Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC 218

Thiago Sampaio | 29/11/2017 às 16:59

Tá cansado de evento na Austrália, na China, e não aguentava mais esperar por um card numerado? E ver brasileiro disputando cinturão? Calma! A espera acabou!

Este sábado (2) tem o “UFC 218: Holloway vs. Aldo 2”, que acontece a partir das 21h15 (horário de Brasília), na Little Caesars Arena, em Detroit, Michigan.

Na luta principal, José Aldo se deu bem com a lesão de Frankie Edgar, que enfrentaria Max Holloway pelo cinturão do peso pena, e ganhou a chance da revanche imediata com o seu último algoz.

No co-main event, os pesos pesados Alistair Overeem e Francis Ngnannou se esbarram num duelo que pode valer title-shot.

E o evento conta ainda com vários nomes de peso, como Justin Gaethje, Eddie Alvarez, Henry Cejudo, Sergio Pettis, Charles Oliveira, Alex Cowboy, entre outros.

Mas vamos lá aos destaques!

Hora de se animar, Aldo!

José Aldo (26-3, 8-2 UFC) faria no dia 16 de dezembro a sua primeira luta no UFC sem valer cinturão. Faria, no futuro do pretérito. Pois com a lesão de Frankie Edgar, o manauara viu cair no colo a chance de recuperar o título tirado por Max Holloway (18-3, 14-3 UFC) no UFC 212, em junho, no Rio de Janeiro.

E se para uma revanche contra Ricardo Lamas o discurso era de desmotivação e seguir carreira no boxe, vingar o revés para Holloway e se tornar de novo campeão era o empurrão que ele precisava para vir com ânimo renovado.

Chances de vencer ele tem, tanto que no primeiro combate ele levou a melhor nos dois primeiros rounds até sofrer o nocaute no terceiro. Se lutar com cautela, nos contragolpes e minando com chutes baixos, pode perfeitamente vencer, agora atento para não cometer o mesmo vacilo.

Mas Holloway está numa fase espetacular. Com apenas 25 anos, vem de nada menos que 11 vitórias em seguida, incluindo Cub Swanson, Ricardo Lamas, Anthony Pettis e, por fim, o próprio Aldo. Com 1,80m, é alto para a categoria dos penas. Tem um excelente muay thai e engole os adversários com volume de golpes de todos os ângulos.

Considerando que Aldo costuma estudar bastante o oponente nos rounds iniciais, o havaiano também deve segurar o ímpeto no começo para depois soltar a agressividade, já que tem um ritmo constante. A partir daí tem chances de conseguir o mesmo final.

Fato é que o manauara pela primeira vez no UFC vai estar no corner azul e na posição de franco atirador. Conseguiu o title-shot de bandeja e, se recuperar o cinturão, vai ser um feito e tanto. Caso contrário, o futuro no MMA estará em aberto e teremos que admitir a “Era Holloway” nos penas.

Para o Miocic ver de camarote

Esse é o duelo em que nosso querido Rodrigo Tannuri vai entrar em êxtase! Afinal, o desejo platônico dele, Francis Ngnannou (10-1, 5-0 UFC), enfrenta outro membro do “exército dos negros maravilhosos”, Alistair Overeem (43-15-0-1, 8-4 UFC), na segunda luta mais importante da noite.

O camaronês é a principal promessa de renovação da escassa categoria dos pesados.

Venceu todas as cinco lutas que fez no UFC, sendo quatro por nocaute e uma por finalização. Porém, o nome mais relevante que ele bateu foi um decadente Andrei Arlovski, em janeiro.

Já o experiente holandês, depois que perdeu a disputa de título para Stipe Miocic, venceu duas em seguida, Mark Hunt por nocaute e Fabricio Werdum por decisão majoritária. Ganhando mais uma, pode carimbar um novo encontro com o bombeirão.

Não tem como negar que com quase 60 lutas como profissional, contra 11 do camaronês, Overeem é bem mais experiente, com um kickboxing diferenciado para a categoria, inclusive foi campeão do K-1 World Grand Prix. Além disso, conta com 19 vitórias por finalização.

Mas todos sabem que o queixo do The Reem não é dos mais resistentes, apesar que nas últimas aparições ele tem lutado mais fechado, protegendo o seu ponto fraco. Não será surpresa se para esse combate ele usar o wrestling como estratégia principal.

Ngannou já mostrou que tem mãos de chumbo e se acertar em cheio o ex-homem esteroide, pode mandá-lo para um sono profundo.

Francis parece vir administrando bem a carreira. Se mudou em definitivo da França para os Estados Unidos e, se passar por este, que é o seu maior teste até então, irá provar ser o merecedor da luta pelo ouro. Não pisque!

Insanidade bem vinda

Quem ainda não conhecia Justin Gaethje (18-0, 1-0 UFC), ex-campeão dos leves do World Series of Fighting (WSOF), se rendeu ao maluco em sua estreia no UFC, em julho, quando venceu Michael Johnson naquela que é candidata a Luta do Ano.

O hype em cima dele foi tão grande que logo em seguida ganhou uma vaga de treinador do TUF 26, junto com o ex-campeão da divisão, Eddie Alvarez (28-5-0-1, 3-2-0-1 UFC). Agora, eles fazem o tradicional duelo de treinadores.

A euforia é justificada pelo estilo kamikaze de Gaethje lutar. Invicto em 18 lutas, sendo 15 vitórias por nocaute, tem um kickboxing agressivo que vai para o matar ou morrer.

Alvarez está necessitando desta vitória para se reerguer. Aquela derrota humilhante para Conor McGregor no UFC 205, quando fez a pior estratégia possível, parece ter afetado ele. Na última luta, no UFC 211, em maio, vinha levando a pior para Dustin Poirier até aplicar joelhadas ilegais e terminar em no-contest.

Apesar de ter um boxe eficiente e uma certa contundência (tem 15 vitórias por nocaute), tanto que nocauteou Rafael Dos Anjos, a melhor estratégia para vencer Gaethje é lutando de maneira burocrática usando o wrestling, sem deixar que o The Highlight se solte para a porradaria.

Vale lembrar que derrubar Justin, All-American Divisão I da NCAA, não é das missões mais fáceis. O estilo dele também abre muitas brechas para ser golpeado. Na luta cheia de reviravoltas contra Johnson, muitas vezes parecia um zumbi nocauteado mas continuava a andar pra frente até arrancar o nocaute.

Levando em conta que levar knockdowns é algo que Gaethje já está acostumado, mesmo em suas lutas no WSOF, mas tem a capacidade de ressuscitar a qualquer momento, o único lamento nessa luta é que ela não tenha cinco rounds!

O futuro do peso mosca?

Num universo em que a categoria peso mosca é reinada por Demetrious Johnson, mas com o futuro indefinido já que o recorde de defesas de cinturão foi batido, o substituto para o seu status pode estar nessa luta.

Henry Cejudo (11-2, 5-2 UFC) e Sergio Pettis (16-2, 7-2 UFC), que se enfrentariam no UFC 211, em maio, finalmente vão se encontrar e, possivelmente, o vencedor vai garantir uma disputa de cinturão (a não ser que TJ Dillashaw desça para o peso mosca).

Medalhista de ouro olímpico no wrestling, Cejudo tem apresentado grande evolução desde que disputou o título de maneira prematura em abril de 2016 e foi nocauteado no primeiro round. Ok, perdeu por decisão dividida para Joseph Benavidez, mas o resultado foi bem duvidoso.

Na última aparição, tirou Wilson Reis para nada, nocauteando no início do segundo round. Apesar do background na luta olímpica, pouco tem utilizado a sua especialidade pois tem mostrado um bom trabalho na trocação.

O pequeno Pettis, desde que foi nocauteado por Ryan Benoit no seu retorno ao peso mosca, não sabe o que é perder. São quatro vitórias em seguida, sobre Chris Cariaso, Chris Kelades, John Moraga e Brandon Moreno. Todas por decisão.

Tem um estilo que lembra o irmão Anthony Pettis no auge, porém, com menos plasticidade e mais objetividade. Muitas vezes é burocrático, mas desperdiça poucos golpes.

Promessa de luta bastante técnica entre dois atletas muito rápidos. Cejudo, por ter maior punch e o wrestling como “carta na manga”, tem leve favoritismo. Mas não será surpresa se Pettis levar mais uma nas papeletas.

Duelo de estilos explícito

Paul Felder (14-3, 6-3 UFC) enfrentaria Al Iaquinta, num casamento que prometia uma boa pancadaria. Mas o nova iorquino reclamão se lesionou e deu vez a Charles Do Bronx (22-7-0-1, 10-7-0-1 UFC), tornando aquele velho duelo striker x grappler em que vai levar a melhor quem impuser o seu jogo.

Não tem mistério ao analisar esse cenário: Felder tem na trocação como especialidade, conta com ótimo muay thai, é faixa preta de taekwondo e karate. Charlinho tem um jiu-jítsu diferenciado, mesmo para a divisão dos leves, já que vinha atuando como peso pena.

Ambos vêm de vitória e esse resultado é essencial para ambos. Enquanto Felder vem de dois nocautes sensacionais com cotovelada em Alessandro Ricci e Stevie Ray, o brasileiro vem de finalização sobre Will Brooks.

A chave para Charlinho levar a vitória é partir para a queda o quanto antes, pois já mostrou em inúmeras ocasiões que não tem uma grande trocação e uma guarda baixa que já deve ter matado de infarto alguns familiares que torciam por ele.

Felder é um nocauteador nato com golpes plásticos e, se o brasileiro quiser provar que é macho o suficiente para sair na porrada, não deve ter um destino muito feliz.

Apesar de faixa roxa de jiu-jítsu e ter finalizado Daron Cruickshank no UFC (convenhamos, não é nenhuma proeza!), Felder tem um jogo de solo vários degraus abaixo. Como se expõe com golpes abertos (como vários socos giratórios), Charles pode se aproveitar desses espaços para levar para a sua área.

Se por acaso Do Bronx vencer por nocaute ou Felder finalizar, procure o porão mais próximo. O apocalipse chegou!

Para o Cowboy laçar mais um

Vindo de duas excelentes vitórias nos meio médios, o que lhe garantiu a 15° posição do ranking, Alex Oliveira (18-4-1-2, 7-2-0-1 UFC) bem que merecia um adversário melhor ranqueado. Mas como não, vai ter que passar por Yancy Medeiros (14-4-0-1, 5-4-0-1 UFC) para seguir subindo.

Sem precisar mais quase morrer para bater 70kg, o Cowboy está bem adaptado na categoria até 77kg. Esguio, forte, tem energia de sobra. E tem cada vez mais se mostrado um lutador inteligente que vai de acordo com o estilo de cada adversário.

Contra o striker Tim Means, o anulou na luta agarrada e arrancou uma finalização. Contra o wrestler carrapato Ryan LaFlare, soube aproveitar um momento em pé e nocauteou, algo que ninguém tinha conseguido até então. O muay thai, que é o carro chefe, anda cada vez mais afiado e a mão pesada.

O havaiano Yancy Medeiros também lutava como peso leve, alternou vitórias e derrotas e, depois que subiu de divisão, conseguiu dois bons nocautes, sobre Sean Spencer e Erick Silva. Mas diferente do Cowboy, ele parece pequeno e até meio fora de forma para a categoria até 77kg.

O estilo agressivo promete um duelo movimentado, pois Medeiros também não costuma fugir da trocação e aqui e acolá arranca uma finalização. Mas como a fase do brasileiro é superior, o conterrâneo de Max Holloway é zebra para o combate.

A aposta? O resultado não vai para os juízes. E o querido Alex Cowboy é quem deve arrancar um nocaute ou finalização.

Card completo

Max Holloway x José Aldo
Alistair Overeem x Francis Ngannou
Henry Cejudo x Sergio Pettis
Eddie Alvarez x Justin Gaethje
Tecia Torres x Michelle Waterson
Charles Oliveira x Paul Felder
Alex Oliveira x Yancy Medeiros
David Teymur x Drakkar Klose
Felice Herrig x Cortney Casey
Abdul Razak Alhassan x Sabah Homasi
Jeremy Kimball x Dominick Reyes
Justin Willis x Allen Crowder
Amanda Cooper x Angela Magaña

Vale assistir?

Max Holloway contra Frankie Edgar seria uma baita luta, com o agravante do ineditismo. Mas ver José Aldo tendo a chance de ouro de reaver o título que foi dele por tanto tempo, batendo um jovem que já o venceu, é algo bem interessante.

Overeem x Ngannou é a luta que o Sr. Spock, movido pela razão acima da emoção (e neste caso se misturaria, pois a metade humana dele influenciaria), escolheria para definir o próximo desafiante do título dos pesos pesados. Faz sentido e é brutal!

E se Cejudo x Pettis traz dois pequenos ligeiros e técnicos, na luta que pode definir um futuro desafiante do peso mosca, Tecia Torres e Michelle Waterson abrem o card principal num duelo que promete uma boa trocação entre duas oriundas do karate.

Falando em brutal, só mesmo um louco para perder outro louco, Justin Gaethje, em ação. E agora que ele já apareceu para os fãs do esporte em geral pelo planeta, recebe um ex-campeão, no maior desafio dele até agora.

Já falamos do interessante duelo de estilos de Charlinho x Felder, o sempre empolgante Alex Cowboy em ação, e o card preliminar conta com outros duelos que merecem a atenção, casos de Teymur x Klose e Herrig x Casey.

Sendo assim, desmarca qualquer compromisso que não coloque a sua vida em risco! Arruma uma desculpa, manda alguém para te substituir no que for preciso!

Mas, e se o seu casamento cair justo no dia desse evento? É, caros leitores do Sexto Round. Esse é o caso deste mortal colunista que vos escreve indicando que assista, mas vai ter que acompanhar os resultados pelas redes sociais.

Pelo menos entra na justificativa de que a vida é colocada em risco caso desmarque o tal compromisso. Se colocar no meio de Overeem e Ngannou é bem mais seguro!

  • Cleo Lima

    Boa, Thiagão! Parabéns pelo casório e pelo texto!
    Só um toque, troca o “quem impor seu jogo” por “quem impuser”! Abração!

    • Thiago Sampaio

      Valeu, pelas felicitações e pela sugestão. Já acatada. Abraços.

  • Alisson Passos

    A categoria dos leves é sensacional! Ver o estilo matar ou morrer do Gaethje é sensacional… Aquela virada para cima do Johnson me deixou aos gritos na madrugada. Azar dos vizinhos, eu vou ficar eufórico novamente!
    Depois da derrota acachapante para o Conor, eu quero mais é ver o corpo do Alvarez estendido no chão!
    Que saber, esta a luta mais interessante para mim, poderia ter só ela!
    Warrrrrrrrr Gaethje!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • Thiago Sampaio

      O estilo do cara é tão empolgante que num card bom como esse, o jome mais falado é o dele. Haha…garantia de diversão mesmo.

  • Erick Henrique

    Ai sim Thiago, Parabéns pelo casório e muitas felicidades.

    • Thiago Sampaio

      Thanks!!!

  • Mateus Lopes

    É muito bom ver o Gaethje lutar, mas como até ele mesmo falou: uma hora vão acertar o queixo e ae já era. Mas torço por ele, pois ele é insano. Tomará que o Aldo se recupere, mas o Max é encardido.

  • William Oliveira

    Po Thiago, que azar desse evento cair bem nessa data especial, onde duas pessoas especiais e feitas uma para a outra finalmente se encontrarão naquele lugar sagrado e mágico, com a finalidade de proporcionarem memórias inesquecíveis aos presentes, estou falando é claro de Alvarez x Gaethje no 8 do UFC!

    Haha brincadeiras a parte, parabéns e que seja feliz com a patroa! E pensar que nessa noite é possível que haja um ser humano mais feliz do que o Tannuri assistindo Ngannou-Overeem!

    • Thiago Sampaio

      Hahaha….boa, William! Obrigado, abração!

  • magnuseverest

    Numa vitória da Tecia acho que jogam ela contra a Namajunas,para fechar a trilogia.
    Espero que Francis ganhe e lute logo com Miocic.

    • Thiago Sampaio

      O queixo do Overeem tem tudo para ajudar…

  • Renato Rebelo

    Não se esqueçam dos palpites, pessoal:

    http://sextoround.com.br/eventos/ufc-218-holloway-x-edgar/

  • Petrus Radamés

    Angela magaña ainda esta no ufc? Depois do socão que levou da Cyba o ufc deve ter dado mais uma lutinha só prs nao sofrer processo

    • Thiago Sampaio

      Coitada…como lutadora é bem fraquinha…

  • douglas karpinski

    Ufa, até que enfim um card realmente decente, espero que ninguem se lesione em cima da hora!!!

  • Fernando Batista Lima

    Eu já havia me simpatizado com a Cooper durante o TUF, agora mais ainda que torço pra ela contra a Magaña…

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