Pensando alto: a análise
informal do UFC Polônia

Thiago Sampaio | 21/10/2017 às 19:00

UFC à tarde é legal porque todo mundo curte e ainda pode depois sair sem problemas, não é? E o UFC Fight Night 118: Cerrone vs. Till, que aconteceu na Ergo Arena, em Gdańsk, Polônia, rendeu ótimos momentos.

Foi aquele típico exemplo de card europeu que no papel não tinham tantas atrações de peso para o público em geral, mas entregou excelentes combates, mesmo que apenas quatro das 12 lutas não tenham terminado pela decisão dos jurados.

E ainda deixa aquele gosto de renovação no ar quando o nome mais conhecido do evento é simplesmente varrido e um jovem termina o show como uma grande promessa (o que já era, mas agora potencializou) na categoria dos meio médios.

Sem mais delongas, vamos lá aos destaques!

Darren Till x Donald Cerrone

Ao final da luta principal desse evento na Polônia, fica a dúvida: será que Darren Till fez umas aulas com Rafael dos Anjos de como liquidar Donald Cerrone? O inglês radicado no Brasil teve uma atuação impecável contra o Cowboy, que mais uma vez mostrou ter dificuldade de reagir quando está sob pressão. O canhoto Till desde o início dominou as ações, já balançou Cerrone com um direto de esquerda, fazendo o americano tentar a queda. Mas não era o dia do americano, que parecia mais perdido do que cachorro quando sai do caminhão de mudança. Com golpes precisos, acertando quase tudo, Till encaixou no último minuto do round inicial um jab e um direto que arregalaram os olhos do adversário, seguidos de uma sequência de golpes que o colocaram em posição fetal, culminando no nocaute técnico. Maior vitória da carreira do The Gorilla, com apenas 24 anos e invicto com cartel de 16 vitórias e um empate. Certamente vai entrar para o ranking da categoria dos meio médios e pegar mais um adversário tarimbado na próxima. Encenou um teatro ao final com Mike Perry, mas o fanfarrão do moicano já está escalado para enfrentar Santiago Ponzinibbio. Vamos aguardar as cenas do próximo capítulo. Já o Cowboy engrena a terceira derrota em seguida pela primeira vez na carreira, dando indícios de uma brusca queda de rendimento. Como gosta de lutar muito e ganhar dinheiro, deve aceitar qualquer um em breve para limpar essa mancha.

Karolina Kowalkiewicz x Jodie Esquibel

Sabe aquele filme de comédia nacional que você vai assistir no cinema depois de alguns dramas pesados, esboça alguns risos e sai com o entretenimento garantido, por mais que na semana seguinte você mal se lembre de mais nada do tal longa-metragem? É mais ou menos essa sensação que o confronto com a estreante Jodie Esquibel serviu para Karolina Kowalkiewicz. Numa luta claramente para a polonesa se recuperar, em casa, das últimas duas derrotas, ela foi lá e cumpriu o protocolo, vencendo numa decisão tranquila, num triplo 30-27. Numa luta que se desenrolou o tempo todo em pé, a ex-desafiante ao cinturão mostrou todo o seu arsenal de joelhadas, uppers e chutes altos. A diferença de tamanho e envergadura era notória, afinal, a americana Esquibel lutava como peso átomo no Invicta FC. A ela, coube andar para trás por quase todos os 15 minutos e arriscar alguns contragolpes. E numa categoria dominada pela campeã Joanna Jedrzejczyk, Karol volta a ganhar força lá no top 5 da (Jéssica Bate-Estaca já declarou o desejo de enfrentá-la).

Jan Blachowicz x Devin Clark

Desde que Jan Blachowicz estreou no UFC com um belo nocaute sobre Ilir Latifi, ele não vinha convencendo ninguém, servindo como escada para lutadores do top 15 dos meio pesados. Mas desta vez ele não decepcionou diante da própria torcida e arrancou gritos por conseguir uma finalização sobre o ainda mais limitado americano Devin Clark. E se a trocação é o forte do polonês, não estava funcionando bem, levando muitos contragolpes, mas fez valer o wrestling para levar o adversário para o solo e faturar o primeiro round. No segundo, eis que Clark comete o erro primário de deixar o pescoço exposto ao tentar agarrar na grade. Blachowicz encaixou um mata-leão torto, em pé, sem nem passar os ganchos, arrancando os três tapas só na força do braço. Finalização difícil de se ver, até porque não é qualquer um que bate com um negócio desse. Foi apenas a terceira vitória dele em sete lutas no UFC e vai continuar como um porteiro de luxo com vaga garantida nos cards europeus. E Clark? Criar vergonha na cara é um bom começo.

Andre Fili x Artem Lobov

Euforia e aplausos da plateia quando Artem Lobov caminhava para a luta. O motivo, obviamente, não era ele, mas o amigo Conor McGregor que estava na primeira fila e gritava para o parceiro de treinos bater na linha de cintura de Andre Fili. Orientação devidamente ignorada. A real é que Lobov quer ser o Notorious: provoca, anda com a guarda baixa, mas está longe de ter o mesmo talento. É só lento mesmo e com golpes isolados. Fili usou da movimentação para levar a melhor, circulou o tempo todo e acertou boas sequências. Logo abriu o supercílio do olho esquerdo do russo e teve o seu melhor momento no fim do primeiro round com um chute na cabeça que o levou à lona, mas se levantou. Se ele tem uma qualidade é ser duro na queda, ele aguenta pancada. Voltou para a segunda etapa recuperado e até teve momentos contundentes. Mas no round decisivo, o americano da Team Alpha Male finalmente ouviu as dicas de Fábio Pateta e não quis saber de trocação. Conseguiu três quedas, sem tanta efetividade, mas o suficiente para garantir a vitória. Triplo 30-27. Enquanto isso, Conor esbravejava e só faltava entrar no octógono para lutar no lugar do seu protegido. À toa, pois como todo peixe grande em cargo de fachada em empresa grande, o The Russian Hammer, agora com o belíssimo cartel de 13-14-1-1, tem emprego garantido.

Menções honrosas:

  • O polonês Oskar Piechota finalmente fez a sua estreia no UFC e com propriedade. Não liquidou a fatura, mas esteve perto disso ao fim de cada round, mochilando no primeiro, depois com knockdown no segundo e, no terceiro, com um triângulo e terminando no ground and pound. Tudo bem que o adversário Jonathan Wilson é uma baranga e tanto, mas mostra ter sido uma interessante aquisição para a categoria dos médios.
  • O corte de peso brusco por ter aceitado o combate em cima da hora impediu Sam Alvey de fazer o que ele sabe de melhor: sorrir. Depois de falhar na pesagem, bastante debilitado, o Smiley lutou com o freio de mão puxado e por muitas vezes parecia que seria nocauteado. Não aconteceu pois o promissor estreante Ramazan Emeev respeitou até demais, deixando a luta entediante. Vale ficar de olho nesse russo, afinal, ele pode mais do que mandar um jab-direto e prender na grade como fez nesta atuação morna. Mas pelo menos saiu com a vitória.
  • O ex-futuro campeão está de volta, para a esperança do MMA brasileiro! É, não é bem assim, mas Warlley Alves venceu por decisão unânime um esforçado Salim Touahri, que aceitou o combate com pouco mais de uma semana de antecedência, se recuperando das duas derrotas em seguida. Lutou de maneira cadenciada, dosou o gás, mostrou um bom clinche na grade e arriscou algumas guilhotinas. Mas na trocação ainda sofreu alguns sustos, incluindo um incômodo corte no olho direito. Ganhou, o hype não é mais aquele de quando venceu o TUF Brasil 3, mas vida que segue.
  • Felipe Sertanejo teve no primeiro round uma atuação mais sofrida do que as letras do seu estilo musical favorito contra um Josh Emmett visivelmente bem mais forte. Levou nada menos que quatro knockdowns! Sobreviveu, foi guerreiro e aguentou mais dois rounds, esses bem mais equilibrados. Mas não teve jeito. Foram dois 30-26 e um 30-25. Com essa derrota, resta ao brasileiro rezar para que o UFC permita que ele retorne ao peso galo. O fantasma da demissão assombra.

Demais resultados:

Amigos, todos os resultados, vídeos, os bônus praticados e as discussões sobre o evento estão no tópico do UFC Polônia no nosso fórum. Passa lá!

  • Bernardo Oliveira

    Till é o Conor inglês. Que foda! Estilo de luta, timing, noção de distância, precisão… pqp dá gosto de ver lutar.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Darren Till gosta de uma polêmica em, aliás sabe-se lá o que Mike Perry estava fazendo na polônia, e a coisa mais impagável foi o Conor tomando um coça do Mark Goddard por estar muito perto do octógono kkk, cada coisa. Ah, e o Piechota é médio, muito promissor mesmo grappling bom e striking evoluindo.

    • William Oliveira

      Mídia. Piechota é promissor sim, mas o Wilson é um dos piores lutadores do UFC, o gás foi embora no r1..

      https://www.youtube.com/watch?v=mrYBqzpDiIE

      • Thiago Sampaio

        A categoria dos meio pesados é cheia de caras do nível do Jonathan Wilson…como Joaquim Christensen, Saparpek Safarov, entre outros…

    • William Oliveira
      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Cerrone azarento demais. http://prntscr.com/h0c2i1

        • William Oliveira

          Caralho fostes mt bem pqp Lansberg me decepcionou dms, e sei lá pq fui de Lobov, doença msm

          https://uploads.disquscdn.com/images/34a7cce3670e2465c2fbc7f93ff870840be2d6f113ed2eece6dce195299159d1.png

          • Bernardo Oliveira

            tb errei Lobov rs

          • William Oliveira

            T rex filho da puta haha era só o saco de pancada encurtar e focar o corpo pqp

          • Thiago Sampaio

            Não vejo como uma decepção por parte da Lansberg (que inclusive venceu o primeiro round). Mas a Aspen Ladd é uma atleta muito promissora, invicta, bom ficar de olho nela.

          • William Oliveira

            Ah veio, a defesa contra o GnP dela foi muito amadora, um pouco de explosão não mata ninguém, a menina tava na montada sem fechar o cadeado e mesmo assim ela não tentava explodir usando o abdômen..
            No clinch a Lansberg fez o esperado e levou o r1, mas no chão lutou muito mal, peixinho fora da água..
            De qualquer jeito sim, a Ladd me parece uma boa promessa.

    • Thiago Sampaio

      Conor tem tanta moral no evento que juiz até para luta pra falar com ele!

  • William Oliveira

    Venho dizendo tem algumas semanas já que o Till tinha um jogo perfeito pra “fumar” o Cerrone.
    Eu achei que demoraria mais, inclusive fui de Till por KO no 3º round no Fantasy, mas o Cerrone entrou lento como na luta com o RDA e simplesmente não tinha respostas pro alcance, velocidade e força do “Gorilla” direto de Liverpool, que ganhou grande nessa tarde de sábado.

    Não só a cidade britânica ganhou, mas também o UFC, que estava com sede de novas estrelas e agora conseguiu uma justamente para ser a cara do mercado da “terra onde o sol nunca se põe”. Com a aposentadoria de Michael Bisping estando cada vez mais próxima, o resultado desse UFN não poderia ser melhor para a organização.

    Os fãs também ganham com isso em minha opinião, pois por mais falastrão que o Till seja, é um cara que simplesmente não faz lutas chatas e não parece querer foder o sistema como fez certo alguém. Ao invés de estar falando em cinturão, ele quer ir aos poucos, e disse inclusive que seria um desrespeito com os demais falar tão cedo em Tyron Woodley. Sua confiança se aproxima um pouco de arrogância, mas dentro do octógono o show é garantido, definitivamente o jovem mais promissor do UFC, em minha opinião.

  • Paulo Magalhaes

    O próximo jornaleiro responde poderia tratar da queda de rendimento do Cowboy, o que acham?

    • William Oliveira

      Brother n acho que tenha acontecido uma queda de rendimento, acho que o nível subiu só. Entre Patrick Cote e Matt Brown, ambos no fim da carreira, e os últimos 3 adversários dele tem uma baita diferença..

      • Anderson Tibana

        Também acho que o rendimento não caiu, o Cerrone enfrentou 3 monstros nas últimas lutas. Acho que ele vai virar tipo um Mark Hunt dos meio médios, adversários medianos e bons ele pode vencer, mas quando enfrentar alguém em ascensão ou um top 5 o caldo vai azedar pra ele!

        • William Oliveira

          Sim, bem por aí mesmo. Mas acho que ele n tem mts problemas com isso, parece que é uma situação similar a do Lewis, ele não liga tanto pra ser campeão, na real pouco liga. Somos nós fãs que damos tanta importância pra isso e quase cobramos do cara.

          Você acha que alguém que aceita lutar com um prospecto desconhecido, invicto e promissor, a troco de nada, tá preocupado se vai perder? De jeito nenhum.. Ele realmente é um lutador dos que pegam qualquer um, e sendo assim é muito difícil se manter no top 5..

          • Rudá Corrêa Viana

            Na vdd, o que o cerrone gosta mesmo eh de grana. Por isso luta muito.

      • Paulo Magalhaes

        Pior que é verdade parceiro.

    • Thiago Sampaio

      Vejo um pouco de verdade em cada comentário. O rápido crescimento do Cerrone na categoria dos meio médios está ligada ao nível dos adversários. E hoje, de fato, ele segue como um ótimo lutador que gosta de lutar muito, seja lá com quem for e ganhar a sua grana para gastar com cerveja e esportes radicais.

  • Rudá Corrêa Viana

    Cerrone andando pra trás… Complicado. Até hj não sei como lawler não o nocauteou no primeiro round.

  • Malk Suruhito

    Till entregando um caminhão de manga, aqui em casa inclusive…

    • Thiago Sampaio

      Haha

  • Igor

    RDA é um dos responsáveis por ter exposto as fraquezas do Cowboy. Agora Cerrone tem que se reinventar porque qlqr striker de bom nível já tem o caminho das pedras.

    • Thiago Sampaio

      Robbie Lawler estava com a faca e o queijo na mão para nocautear nov primeiro round. Só não .com seguiu porque estava há muito tempo parado e cansou de bater e fazer força no clinche.

    • Tiago Nicolau de Melo

      RDA doutrinou Cerrone e Showtime, HOMÃO DA PORRA!

  • Tiago Nicolau de Melo

    Queimei a língua com o Till…
    E como fica aquele papo de que treinar no Braza é um atraso de vida, agora?

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