Edgar e a ingrata missão de conquistar os brasileiros

Renato Rebelo | 06/09/2012 às 14:08

Assim como Jon Fitch, Frankie Edgar veio a público dizer que espera ter o apoio da torcida brasileira em sua incursão ao nosso país para tentar tomar o cinturão dos penas de José Aldo.

Eu não estou temendo por minha vida ou algo assim. São só algumas pessoas apaixonadas e José Aldo é o cara deles. Vamos ver o que posso fazer na luta para que as pessoas gritem meu nome no fim – disse ‘’The Answer’’.

Tirando esse medo fantasioso que os americanos têm de lutar no Brasil – possivelmente inflamado por nossos ingênuos gritos ‘’Uh, vai morrer”-, essa vontade de ser aceito de Edgar é real na cultura americana – porém, não da nossa.

Quantas vezes verificamos atletas tupiniquins sendo aplaudidos e festejados lá fora e seus rivais, donos da casa, vaiados? Por lá, há uma diferenciação mais clara entre patriotismo e gosto pessoal.

Digo, sem medo de errar, que não há povo no mundo que critique mais seu próprio país do que o brasileiro. Essa famosa síndrome de vira-lata que nos consome faz parecer que o gramado é sempre mais bem aparado na casa do vizinho.

No entanto, quando a ameaça é estrangeira, nos unidos estranhamente e abraçamos a causa do nosso representante, seja ele quem for, sem, ao menos, fazer uma breve reflexão.

Na lógica americana, Edgar pode achar possível ter alguns fãs por aqui. Pensem bem. O cara é ex-campeão, boa praça, tecnicamente ótimo, raçudo… Todos os requisitos ticados.

Mas ele não só esbarra no “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Além do fato de que alguém declarar preferência por Edgar ser quase uma ofensa por aqui, temos um campeão muito querido.

Aldo vem de raízes humildes, tem uma trajetória belíssima e é um lutador fantástico. No último UFC Rio, saiu nos braços do povo após nocautear Chad Mendes.

Por mais que admire o baixinho de Nova Jersey, dessa vez vai ser complicado gritar seu nome – pelo segundo motivo, não pelo primeiro.

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