Flashback: a única derrota
de Francis Ngannou

Lucas Carrano | 01/12/2017 às 03:11

Flashback de hoje é pra deixar Rodrigo Tannuri de cabelo em pé.

Pra tristeza do exército mais famoso do MMA mundial, os discípulos de Luís Roberto de Múcio, lembraremos da única derrota da carreira dele, o atleta hors concours no “Troféu Cacau Show”, Francis Ngannou.

Ngannou visita vilarejo onde cresceu em Camarões

Hoje, Francis detém o recorde de soco mais forte do esporte, superando o antigo detentor da marca Tyrone Spong (129 unidades contra 114 do kickboxer) e está ranqueado entre os cinco melhores pesos pesados do planeta, mas o início de sua vida foi extremamente desafiador.

Nascido em um pequeno vilarejo em Camarões, Ngannou, como diversos de seus conterrâneos, não passou por um processo de educação formal em colégios (estamos falando de um país com renda per-capita na casa dos 1.200 dólares anuais, mas que não tinha educação gratuita até o início desse século).

Cortejado por diversas gangues, ele fez o que pode pra se manter afastado da criminalidade e usou a popularidade de seu pai, um famoso “brigador de rua” para ser introduzido ao boxe. A fim de buscar seu sonho, ele, como diversos outros camaroneses, foi para a França.

Ngannou no Bahrein, em sua última luta antes do UFC

Porém, como vocês devem imaginar, a vida em uma grande metrópole nunca é fácil para quem chega com uma mão na frente e outra atrás, principalmente imigrando de uma ex-colônia.

Ngannou ficou sem ter onde morar e sem uma fonte de renda até agosto de 2013, quando ele foi aceito para treinar de graça na conceituada academia MMA Factory.

Atualmente, Ngannou encontra-se em uma sequência de nove triunfos consecutivos, incluindo cinco como atleta do UFC e um, imediatamente antes de sua contratação, em um evento aqui no Bahrein – onde fez a luta principal de uma seletiva nacional antes da fundação do Brave Combat Federation.

Porém, o início de carreira do camaronês-francês não foi tão tranquilo quanto suas lutas seguintes.

Com o MMA banido na França, os torneios locais são realizados sob um conjunto de regras diferentes, advindo da combinação grega de boxe e wrestling, conhecidas como Pankration.

Francis iniciou sua carreira no evento francês 100% Fight

Nesses eventos, inclusive no “100% Fight“, no qual Francis iniciou sua carreira em 30 de novembro de 2013, os combates, por exemplo, eram realizados em apenas dois rounds.

Em sua estreia profissional, nada de sustos, finalização rápida, com uma chave de braço, pra cima de Rachid Benzina, da França, em menos de dois minutos de luta.

A atuação impressionou tanto que Ngannou foi chamado para fazer seu retorno à promoção apenas duas semanas depois, no dia 14 de dezembro. O rival foi outro francês, Zoumana Cisse, que se manteve no circuito do oeste europeu e hoje ostenta um cartel de 13 vitórias e duas derrotas.

Na época do duelo contra Nganou, Cisse tinha 7 lutas com 7 vitórias, todas elas por nocaute ou finalização, e já era considerado um dos principais nomes do 100% Fight – onde, aliás, ele jamais perdeu.

O duelo entre Cisse e Ngannou começou quente, com os dois atletas buscando a trocação, mas falhando em conectar golpes limpos.

Zoumana “Alcatraz” Cisse: o algoz de Ngannou

Partindo do clinch, Cisse conseguiu levar Ngannou para o solo e por pouco não finalizou o camaronês com uma chave de braço.

Uma intervenção do árbitro central um tanto quanto esquisita para as regras unificadas do MMA (mas lembrem-se, estamos falando de uma variação) depois e a luta volta para a trocação.

Diante do sucesso de sua primeira investida, Zoumana mais uma vez, inteligentemente, aposta no clinch e consegue projetar Ngannou para o solo novamente.

Por cima, ele tenta novamente uma chave de braço, mas a falta de técnica fala mais alto e o francês termina raspado.

De volta à trocação pela terceira vez, Ngannou já começa a apresentar sinais de cansaço e perde muita potência, Zoumana aposta em chutes baixos para minar a movimentação de Francis, que, ainda assim, conecta um mata-cobra no rival, balançando-o por alguns segundos.

No segundo assalto, podemos notar principalmente duas coisas: 1) como ainda se trata de um Ngannou bastante cru, com bastante desperdício de energia e mecânica ineficiente nos golpes lançados; 2) como a defesa de queda deficitária e a dificuldade para lidar com um adversário sempre caminhando pra frente (mesmo que pra isso engolindo alguns ataques) colocaram o camaronês contra a parede.

Cisse e Ngannou após o anúncio da decisão oficial

No fim das contas, não foi uma atuação lamentável, principalmente se considerarmos que se tratava de um atleta em sua segunda luta profissional àquela altura e com menos de seis meses de treinamento.

Ainda assim, o desempenho não foi suficiente para convencer os jurados, que deram vitória por decisão unânime a Zounama Cisse, deixando Ngannou com um cartel de 1-1.

A recuperação veio quatro meses depois, em abril de 2014, com duas vitórias na mesma noite, em um torneio que marcou a vigésima edição do 100% Fight. Daí em diante, Ngannou foi só ladeira acima até chegar à luta co-principal do UFC 218, onde enfrentará Alistair Overeem no que muito provavelmente será um title-eliminator da divisão dos pesos pesados do UFC.

Abraços e até o próximo Flashback.

  • douglas karpinski

    Nisso eu concordo com o Dana, futuro dos pesados esta nesse cara…

  • Tiago Nicolau de Melo

    Esse Cisse ainda luta, hein? Só tem duas derrotas na carreira.

    • Hericly Andrade Monteiro

      Rapaz, se lutar faço uma pergunta: Porque o UFC não contratou o cara ainda?! kkkkkk

      • William Oliveira

        Ele n mostrou mt evolução de lá pra cá, hj seria totalmente diferente, ainda mais acontecendo num octógono de verdade e com 3 rounds.

  • Luiz Sanson

    Boa, Carrano!

  • William Oliveira

    Cisse, por outro lado, continua lutando como um brawler e apostando no poder, queixo e explosão no solo. Quando pegou 2 caras medianos pra bons, Wieczorek e Goltsov, acabou nocauteado e finalizado, respectivamente. Não parece ter tanto mt potencial não, vai acabar ficando pra gatekeeper de eventos maiores. É um Manhoef do peso pesado com mais chão mas menos técnica em pé.

    https://www.youtube.com/watch?v=Gq86batPUEo&t=503s

    • KRS Porlaneff

      Qualquer lutador no mundo tem mais chão que Melvin Manhoef.

  • William Oliveira

    Cisse x Denis Goltsov, ex campeão do ACB

    https://www.youtube.com/watch?v=WrqqhG4uizw

  • Expert

    Rapaz, eu vi no embedded que o Ngannou precisa cortar ainda meio quilo para bater o peso da categoria. O maluco tá muito forte, boa sorte Overeem.

  • Carlos

    Sujeito monstruoso esse sósia do Franklin do GTA 5. Torço pra ele, tem muito mais carisma que Overeem

  • Fernando Ribeiro

    Ainda acho que o Ngannou é superestimado, sua vitória mais relevante foi sobre o ultra decadente Andrei Arlovski, não serve de paramêtro. Acho que Overeem passa o carro. Veremos amanhã…

    • Nelson Junior Ticaum

      Ainda nao tem mto parametro para estudo… Pq ele nao deixa… aiuhiuahiauhiau
      Segura esse pombo sem asa…. hahahaha
      Mas ainda quero ve-lo contra um wrestler de calibre… Um Cain que abafe o tempo todo…. Mas se der espaco pro cacau show bater… Eh lona…..

  • Marcelo

    Será que Tanure vai assistir essa luta?

    • IMPERADOR

      Hhahahaha

  • Leandro Mdnees

    Sobre essa pontuação de 129 do Nagnnou e 114 do SPong, onde acho fontes sobre isso e outros atletas?

  • Rodrigo Tannuri

    Melhor texto! Que introdução foi essa? OMG S2

  • Vitor Torre De Avila

    A grande duvida é se combates de Pankration podem ser considerados lutas de MMA…Nas regras unificadas ele tá invicto

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