Jon Jones 'entende' McGregor e
ganhará muito dinheiro por isso

João Vitor Xavier | 09/08/2017 às 16:02

Durante a semana de sua revanche com Daniel Cormier, o novo campeão meio-pesado do UFCJon Jones, plantou uma semente que foi colhida imediatamente após nova vitória sobre o rival.

Ao comentar sobre um assunto qualquer no Media Day do UFC 214, o norte-americano soltou, casualmente, que “gostaria de medir forças com Brock Lesnar“.

Como todos sabem, na entrevista pós-luta, Jones fez o desafio oficial, sem muita provocação ou xingamentos.

E, nesta semana, “Bones” admitiu que a inspiração para buscar um duelo contra Lesnar veio de Conor McGregor e a ousadia do irlandês em se testar no boxe contra Floyd Mayweather.

Essa luta (entre Mayweather e McGregor) fará muito dinheiro. Eu acho que, honestamente, me inspirei em Conor McGregor. Ser ousado, buscar patamares cada vez mais altos. Eu contra Brock Lesnar é um pouco como Mayweather x McGregor. As pessoas podem achar que eu irei perder para Lesnar, porque ele é muito atlético. Ele foi campeão norte-americano de wrestling colegial na primeira divisão. Ok, ele é mais velho, mas é um monstro. Um talento raro. Não sei como seriam as apostas para essa luta, caso aconteça”, comentou Jon Jones ao “Jim & Sam Show”.

Obviamente que o passo dado por Conor é muito mais ousado e lhe dará muito mais dinheiro. Porém, em seu tempo fora dos holofotes, Jones parece ter conseguido absorver as principais lições do “Fenômeno McGregor”.

A impressão que tenho é que a maioria dos lutadores busca os ingredientes errados na personalidade do irlandês. Muitos deles olham o jeito arrogante que McGregor espalha por aí em entrevistas e nas mídias sociais e acha que isso é o suficiente para ganhar mais dinheiro e/ou conseguir lutas mais relevantes.

Então, somos obrigados a ver lamentáveis espetáculos como aquele protagonizado por Kevin Lee e Michael Chiesa ou o pobre Jeremy Stephens sendo humilhado em praça pública pelo próprio “Notorious”.

Esquecem algo fundamental dentro de Conor McGregor: a ousadia e a inabalável auto-confiança. O irlandês teve uma subida meteórica na carreira por ser ousado e por acreditar em si mesmo muito mais do que qualquer outro atleta.

Just business!

No UFC 189, não se abalou quando José Aldo se machucou e aceitou enfrentar um lutador (Chad Mendes) que seria, em teoria, um casamento complicado para ele.

Depois de Aldo, buscou o segundo cinturão contra Rafael Dos Anjos mas aceitou enfrentar Nate Diaz como peso meio-médio.

Depois da “inesperada” derrota, deu um dos passos mais arriscados de sua carreira ao fazer um lobby incansável pela revanche nos mesmos termos – Dana White queria que os dois se enfrentassem no peso leve.

Jon Jones parece ter conseguido entender a essência do que faz McGregor um dos principais nomes dos esportes de combate em todos os tempos.

Não são só os ternos de corte perfeito, os palavrões e a fanática torcida por trás dele. É também a ousadia de dar passos perigosos, a criatividade de buscar oponentes “fora da caixinha” e a força de fazer isso tudo acontecer.

Essas últimas qualidades de McGregor, aliás, foram as que Jones absorveu melhor.

Enquanto Conor havia iniciado sua campanha para uma eventual superluta contra Floyd no meio do ano passado, “Bones” fez o mesmo com Lesnar, em tese um adversário que nunca seria ventilado pelos matchmakers do Ultimate.

Porém, um duelo contra o ex-campeão dos pesados é exatamente o que Jon Jones precisa para dar o próximo passo em sua carreira.

Jones: atrás do checão

A luta teria bastante apelo, afinal Brock é um gigante, um freak (do bem ou do mal?) da natureza. Já o campeão meio-pesado é o maior lutador de todos os tempos, mas longe de sua categoria. É realmente intrigante.

Isso sem contar com a força que o nome de Lesnar tem nos Estados Unidos. É difícil para nós, brasileiros, mensurar realmente o tamanho que a figura de Brock tem entre os norte-americanos.

Mas ele é um dos personagens mais famosos do WWE, um dos eventos mais famosos do país e com muita audiência mundo afora.

Além de tudo, há rumores de que Jones gostaria de fazer uma transição para o telecatch daqui há algum tempo e enfrentar Lesnar agora, no auge, é a ponte perfeita para uma futura carreira no entretenimento.

Graças a McGregor, “Bones” pode ter dado o “pulo do gato” ao desafiar Brock Lesnar. Mas isso porque Jones soube absorver de Conor o que ele tem de melhor.

Afinal, ao ser “jantado” por Rampage Jackson e Chael Sonnen no trash talk, o campeão deve ter entendido que o importante é quem tem a mão levantada. E isso ele faz melhor do que ninguém na história do esporte.

  • Renato Rebelo

    Acho que o ponto nevrálgico para a aceitação dessa dupla é esse: o Jones, como o McGregor, “atiraram para cima” (buscaram “money fights” contra caras maiores e/ou favoritos – como quando o Anderson lutou com o Griffin).

    Já Woodley, Bisping e até o próprio Anderson em mts situações buscaram superlutas contra atletas onde, no papel, suas chances de vitória sempre foram maiores.

    • Tairon de Oliveira

      Ousar em um cenário supostamente “desvantajoso”, esse é o caminho para o sucesso. haha

      • Renato Rebelo

        Exactly. O Jones é favoritissimo contra o Lesnar, mas a diferença de peso, força e o ineditismo do cara lutando como pesado criam interesse. Woodley x Nick Diaz ou Anderson Silva x Cung Le, por outro lado…

        • Tairon de Oliveira

          Um exemplo é DJ vs TJ, que embora seja um duelo de primor técnico, a vantagem é clara do TJ, por isso talvez o DJ não visse vantagem em fazer a luta, considerando-se que ele por si, já não vende muito PPV.

          • William Oliveira

            Por essas e outras, se o DJ ousar reclamar de não ganhar bem caso o PPV do UFC 215 não venda bem, ele perderá meu respeito, afinal, foi ele que pediu por essa luta.

          • Tairon de Oliveira

            Pois é…

          • bedotRJ

            Ele vai fazer essa luta. Só não quis fazê-la nas condições do Dana, antes de quebrar o recorde de defesas de título, o que é bastante compreensível e uma concessão bem razoável a um lutador do calibre dele. Com esse recorde em mãos, ele vai cair dentro do TJ, do Garbrandt e de qualquer adversário top da categoria de cima.

          • Tairon de Oliveira

            Fora de timing.

  • Hyuriel Constantino

    De terrivelmente estabanado a incrivelmente sensato:

    Jones realmente é uma caixinha de surpresas.

  • Laércio Madureira

    McGregor só esqueceu de ser ousado e ter coragem para defender seus cinturões.

    • Cerrone

      nem no evento que ele foi campeão antes do UFC ele defendeu … Connor vestiu 4 cintas e nunca defendeu nenhuma … doidera né

      • Laércio Madureira

        E acredito que nunca o fará.

  • Lucas Santana

    Esse aí é o famoso absorvedor de conhecimento, as pessoas acham que o McGregor se destaca apenas pelo teatrinho e o falatório antes da luta, ele se tornou grande por não temer desafios fora da sua “zona de conforto” e por acima de tudo ter uma autoconfiança absurda em si próprio.

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