Os prós e contras de Anderson Silva x Bonnar

Renato Rebelo | 13/09/2012 às 05:05

Deixei a base hoje por algumas horinhas para abastecer o site com entrevistas e fui pego com a guarda baixa.

No meio de uma gravação escutei cochichos de que a luta principal do UFC Rio III seria entre Anderson Silva e Stephan Bonnar.

Ao confirmar a notícia, minha reação automática foi lançar um “porra, não é possível” de desaprovação.

Como não quero me tornar um daqueles críticos rabugentos, procurei, ao chegar em casa, colher opiniões positivas sobre esse combate, digamos, inusitado. Seguem quatro prós e quatro contras:

Prós

Subida de peso
Veremos, mais uma vez, um dos maiores lutadores da história deixando sua zona de conforto para se aventurar na categoria acima da que lhe tornou unanimidade.

Queixo duro
Por mais que se leia nocaute rápido em tudo que se diz sobre essa luta, em 32 lutas profissionais, o americano nunca foi perdeu dessa forma. Suas duas derrotas por nocaute técnico foram por causa de cortes. Belo teste para seu queixo.

Luta franca
Os 35 anos somados à falta de explosão e um wrestling apenas mediano farão com que Bonnar -que também curte uma briga- aceite a luta em pé.

Anderson Silva no Rio
O cara já alcançou tamanha importância que absolutamente qualquer exibição que faça, seja contra Jon Jones ou Jaime Marcelo, atrairá a atenção das massas. Uma vez, um amigo vascaíno do meu pai me contou que ia, na década de 70, a muitos jogos do Santos, só para ver o Pelé jogar. Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos por aí.

Contras

Obrigação
Enfrentar um adversário não ranqueado, com possibilidades muito, mas muito abaixo das suas e ter toda a torcida de seu país a favor obrigam Anderson não só a vencer, mas também a convencer. Qualquer resultado que não seja nocaute ou finalização no primeiro ou segundo round pode ser um tiro pela culatra.

Discurso
Anderson e seu empresário Ed Soares vem martelando, há um bom tempo, que querem os maiores nomes e desafios possíveis para o final da carreira do Spider. Esse, inclusive, foi o argumento usado para negar o duelo contra Chris Weidman nos médios. Pegar o Bonnar sai -e muito- dessa linha de raciocínio.

Casamento ruim
Um luta em que a possibilidade de um dos participantes sair nocauteado se aproxima de 100% não pode ser considerada bem casada. Dana White criticou, durante anos, tanto o Pride como o Strikeforce por colocar lutadores de níveis diferentes para brigarem com o intuito de gerar nocautes e finalizações. Bom, é o que vemos aqui.

Falta de propósito
Haviam outras opções para salvar o UFC Rio, até mesmo para o próprio Anderson. Usar uma parcela do pouco tempo que lhe resta no octógono com um adversário sem pé nem cabeça não me parece uma boa. Repito: Anderson tem muito a perder, inclusive tempo, e absolutamente nada a ganhar – nem em termos de legado.

Tags: , ,