Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC 216

Thiago Sampaio | 04/10/2017 às 22:53

Para quem já não aguenta mais um fim de semana sem evento, como o anterior, este sábado (7) teremos evento numerado: o UFC 216, que acontece na T-Mobile Arena, em Paradise, Nevada, a partir de 19h30 (horário de Brasília).

Na luta principal, Tony Ferguson e Kevin Lee se enfrentam pelo cinturão interino do peso leve, aquele lá que Conor McGregor nunca defendeu.

No co-main event (!?), só Demetrious Johnson à beira de um recorde, contra Ray Borg.

O evento ainda conta com um choque de pesos pesados, com Fabricio Werdum, buscando limpar a imagem com o UFC e se colocar de novo na reta do cinturão, e Derrick Lewis, que não se aposentou coisa nenhuma.

E ainda têm vários outros duelos que prometem, tanto no card principal como o preliminar. E vamos lá aos destaques!

Mais um interino pra preencher tabela

“- Vixi, precisamos de alguma disputa de cinturão e não temos nenhum campeão disponível, e agora? – Vamos tentar mais um vez fazer a luta do Tony com o Khabib pelo maldito cinto interino! – O Khabib disse que não poderia, de novo! – Sério?! Ah, dane-se ele. Traz qualquer um, serve o Kevin Lee”.

Com as devidas liberdades criativas, a definição da luta principal desse evento deve ter saído de um diálogo parecido. E enquanto Conor McGregor, campeão linear dos leves, conta as verdinhas da luta contra Floyd Meyweather, finalmente Tony Ferguson (22-3, 12-1 UFC) ganha a chance de disputar um título.

Já são nove vitórias seguidas, incluindo Josh Thomson, Edson Barboza e o ex-campeão Rafael dos Anjos. Um confronto contra o invicto Khabib Nurmagomedov foi agendado em três ocasiões, mas nunca aconteceu (duas por causa do russo e uma do americano).

Como Khabib coleciona lesões, tem uma frequência baixa de lutas (se apresentou só duas vezes em três anos), teve sua culpa por comer tiramisù e passar mal no dia da pesagem do UFC 209, em janeiro, quando enfrentaria Ferguson, a organização não esperou por ele.

O escolhido para preencher a brecha na travada categoria foi Kevin Lee (16-2, 9-2 UFC). E quem diria que aquele cara marrento nocauteado por Léo Santos no UFC 194 e que em março, antes de finalizar Massaranduba, em Fortaleza, sequer estava no top 15 do ranking dos leves, já estaria disputando um cinturão?

O The Motown Phenom vem de cinco triunfos, sendo o último, uma finalização sobre Michael Chiesa, em junho, com um mata-leão, a principal arma do adversário. Aos 25 anos, estilo bad boy e figurino de cafetão, faz o perfil comercial que o UFC adora, mas ainda não tem apelo para alavancar vendas de pay per views.

O El Cucuy tem um estilo agressivo, com um boxe de qualidade, que cai para dentro buscando o nocaute. Mas se ele sente que tem uma mínima chance de finalizar, ele vai lá e o faz, de diferentes maneiras, como foi contra Abel Trujillo, Barboza e Lando Vannata. Mesmo faixas pretas veteranos, como Gleison Tibau, batucaram com ele.

Lee é wrestler, NCAA Divisão II. Muito bom na luta agarrada, com um ground and pound violento. Depois que deixa o adversário atordoado, também arranca boas finalizações (tem sete vitórias assim). Certamente esse é o caminho se quiser sair campeão, pois Ferguson é bem superior em pé, apesar de se equivalerem no solo.

O campeão do TUF 13, que também conta com altura e envergadura maiores, além de um triângulo de mão perigoso, é franco favorito. Mas é tão azarado que, mesmo se sair como campeão interino, pode ser jogado em seguida para escanteio. Se Lee for o vencedor, pior ainda!

Afinal, Conor é Conor e ele enfrenta quem ele bem quer e vai lhe trazer mais grana. A trilogia com Nate Diaz é uma falácia nada difícil de se tornar realidade.

Agora sim, se cuida Spider!

Imagina que você é um total leigo no MMA (o que não é o caso!) e, ao ser mostrado o pôster do UFC 216, você teria que dizer qual deles é o atual campeão mais dominante e, neste evento, pode chegar à 11ª defesa de cinturão, superando o recorde de Anderson Silva.

Provavelmente você responderia que era o grandão em destaque, ou, no pior caso, o que está menor em primeiro plano. Mas não.

Demetrious Johnson (26-2-1, 14-1-1 UFC) é um dos que estão escondidos lá embaixo.

E o fato dessa luta estar no co-evento principal, atrás de uma disputa de cinturão interino, só mostra a falta de valorização do campeão dos moscas, infelizmente justificada pelo ínfimo poderio comercial.

A luta, que seria a principal do UFC 215 e cancelada por conta de problemas de saúde do adversário, Ray Borg (11-2, 5-2 UFC), foi reagendada e relegada na ordem de importância do UFC 216. Mas o favoritismo de um dos atletas mais completos dos dias atuais segue intacto.

Borg, de apenas 24 anos, não despertou alardes. Chegou ao UFC com derrota para Dustin Ortiz e perdeu para Justin Scoggins no meio do caminho. Porém, vem de duas ótimas vitórias, sobre Louis Smolka e Jussier Formiga.

O The Tazmexican Devil tem o wrestling como carro chefe (conseguiu anular um ótimo grappler como Formiga) e tem uma boa trocação, mas é bem difícil imaginá-lo superando o DJ, um dos lutadores mais rápidos e versáteis do UFC.

E se no texto do Vale Assistir do UFC 215, eu disse que DJ é superior na trocação, no solo, no balé, na porrinha, no par ou ímpar ou no jogo de Pega Varetas, nesse tempinho deu tempo de ficar melhor também no jogo do Cara a Cara.

Mas MMA segue imprevisível e ainda podemos nos deparar com uma das maiores zebras da História. E se esperávamos que o Mighty Mouse, batendo o recorde, iria se aventurar em superlutas, ele já andou falando em Sergio Pettis, Henry Cejudo de novo e Magomed Bibulatov

Agora Vai, Cavalo?

Primeiro Stipe Miocic arrancou cinturão dele com um nocautaço. Depois, derrota numa luta equilibrada para Alistair Overeem. Agora, hora de Fabricio Werdum (21-7-1, 9-5 UFC) deixar de lado o papo de título, brincadeiras e recomeçar a trajetória.

Mesmo que seja contra um adversário bem inferior tecnicamente, porém, que impõe algum respeito. Caso de Derrick Lewis (18-5-0-1, 9-3 UFC).

Acontece que nesse meio tempo, o Vai Cavalo teve uma vitória por decisão sem nenhum brilho sobre Travis Browne. No revés para Overeem, foi muito criticado quando parecia estar perto de um nocaute no terceiro round, mas optou por derrubar ao invés de continuar golpeando.

Reclamou pelos cotovelos do resultado (que poderia ter sido um empate). Aos 40 anos e ciente (ou não) de que o tempo é inimigo, pegou essa luta três meses depois. E numa categoria rasa de desafiantes como a dos pesados, junto ao status de ex-campeão, uma vitória o coloca ali de novo no bolo pelo title-shot.

Já o folclórico Lewis volta após ter a sequência de seis vitórias seguidas interrompida em junho, quando foi nocauteado por Mark Hunt e anunciou uma aposentadoria que durou menos de quatro meses. Com 1,95m e pesando 120kg, é aquela jamanta que assusta pela força bruta acima da (falta de) técnica.

Se comparar o chão de Werdum, dono do jiu-jítsu mais refinado dos pesos pesados, com o de Lewis, existe um abismo infinito. O brasileiro é anos luz mais técnico em tudo, porém, pode ter dificuldade para derrubar alguém com a força da Besta Negra. Se cair por baixo, vai ter sérios riscos de ser esmagado no ground and pound.

Apesar de o gaúcho ter evoluído bastante na trocação sob a tutela de Rafael Cordeiro na Kings MMA, a melhor opção é não correr o risco de ser nocauteado e partir para a sua especialidade. Vale lembrar que o gás de Lewis não é nada confiável, basta lembrar das dolorosas lutas contra Roy Nelson e Shamil Abdurakhimov.

Dias antes do duelo, Werdum andou trocando provocações com Tony Ferguson e foi penalizado pelo UFC por possível uso de termos homofóbicos. E Lewis declarou que está fazendo dieta e o Vai Cavalo vai pagar caro por estar ele evitando de comer as novidades do cardápio do seu restaurante favorito…

Imagina o universo entrando em colapso se Lewis vence essa, que é sem sombra de dúvidas a luta mais difícil da carreira dele, com direito a happy face de zoação! Ou então veremos só ele com a mão na barriga com vontade de ir ao banheiro. De novo.

Defender pra quê?

Poucos estreiam no UFC impressionando tanto com uma derrota! Foi o caso de Lando Vannata (9-2, 1-2 UFC), que substituiu Michael Chiesa em julho de 2016 para enfrentar Tony Ferguson e, com um estilo lunático, por muito pouco não conseguiu o nocaute no primeiro round, antes de ser finalizado no segundo.

A notória técnica em pé, misturando golpes plásticos com uma estratégia kamikaze, sem se preocupar tanto com defesa, logo o tornou um produto a ser explorado. O que se confirmou após o nocaute com chute rodado sobre John Makdessi, no UFC 206, em pouco mais de um minuto.

Com a queda de Nurmagomedov-Ferguson no UFC 209, em fevereiro, Lando teve sua luta contra David Teymur promovida à co-main event de um card numerado! Mas ali, teve suas brechas expostas: perdeu por decisão unânime, quando o adversário explorou os contragolpes nas falhas defensivas em meio aos ataques frenéticos.

Agora ele enfrenta de novo um nome famoso, porém, em má fase. Bobby Green (23-8, 4-3 UFC), chegou a emplacar quatro vitórias seguidas no UFC e entrou para o top 15 dos leves, mas de 2014 para cá, foi prejudicado por muitas lesões. Vem de três reveses consecutivos, para Edson Barboza, Dustin Poirier e Rashid Magomedov.

Assim como Vannata, Green curte uma luta em pé, de provocar e baixar a guarda durante o duelo, quase como um Anderson Silva menos talentoso. Mas é faixa preta de jiu-jítsu, contando com nove vitórias por finalização.

Apesar de ter a trocação como carro chefe, Lando Vannata foi da Divisão I da NCAA em wrestling e é faixa roxa de jiu-jítsu. O pupilo de Greg Jackson não deve ser levado para o solo com facilidade e, pela fase ruim do adversário, leva o favoritismo.

Curiosamente o estilo provocador abre buracos defensivos para ambos. Lembremos quando Green pediu para Dustin Poirier bater e atendido, sendo nocauteado logo em seguida. Contra Barboza, especialista no muay thai, foi dominado.

Já Lando acaba por se expôr ainda mais por ter os golpes mais vistosos, apesar de nitidamente ser mais habilidoso. A previsão é que eles travem um eletrizante combate em pé.

Mas o só razoável David Teymur já mostrou os caminhos das pedras contra o prospecto de 25 anos. Se Lando não arrancar o nocaute logo, Green pode levar a melhor se aproveitar o espaço que tiver para derrubar e buscar uma finalização.

Para voltar aos cards principais

É fato que Thales Leites já foi mais valorizado dentro do UFC. Tudo bem que o evento em geral está bem recheado, mas ser jogado para a segunda luta do card preliminar, contra o ex-ranqueado Brad Tavares é, bom, estranho.

Desde que retornou ao UFC, o brasileiro ganhou moral ao emplacar cinco vitórias em seguida. Mas as derrotas para Michael Bisping, Gegard Mousasi e Krzysztof Jotko no meio do caminho frearam o ímpeto. Ter vencido Chris Camozzi e Sam Alvey não o alavancou muito.

O havaiano Brad Tavares é aquele que já esteve no top 15 dos médios após vencer, também, cinco em sequência e deve voltar se vencer Thales, atual número 13. Depois que foi nocauteado por Robert Whittaker em apenas 44 segundos, se recuperou vencendo Caio Magalhães e Elias Theodorou, por decisão.

Desde que Thales Leites foi demitido do UFC em sua primeira passagem (que contou com aquela horrorosa disputa de cinturão contra Anderson Silva), mostrou grande evolução na trocação, deixando um pouco de lado a especialidade, o jiu-jítsu. E até tem funcionado contra adversários menos gabaritados.

Tem sido uma constante a forma dele atuar: tenta sair na mão, mas se estiver levando a pior, parte para a finalização. Em casos como o de Tim Boetsch, funcionou. Outros como os de Bisping e Mousasi, não.

Na última aparição, teve controle em pé contra Alvey, lutando no melhor estilo Nova União, sempre um passo à frente e aloprando nos chutes baixos.

Tavares é aquele típico lutador de MMA completo, bom em tudo e excelente em nada. Praticante de wrestling e com um boxe alinhado, prefere a luta em pé. É pragmático ao extremo, tanto que nove das suas 10 vitórias no UFC foram por decisão. O ultimo nocaute (técnico) do ex-participante do TUF 11 foi em 2011, contra Aaron Simpson.

O pai da Valentina (é, os espectadores brasileiros já se acostumaram a identificá-lo assim…) pode ter mais agressividade, porém, corre o sério risco de cair no jogo chato, mas funcional, do havaiano em pé.

Apesar de Tavares também ser bom no solo, a faixa preta do brasileiro está num nível bem superior. Resta a ele não esperar para tentar a queda só quando estiver faltando o gás.

Promessa de um grande duelo? Como dizia o personagem de Nizo Neto na Escolinha do Professor Raimundo: “Nem tanto, mestre”!

Card completo

Tony Ferguson x Kevin Lee
Demetrious Johnson x Ray Borg
Fabrício Werdum x Derrick Lewis
Mara Romero Borella x Kalindra Faria
Beneil Dariush x Evan Dunham
Tom Duquesnoy x Cody Stamann
Will Brooks x Nik Lentz
Bobby Green x Lando Vannata
Pearl Gonzalez x Poliana Botelho
Walt Harris x Mark Godbeer
John Moraga x Magomed Bibulatov
Thales Leites x Brad Tavares
Matt Schnell x Marco Beltrán

Vale assistir?

Esse é aquele típico card numerado que não deve vender grande coisa lá fora, mas está recheado de lutas que beiram o imperdível. Começando pela possibilidade de um recorde histórico na luta principal desta coluna (pelo menos aqui, DJ é protagonista).

Aproveitando a chegada nos cinemas de Blade Runner 2049, o Mighty Mouse é quase como o personagem principal: um caçador de replicantes (humanos produzidos artificialmente com vida útil limitada). Ele é a ameaça!

Os cinéfilos de plantão sabem que paira um dúvida sobre o longa original, de 1982, se o próprio caçador Deckard, vivido por Harrison Ford, é um replicante ou não. Será que esse reinado de DJ vai acabar e o recorde não passou de uma ilusão “como lágrimas na chuva”?

Se a luta entre Tony Ferguson e Khabib Nurmagomedov que os fãs tanto queriam ver ainda está nos sonhos, Kevin Lee é um adversário que vai trazer uma luta bem interessante.

A luta contra o brutamontes Derrick Lewis pode definir os rumos de Fabricio Werdum no UFC. Se o Vai Cavalo perder e ainda envolvido em tantas tretas fora do octógono, o clima com a organização não vai ficar nada legal.

Green e Vannata prometem uma boa pancadaria com direito a guardas baixas e muita provocação, enquanto o jovem promissor Tom Duquesnoy tem mais uma chance de provar o seu valor contra Cody Stamann.

Beneil Dariush e Evan Dunham devem fazer um duelo bem técnico, lembrando que o iraniano, antes de ser nocauteado por Edson Barboza, vinha tendo uma atuação quase irretocável.

Finalmente teremos a estreia da brasileira Kalindra Faria, um dos principais nomes do MMA feminino fora do UFC, contra Mara Romero Borella. Com estilo empolgante e agressivo, Kalindra certamente chega como ameaça real para a categoria dos moscas (lembrando que ela também luta de paso palha e galo).

Will Brooks e Nik Lentz podem até serem nomes conhecidos, mas pelo estilo amarrão da dupla, é candidata a pior luta da noite.

O mesmo não se pode dizer de John Moraga x Magomed Bibulatov, lembrando que o invicto russo é um forte candidato a uma disputa de título num futuro não tão distante.

Então, já que Star Trek: Discovery só tem três episódios disponíveis no Netflix, assiste tudo de uma vez e reserva o resto da noite para esse evento bem legal. Assim como os Trekkers, poderemos ver um homem audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.

  • William Oliveira

    O que a Kalindra Faria e a outra menina fazem no card principal? Bizarro. Sair como vencedora da melhor de 3 com a Carina Damn deu tanto nome pra ela? Haha

    Bom evento, as expectativas que tenho pro Duquesnoy, Bibulatov e Vannata são grandes, espero que se saiam bem.

    E o Werdum não espero menos que uma finalização ou nocaute até o final do r2.

    • magnuseverest

      Se a luta for nos moscas,esta luta da Kalindra pode ser só jogada de marketing para uma nova categoria…

      • Thiago Sampaio

        Kalindra é uma lutadora muito empolgante, mas a presença no card principal é mesmo uma jogada para promover a recém criada categoria dos moscas. Ainda que até a presença dela na categoria é incerta (ela luta dos galos e até palha).

        • magnuseverest

          Certo,deve ser para cobrir a luta da Paige que acabou caindo contra Eye.

          • Thiago Sampaio

            Seria uma “bela” luta!

  • Lorenzo Fertitta

    Belo texto Thiago, realmente vale a pena assistir. É incrível que nenhuma luta importante tenha caído até agora (pelamordedeus, bate o peso Borg!).
    Se, de um lado temos Brooks X Lentz e Leites X Tavares que têm potencial para ser a pior luta da noite, de outro temos várias lutas com grandes chances de ser Fight of the Night.
    Só um apontamento: acho que o Vanatta está 1-2 no UFC, pelo menos até sábado.

    • Thiago Sampaio

      Valeu! E realmente o Lando está 1-2 no UFC.

  • Hildelano Delanusse Theodoro

    Ótimo texto. Continue assim.

    • Thiago Sampaio

      Obrigado, Hildelano! Estamos sempre buscando melhorar!

  • Carlos André

    O texto ficou show, ainda mais citando Blade Runner.

    • Thiago Sampaio

      Valeu, Carlos André! Sou fã de Blade Runner…assistirei o novo hoje mesmo!

  • Renato Rebelo

    Pessoal, não se esqueçam dos palpites no Confere! Bibulatov x Moraga entrou no lugar de Vanzant x Eye, hein… http://sextoround.com.br/eventos/ufc-216/

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