Por que a valentia de Bonnar deve ser admirada

Renato Rebelo | 19/09/2012 às 19:55

Como acho que já disse por aqui, meu maior ídolo no esporte se chama Muhammad Ali. O americano, medalhista de ouro nas Olimpíadas de 1960, ganhou todas as principais lutas de sua carreira profissional sendo considerado o ‘’underdog’’ (a zebra).

Sonny Liston, Joe Frazier e George Foreman eram favoritos contra o menino negro de Louisville, Kentucky. No entanto, a confiança, o poder de entrar na cabeça dos adversários somados às técnicas dentro do ringue fizeram com que ele os superasse.

Para mim, Ali foi o maior de todos os tempos por ter sido um cara que procurou se testar contra os melhores desafiantes possíveis – não importando quão desfavorável fosse a batalha.

Ganhando ou perdendo, a excelência sempre foi o alvo.

Acho as palavras legado e orgulho não combinam. Se você deseja ser um atleta inesquecível, não dá para planejar minuciosamente, escolher a dedo seus rivais e procurar atalhos. Desta forma, o questionamento sempre existirá.

É claro que vivemos outros tempos e, com o nivelamento dos esportes de combate, atitudes inteligentes precisam ser tomadas.

Mas admito que certas escolhas baseadas apenas no dinheiro ou no medo de perder de certos campeões me incomodam um pouco. Afinal, cadê o instinto primitivo de competição que admirávamos no passado?

Ontem, pintou no meu ‘’feed’’ do Youtube uma longa entrevista da repórter americana Karyn Bryant com Stephan Bonnar que, contra Anderson Silva no UFC 153, será o maior azarão da história do MMA.

O que foi dito pelo ‘’American Psycho’’ foi, digamos, revigorante. Seguem alguns trechos:

– Queria um desafio para encerrar minha carreira. Achei que ser o treinador do TUF com o Forrest Griffin seria o melhor que poderia me acontecer, mas não deu certo. Tinha decidido parar, quando, do nada, chegou essa oportunidade. Isso é demais. Ele tem 2,5 milhões de seguidores no Twitter!

– É como se eu tivesse ganhado na loteria. Se eu ganhar, teria o dilema que sempre sonhei na vida: ter um fim de carreira perfeito ou assinar um novo contrato e ficar rico.

– Legado é como querer escolher o que os outros vão pensar de você. Isso é ser muito egocêntrico. Não sou assim. Só luto porque gosto de me testar e testar o outro cara. Se eu for lá e conseguir criar uma luta e ser respeitado está bom. Nunca fui um grande atleta, um campeão como o Anderson. Eu sou um cara mediano. Se eu consigo, qualquer um também consegue. Inspirar pessoas normais é o que me move.

Lembrando que o ex-aluno de Carlson Gracie estava aposentado, destreinado e aceitou com menos de um mês de antecedência enfrentar aquele que talvez seja o maior lutador de todos os tempos em sua terra natal.

Stephan Bonnar merece o nosso respeito. Aceitar ser saco de pancada requer muita valentia. E vai que…

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