Pensando alto: a análise
informal do UFC Norfolk

Leo Salles | 12/11/2017 às 04:04

Fala moçada do Sexto Round!

Após o espetacular UFC 217, a organização não perdeu o ritmo e montou um belo card em Norfolk, na Virginia.

Assim como em Nova Iorque, os fãs assistiram boas lutas com desfechos interessantes, belos nocautes e polêmicas (com juízes laterais quase estragando um resultado) rodeando o octógono mais famoso do mundo.

O evento teve a presença de seis brasileiros (três vitórias e três derrotas), mas os gringos foram os destaques.

Além da boa e movimentada luta principal,dois duelos de veteranos chamaram atenção, especialmente pela despedida de um deles, aparentemente.

Deixando a enrolação de lado, vamos ao destaques do UFC Norfolk:

Dustin Poirier x Anthony Pettis

Era improvável imaginar um combate entre dois dos lutadores mais técnicos dos leves que não fosse, no mínimo, empolgante. Especialmente no caso de Dustin Poirier e Anthony Pettis. Uma luta sangrenta e de violentas combinações, apesar de ter durado dois rounds e alguns minutos do terceiro. ”Diamond” foi melhor nos dois primeiros assaltos, com boas combinações e usando double legs que tanto incomodam ”Showtime”. Essa tática minou o plano de Pettis, de tentar a trocação para vencer. Com cortes no olho e no nariz, Pettis passou para o modo sobrevivência perante os ataques de Poirier, que foi eficiente no ground and pound e na raspagem para pegar as costas do ex-campeão dos leves. No momento que foi girar para ficar de frente, com as costas no solo, Pettis sentiu uma lesão nas costelas e desistiu da luta. Mesmo com esse desfecho, foi um grande e movimentado combate, que coloca ”Diamond” mais perto dos tops dos leves, enquanto ”Showtime” vive uma fase complicada na carreira, cujo estilo de luta está mais manjado do que Rodrigo Tannuri e seu exército.

Matt Brown x Diego Sanchez

Quem esperava um brawl total em Matt Brown e Diego Sanchez, deve ter ficado surpreso com o ímpeto inicial do menino ‘‘Yes, yes, yes” em logo buscar a queda e tentar derrubar ”The Immortal”. Todas as tentativas de Sanchez foram frustradas e, por mais que seja meio doido, era a estratégia para cansar Brown. Assim que voltaram para o centro do octógono e ficaram na trocação, o  campeão do TUF 1 acertou um chute de esquerda nas costelas do ”Immortal”, sua velha criptonita, mas aguentou o tranco. Quando Sanchez tentou novo ataque, Brown segurou sua perna direita e aproveitou para disparar uma violenta cotovelada no topo da cabeça do adversário, que apagou na hora (aliás, a transmissão do UFC perdeu o momento do nocaute, mostrando a sala de imprensa vazia. Uma bizarrice sem tamanho). Na entrevista para Jon Anik, não disse exatamente se vai aposentar. Vê-lo lutar é sinal que não teremos combates chatos, mas o lutador sabe a hora que tem que parar e curtir a família. Até aqui, foi uma bela e violenta carreira, Matt Brown!

Andrei Arlovski x Junior Albini

Pressionado pelas cinco derrotas seguidas e próximo de uma demissão/aposentadoria, Andrei Arlovski entrou num mar perigoso contra Junior ”Baby” Albini, que chegou no UFC com um belo nocaute sobre o ”Freddy Mercury Borracheiro” Tim Johnson. Mas, o que vimos primeiramente foi muito respeito por parte do brasileiro, que não foi tão agressivo e deixou o bielorrusso solto para golpear e se colocar melhor para socar. Os jabs de ”Baby” (que calção era aquele, rapaziada?) pareciam em câmera lenta. Enquanto isso, ”Pitbull” apresentou mais volume de luta, o que fez com que o brasileiro fosse para o clinch. O que me deu impressão durante todo o combate é que ”Baby” ficou extasiado por enfrentar um atleta de renome no esporte e não conseguiu desenvolver seu plano de luta eficazmente. Tentou diversas vezes aplicar cotoveladas na curta distância, mas sem sucesso algum. Arlovski, usando sua experiência, se movimentou mais no octógono e não se arriscou tanto para os contrataques do brasileiro. De fato, com a vitória por decisão unânime (30-27 2x, 29,-28), ”Pitbull” ganha uma sobrevida no UFC e, quem sonhava com ele no GP dos pesados do Bellator, fica para uma próxima!

Cezar Mutante x Nate Marquadt

Vindo de uma boa sequência de vitórias, Cezar Mutante sabia que derrotando o veterano Nate Marquadt o faria alçar voos mais altos nos médios. Adotando um estilo mais cauteloso nos últimos combates, o pupilo de Vitor Belfort manteve a mesma pegada, principalmente porque ”The Great”, apesar de estar em decadência, tem um poder de nocaute agudo, algo que o brasileiro sofreu brutalmente duas vezes no UFC. Assim, evitou de qualquer maneira entrar no raio de ação do adversário, que acertava jabs pouco contundentes e a luta não empolgou nos cinco primeiros minutos. O nariz de Mutante ficou avariado e Marquardt aproveitou para magoá-lo no segundo assalto, onde o brasileiro não conseguia acertar tantos golpes. A meu ver, em desvantagem na pontuação, o brasileiro foi para cima do rival derrubando-o logo no começo do último assalto, fazendo luta mais movimentada no solo. Mutante venceu por decisão dividida (28-29, 29-28 2x), porém resultado para lá de contestável. Na entrevista no octógono, chamou na chincha Paulo Borrachinha e o desafiou para se enfrentarem, por ter desrespeitado sua família (Família Belfort?). Será que rola?

Raphael Assunção x Matthew Lopez

Brigando para, algum dia, receber um title-shot nos galos, Raphael Assunção se vê na obrigação de vencer sempre para o tão sonhado título. Com apenas uma derrota na categoria até 61kg (perdeu apenas para o campeão TJ Dillashaw), venceu com um nocaute brutal Matthew Lopez aplicando um potente soco de direita que apagou o adversário no meio do terceiro round, para mostrar que está vivo na divisão. Ainda número quatro do ranking, Assunção encarou um Lopez que possui um estilo de luta um tanto tinhoso. O americano, canhoto e com mais envergadura que o brasileiro, soltava golpes na linha cintura para minar o gás de Assunção, que se mantinha intacto e veloz nos golpes. Os chutes baixos do brasileiro deixaram uma bela de uma mancha-roxa na coxa direita de Lopez, que se movimentava mais lentamente no fim do segundo e início do terceiro round. E a pressão de Assunção deu resultado, pelas fintas e combinações que pegaram o americano desprevenido.

Clay Guida x Joe Lauzon

Na primeira luta entre veteranos do card, confesso que não esperava um atropelo do Clay Guida sobre Joe Lauzon. Primeiramente, Lauzon começou muito devagar e ”The Carpenter”, daquele jeito maluco-beleza de ser, estava a mil. Guida, que não vinha de boas apresentações no UFC, foi acertando bons golpes até encaixar um uppercut de direita que levou seu adversário à lona e então partiu para um ground and pound insano até o juiz parar. E saiu ovacionado pela torcida, por fazer belos elogios ao Lauzon, aos militares e ao UFC. Mas a cena curiosa foi, logo ao nocautear seu algoz, se preocupar com ”J-Lau” para ver os danos na cabeça. Nunca tinha visto uma cena de espírito esportivo como essa no MMA.

Menções honrosas:

  • Como esperado por muitos, grande embate entre John Dodson e Marlon Moraes!  Um bombardeio de ambos os lados por 15 minutos (eu vi Marlon levando os rounds 2 e 3), mas não seria nada injusta vitória de Dodson. Foi difícil pontuá-la, com o brasileiro vencendo por decisão dividida (30-27, 27-30, 30-27). Porém, tivemos algumas polêmicas que deram mais tom ao combate, como os golpes irregulares de Marlon (dedada no olho e chute no saco) e uma guilhotina encaixada pelo brasileiro nos segundos finais, que fizeram o americano bater (tudo bem, o gongo já tinha soado).
  • A envergadura de Tatiana Suarez trouxe grandes problemas para Viviane Sucuri em combate movimentado no solo. Por mais que Sucuri tenha bom jiu-jitsu, a aplicação da americana em trabalhar no chão e buscar a finalização foi determinante para acabar com invencibilidade da brasileira, que passou  praticamente 15 minutos se defendendo.
  • Marcel Fortuna participou de outra luta equilibrada em sua trajetória no UFC e mais uma vez não levou a vitória, agora contra Jake Collier. Porém, achei que a derrota por decisão unânime (um dos juízes deu 30-27) não refletiu o combate – marcado inteiramente pela trocação e boa variedade de ”Mãozinha”. Collier aplicou mais golpes (90), porém, não o achei tão eficaz e vi vitória do brasileiro – que levou os rounds 1 e 2, a meu ver.
  • O garoto pródigo de Dana White saiu da puberdade e teve seu batismo na vida adulta. Numa transformação para ”Super Sayadin” nível 2 (por enquanto), Sage Northcutt teve a atuação mais convincente dentro do UFC, sendo mais tático, com derrubadas nos fins de round e golpes precisos por toda a luta. Porém, contudo, todavia… vamos com calma, pois seu adversário, Michel Quinonez, pouco o ameaçou. Agora, vá se preocupar em ser Ivan Drago Jr., garoto!
  • Por pouco, mas por muito pouco, os juízes laterais do combate entre Sean Strickland e Court McGee não ganharam seus 15 minutos de fama. Dois deles deram empate numa luta claramente ganha por Strickland em três rounds. Erraram na contagem dos pontos, porém, nos bastidores, a bobagem foi consertada. Ainda bem, pois entraria no hall dos maiores garfos da história do esporte.

Amigos, todos os resultados, vídeos, os bônus praticados e as discussões sobre o evento estão no tópico do UFC Norfolk no nosso fórum.

  • Renato Rebelo

    Meus dois centavos sobre a luta principal:
    https://www.instagram.com/p/BbY0ERAjMg0/?taken-by=sextoround

  • Bruno de Souza

    Mutante pediu o Borracha? Kkkkkkkk

  • Minirott

    Baby parecia mais preocupado em não perder, a fralda.

  • Henrique

    Assunção para garantir seu TS deveria pedir uma luta com o Rivera, caso ele vença não vejo ninguém passando a frente dele.

  • Rudá Corrêa Viana

    Baby eh a imagem do Stefan struve qdo tinha 3 meses de idade.

    • Eduardo Kovasc

      Sem sentido e sem graça.

      • Rudá Corrêa Viana

        Tanto qto seu avatar. Bjos no bumbum pirento.

  • Juan

    Achei que Pettis mostrou raça. Lutão.

    Quem não viu o nocaute do Matt Brown, vale a pena procurar.

  • Daniel Piva

    Qual deve ser o futuro do Pettis? Está com o jogo manjado. Se reiventar é a opção mais óbvia, mas não é algo tão simples a esta altura. Descer para os penas ele já não obteve sucesso com o corte de peso. Subir para os meio-médios não me parece uma boa estratégia. Situação complicada de um dos maiores nomes dos pesos leves.

    Quanto ao Mutante, se o Brunson não aceitar mesmo enfrentar o Borrachinha, não duvido que este combate entre eles não seja marcado para o UFC Pará.

    • magnuseverest

      Mutante vs Borrachinha no Pará tem tudo para movimentar os grupos fãs de Belfort e Borracha,vai sobrar pancadaria até na arquibancada.

  • Wadson

    Nocaute do Assunção foi mais impressionante porque ele tava com uma martelada engatilhada e desistiu a poucos centímetros do Lopez quando viu que o cara já tava fora de ação.

  • Jp Mikelane

    Não morro de amores pelo Pettis e nem torço tanto para ele. Gosto bastante da evolução do Poirier, mas só eu percebi A VACILADA INTERGALÁTICA do juiz ao interromper a luta com um triângulo com cadeado fechado? E retornar numa posição de guarda? Ficou fácil pro Poirier descer o gnp numa posição como aquela

  • William Oliveira

    Kkkkk Mutante já deu sorte nessa decisão e ainda quer desafiar alguém..
    Vai precisar de sorte pra não sair apagado contra o Borrachinha.

    E ah, Guida homão da porra vinha de vitória, dominante ainda, sob o também veterano Erik Koch.

  • Bernardo Oliveira

    Assunção é TS agora, a menos que TJ desça. Com Cruz lesionado, o brasileiro tem caminho livre.

    Tatiana tem muito potencial. Pra top 5 no mínimo. Wrestling se bobear melhor que o da Esparza. Se ajustar mais a luta em pé e o jiu fica com potencial pra campeã. Hoje já seria luta horrível pra Karolina, por exemplo.

  • Caçador do Empirico e Coelho

    Cara, para mim o que saltou aos olhos nesse eventos foi esses juizes, que bizarrice foram as pontuações de todas essas lutas!? ta maluco, a do McGee x Strickland foi a só a cereja do bolo, esta extremamente preocupante.

  • Tiago Nicolau de Melo

    Angela Sagat Hill é massa nas pesagens, pena que anda perdendo.

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