Pensando Alto: a análise
informal do UFC FN 114

Lucas Rezende | 06/08/2017 às 03:54

Fight Nights tem dessas. Nós debochamos, zoamos os nomes dos trabalhadores que se sacrificaram para o card e dizemos que nem vale a pena os assistir ao vivo.

Com as pedras que atiramos, eles constroem seus castelos (desculpem)!

Pelo menos nesta edição, na Cidade do México, que contou com nada menos que sete combates definidos no primeiro round, além de atuações maduras de Sergio Pettis e Niko Price, e uma madura até demais, de Rashad Evans.

A expectativa baixa é uma dádiva e tanto! Sem mais delongas, vamos ao que interessas!

Sergio Pettis x Brandon Moreno

Nem sempre estar em casa faz bem. Brandon Moreno chegou com moral ao primeiro evento principal da carreira, fazendo frente ao mini Pettis, com toda a torcida mexicana lhe impulsionando. Impulsionando ou pressionando? Posso estar enganado, mas a linguagem corporal de Moreno me fez crer que o jovem nutria mais interesse em proporcionar um espetáculo do que em vencer, de fato. Principalmente após a tentativa de finalização frustrada, no primeiro assalto. Round a round, Sergio Pettis foi aprimorando a distância, polindo os golpes e encaixando-os com mais exatidão, perfurando a guarda de Moreno, que insistia no que conhece e confia: o jiu-jítsu. A movimentação primata e umas expressões faciais que podem sim serem sintomas iniciais de um possível derrame também fizeram pouco pelo caso de Moreno, que terminou não trazendo alegria ao seu povo ao fim do vigésimo quinto minuto. Por ora, as aspirações de Moreno ao título são esfriadas. O que pode ser uma bênção em disfarce, pois Demetrious Johnson não veria problema catar mais uma fruta verde desse pomar desértico dos moscas. A batata quente pode acabar no colo de Sergio, que acumula quatro vitórias consecutivas e possui um sobrenome quase tão prejudicial quanto Gracie.

Alexa Grasso x Randa Markos

Por outro lado, ás vezes estar em casa faz um bem danado. Com gostinho da comida caseira de mamãe, Alexa Grasso apostou muito na nacionalidade e pouco em pagar os instrutores de jiu-jítsu para levar a vitória sobre Randa Markos. E foi recompensada. Senti uma ponta de pachequismo, sim, nos jurados da Cidade do México, mas, se posso ser franco, Markos trabalhou pouco demais e se permitiu interpretações dúbias ao soar do gongo final. Quando se é intruso, essa abordagem é sempre um tiro no escuro. Contudo, confesso que pela primeira vez não me irritei quando alguém perde a chance de desafiar outro combatente e se diz disposto a enfrentar quem o UFC delegar. Alexa Grasso fez uso desse discurso que a essa altura já é de domínio público e acho que fez bem. Se suas atuações até agora são qualquer indicativo, para mim é nítido que não é hora de pular para o lado de lá da categoria. Não importa o quanto o UFC queira torna-la a próxima estrela mexicana desde Dulce Maria.

Niko Price x Alan Jouban

Alan Jouban fez carreira de modelo, não é à toa que chegou atrasado ao MMA. O mesmo queixo quadrado que lhe garantiu o ganha-pão por anos, no entanto, não o sustenta igualmente no octógono. Depois de traí-lo contra Albert Tumenov e Gunnar Nelson, era de esperar que CR7 o esconderia com mais cuidado, mas estava exposto na vitrine quando Niko Price o estilhaçou ainda no início do primeiro assalto. Price conectou um direto e depois uma canelada que renderam Jouban nenhuma outra escolha a não ser aguardar intervenção divina. Aos 35 anos de idade, Jouban chega à sua décima luta pela organização, já estabelecido como nada mais que um rostinho bonito e um porteiro brigão. O destaque aqui é Niko Price. Invicto, jovem e com arsenal chamativo, do jeitinho que os patrões gostam. O cabelo extravagante, inspirado no imortalizado Alfafa, de “Os Batutinhas” e personalidade afável são um bônus. Será que engrena?

Sam Alvey x Rashad Evans

Podemos culpar a altitude. Podemos culpar o corte de peso. Podemos culpar a chegada da idade. Podemos até culpar o analfabetismo dos juízes mexicanos. Ou podemos simplesmente reconhecer que Rashad Evans não conseguiu passar por Sam Alvey. Em combate previsivelmente enfadonho, onde Evans negou a trocação e caçou as pernas de Alvey, estratégia inteligente, mas infrutífera, dois juízes interpretaram que o ruivo feliz fez o bastante para merecer o braço erguido ao fim dos quinze minutos. E é preciso lembrar que Alvey não é famoso pelo ritmo frenético, aliás dizer que seu passo é mediano já é exagero, pois Sam atua em marcha lenta. Francamente, alguém com 18 nocautes na carreira, sempre me flagro chocado com seu volume de golpes desferidos, quase nulo. Ou seja, Rashad Evans não pôde convencer os jurados nem mesmo contra um dos menos atirados atletas da categoria. Tampouco pôde mantê-lo no solo, feito que combatentes menos condecorados que o ex-campeão conseguiram. São quatro derrotas consecutivas, agora. E está difícil enxergar quanto mais perigo Rashad Evans pode oferecer, a não ser que seja para si mesmo.

Menções Honrosas:

  • Não quero ser injusto. O evento foi tão produtivo e recheado de desfechos memoráveis que destacar um ou outro seria desonesto com todo o resto. Desde o raríssimo Von Flue choke de Jordan Rinaldi, até a joelhada despretensiosa de Humbert Bandenay que levou Martin Bravo à Terra do Nunca. Dustin Ortiz fez seu nome ao marca o nocaute mais rápido da história dos moscas, aos 15 do primeiro round e Rani Yahya catou mais um braço para sua coleção, agora é rumo ao card principal para o brasiliense.

Para os demais resultados e a resenha antes, durante e depois do evento, é só dar um pulinho no tópico do UFC Fight Night 114 no nosso fórum.

  • Leandro Augusto De Araújo Silv

    Vi uma (de fato, não muito convincente) vitória da Grasso. Pachequismo, mesmo, entendo que houve no ótimo combate entre Pérez e Soukhamthath – a derrota do segundo o deixa num incômodo 0-2 no UFC, apesar de entregar boas lutas

  • Mateus Elias

    “Acredito que será uma luta morosa, chata, daquelas que vencerá quem mais evitou a derrota.” D Carvalho errou o resultado, mas não errou o que aconteceria.

  • Lorenzo Fertitta

    Análise precisa, Rezende. Várias lutas com desfecho digno de highlights. Garfo mesmo só vi na luta do Soukhamthath, que deu uma aula de como um atleta superior pode deixar a luta escapará por vacilo.
    Quanto ao Price, já o jogaria contra algum ranqueado para ver se engrena.

    • William Oliveira

      Moscas deve ser a única categoria que a galera não quer titleshot, que pelo contrário, querem adiar o máximo possível haha

      Hyun Kim x Price ou até o Saffiedine seria justo.

      • Lorenzo Fertitta

        Acho que a galera deve estar só torcendo para o DJ vencer o Borg e subir definitivamente, pra liberar espaço para eles.

  • Igor Barbosa

    Será que existe algo mais lindo que o rostinho da Alexa Grasso? Lindeza a parte, lamentável a parcialidade dos jurados, não só nessa luta (desculpem, mas achei impossível pontuar a favor da Grassinha) quanto na luta do Alejandro Pérez.

    Mas apesar disso, foi um excelente evento. É impossível a gente dizer se um card é bom ou ruim só com base nos nomes. O casamento de estilos é o que determina isso, e esse card é só mais um exemplo disso.

    • William Oliveira

      Até onde me lembro, sigo sendo brasileiro e pontuei para ambos haha não vi parcialidade alguma, o Andre é claramente mais lutador mas decidiu brincar ao invés de decidir a luta, e depois cansou. A Randa só ganhou o segundo round na minha opinião.

  • William Oliveira

    Ótimo evento, acabou sendo muito mais do que esperamos, como a maioria dos cards sem tanto estrelismo. Acho que já tá mais do que provado que boas lutas surgem de bom matchmaking, não de nomes conhecidos.

    Eu não achei que houve garfo em nenhuma luta, dei 2 rounds pra Grasso, 2 pro Perez e a luta do Alvey e Evans foi tão bosta que sinceramente nem tentei pontuar depois do segundo round, queria que ambos perdessem. O Alvey é gente boa e tem tempo pra melhorar, mas o Evans? Por favor, se retire, deixe mais memórias boas do que ruins, pelo amor de deus.

    Destaque do card pro Yahya, 24 vitórias, 0 por T (KO) e é um lutador muito underrated, têm de voltar pro ranking.

  • Thiago Bueno

    Não achei que a Grasso ganhou a luta. Ela não é ótima em nada e não tem o coração de uma Paige. Eu acho ela boa lutadora, mas não vejo no futuro ela sendo campeão, pois a Rose e Jessica são novas tbm e melhores até tecnicamente ou físicamente.
    Pettis é bom lutador, mas acho que no momento ele é o quinto melhor mosca e não tem o nível de Cejudo, Benavidez e Demetrious johnson.

  • magnuseverest

    Grasso poderia vir lutar no Brasil em outubro contra alguma novata.

  • Carlos Felix

    Rashad Evans é um exemplo de lutador que deve se aposentar. O corpo do cara não aguenta mais o tranco. Está lento, sem força. Infelizmente não dá mais para o Sugar.

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