Justin Gaethje: disposto a trocar
sua sanidade por dinheiro e glória

João Vitor Xavier | 12/07/2017 às 20:51

A insana estreia de Justin Gaethje no UFC, com nocaute espetacular sobre Michael Johnson após a Luta do Ano até aqui, fez com que muita gente comparasse o estilo do ex-campeão do WSOF com o de nomes como Wanderlei Silva.

O “ventilador” ligado, a completa ausência de medo de contra-ataques e o aparente gosto por tomar porrada dão vazão a essa comparação.

Barulhando Michael Johnson

Porém, vejo uma diferença fundamental entre Gaethje, um guerreiro da nova geração, e os lutadores mais emocionantes das últimas décadas.

Enquanto Wand, Mauricio Shogun, Kazushi Sakuraba, Quinton Rampage e Chuck Liddell, entre outros, eram praticamente um produto de seus ambientes, o peso leve do Ultimate fez uma escolha pessoal.

Isto é, Gaethje tem plena consciência de que está sacrificando células cerebrais que lhe farão falta no futuro ao manter o seu estilo de luta.

É claro que essa troca tem dividendos grandes, como o cheque polpudo que ele recebeu após a performance contra Johnson. Além de US$ 200 mil de salário (100 mil para aparecer e 100 mil pela vitória), o norte-americano recebeu outros US$ 100 mil faturando dois bônus: Luta e Performance da Noite.

Além disso, Gaethje teve seu nome ventilado para ser o treinador da 26ª temporada do The Ultimate Fighter. Isso tudo com apenas uma luta no UFC.

Mentalidade da CB de volta?

Shogun e Wanderlei, principalmente, só tinham acesso ao clima de “guerra” lendário da Chute Boxe, onde não era incomum tomar knockdowns diariamente durante os treinos.

Quando entravam em guerras no Pride, os atletas daquela época só conheciam aquela realidade.

O MMA era um esporte marginalizado e tratado no limite entre o amadorismo e o profissionalismo. Isto é, não havia gente interessada em estudar os efeitos de repetidos golpes na cabeça com luvas de quatro onças.

Hoje, a coisa é diferente. Gaethje tem acesso a estudos específicos para o esporte, já viu uma geração de lutadores de MMA na porta da terceira idade e os efeitos que seu estilo de luta podem ter na saúde a longo prazo.

O ex-lutador Gary Goodridge, de 51 anos, foi diagnosticado com demência pugilistica há cinco anos. Outros atletas em fim de carreira e já aposentados têm relatado pequenas dificuldades como perda de memória em curto prazo e problemas para se expressar de forma geral.

É esse tipo de questão que pode fazer parte do dia a dia de Gaethje daqui a 20 anos ou mais. Aos 28 anos, ele já passou por grandes guerras no WSOF e parece disposto a muito mais. Antes de estrear no UFC, “Highlight” disse simplesmente que tem certeza que será nocauteado no Ultimate.

“Eu não vou fazer promessas sobre minha entrada no UFC. A única coisa que eu sei é que serei nocauteado aqui, nas próximas 10 lutas. Porque é um jogo de centímetros e de frações de segundos. Vamos lá. Eu vi todas as minhas lutas em slow motion e eu vivi para vê-las. Eu venci meu oponente no tempo, na velocidade. Eu estou sempre na cara do meu adversário, não o deixo respirar”, disse Gaethje em entrevista ao programa The MMA Hour.

Essas são as palavras de alguém ciente dos riscos de sua profissão. Sabendo que seu estilo lhe trará muitos problemas no futuro. E alguém disposto a fazer essa troca: a saúde e sanidade a longo prazo pela glória e pelo dinheiro a curto e médio prazo.

  • Anderson Tomaz

    Ps. Parece que ele x Alvarez ou ele x Lee serão os coaches das meninas do próximo TUF

    • Igor Bittencourt

      Cadê aquele meme do esquece essa porra pra falar sobre a insistência do UFC com o tuf

      • Anderson Tomaz

        hahahhaha, esse eu vou assistir
        sou fã de WMMA
        sem falar que vai coroar a 1ª campeã da WFLY que tem tudo pra ser a categoria dos ”leves” feminina

        • magnuseverest

          Apesar do modelo TUF estar em decadência,é preciso achar novas garotas para todas as categorias.

      • Hyuriel Constantino
      • Malk Suruhito

        Se o UFC faz TUF, é pq dá retorno. Eu detesto BBB, mas se teve tanta edição aqui no Brasil foi por falta de audiência?

      • Malk Suruhito

        No mais… americanos assistem Nascar. O que pode ser mais massante do que “Tuuuurn to Leeeeft… turn to left…. tuuuurn to leeeeeft…”?

  • João Gabriel Xavier

    Justin Gaethje é um tipo de lutador que me deixa meio apreensivo de gostar do seu estilo. Apesar dos danos a longo prazo, nada mais emocionante do que ver um lutador que luta com o coração que parte pra cima.
    Esse estilo é raro de ver hoje em dia, mas as consequências são cruéis.
    Embora seja uma escolha do atleta, espero que fique saudavel a longo prazo

    • Renato Rebelo

      És primo do autor do texto? hehehe

    • Thiago Pikisius

      Pena que o Lawler é meio médio…

  • Hyuriel Constantino

    Botem Gaethje e Ferguson para serem os técnicos do TUF 26, com luta deles pelo interino no final e tendo como participantes para Peso-Pena feminino e pesos pesados.

    Seria o TUF mais sensato há tempos.

    • Joadson Carvalho

      Brother, tu ta decidido msm em casar essa luta não é?! haha… Mas realmente Ferguson vs Gaethje seria uma luta sensacional!

      • Hyuriel Constantino

        “Fook Khabib.” LMFAO!

    • Valdeir Porto Freire

      Essa tem potencial pra ser uma das mais empolgantes lutas da história do Ultimate!

  • Luiz Sanson

    Ótimo texto, João!!

  • Mauricio

    Eu fui ver algumas lutas dele por conta dos comentários quando ele foi contratado pelo UFC, meu ledo engano foi achar que na estreia ele não iria se conter… o cara foi com tudo e promoveu uma excelente luta para os fãs talvez não muito para ele daqui um tempo.
    Texto ótimo, Jão!

  • Cássio Rafael Guimarães Nascim

    Maluco Insano!

  • Tiago Nicolau de Melo

    HOMÃO DA PORRA?

    ( ) Sim
    ( ) Claro

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