Pensando alto: a análise informal do UFC 152

Renato Rebelo | 23/09/2012 às 02:40

Jones finalizando Vitor com uma americana

Vitor Belfort, zebraça da noite, conseguiu colocar o campeão Jon Jones em uma posição jamais vista. Além da luta principal eletrizante, um card que entregou, desde as preliminares (com excessão de Hamill x Hollett), uma noite de muita emoção aos fãs canadenses. Chega de enrolação e vamos ao que interessa a respeito do UFC 152:

Jon Jones x Vitor Belfort

Nós, brasileiros, nas últimas semanas, criamos um clima de “sí, se puede” até um pouco irreal. Tentamos acreditar com afinco que aquele pombo sem asa iria entrar e que Jon Jones estaria abalado pelo caminhão de críticas recebidas pelo cancelamento do UFC 151. A corrente pra frente deu certo e a luz que vem de cima iluminou o “Fenômeno” no primeiro round. Jones mostrou respeito pelo poder de Belfort e tratou logo de lançar o seu efetivo double leg. No chão, o americano bobeou, o brasileiro meteu o pé na grade, saiu o quadril com velocidade e encaixou um armlock no talo! Não pegou. E aí vem uma série de elogios ao cara que, aos 25 anos, já se igualou a Chuck Liddell em número de defesa de cinturão entre os meio-pesados e está a uma vitória de empatar com o recordista, Tito Ortiz. Jones não teve seu braço quebrado, mas certamente algum ligamento foi pro saco. Ao invés de se entregar à dor, ele segurou a onda e se livrou do perigo. A partir daí, o monólogo que todos nós não queríamos admitir. Ajudado por puxadas para a guarda inacreditáveis de Vitor Belfort (que as justificou com um problema na costela), Jones foi soberano. Cortou o rosto de Vitinho no chão com seus cotovelos de navalha e cozinhou a presa em pé com golpes cirúrgicos, manutenção de distância e um misto de calma e maturidade absolutamente incomum. No quarto round, o fim. Jones passou a guarda e finalizou um faixa-preta de Carlson Gracie que tem como seu professor particular o campeão mundial de jiu-jítsu Gilbert Durinho. Por mais que fosse improvável a derrota hoje, adicionar alguém com o apelo de Belfort em seu currículo certamente é mais uma façanha da aberração da natureza que entra pra lutar ao som de “God gave me style, god gave me grace”.

Demetrious Johnson x Joseph Benavidez

Como esperado, 25 minutos de muita velocidade, giro e inversões. O gás inesgotável dos levinhos é impressionante. Não houve muita contundência, é verdade, mas, tecnicamente, valeu. “Mighty Mouse” teve seu braço levantado e agora é o primeiro campeão do UFC até 57kg. No entanto, pela capacidade do perdedor de hoje (Benavidez) e pelo fato da divisão dos moscas ser bem rasa algo me diz que esses dois ainda vão se encontrar pela frente. Revanche quiçá trilogia à vista…

Michael Bisping x Brian Stann

Não era mistério para ninguém que Stann ia depender da sua potencia e do queixo duvidoso do Bisping para ganhar – e o inglês, consequentemente, teria que evitar o poder do fuzileiro golpeando à distância e misturando trocação com quedas. Foi exatamente o que rolou. Bisping sentiu a mão do americano no primeiro round, ficou esperto e fez uma luta inteligente na sequência. Decisão unânime mas, mais uma vez, fica claro que o inglês sempre será um lutador nota 7: troca bem mas não tem punch + grappling apenas razoável. Bisping chega ao bolinho dos médios mas, provavelmente, ficará um tempinho na geladeira – uma vez que Alan Belcher, Chris Weidman, Tim Boestch, Yushin Okami, Hector Lombard e Toquinho se enfrentam em dezembro. Uma disputa de cinturão direta com Anderson Silva é tanto improvável quanto desproporcional.

Matt Hammil x Roger Hollett

Hammil não aguentou ficar no sofá e desistiu da aposentadoria.  Por toda sua bela história de vida e bons serviços prestados, o UFC abriu as portas. No entanto, a inatividade do “Hammer” somada ao nível baixíssimo do adversário, o “Hulk” sem raios gama, irritou o público canadense que vaiou sem piedade. Pior luta da noite. O gás de ambos foi para as “cucuias” ainda no começo do segundo round. Me arrisco a dizer que, nesse nível, Hammill, por já ter um nomezinho, só servirá de degrau para atletas mais jovens. Já Hollett, mesmo tendo aceitado a luta de última hora, me surpreenderá muito se ainda estiver no plantel de Dana White no final de 2013. Ah, sonolenta decisão unânime para o wrestler de Ohio.

Cub Swanson x Charles do Bronx

Logo na pesagem, Charles se mostrou extremamente abatido, com os olhos avermelhados. Não bateu o peso. Evidência clara de que alguma lesão ou problema de saúde afetou o corte dos quilos extras. Na luta, o paulista também se mostrou menos “elétrico” do que de costume. O americano de mão pesada aproveitou a pouca movimentação do adversário e encaixou um suingue de direita na têmpora. Uma pena. Não estou procurando uma desculpa, mas vou ficar de olho nas próximas entrevista do Charles, que simplesmente rendeu menos do que pode.

+ Brasil:

A expectativa pela evolução do Vinicius “Pezão” – que, em sua primeira passagem pelo UFC, era basicamente um jiujiteiro lutando MMA– era grande. Afinal, nos últimos três anos fora do evento foram sete vitórias e boa bagagem acumulada mundo afora. Felizmente, não deu para saber ao certo. No primeiro round, o faixa-preta mostrou frieza ao cair por cima e trabalhar alguns golpes,  sem entrar “numa” de progredir de posição a qualquer custo. No segundo, Igor Pokrajac caiu por cima e foi presa fácil para a guarda alta do campeão do ADCC, que finalizou o croata no braço e teve uma noite tranquila de trabalho. Fico no aguardo para a sequencia do representante da Xtreme Couture.

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