Flashback: o catastrófico
(e único) TUF China

Lucas Carrano | 23/11/2017 às 23:22

Amigos do Sexto Round,

Depois de um longo e tenebroso inverno, também conhecido como semana de luta do Brave Combat Federation, estou de volta às colunas e de volta com o Flashback.

Logo do TUF China a la Dragon Ball Z

Nesta semana, em virtude do card chinês do UFC, o primeiro no que é conhecido como Mainland China, resolvi lembrar da edição local do reality show The Ultimate Fighter realizada no país.

Não é preciso lembrar a ninguém que o TUF é uma fórmula gasta e que há muito tempo se tornou desinteressante, pois já não cumpre sua principal função: trazer bons talentos fora do Ultimate para dentro da organização.

A razão para isso é simples. Com a expansão do UFC e dois TUFs por ano, fica cada vez mais limitado o número de atletas de altíssimo nível (e sem contrato com outras organizações) fora da promoção. Ou seja, não vai rolar um TUF 1 nunca mais.

Elenco incluiu um instrutor de yoga 0-0

Pois bem, mesmo com todas as dificuldades naturais dos anos de repetição e a falta de interesse geral do público, o reality conseguiu alguns sucesso relativos nos anos recentes – como foi o caso da primeira edição brasileira, por exemplo.

Valendo-se da máxima de que “novidade chama a atenção”, a Zuffa saiu levando o TUF pra tudo que é canto e, como não poderia deixar de ser, expandiu à marca para a China, mercado tão atraente quanto inexplorado pelo evento.

Como já havia feito em outras edições, a brasileira mesmo, a Zuffa terceirizou a produção de conteúdo localmente e o show ficou a cargo da emissora Liaoning Satellite TV, que promoveu algumas alterações no formato.

Pra começar, coube a Cung Le ser o Dana White, na ausência do próprio. Como vocês devem se lembrar, o careca até dava as caras no Brasil e em outras edições internacionais, contando com a ajuda de legendas quando o produto era finalmente veiculado.

Cung Le foi o líder da edição

Neste caso, porém, coube a Le ser o “mentor e líder” do programa. O lutador, aliás, é tão chinês quanto o sorvete napolitano ou o motor V8. Nascido em Ho Chi Min City (à época Saigon), no Vietnã, Le e sua mãe fugiram do país quando ele tinha apenas três anos e se estabeleceram nos Estados Unidos.

Ainda assim, como era o mais perto que dava pra chegar, foi ele mesmo o escolhido. Aliás, uma ironia tremenda do destino, já que Cung Le se juntaria a outros lutadores e ex-lutadores em um processo coletivo contra o Ultimate pouco tempo depois.

A divisão dos times também não seguiu os padrões convencionais do The Ultimate Fighter. Ao invés dos times com os nomes dos técnicos, essa edição teve dois times chamados “Sky Dragons” e “Flying Lions”.

Um dos times era comandado pelo ex-lutador Zhang Tiequan e o outro pelo artista marcial chinês Hailin Ao – que chegou a ser criticado por seus pares por não ter experiência prévia com MMA e não saber absolutamente nada de luta de chão.

Flying Dragons ficou sem técnico no meio do show

Pensa que a bagunça já era muita?

Pois bem. A edição chinesa do TUF também viu uma desistência de técnico, quando no quarto episódio Hailin Ao simplesmente desapareceu do programa e abandonou suas funções, alegando problemas pessoais.

Para o seu lugar foi chamado…. bom, ninguém. Ao contrário da convocação dos irmãos Nogueira pra substituir Anderson Silva quando o mesmo deixou o TUF Brasil 4, a direção do show chinês optou por não trazer um substituto.

Assim, a equipe “Flying Lions” teve um técnico principal por quatro episódios apenas e do quinto em diante contou com uma “junta técnica” composta por todos os treinadores, além do auxílio de Scott Sheeley, que vinha atuando como auxiliar técnico geral até então.

Gustavão como técnico convidado

Pra tentar compensar o infortúnio, o sueco Alexander Gustafsson foi convocado às pressas pra atuar como técnico convidado por um episódio, mas, convenhamos, isso não resolveu a situação.

Falando em técnicos, dois brasileiros fizeram parte do reality, cada um deles responsável pelo jiu-jitsu de uma das equipes: Flávio Bueno nos “Sky Dragons” e Marco Machado nos “Flying Lions”.

Se você não acredita que a parada foi uma várzea, confira o relato de Cung Le ao MMA Hour logo após o fim das gravações.

Trabalhar com a equipe de câmeras da China que nunca tinham filmado um reality show antes, foi tipo… Eu, literalmente… Houve algumas vezes em que eu estava pegando a câmera e tentando achar onde estava o botão de ligar pra pegar alguma coisa que estava acontecendo. Foi ruim desse jeito. Parecia que a cada 15 minutos alguém estava sentando e descansando, era frustrante. Eu fui ao Canadá para o TUF Nations e parecia sair da noite e ir para o dia. Eu fiquei com inveja do time que eles tinham. Não é culpa do UFC, mas da TV local, a LRTV, eles não quiseram os câmeras do UFC. Eles quiseram fazer do jeito deles”, contou Le, a Ariel Helwani.

Calma, amigão, que fica pior. Ao comentar que, no fim das contas, dadas as condições extremamente adversas, o resultado final não foi tão ruim, Cung Le soltou uma pérola tão sensacional que fiz questão de destaca-la da citação completa.

O show acabou sendo decente, pelo menos. Não foi uma bomba. Várias pessoas viram e várias pessoas gostaram, pois elas jamais haviam visto um reality show antes”, explicou.

Sinceramente, acho uma extrema falta de profissionalismo escrever algo como “hahahaha” ou “LOL” em um texto sério, em um site conceituado como o Sexto Round, mas deixo aqui o registro de que isso é exatamente o que gostaria diante da frase acima.

Como desgraça pouca é bobagem, as finais do show não passaram imunes.

Campeões do TUF China marcaram época… SQN

Na categoria peso meio-médio, Zhang Lipeng derrotou Wang Sai para faturar o título no TUF China Finale em março de 2014, porém as finais do peso pena só foram realizadas cinco meses depois.

O Ultimate voltou a Macau em agosto com um card encabeçado por Michael Bisping e Cung Le (naquela luta em que o vietnamita apareceu naquela foto da “luz boa”).

Nesse card, quando ninguém mais já dava a mínima, Ning Guangyou derrotou Yang Jianping em decisão unânime e se tornou o campeão do reality show na categoria até 66kg.

Pra surpresa de ninguém, não houve TUF China 2.

Abraços e até o próximo Flashback.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    E os dois campeões são lutadores terríveis e demitidos! Maravilha demais, não adianta querer forçar a barra contratando chineses pro evento se eles não estão prontos, o UFC tá fazendo um trabalho maneiro de levar chineses e tal pra Jackson, pra eles desenvolverem e tal, mas dá um tempo pro MMA lá desenvolver, tá muito fraco ainda…

  • Mauricio

    Eu acho curioso como a China não tem algum lutador de alto nível já que o país é um berço das artes marciais…

    Esse TUF aí eu nem assisti muita coisa já nos primeiros episódios parecia que ia ser catastrófico, o TUF Brasil 1 a globo quis dar uma pitada de Novela, uma colher de BBB mas saiu até que bacana, por essas bandas de cá seria bem interessante eu acho se tivessem casado uma luta como Ponzzinibio x Dos Anjos e fizessem um TUF Brasil vs Argentina…

    • Cerrone

      de certo modo, artes marciais orientais são como a capoeira, o lutador precisa de muito espaço, uma parada que não cabe no 8

      • Mauricio

        Eu acho o Sanda/Sanshou bem dinâmico para ser carro chefe de algum lutador, mas as vezes vai ser igual Karate e Judo, quando um colocar se der certo aí pessoal aplica

    • William Oliveira

      Parada é que teria que ser TUF Brasil x America Latina pra ser justo, Argentina n tem a msm quantidade de lutadores decentes nem que 1 das regiões do Brasil, aposto q no Norte msm tem mais lutadores q na Argentina inteira.

      Sobre a China n ter tradições nas artes marciais, n é por uma questão de terreno como sugeriu o brother ali, eu tinha lido um artigo bom pra caralho mas mt comprido e sem tradução, se quiser procuro dps pra você, é muita coisa mas é uma análise perfeita e que todo mundo com interesse deveria ler.

    • Lero

      Tem lutadores de alto nível sim. Só que não no MMA. O grappling não é o forte dos chineses. Mas na luta em pé nas categorias mais leves eles não se dão mal no Kickboxing. Tem o Qiu Jianliang, o Wei Rui e outros que são trocadores de élite, se dão muito bem em eventos de kickboxing contra japoneses, holandeses e tailandeses.
      A luta em pé é mais popular na China do que o MMA.

  • Cássio Rafael Guimarães Nascim

    Teve um TUF na China? lol

  • Emanuel

    Excelente texto!

  • douglas karpinski

    que desgraçada, ou melhor que draga!

  • Carlos

    Lembro que a ideia do TUF China era tão bosta que nem as maiores mídias especializadas (MMA Heat, MMA Junkie, Blood Elbow, etc) falaram sequer de algum episódio ou de algum participante. Duvido que o próprio Sherdog tenha algo no forum ou site sobre o programa

  • William Oliveira

    Se até hoje a China n se desenvolveu direito no MMA, imagina na época kkkk que ideia terrível.. Só poderia ter dado em desgraça msm.

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