Flashback: as derrotas
de Demetrious Johnson

Lucas Carrano | 05/10/2017 às 15:25

Amigos do Sexto Round,

A semana do UFC 216 começou com o treinador do desafiante ao título dos moscas Ray Borg tendo o que muitos fãs mais maldosos chamariam de momento “empolgou” (em alusão à clássica manchete do ex-presidente do Palmeiras Paulo Nobre).

Como não poderia deixar de ser, Brandon Gibson, apostou em seu pupilo na luta contra Demetrious Johnson e disse que a equipe deles, a Jackson’s MMA, tem experiência de sobra em destronar campeões dominantes.

Desde que eu o conheci, ele me falou que seu foco era vencer Demetrious Johnson. Não só ser campeão do UFC, mas ser o cara a desbancar o histórico campeão. Para ele, as duas coisas têm pesos semelhantes. Demetrious é campeão desde que Ray estava na escola e muitos desses campeões parecem ser invencíveis. Já conseguimos acabar com isso uma vez, quando Holly Holm venceu Ronda Rousey e isso vai acontecer de novo”, disse ao MMA Junkie, garantindo ainda que o casamento de estilos é ruim para o campeão.

Apesar da improbabilidade do cenário, como as odds de -1250 em favor de Johnson mostra (o cabra tem que apostar 1250 pratas pra tirar 100 no fim das contas), não dá pra dizer que não aconteceu antes.

Mesmo que tenha sido em uma categoria diferente da peso mosca, na qual o Mighty Mouse sobra, e em outro momento da carreira do campeão, ele já foi superado por duas vezes em sua trajetória – uma delas, aliás, já como atleta do Ultimate.

DJ chegou ao WEC sem fazer muito barulho

Voltemos a 2010, no dia 24 de abril de 2010, no WEC 48 – ou, como ficou conhecido, o dia em que José Aldo transformou a perna de Urijah Faber em um pacote de carne moída.

Bem antes daquele main event entre Aldo e Faber que entrou pra história do MMA, apenas na segunda luta da noite, um jovem de 26 anos que havia recém-completado três anos como profissional fazia sua estreia no World Extreme Cagefighting – no único pay-per-view promovido pela organização antes de se fundir com o UFC.

Seu adversário era o, já naquela época, veterano Brad Pickett.

Embora possa ficar repetitivo, a tônica desse combate se resume a um ponto: a diferença de tamanho. E, vejam bem, não sou só eu que digo isso, o próprio One Punch fez a mesma observação após o duelo.

Quem se lembra do fim de carreira melancólico de Pickett, talvez não se recorde que ele foi um campeão local no Reino Unido e um antigo peso pena. Logo, estamos falando de um atleta da divisão de cima contra um que pertence à de baixo se enfrentando no peso galo – já que o peso mosca naquela época não estava estabelecido.

E acabou derrotado por Brad Pickett

Mesmo com a vantagem de velocidade e seu background no wrestling já conhecido, DJ acabou sucumbindo diante de Pickett, que, até quando foi pego (como em uma joelhada voadora certeira do baixinho), conseguiu agarrar e levar pro chão – onde, aliás, o britânico também nunca foi bobo.

Lidar com wrestlers de grande vantagem física é um problema e tanto para qualquer atleta, e, no caso de Johnson, fazer isso na divisão de cima acabou sendo seu calcanhar de aquiles – um problema recorrente, e que o afetou até mesmo quando ele acabou levando a melhor.

Após a derrota em sua estreia, Johnson encaixou quatro vitórias seguidas, duas pelo WEC e duas pelo UFC, batendo nomes como Kid Yamamoto Miguel Torres, para se tornar o segundo desafiante do então campeão dos galos Dominick Cruz no octógono, em luta realizada em outubro de 2011.

A diferença de tamanho nos galos era brutal

Aliás, é curioso observar este duelo hoje, posto em perspectiva, por dois motivos: 1) como essa luta pôs frente a frente inegavelmente dois dos maiores nomes das divisões mais leves na história – mas no momento em que aconteceu, mal chamou a atenção; 2) a sina de não chamar a atenção de Johnson vem de longa data, já que essa disputa de cinturão foi transmitida pelo finado, e modesto, canal a cabo Versus.

Correndo o risco de chover no molhado, mais uma vez, o grande fator aqui foi a diferença de tamanho entre os adversários. Qualquer vantagem neste nível de competição, com lutadores tão qualificados, transforma-se em um trunfo e tanto e Cruz, naquela época antes de sofrer com suas intermináveis lesões, soube capitalizar, e muito.

Dono de uma movimentação heterodoxa (e incessante), além de um wrestling de nível, Cruz viu em Johnson um desafiante digno, principalmente na luta em pé, mas que ofereceu bem menos resistência quando no clinch ou por baixo no solo – destaque para os dois suplexes cinematográficos aplicados pelo Dominator neste confronto.

E depois ele acabou derrotado por Dominick Cruz

Esse cenário desfavorável forçou o baixinho a adotar uma postura hoje incomum, avançando de forma muitas vezes até desesperada, e abrindo-se para os contragolpes e/ou tentativas de quedas do adversário.

No fim das contas, embora se tratasse de um Demetrious mais experimentado a essa altura do campeonato, os mesmos problemas de sempre pesaram e, contra um adversário do gabarito de Cruz, culminaram em mais uma decisão unânime em desfavor do futuro campeão peso mosca.

Logo após a derrota para Cruz, no entanto, a sorte sorriu para Demetrious Johnson, com a abertura da categoria peso mosca e, muito embora sua luta inaugural tenha sido o bizarro empate contra Ian McCall (em luta que deveria ter tido um round desempate), todos sabemos de cor e salteado o que aconteceu a seguir.

Se Ray Borg estiver lendo este texto, e eu sei que ele está, pois é fã confesso do Sexto Round, o melhor conselho para concretizar a profecia do seu treinador seria arriscar um “ainda dá pra mudar a luta no peso galo?”. Não custa tentar…

Abraços e até o próximo Flashback!

  • Beto Magnun

    Foda que o DJ hoje é um lutador completamente diferente de quando perdeu para Cruz. Incrível como se reinventou e como se adapta aos adversários.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Demetrious Johnson nos galos depois do UFC 216 tinha que ser obrigação, estar no contrato, vai ser ruim se ele ficar nos moscas querendo expandir esse recorde pra ninguém bater… DJ X Dillashaw, Cruz II, Lineker, Garbrandt, lutas extraordinárias, muito ruim ele não chamar tanta atenção.

    • Tarley Guimarães Ferreira

      Mas olha ai o próprio texto Idonaldo…O Demetrius é um cara pequeno até pre divisão dele!!Que seja o contrário então, que os caras desçam e o desafie, que é o caso do TJ, mas vamos ver se o TJ vai desafia-lo no caso de ele ganhar a cinta dos galos.

      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Eu entendo sim, ele é pequeno pros moscas e talvez seria até nos palhas kk, mas o problema é que nem todos os galos conseguiriam descer,Lineker nem bate o peso galo direito mais kk, e o Cruz é grande até pros 61 e também a divisão peso mosca é terra arrasada, tão queimando prospectos, eu acho que o Demetrious saindo de lá ia ser muito bom pra categoria, os galos já é uma categoria mais consolidada arrisco a dizer que tá disputando pau a pau o segundo lugar de melhor categoria com os 77kg, e é um lugar com muitas opções com riscos reais. Acharia muito melhor ele subindo do que os caras descendo pra lutar com ele, talvez ele não ache o mesmo kk.

        • Tarley Guimarães Ferreira

          Perfeito esse final, o lutador tem que fazer o que é mais interessante pra ele, ou mudar de categoria faria faria dele vender mais payperviews?Perder(bom chance) faz o cara vender mais?Eu acho que o cara não vende pelo seguinte motivo:não ser loirinho de olho claro e bonitão(pros padrões)ou alguém vai dizer que Paige Vanzant é uma lutadora que salte os olhos lutando?E o Sage ?Na minha opinião nós fãs de mma deveriamos fechar com o DJ.

          • Idonaldo Gomes Assis Filho

            Sim, eu falei mais como fã eu preferiria ele nos 61, ele com certeza prefere os 56 oferece menos riscos, mas eu confesso que não sei o problema do DJ…acredito que as pessoas tem preconceito é pelo tamanho mesmo

  • KRS Porlaneff

    Ri muito do conselho final ao Ray Borg rsssssssssssssssss

    Carrano, faz qualquer dia desses o flashback de quando Fedor ainda era “invicto”… achei até que, em meio a tantas polêmicas que Fabrício Werdum veio se metendo, que o próximo flashback (esse, no caso) seria a respeito disso.

    • Lucas Pereira Carrano

      Porlaneff,

      Anotado aqui. Vou começar as pesquisas e se possível já desenrolo esse Flashback.

      Aliás, fica o convite aos amigos do site, fiquem a vontade para sugerirem pautas, essa coluna é nossa.

  • Lee

    Esse cara nunca será reconhecido. Ele claramente é um tipo de café com leite para o público em geral.

    • Tarley Guimarães Ferreira

      Depende de que tipo de consideração você fala, quem gosta de mma que é o nosso caso sempre irá reconhece-lo e muito como um dos atletas mais completos e dominantes que já existiu, agora o resto é o resto, precisar vender payperview pra ser reconhecido ai também já é demais.Meu voto vai para mais lutadores de qualidade e menos atores.

      • Carlos André

        DJ é um atleta fabuloso, um artista do MMA.

        • Tarley Guimarães Ferreira

          Tô contigo Carlos.GSP era um dos maiores vendedores de payperview e suas lutas não eram empolgantes, Randy Couture não tinha lutas empolgantes, Lesnar que nunca foi um super lutador vende horrores, acho que a reclamação de não vender deveria vir por parte dos cartolas do evento e não dos fãs, pelo contrário, os fãs deveriam referenciar esse completo lutador que está ali e nunca desrespeita os adversários e nem se envolve em polêmicas.

          • Renan Oliveira

            Concordo Tarley. Pra mim ele já é GOAT.

    • KRS Porlaneff

      Não tô nem de longe falando que é o seu caso, mas o problema de muito fã médio é que eles acham que só luta de pesado presta.

      Sou muito mais ver um card preliminar só de moscas e galos em um Fight Night com lutas que empolgam, do que um card principal numerado com lutas só de médios pra cima mas lutas no nível de Davis VS Bader I, Alvey VS Theodorou e Lewis VS Abdurakhimov.

      • Tarley Guimarães Ferreira

        Eu prefiro lutas boas, e quando se trata de um fora de série com o DJ o cara tem que ser respeitado.

      • Lee

        Eu sou fã menos do que médio…conheço boa parte dos lutadores de nome, basicamente os campeões e os famosos. Esse ratinho aí é esculachado pelo Dana o tempo todo…aí fica difícil pensar diferente, nao é?

        Ele pode bater o recorde do Anderson, mas vai ser apenas uma estatistisca que provavelmente só ele , a família e os amigos dele levarão em consideração, dada a pouca qualidade e representatividade dos adversários e da categoria em si.

        • Tarley Guimarães Ferreira

          Respeito sua opinião amigo, mas os fãs de mma e imprensa especializada eu tenho certeza que pensa o contrário.

        • KRS Porlaneff

          Tá, peraí que o tio KRS aqui tem Tico e Teco que briga e de vez em quando eu não entendo certas coisas.

          Lee disse: Esse ratinho aí é esculachado pelo Dana o tempo todo…aí fica difícil pensar diferente, nao é?
          ↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑↑
          Com isso você quer dizer que, além de acreditar no que Dana White fala, você baseia a sua opinião no que ele fala?

          Sério cara, me fala que eu entendi errado…

          • Lee

            1

            Eu nao tô nem aí pro Dana! E

            Eu quis dizer que o dono da parada denigre a imagem de um lutador de tal forma que fica difícil levar a sério qualquer score.

            Se o dono da empresa nao leva um funcionário a sério, não dá valor, ri da cara do cara praticamente,como é que esse maluco que já tem problema pra se autopromover, ainda mais encarando um monte de baba e fugindo das tais grandes lutas, vai ser reconhecido?

    • Cerrone

      também acho, ficar batendo em caras sem legado algum não significa muita coisa, a única luta dele que vai ficar na lembrança é a derrota para cruz, que foi um lutão do caraleo

  • Nelson Junior Ticaum

    Poderia ser um artigo “viuvas do Pride” (onde me incluo)… falando das divisoes… ou um artigo soh sobre os lendarios GPs, em especial o de 2005, onde consagrariam o até entao relativamente desconhecido e zebra Mauricio Shogun (alguem disse Pai Sho Ogum???)… de quebra ainda tivemos a épica luta entre Fedor X Crocop… Onde o russo mostrou que era um monstro/louco e encarou o Crocop na trocaçao… Podem falar tb da announcer (Lenne Hardt se eu não me engano…) que dava um show (sempre sonhei nela anunciando as entradas no UFC com o Buffer anunciando os lutadores no ringue)…
    Enfim… qulquer coisa do Pride ta valendo… um perfil Igor Vovchanchyn tb seria foda… hehehehehe mto bom ficar recordando… Paul Varelans, o gigante que só entrava na porrada (até meu pai zuava “esse denovo, vai entrar na porrada…”.. em tempos de ufc no vhs)…. nostalgia…

  • Renan Oliveira

    Carrano, gostaria que trouxessem de volta as colunas “Impressões iniciais” e “TOP 5”. Se possível faz uma falando sobre as 5 maiores zebras e uma falando sobre os 5 prospectos de cada categoria (Os que podem decolar)? Abraços.

  • Rudá Corrêa Viana

    Borg eh um pouco maior, mas não vai dar não. DJ eh mais completo e mais rápido. A única chance de Borg (e estou apostando nisso pra quebrar a banca no confere do círio) eh se sobresair no grapling. Borg eh bem ligeiro nas transições no chão e pode tentar se impor com seu tamanho no clinche.
    Mas isso eh só uma esperança pra ele. DJ eh muito mito.

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