Pensando Alto: A análise
informal do UFC Fight Night 113

Lucas Rezende | 16/07/2017 às 20:13

Foi uma noite decepcionante para o fã de MMA escocês, que gastou suas suadas libras para assistir de perto os maiores nomes do esporte, na Escócia, ao vivo.

Sim, pois o trio Joanne Calderwood, Stevie Ray e Paul Craig não encontrou nada a não ser o gosto amargo da derrota nesse domingo impiedoso de Game of Thrones.

Para o resto de nós, no entanto, que maravilha de evento! Desde o nocaute fulminante de Santiago Ponzinibbio no duelo principal, até à luta de abertura entre Leslie Smith e Amanda Lemos.

Passando, é claro, pela debuta nada menos do que mítica de Galore Bofando e das boas apresentações providas por Paul Felder, Alexandre Pantoja e vários outros.

Sendo assim, vamos ao que interessa?

Santiago Ponzinibbio x Gunnar Nelson

Foi um direto vadio de Gunnar Nelson que atiçou o instinto assassino do argentino gente boa. Bastou Santiago Ponzinibbio sentir o perigo do adversário para ativar o modo de sobrevivência e revidar com muito mais potência no islandês que aparentou jamais ter sentido tamanho impacto em todos os anos de porrada na cara. Santiago foi o primeiro a arrancar uma expressão facial de Gunnar Nelson, tamanho fora o choque. Pouco depois, já não tinha mais semblante, pois estava estatelado e inconsciente enquanto Ponzinibbio celebrava o maior feito da carreira e um salto que o levará ao estrelato. E falo sério quando me refiro à estrelato. O único argentino no TUF Brasil 2, Santiago conquistou a torcida do país que lhe é inimigo natural. Depois, com sua migração para a American Top Team, só vem colhendo resultados positivos. São cinco vitórias consecutivas. Três por nocaute. Então vejamos. Temos um meio-médio carimástico, de mãos pesadas, trilíngue e agora oficialmente Top 10? Se o UFC não reconhecer o tesouro que possuem em mãos, será um enorme desperdício.

Cynthia Calvillo x Joanne Calderwood

Foi oficialmente um dia triste para os escoceses. Depois das quedas de Paul Craig e Stevie Ray, toda a pressão de uma vitória caiu sob os ombros da striker de fala mansa conhecida como JoJo Calderwood. E ela quase conseguiu. A defesa de quedas estava presente, assim como o arsenal variado de golpes em pé. Insistente, no entanto, Cynthia Calvillo não desistiu na primeira, na segunda ou na terceira tentativa de queda frustrada, tragando JoJo ao solo mais cedo ou mais tarde e deixando a finalização escapar por duas vezes ao soar do gongo. Se ainda não estava evidente, agora não há como negar. Calderwood é tão carismática quando unidimensional. Calvillo é cria de wrestlers vorazes na Team Alpha Male, concordo que um tanto verde, mas se molda numa ameaça real para a categoria das palhas, a longo ou médio prazo.

Paul Felder x Stevie Ray

O Dragão Irlandês, Paul Felder, até deixou Stevie Ray e seus compatriotas sentirem que a luta estava caminhando em seu favor. Por quatro minutos. O suficiente para não ser interpretado como mal-educado na casa dos outros, assim como fez o brasileiro Alexandre Pantoja. Stevie Ray tinha a estratégia correta, amarrar o nocauteador, proibindo-o de criar espaço para seus chutes, seus socos giratórios e tudo o mais. Mas quando se possui o arsenal e experiência de Paul Felder, é possível inventar espaço de onde não existe. Bastou uma fração de segundo de desatenção do escocês para que o joelho de Felder encontrasse seu queixo. Para mim, Ray já foi ao solo fora de combate, mas o juizão permitiu que este continuasse a apanhar por mais alguns segundos, até que algumas cotoveladas o apagassem pela segunda vez. Efeito anti-Yamasaki?

Alexandre Pantoja x Neil Seery

Pela última vez, Neil Seery teve chance de demonstrar seu enorme coração de guerreiro celta dentro do octógono. A resiliência que já lhe é própria e o ímpeto de andar para frente não importa o quê estavam lá, mas os 37 anos de idade lhe proibiram de ir adiante munido apenas dessas armas. Alexandre Pantoja até testou o queixo do irlandês no primeiro round, e no segundo, para não estragar a festa, se entregou ao combate franco do jeito que Seery mais gosta. No terceiro, porém, a cordialidade deu lugar à estratégia e a faixa-preta de jiu-jitsu do brasileiro lhe conquistou mais um mata-leão. Neil Seery teve passagem marcante, se um tanto breve, em suas sete aparições no UFC, mas deixa a jaula assim como no dia em que chegou e será lembrado por todas as guerras travadas, vencendo ou perdendo. Alexandre Pantoja enlaça a segunda vitória consecutiva no UFC e não perde desde uma derrota por decisão para Jussier Formiga, em 2010. Vamos ver o que acontece no decorrer da trajetória dessa nova promessa dos moscas.

Menções Honrosas: 

  • A luta de abertura não deixou nada a desejar em relação a qualquer outra do card principal. A moto-taxista Amanda Lemos aceitou o combate com três semanas de aviso prévio e encarou Leslie Smith com maturidade. Investindo corretamente nos chutes baixos e no boxe alinhado, a paraense incomodou a americana, mas Smith teve um camp completo e nunca foi conhecida por se entregar com facilidade. Quando o gás limitado de Lemos terminou, não restou mais nada a não ser uma interrupção misericordiosa do árbitro. Mas até o fim do confronto tivemos luta franca, aberta e valente de ambos os lados. Não é sempre que somos agraciados assim.
  • A expectativa se comprovou! Depois da despretensiosa descoberta de Galore Bofando durante o podcast, o negro maravilhoso fez uma estreia histórica em pouco mais de dois minutos de octógono. Ostentando o estilo despojado, com guarda baixa e golpes vindos por ângulos heterodoxos, que atrapalharam o ritmo do irlandês Charlie Ward. Farto das artimanhas de Bofando, Ward buscou encurtar a distância apenas para ser contra-atacado e arremessado de cara ao chão, feito um bêbado expulso pelas portas dos fundos de uma boate por um leão-de-chácara. Apagado pela queda e por mais uns golpes subsequentes, só restou à Bofando celebrar no maior estilo Chun Li da África Central. Que estreia!

Para os demais resultados e a resenha antes, durante e depois do evento, é só dar um pulinho no tópico do UFC Fight Night 113 no nosso fórum.

  • Caio César

    Já consigo ver o maior evento da história do Brasil lá pro fim de 2018: Maia vs Ponzinibbio pela cinta dos 77kg. Deixem-me sonhar.

    • abner albuquerque

      acho que se o maia ganhar a cinta ele aposenta

      • William Oliveira

        E passar uma luta com o GSP? Maia é inteligente demais pra isso.

  • Laerte Viana Venâncio Alves

    Santiago Ponzinibbio já é o argentino mais amado do mundo! #ChupaMessi

    Impossível não ficar feliz com o sucesso desse cara. Humildade em pessoa. Sua evolução também é gritante, cada vez mais completo.

    Só para encerrar: que ironia do destino é um argentino ser o melhor lutador revelado nas quatro edições do TUF Brasil.

    • Diogo Barbosa

      TÁ LOCÃO ?
      E O MITO MÍIIIIIITICO (como diz o Pai Zé Graça) William Patolino ?
      Peça desculpas agora por sua blasfêmia ?

      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Todo mundo errado, Pepey não terá misericórdia de vocês, vai tudo pro inferno.

        • Diogo Barbosa

          Já me ajoelhei no milho.
          Que ele tenha piedade de mim.

        • Tiago Nicolau de Melo

          GoDeusfredo fez um incursão entre os mortais, pra saber em que nível deveria vir.

          • Wanderson Oliveira

            Que GODofredo perdoe esses hereges

    • Lero

      Massaranduba está num nivel parecido acho. Que pena a idade.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    “arremessado de cara ao chão, feito um bêbado expulso pelas portas dos fundos de uma boate por um leão-de-chácara”

    hahahahaha, exatamente isso que aconteceu, que pena que ele é velho e provavelmente deve ser unidimensional, esse Bofando luta muito engraçado e estranho.

    E o Ponzimito merece demais, pqp, ele falando que morou na rua e teve dificuldades aqui no Brasil e agora desceu lhe o pau em cima do Gunnar Nelson, que na minha opinião tem que descer… Quanto a Calderwood é melhor esperar abrir a Flyweight, Felder eu perdi a luta, mas algo que achei bacana no card também a luta do Henry x Teymur, eu acho que foi a luta que mais perto chegou de ter três 10-8 para pessoas diferentes nos 3 rounds que eu já vi.

    • Tairon de Oliveira

      Também acho que o Gunni tem que descer. Muito pequeno pra segurar o punch dos medalhões dos WW.

  • Gabriel Nicacio

    Cara, se ve nitidamente a evolução desde que Ponzinibbio se mudou da Team Nogueira para a ATT, ele sabe exatamente a hora de golpear, se movimenta bem, e uma mão PESADÍSSIMA. E o cara é muito carismático e “xente boa”, eu to começando a torcer tanto pra ele quanto eu torço pro Demian.

    • Beto Magnun

      Mas a defesa ainda é bem esburacada.

    • Tiago Nicolau de Melo

      Muita força (de vontade tbm) e boxe/muay redondinho.

  • Luis Coppola

    Outros lutadores brasileiros poderiam seguir o exemplo do Ponzimito e irem morar e treinar na ATT ou qualquer outra grande academia dos USA.
    Charlie Ward é o maior peixe (junto com Lobov) que me recordo que colocaram no UFC..

  • lucas

    Gunnie foi Xenti-Bonzado

    • Tião Marreta

      ahahahahahahaah

  • João Paulo Pereira

    “só restou à Bofando celebrar no maior estilo Chun Li da África Central. Que estreia!”

    AHUAHAUAHUAHAUAHUAHUAHAUHAUHAU ALGUÉM FAÇA ESSA MONTAGEM!

    • Idonaldo Gomes Assis Filho
      • Hyuriel Constantino

        Oh, louco! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…

        Eu não assisti esse evento, mas vi que perdi momentos antológicos do MMA mundial. kkkkkkkkk…

        Que controle na perna que esse negão tem… Me fez ter vergonha de meus chutes. LOL

      • Tiago Nicolau de Melo

        hahahahaha, que mestre!

  • Daniel Galisa

    “…tamanho impacto em todos os anos de porrada na cara.” Hahahhaa… Boa!

  • William Oliveira

    Baita evento, entregou muito mais que esperado.

    Já estou ansioso pra ver o novo membro do exército dourado de Niterói lutar de novo!

    • Malk Suruhito

      Exercito Ébanado…

    • Lucas Rezende

      O evento foi bem divertido, mesmo, e o horário ajudou!

  • Tairon de Oliveira

    Estão ventilando apelar da derrota para o Santiago devido a um double eye fingering do argentino em cima do Gunni, que o juiz não parou.

    • Diogo Barbosa

      https://www.youtube.com/watch?v=TbWhA5AoKQA
      A dedada foi no momento do nocaute (Bateu espalmado, 55 s). Não mudou em nada.
      Improvável conseguir o apelo até pq o cara caiu apagado, e não acordado acusando o olho.
      É só mais um choro da galera, alá Werdum.

      • Tairon de Oliveira

        Se o Conor der uma cartolada, acho que ele consegue… kkkk

        • Diogo Barbosa

          Mas acho que nem dá Tairon.
          Gunni tá suave com o negócio, se ele que deveria estar preocupado não está quem dirá Conor fazendo Tour de trash talk .
          Mas se o cara consegue manter dois companheiros de treino com o cartel semi-negativado dentro do evento não é de se duvidar o que mais consiga fazer.

          • Tairon de Oliveira

            Tô ligado. Falei por zoeira.

            Inclusive acharia melhor pro Gunni descer pros leves. O Conor já está saindo pela porta principal rumo à aposentadoria. O Gunni é um puta lutador que, ao meu ver, é pequeno pros WW. Nos leves eu vejo ele rumo ao TOP#5 até com certa facilidade, já que joga redondo tanto em pé quanto no chão.

          • Diogo Barbosa

            haioshoiashoa
            Flagrei a zoeira.
            Vou na contramão dos caras, mesmo com a vitória do Xente Boa, acho Gunni melhor que ele (como lutador de MMA é bem mais completo).
            Penso que na categoria de baixo ele tocaria o terror.
            Ele vs Dairush (Outro puta lutador subestimado )na estréia seria do caralho.

          • Tairon de Oliveira

            Exato. O que falta pra ele é porte. Nos leves ele renderia melhor, creio eu. Se não tivesse que fazer um corte de peso muito abrupto.

      • Igor Martins

        o erro do gunni ao meu ver ali, foi ter encurtado devagar e sem jabear rápido com a guarda aberta (na longa tranquilo) agora encurtar assim vacilou, era bater e sair, pois já vinha o atingindo assim, o argentino capitalizou e foi mais rápido, abaixou o tronco e lançou um direto/cruzado certeiro no queixo do nelson, apesar de ter “contragolpeado” depois, 1 round com lutador de mão pesada não dá pra vacilar. quanto ao dedo no olho…foi nada

  • Igor Bittencourt

    O Rezende tinha que escrever sempre as críticas pós evento. Esse estilo que mistura informação de alto nível com um toque de escritor com suas sátiras e metáforas bem colocadas deixou o texto incrível. Confesso que depois dessa virei team Rezende. Parabéns!

    • Lucas Rezende

      Obrigado pelas palavras gentis e seja bem-vindo ao melhor time, Igor!

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