-3, 4-1 UFC) está de ótimo tamanho para um recomeço.

Apesar de ainda ser um dos principais nomes da divisão, que só tem Daniel Cormier de campeão porque Jon Jones insiste em perder para ele mesmo, Glover parece estar longe de uma nova disputa de título, quando teve a oportunidade em 2014 e foi dominado pelo Bones.

O nocaute sofrido para Anthony Johnson em 13 segundos e a última atuação, quando foi dominado e nocauteado no quinto round por Alexander Gustafsson, em maio, o jogaram para o final da fila.

Entre um e outro, teve apenas uma vitória burocrática por pontos sobre Jared Canonnier. Aos 38 anos, um novo revés pode colocar a carreira num limbo.

O letão-canadense Cirkunov era considerado uma das principais promessas de renovação da divisão até 93kg, apesar de ter 30 anos.

Venceu quatro em seguida, ameaçou não renovar contrato e, após longas negociações, retornou sendo nocauteado pelo suíço Volkan Oezdemir em apenas 28 segundos, em maio.

Não tem como menosprezar Cirkunov, que se trata de um atleta talentoso, com um amplo repertório de finalizações, quedas provenientes do background no judô e uma trocação razoável. A derrota para Oezdemir, em que um soco no “pé do ouvido” o desligou, não é parâmetro!

A experiência do mineiro de Sobrália pode ser decisiva contra o atleta da casa, já que o adversário mais difícil que Misha já venceu foi Nikita Krylov. Mas para isso, vai precisar usar todas as armas que dispõe, já que tem um bom wrestling e é faixa preta de jiu-jítsu.

Ficar estático e dependendo do boxe (um problema que Glover já repetiu algumas vezes) pode causar-lhe um prejuízo, ainda que as mãos pesadas ainda sejam as principais ferramentas para sair com a vitória.

Fato é que um bom nocaute, seja lá de quem (se for para o brasileiro, já se coloca de novo numa nova corrida pelo título), vai trazer um ar para a divisão até 93kg que anda asfixiada.

Índio do Amor precisa de carinho

Perceberam que esse card está atrativo para a divisão dos meio médios? Pois pode esquecer todo o resto, pois o futuro chegou.

O “Fenômeno Capixaba”, o “Índio do Amor”, o “cara que vai destronar Georges St-Pierre” vai lutar. Erick Silva (19-8-0-1, 7-7 UFC) estrela o card do Fight Pass, longe do brilho que banhava ele no início da trajetória no UFC.

Entre vitórias e derrotas que marcaram a carreira na organização, desde agosto de 2014 (quando estreou nocauteando Luís Beição em 40 segundos), venceu apenas Luan Chagas nas últimas quatro lutas. Na última, foi nocauteado por Yancy Medeiros no UFC 212, no Rio de Janeiro, em junho.

A esperança do ex-campeão do Jungle Fight é que o adversário, o canadense Jordan Mein (29-12, 3-4 UFC), está numa fase pior ainda. Se num passado recente, quando nocauteou Dan Miller e Mike Pyle, seria amplo favorito, hoje a situação está mais equilibrada.

Depois que foi nocauteado por Thiago Pitbull em janeiro 2015, voltou quase dois anos depois totalmente fora de ritmo e aparentemente desmotivado, sofrendo derrotas consecutivas por pontos para Emil Weber Meek e Belal Muhammad.

Mas uma vitória em casa diante de um adversário vencível é ideal para Mein. Por isso, para Erick Silva, que já mostrou que tem um queixo bem miserável, sair na mão com alguém que tem 16 nocautes no cartel não é a melhor das ideias, por mais que isso deva acontecer porque o destino assim pede.

Folclores à parte, o brasileiro tem um jiu-jítsu que merece respeito, com 12 das 19 vitórias da carreira por finalização. Por isso, tentar agarrar e levar a luta para o solo é o caminho mais seguro para o brasileiro. Caso contrário, o facão do UFC estará sendo amolado. Eventos russos estão só de olho!

Card completo

Robbie Lawler x Rafael dos Anjos
Ricardo Lamas x Josh Emmett
Santiago Ponzinibbio x Mike Perry
Glover Teixeira x Misha Cirkunov
Jan Błachowicz x Jared Cannonier
Julian Marquez x Darren Stewart
Chad Laprise x Galore Bofando
Tim Elliott x Pietro Menga
John Makdessi x Abel Trujillo
Alessio Di Chirico x Oluwale Bamgbose
Jordan Mein x Erick Silva
Nordine Taleb x Danny Roberts

Vale assistir?

Passado o UFC Fresno, agora não tem mais evento com nome de banda emo. Esse card de Winnipeg está pronto para arrepiar a espinha dos fãs de raiz, que preferem um bom cachorro quente de esquina barato com todo tipo de porcaria a uma hamburgueria gourmet.

A luta principal é uma promessa de pancadaria entre dois atletas que não desistem fácil e, se preciso for, farão transfusão de sangue no meio do combate. Não importa se quem ganhar vai disputar cinturão ou não, a atração é imperdível.

Ponzinibbio x Perry não fica muito atrás em emoção, já que são dois atletas que curtem uma luta franca e algum deles pode encaixar uma pedrada a qualquer momento. Se a fila pelo cinturão dos meio médios está concorrida, eles correm por fora e merecem atenção.

É fato que a saída de José Aldo, que faria a sua primeira luta sem valer título no UFC, deu uma enfraquecida no co-main event. Mas já imaginaram se Josh Emmett vence Ricardo Lamas, a revirada que a categoria vai ter? Ele foi colocado no meio dos leões grandes e uma surpresa não desagrada a ninguém.

Se Glover Teixeira não atrai a mesma curiosidade de antes, é interessante vê-lo contra uma promessa dos meio pesados, nessa luta que vai ser um divisor de águas para o futuro da carreira do bom mineiro imigrante.

O card preliminar também tem casamentos bem promissores, como Błachowicz x Cannonier, Elliott x Menga e Makdessi x Trujillo. Nosso Rodrigo Tannuri pode se deleitar, pois Olodum Bamgbros e Galore Bofando estão lá para saciar o coração do menino dourado de Niterói.

Pode até não ter grandes nomes de apelo comercial, mas é um card com lutas muito bem casadas. E falando em casamento, ainda bem que o meu passou, voltei à programação normal e posso assistir ao UFC tranquilo. Pelo menos escapei de ver José Aldo levando uma surra.

Mas faz um favor: não deixa de assistir “Star Wars – Episódio VIII: Os Últimos Jedi” nos cinemas. Terão sessões em exaustão para evitar que sobre apenas o sábado à noite, no horário do UFC.

Que a Força esteja com vocês!

  • Gilmar Nascimento de Souza

    Que James Ladner abençoe esse evento rssrsrs

  • felipe

    Ta melhor que muitos cards numerados. Até o card preliminar ta legal, muito interessante para os brasileiros. Sem falar que deve rolar muita pancadaria e nocautes

    • Thiago Sampaio

      Só a luta principal, e Ponzinibbio x Perry já valem!

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Se o Mike Perry perder já tô feliz, e na luta principal infelizmente um deles vai ter que perder, torço pros dois, são 2 caras fodas, mas esperança de uma guerra e que não acabe rápido como acabou Lawler x Woodley.

    • Lorenzo Fertitta

      Estou mais exigente. Pra mim não basta o Perry perder (como foi contra o Jouban), tem que “fazer o dab” que nem o Sterling hahahah

      • Thiago Sampaio

        E para um cara carismático como o Santiago, seria mais legal ainda!

  • Leo França

    E esse titulo da luta do Erick? Parece um titulo que eu veria em um tal site chamado Xvideos…

  • Duns Scot

    Mas o Lawler não foi derrubado pelo Hendricks no auge, nem pelo Rory Macdonald. Como vai ser derrubado pelo RDA?

    Acho que a luta tem que ser em pé mesmo. O Cerrone se deu bem, o Lawler ja parece em queda.

    • Thiago Sampaio

      Como disse no texto, é uma “tarefa ingrata”.

  • Lorenzo Fertitta

    Bons argumentos, como sempre. Vale assistir sem receio.
    Realmente Thiago, “o futuro chegou” kkkkkkkkkk
    Coming soon… Erick Silva X Patolino, quem vencer terá a chance de destronar GSP pós-úlcera.

    • Thiago Sampaio

      Haha…uma pena que o Erick tenha virado esse folclore. Ele é bom lutador. Mas o hype no início da trajetória dele no UFC o prejudicou muito.

      • Lorenzo Fertitta

        Concordo, o Erick rende boas piadas mas é um lutador com nível para continuar no plantel do UFC. Quem embarcou na hype criada pelo Canal Combate é que pegou mais raiva hahahah
        A única crítica que tenho a ele é aquela atitude lamentável e de total falta de fair play contra o Nordine Taleb, maaaas… instant karma já resolveu a questão.

        • Thiago Sampaio

          A tentativa do Erick de se passar por bad boy durou muito pouco…logo depois o destino, aliás, o segurança do Neymar, tratou de botá-lo pra dormir.

  • William Oliveira

    Coluna mt bem escrita como sempre e que evento senhores! War RDA

    • Thiago Sampaio

      Obrigado, William! Abs

  • Paulo Magalhaes

    Sigam a linha dos acontecimentos. Erick Silva vai vencer bem com um nocautaço no 2 round. GSP volta recuperado da úlcera e fura a fila, consegue quedar um Woodley pouco inspirado e vence na decisão unânime. Rafael dos Anjos vence uma guerra contra Lawler por decisão dividida depois de 5 rounds sangrentos, inclusive um dos cutmen acaba pedindo demissão por não aguentar a pressão, sem opções pra não ficar parado RDA aceita um Titlle Eliminator contra o índio do amor e acaba nocauteado. Fim de 2018, Madison Square Garden, terceiro round GSP põe pra baixo, mas cai no JJ afiado do brasileiro que finaliza com uma guilhotina “it is all over…” Isso é uma cachaça desgraçada que tomei aqui tal de maranhense.

    • Thiago Sampaio

      Mano, essa é a coluna “Vale Assistir?” e não “E Se… “…mas creio que nem os colunistas malucos do 6R teriam tanta audácia…haha

    • Carlos Teixeira

      Olha, você deve ter fumado um bagulho muito loco, isso não foi cachaça não. hahaha. Erick Silva? tá loco, esse cara está morto para o MMA. Já era. Deve levar outro atraso de um sei lá quem. Não meu amigo, sem chance para Erick. Esse é somente mais um EX-lutador em atividade. Nada, nada mais pode faze-lo ressuscitar. Esqueça esse Erick.

  • magnuseverest

    Evento bom,espero vitória do RDA.

  • Carlos Teixeira

    Só uma pequena contribuição: Lawler era peso médio até pouco tempo atrás. Dos Anjos era peso pena. Diferença enorme de tamanho entre os 2. Velocidade contra força. Punch contra movimentação. Gosto do Rafael, mas não dá. Não consigo ver ele nocauteando ou finalizando. Não acredito que a luta dure 5 rounds. Lawler , infelizmente, a meu ver, passa o trator.

    • Thiago Sampaio

      Sem querer ser engenheiro de obra pronta, mas, não foi bem assim…Rafael deu um show de estratégia!

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