Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC on Fox 25

Thiago Sampaio | 19/07/2017 às 23:22

Neste mês de julho recheado de luta todos os fins de semana, neste sábado (22) tem o “UFC on Fox 25: Weidman vs Gastelum”, no Nassau Veterans Memorial Coliseum em Long Island, Nova York.

Na luta principal, o ex-campeão dos médios Chris Weidman buscar se reabilitar da série de derrotas contra o campeão do TUF 17, Kelvin Gastelum, que vive boa fase, apesar de vir de um no-contest.

Se o co-main event entre Dennis Bermudez e Darren Elkins não está mexendo com o coração dos fãs, o duelo entre o brasileiro Thomas Almeida e Jimmie Rivera promete!

Um evento, em geral, bem interessante, mesmo com atletas nova-iorquinos em quase toda luta para fixar de vez a organização na cidade que até o ano passado proibia o MMA.

Mas vamos lá aos destaques!

Davi x Golias? Nem tanto!

Imagina o cara que destronou duas vezes Anderson Silva, o maior campeão do peso médio do UFC, contra um baixinho, último a ser escolhido pelo time de Chael Sonnen no TUF 17! Parece um cenário um tanto desigual.

Mas tanta coisa aconteceu de lá pra cá, que Chris Weidman (13-3, 9-3 UFC) e Kelvin Gastelum (14-2-0-1, 8-2-0-1 UFC) se enfrentam vivendo momentos opostos neste duelo em que mais parecem pai e filho pela diferença de tamanho.

Apesar de ter vencido aquele TUF pelo peso médio, Gastelum é um meio-médio natural (e baixo!). Tem 1,75m, mas, por conta dos constantes fracassos na balança, foi obrigado a voltar para a categoria até 84kg. Já Weidman é alto, com 1,88m, podendo perfeitamente lutar entre os meio pesados.

Mas como o simpático americano fã de Wesley Safadão não se decide em que divisão vai ficar (diz que quer voltar para os 77kg, mas que fica nos 84kg se receber bons desafios), tem a chance de se consolidar nos médios se bater um ex-campeão.

Convenhamos, Weidman ainda é bem mais respeitável do que os extraoficialmente aposentados Nate Marquadt, Tim Kennedy e Vitor Belfort (vitória convertida para no-contest por uso de maconha).

A fase do All American é a pior da carreira. Após três defesas de cinturão contra brasileiros, não sabe o que é vencer desde que perdeu o título para Luke Rockhold, em dezembro de 2015.

Depois, foi nocauteado por uma joelhada assassina de Yoel Romero e perdeu para Gegard Mousasi num anticlímax lamentável.

Gastelum nunca foi nocauteado ou finalizado na carreira. Se conseguir prolongar os rounds, a tendência é cansar Weidman e arrancar uma vitória por decisão ou até nocaute técnico, já que o gás não é o forte do ex-campeão

Porém, Gastelum já mostrou com Neil Magny ter dificuldade com quem tem envergadura bem maior, o que é o caso: 1,98m de Chris, contra 1,83m dele.

Chris tem condição de usar essa vantagem para capitalizar e, quando tiver oportunidade, usar o ótimo wrestling para derrubar, contando com um eficiente jiu-jítsu, faixa preta de Renzo Gracie.

Se nas condições normais seria franco favorito, as casas de apostas apontam o contrário, por leve margem. Se engatar a quarta derrota consecutiva, Weidman ficará em maus lençóis no UFC.

Dificilmente será mandado embora, até pela relevância de ser um ex-campeão e natural de Nova York, onde a organização está montando a barraca. Mas deve receber uns Dan Kelly ou Brad Tavares da vida.

Co-evento café com leite

Dois atletas relevantes para a categoria dos penas, mas que possivelmente sempre ficarão cumprindo tabela. Assim pode der definido o combate entre Dennis Bermudez e Darren Elkins.

Bermudez é um cara bom em todas as áreas, excelente em nenhuma. Tem vitórias sobre nomes como o atual campeão Max Holloway, Clay Guida, Tatsuya Kawajiri e Rony Jason.

Mas é conhecido pelo QI nem tão avantajado: resolve trocar quando tem que agarrar e agarra quando tem que trocar.

Foi assim que sofreu derrotas, como para Jeremy Stephens e na última aparição, para Chan Sung Jung, em fevereiro deste ano.

Já Elkins, que além de ser conhecido por ter um olho no peixe e outro no gato, é famoso por usar o wrestling de maneira eficiente, garantindo muitas vitórias nada empolgantes por decisão.

Mas na última aparição, no UFC 209, em maio, até que honrou a nova (e horrorosa!) tatuagem no peito: “The Damage” (O Dano). Levou um atraso nos rounds iniciais para Mirsad Bektic e, no terceiro, arrancou um belo nocaute com socos e chute.

Pelo estilo, o vesgo tem boas chances de levar amarrando. Mas considerando a emoção na sua última apresentação, e a falta de inteligência de Bermudez, que sempre curte uma briga franca, até que podemos ter um embate interessante.

42 vitórias no octógono

Esse encontro de tops do peso galo, Jimmie Rivera (20-1, 4-0 UFC) e Thomas Almeida (22-1, 4-1 UFC), é forte candidata a Luta da Noite. E bem que poderia figurar como co-main event, ao invés de Bermudez x Elkins!

Os cartéis deles, somados, falam por si: 42-2! E olha que o brasileiro só tem só tem 25 anos e o nova-iorquino tem 28.

Thominhas é uma das principais promessas do MMA do Brasil. Tem aquele instinto assassino que cai para cima em busca do nocaute. Estava invicto em 21 lutas, até pegar o atual campeão Cody Garbrandt e ser nocauteado no primeiro round.

Mas por ser agressivo feito uma metralhadora, o lutador da Chute Boxe de São Paulo abre muitas brechas. Até contra o fraco Albert Morales, deu susto levando knockdown antes de nocautear no segundo round.

Rivera é mais cauteloso, a maioria das vitórias são por decisão. Não perde desde 2008. É um striker por natureza, usa a trocação com eficiência, mas também tem um wrestling justo, caminho que pode complicar o paulista.

Invicto no UFC, tem como ultimo triunfo sobre o Hall of Fame, Urijah Faber, no UFC 209, em setembro do ano passado.

Thominhas tem totais condições de arrancar um nocaute! Mas na disputa Violência x Estratégia, o atleta da casa tem leve vantagem.

De toda forma, é a luta que vai fazer o pessoal deixar o Whatsapp de lado ao assistir.

Pra finalmente embalar

Passada a fase de “tapar buracos” aceitando luta em cima da hora, Alex Oliveira (17-4-1-1, 6-2-0-1 UFC) tem a chance de se consolidar na categoria dos meio médios contra Ryan LaFlare (13-1 6-1 UFC), número 14 do ranking.

O Cowboy brasileiro já mostrou que não brinca em serviço. Tem um muay thai de muita qualidade e capaz de arrancar nocautes, mas tem mostrado que sabe lutar com inteligência, como na última aparição, em que finalizou Tim Means, em Fortaleza, em março.

LaFlare é aquele cara que sempre consegue boa vitórias mas ninguém dá muito crédito a ele. Tem uma boa trocação, mas o jogo dele é agarrar e amassar até onde conseguir.

E tem funcionado. Só perdeu até agora para Demian Maia, por pontos, numa luta de cinco rounds. Convenhamos, não tem demérito aí! Depois, venceu Mike Pierce e Roan Carneiro, ambos, claro, por decisão.

Se o nosso sorridente Cowboy conseguir manter a luta em pé, tem tudo para levar vantagem e, quem sabe até nocautear, tarefa nada fácil.

Lembrando que contra Will Brooks, era o azarão e acabou levando a melhor com nocaute no ground and pound, se aproveitando da costela quebrada do adversário.

Mas o representante da casa é capaz de segurar no jogo chato e até mesmo na trocação. Para LaFlare, não vai mudar muito a posição em caso de vitória, diferente do brasileiro, que vai escalar uma escada e tanto.

Testemunhem o mito!

Podem chamá-lo de GoDeusfredo Pepey! Desde que impressionou o mundo após participar do TUF Brasil 1, o meu conterrâneo cearense se tornou um ídolo nacional, com atuações cada vez mais incríveis e segue a passos largos rumo ao cinturão.

Shane Burgos (9-0, 2-0 UFC)? É só mais um para a lista de vítimas!

Brincadeiras à parte, aquele Godofredo Pepey (13-4, 5-4 UFC) unidimensional, de trocação desembestada e queixo duvidoso evoluiu bastante sob o comando de André Dida na Evolução Thai.

De quase demitido que só fazia puxar para a guarda e buscava chave de braço, se reciclou e conseguiu boas vitórias sobre Noad Lahat, Dashon Johnson, Andre Fili e Mike De La Torre.

Burgos está invicto na carreira e é um adversário bem versátil: tem quatro vitórias por nocaute, quatro por finalização e apenas uma por decisão (em sua estreia no UFC, contra Tiago Trator). Vem de bom triunfo por TKO sobre Charles Rosa, no UFC 210, em abril.

Se conseguir manter o duelo em pé, o americano é favorito. Vale lembrar que quando Pepey pegou um adversário mais experiente e com wrestling apurado, Darren Elkins, foi dominado.

Mas esse não deve ser o caso de Burgos, um jovem de 26 anos que quer mostrar a que veio no UFC, e vai evitar as quedas, lembrando que ele nunca enfrentou alguém mais tarimbado. Deve ir para resolver na mão mesmo!

Não tem como negar que o cearense tem um jiu jítsu de respeito (aquele triângulo encaixado em pé em Andre Fili foi sensacional) e pode arrancar os três tapas em qualquer instância.

O futuro da categoria dos penas será o vencedor dessa luta? Tá, menos…

Card completo

Chris Weidman x Kelvin Gastelum
Dennis Bermudez x Darren Elkins
Patrick Cummins x Gian Villante
Jimmie Rivera x Thomas Almeida
Lyman Good x Elizeu Capoeira
Rafael Natal x Eryk Anders
Ryan LaFlare x Alex Oliveira
Damian Grabowski x Chase Sherman
Kyle Bochniak x Jeremy Kennedy
Brian Kelleher x Marlon Vera
Timothy Johnson x Júnior Albini
Shane Burgos x Godofredo Pepey
Chris Wade x Frankie Perez

Vale assistir?

Por ser um UFC on Fox, cards em que na teoria são melhores, até que a organização caprichou nesse. Em tempos de Swanson x Lobov, esse evento está cheio de lutas bem casadas, sem vida fácil para os muitos nova-iorquinos que estarão no octógono.

Duas curiosidades pairam sob o duelo principal: será que Kelvin Gastelum tem mesmo condições de seguir na categoria dos médios contra um ex-campeão, bem mais alto? E qual será o destino de Chris Weidman se perder a quarta seguida?

Rivera x Thominhas promete muita emoção entre os levinhos, além de ser um grande teste para o brasileiro. Alex Cowboy sempre entrega lutas movimentadas, mas, para isso, vai precisar driblar o jogo burocrático e nada fácil de Ryan LaFlare.

Na verdade, mesmo as lutas de menos apelo são bem interessantes, como dos pesos pesados Timothy Johnson e o brasileiro estreante Júnior “Baby”; os promissores penas Kyle Bochniak e Jeremy Kennedy; Brian Kelleher (que surpreendeu na estreia ao finalizar o favorito Iuri Marajó) e Marlon Vera (que vem de bom nocaute sobre Brad Pickett), entre outros.

O brasileiro (e nem tão empolgante) Rafael Natal recepciona o ex-campeão do LFA, o invicto Eryk Anders, boa aquisição para os pesos médios. Embalado por duas vitórias, Elizeu Capoeira enfrenta o atleta da casa, Lyman Good, vindo de dois anos de inatividade.

E tem Godofredo Pepey! Não precisa nem dizer mais nada!

Então, se você curte o esporte, se isole do mundo, deixa a sua cerveja gelando, desfrute das lutas para poder dormir depois alegre e satisfeito sem precisar dirigir.

Se tiver que aguentar visitas malas que o obriguem a dizer que quem vai lutar é “aquele cara que quebrou a perna do Anderson Silva” contra o “gringo que canta Wesley Safadão”, releva! O entretenimento está garantido.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Timothy Johnson, Dareen Elkins, Rafael Natal e Ryan LaFlare, só os Just Bleed!! Mas o card tá bacana mesmo, deve render boas lutas.

    • Thiago Sampaio

      De fato o Freddie Mercury do MMA está longe de ser um lutador empolgante. Mas confesso que estou curioso para a estreia do Júnior Baby contra ele.

      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Tenho quase certeza que vai levar pra grade no inicio do round, o juiz para, ele faz o mesmo, e isso se repete até o fim da luta kk

        • Thiago Sampaio

          Francimar Bodão curtiu isso!

  • João Mário

    Na verdade, Thominhas e Rivera somam 43 vitórias kkkkk

    • Thiago Sampaio

      São 42 mesmo, João. Acontece que o Rivera tem 20 vitórias, e não 21…haha

      • João Mário

        Agora entendi rs

  • William Oliveira

    Baita card, um dos melhores não numerados dos últimos tempos, com exceção da luta dos meio-pesados com QI de brigadores de bar, é claro.

    Acho que o Cowboy vai surpreender todo mundo e nocautear no segundo round.

    • Thiago Sampaio

      Villante x Cummins ficou destoante mesmo nesse card principal. Não acredito que o Cowboy consiga finalizar o LaFlare, que tem um jiu-jítsu eficiente. Creio que as chances dele são mesmo se evitar as quedas e conseguir manter a luta em pé.

  • Tiago Nicolau de Melo

    Imagina se o Caubói finaliza o LaFlare? Já pode mandar um #chupaDemian

    Massa ver o Pepey se portando como um mortal e não querendo aparecer ficando invicto e detonando todos no primeiro round. Humildade sempre!

    • Vinicius Maia

      Rapaz, o Laflare é um bom lutador. Ainda acho que o Cowboy deveria lutar nos leves. Vamos ver.

      • Thiago Sampaio

        O Cowboy teria muita vantagem entre os leves, o problemas é que ele é bem alto e forte, chega a pesar em off cerca de 90kg. Por isso corte para 70kg era bem brutal. Não creio que seria saudável para ele seguir por muito tempo entre os leves.

        • Vinicius Maia

          Mas se ele fizer uma reeducação alimenta e se manter leve ele consegue. O problema é tentar cortar muito como Khabib e companhia fazem. Nos meios médios a concorrência é tensa. Ele tera grapplers sinistros. Ele foi finalizado pelo Cowboy Cerrone que nem é m grappler tão bom assim. Vamos ver como ele vai se portar contra o cobertor humano chamado La Flare.

          • João De Séllos Laclette

            Rapaz…Acho que o Cerrone tem um chão muito bom! É só assistir às lutas dele contra o Ben Henderson no WEC. Acho tb que lutar nos leves desgastava muito o Cowboy BR e o LaFlare será um grande teste contra graplers sem o desgastante corte de peso.

      • Tiago Nicolau de Melo

        Pois é… depois daquela falha na pesagem ele nem tentou mais, né?

    • Thiago Sampaio

      Não acredito que o Cowboy consiga finalizar o LaFlare, que tem um
      jiu-jítsu eficiente. Creio que as chances dele são mesmo se evitar as
      quedas e conseguir manter a luta em pé.

      Realmente o Pepey evoluiu muito. Ainda é marrento, mas pelo menos tem se mostrado um lutador bem mais focado.

  • Thiago Gon

    To achando que o Rivera pode ser muito pro Thominhas ;/

    • Thiago Sampaio

      Talvez…mas acredito que é um ótimo teste para saber se o brasileiro pode, desde já, figurar um top 5 dos galos.

  • Álvaro

    Thominhas vai sair de maca do 8. Vai pra cima feito um boi louco e vai dormir com uma muqueta

    • Thiago Sampaio

      Só não acredito nisso porque o Rivera não é nocauteador. Ele sabe trabalhar nos erros do adversário (exatamente onde a afobação do Thominhas pode ser crucial) e cozinhar.

  • Andhré Lannes

    Agora que o weidman é enterrado de vez hein.

    • Thiago Sampaio

      Acredito que as chances dele são bem melhores do que contra Romero ou Mousasi. Mas se perder para o Gastelum, a situação vai ficar bem complicada mesmo.

  • magnuseverest

    Rivera vs Thominhas é a luta mais interessante do card,e se Rivera ganha poderia pegar Lineker ou Cruz.
    Já Weidman se subir poderia pegar Fortuna,e depois (bem depois) pensar em Gusta ou DC.

    • Thiago Sampaio

      Sinceramente? Acho que o Weidman atropelaria o Marcel Fortuna e seria demolido por DC ou Gusta….haha

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