Fight Nights esvaziados: é melhor nos acostumarmos

Lucas Carrano | 23/02/2015 às 15:25
Próximo FN no RJ

Próximo FN no RJ

Há algumas semanas, escrevi aqui mesmo no Sexto Round sobre a sensível mudança nos cards em pay-per-view, que apresentavam tendência de ganhar corpo e, após decepções e cancelamentos, pareciam voltar a apresentar características do produto que é o carro-chefe do UFC.

Para muitos, a direção adotada foi motivo de comemoração. Diversos cards recentes acabaram pendurados em uma ou duas lutas e, por isso, essa poderia ser a chance de ter mais eventos que despertassem apelo genuíno.

Acontece que tal ação gera uma consequência até bastante lógica: o esvaziamento dos Fight Nights.

Desde que foi retomada, em agosto de 2013, a série Fight Night nunca foi palco das maiores lutas da casa – ao passo que o UFC Live (ou UFC on Versus) chegou a contar com uma disputa de cinturão entre Dominick Cruz e Demetrious Johnson.

Apesar disso, teve duelos entre atletas renomados, alguns nomes ascendentes e até serviu como último passo para credenciar desafiantes a uma disputa de cinturão, como por exemplo: Glover Teixeira, após bater Ryan Bader em BH; Lyoto Machida, depois do triunfo diante de Gegard Mousasi em Jaraguá do Sul; ou a recente vitória de Conor McGregor sobre Dennis Siver.

Pois mesmo esta condição já vem se minimizando e a tendência é que, salvo casos excepcionais (como o temerário pareamento de McGregor e Siver ou a estreia do octógono no importante mercado das Filipinas com Edgar x Faber), estes sejam cards que se sustentem muito mais na marca UFC do que propriamente nas lutas que os compõem.

ufc187_posterA matemática é simples: o número de lutas suficientemente atrativas é escasso e se cards como os do UFC 187, com Jones x Johnson e Weidman x Belfort, ou do UFC 189, com Aldo x McGregor e Lawler x MacDonald, vão se tornar mais rotineiros, este “reforço” na programação vai sair de algum lugar – leia-se: os demais eventos.

Acrescente nesta que, por motivos óbvios, os UFCs on FOX são eventos-chave tratados como prioridade e voilà: é cada vez mais provável que sobrem cards como os recentes em Porto Alegre e Broomsfield, ou até mesmo o carioca “Maia x LaFlare”.

Um detalhe, no entanto, diferencia os exemplos citados e é bom que se faça tal distinção, até para que fique mais clara qual parece ser a estratégia para os Fight Nights daqui pra frente.

UFC on Fox 15

UFC on Fox 15

Enquanto Broomsfield e Porto Alegre foram eventos muito bem sucedidos, o segundo inclusive esgotando todas as entradas para o Gigantinho antes mesmo do anúncio de boa parte das lutas, o mais provável é que a noite de lutas no Maracanãzinho não seja.

Desde 2011, o Rio tem acesso anual (em 2012 foram duas vezes) ao principal evento brasileiro no calendário do UFC e, por mais que esse ano corra o risco de perder este PPV para São Paulo, é difícil crer que o público da Cidade Maravilhosa, que já ficou arredio em alguns momentos até com cards numerados, vá se fechar em torno deste FN.

Por isso, como o número de eventos por temporada não deve desinchar, parece-me cada vez mais claro que, salvo situações excepcionais, os Fight Nights serão usados para levar o octógono a novos lugares e dar rodagem ao vasto elenco da organização, precisando apenas se pagar para terem sua existência justificada.

Condições para aplicar tal plano de ação não faltam. Os Estados Unidos são provavelmente o país com o maior número de cidades de médio porte, a maioria delas ainda não visitada pelo evento ou com a última edição realizada há um longo tempo.

Além disso, países como o Brasil e o Canadá também oferecem boa gama de palcos para eventos, e ainda possuem cidades importantes para debutarem no universo da maior organização de MMA do planeta.

A história se repete na Europa e Ásia, com o facilitador de que a maior parte das cidades-sede no Velho Continente ou no oriente passa intervalos significativos sem uma edição e isso, por si só, já serve como fato novo e chama a atenção do público (Escócia e Polônia estrearão em 2015).

Penúltimo FN - antes da entrada de Bendo

Penúltimo FN – antes da entrada de Bendo

Assim, mesmo que algumas lutas boas se justifiquem e acabem acontecendo circunstancialmente (como no reinício da caminhada rumo ao topo de Daniel Cormier contra Ryan Bader ou o choque entre Ricardo Lamas e Chad Mendes, dois recentes desafiantes que não devem voltar a disputar a cinta em um futuro breve), essa não é a tendência.

A tendência é entrar em turnê – ativando mercados antes não visitados – para descobrir novos valores e botar o grosso (relativamente anônimo) do plantel pra trabalhar.

Vá se habituando.

Tudo indica que os fãs vão conviver no dia a dia com eventos menos recheados para uma vez por mês, em média, serem brindados com o que, pelo menos teoricamente, se apresenta como o crème de la crème.

Você aprova a combinação?

Abraços.

  • caio

    Considero esta forma de se fazer os eventos a ideal,teremos um grande card por mes o ppv ou fox enquanto os outros se focarão em um determinado mercado o ufc australia em maio pornexemplo ou como voce bem colocou, serão a forma de se colocar o plantel gigantesco para trabalhar

  • abner albuquerque

    Esse ufc 187 tem tudo pra ser épico.alguma noticia de Mauricio Rua?

    • Renato Rebelo

      Mousasi o chamou pra dançar semana passada, mas ainda nada. Ele vai lutar na final do TUF, ne?

      • diego rizzo

        No maximo um Minotouro

        • Sidra

          Ou um Bisping na de baixo, ou na de 195 lbs… Se bem q poderia ser o Mousasi tbm. Ansioso pra ver a volta de Shogas.

          • will

            Não faça isso! E os direitos humanos?

      • abner albuquerque

        valw renato.sei que as chances são poucas,mas queria muito ver o shogun reerguer-se.

      • will

        Fez muito bem. A surra que elvaria do Mousasi encerraria qualquer esperança.

  • Everton Silva Moço

    Boa tarde galera…
    Duas perguntas, aonde eu posso ver os números de vendas ppv de cada evento?
    E aonde vcs vêem os favoritos nas bolsas de apostas?

    • Lucas Pereira Carrano

      Para as probabilidades das apostas: https://www.bestfightodds.com/

      E as vendas de PPV: http://mmapayout.com/blue-book/pay-per-view/

      Vale lembrar que o UFC não divulga oficialmente estes dados, e os números são sempre baseados em estimativas.

      • Everton Silva Moço

        Valeeeu.. Obrigado Carrano!!! Vcs são fodas!

      • Kelion Almeida

        Confesso que nunca entendi esse sistema de apostas. +150, -190, oi?

        Podes explicar?
        Valeu!

        • Lucas Pereira Carrano

          De maneira simples e direta, Kelion:

          Quem está negativo (com sinal “-” antes do número) é o favorito e, obviamente, quem está positivo (tem o sinal “+” antes do número) é o azarão.

          O valor negativo corresponde ao montante que você precisa investir para ganhar 100 dólares ( -315, você precisa

          • Kelion Almeida

            Agora sim. Brigadão!

  • Matheus

    Cara, na boa, até acho melhor assim. Pelo menos, voltaremos a ter grande PPVs, bem anunciados, cards que as pessoas ficam esperando e se animam. Assim tb não cancela mais evento pq tem opção caso alguma luta caia. O FNs só ve fã msm

  • Vitor Torre De Avila

    É interessante como os fãs de MMA constantemente reclamam de cards esvaziados….

    Se fizermos uma comparação com o Boxe, mesmo super eventos dificilmente tem mais do que 2 lutas realmente boas alem da luta principal, isso com a profusão de praticantes, categorias, organizações, federações e titulos possiveis no Boxe profissional….mas ainda milhões de pessoas compram o PPV para assistir somente 1 luta relevante, de estrelas como Mayweather, Pacquiao, Klitschko, Marquez….super normal eventos em que, durante o co-main event, a arena ainda esteja relativamente vazia….

    Agora no MMA, se não tivermos no minimo 5 lutas FORTES no card principal e mais uma luta bacana pra fechar o preliminar, o card está vazio, é fraco, ruim….a mim cheira um pouco a mimimi….. Faz um card onde o unico nome FORTE seja o Jones ou o Velazquez e ve se vende…..povo reclama demais…

    A questão, como bem colocou o Lucas, é matemática….. O UFC conta com 10 divisões de peso(8 masculinas e 2 femininas) se considerarmos os campeões e o top 5, temos 60 atletas, que, se lutarem entre si 2 vezes por ano em media, formam 60 lutas, ou 30 eventos com Main e Co-Main Events….20 disputas de cinturão…

    Pra mim parece um numero bem legal, fecha redondinho….mas tem gente que torceria o nariz, com certeza pra lutas como Moraga X Formiga, Assunção x McDonald, Lamas x Swanson, Gadelha X Penne, Davis X Kaufman sendo Main ou Co-Main Event… Bota a disputa de cinturão da Strawweight como Main event que eu quero ver….

    Galera, não dá, a conta não bate…ou fazem no maximo 20 eventos por ano, ou só dá pra ter 2 lutas de TOPs por evento….oque pra mim soa muito bem, pois mesmo sem grandes nomes, tem muito lutador empolgante no UFC….só acho q temos q parar de reclamar um pouco….

    • Fernando Lima

      Cara, o seu comentário foi muito sensato, porém gostaria de abrangê-lo ainda mais…
      Se cada categoria tem o seu TOP 20, portanto teremos 200 lutadores envolvidos…
      Se considerarmos que estes lutariam “apenas” entre si e “apenas” 2 vezes ao ano, já teríamos 200 boas lutas. E como dito, no mínimo 20 disputas de cinturão.
      Se temos em torno de 50 eventos em um ano, portanto, cada card já teria 4 boas lutas para o evento principal. Se aumentarmos pra 2,50 lutas em média para os lutadores do TOP 20, já estão garantidas 5 lutas por card.
      Dito isso, não entendo o porquê da dificuldade em se montar bons cards. Não faltam bons atletas. Mesmo com as lesões e suspensões, essa conta não é assim tão difícil de fechar.
      O que acham amigos colunistas, viajei demais na minha idéia?
      Grande abraço!

      • Vitor Torre De Avila

        Fernando, esse é o Ranking Oficial do UFC…

        http://www.ufc.com.br/rankings

        Existem nomes no TOP 5 de diversas categorias que muitas pessoas torceriam o nariz se fossem escalados pra um Main ou Co-Main event….eu coloquei exemplos de casamentos entre TOP 5 que a maioria dos fãs considerariam lutas fracas…

      • Marcelo

        O que você está sugerindo mais ou menos já acontece. A maior parte dos cards principais tem só lutadores que estão pelo menos dentro do top-20. As vezes até no card preliminar, como teve um Nurmagomedov x Dos Anjos e era um evento On Fox e mesmo assim sempre há reclamações.
        Pra mim o problema nos cards brasileiros é que eles se vêem na obrigação de colocar vários brasileiros e aí surgem esses main event cheios de lutadores que eles buscam lá do fundo do ranking… Esse Tony Martin que vai lutar contra o Leo Santos no card principal de LaFlare x Maia, eu não consigo achá-lo em um ranking que participa da votação do ranking oficial, deve ter uma diferença de umas 20 posições no ranking com o Leo Santos. Boi de piranha.

    • Marcelo

      Acontece isso por causa do Pride. A promoção japonesa tinha menos categorias de peso e os eventos aconteciam em quantidade bem menor e por causa disso os eventos eram muito bons, colocavam vários grandes lutadores na mesma noite. O Pride na sua história teve só 68 eventos. Os fãs do MMA, acho que principalmente os brasileiros, querem que o UFC seja igual o Pride.

  • Carlos Ximenes

    Na boa o UFC de Fortaleza teve um card melhor q esse do Rio, e melhor até que o de Porto Alegre. Estou usando o de Fortaleza como exemplo, pois foi o único que eu vi in loco, mas esse do Rio é o pior card de um UFC no Brasil

  • Daniel Cazan

    Acho esta uma excelente estratégia. FN dificilmente abocanha público médio num sábado a noite, diferente dos numerados. Os FNs constroem a imagem dos lutadores emergentes, para isso que serve. Hoje olhamos diferente para o Tatch por exemplo, muita gente não o conhecia. O FN criou esta expectativa e o fã hardcore gosta de FN!

  • Fabricio Alves

    Renato, voce sabe o nome daquele jornalista gordinho do MMAWeekly?

    • Renato Rebelo

      Rapaz, o cara que conheço de lá não é exatamente gordinho. Quem seria?

    • Renato Rebelo

      Rapaz, o que conheço de lá não é exatamente gordinho. Onde vc viu esse?

      • Fabricio Alves

        Não sei se ele é do MMAfighting ou do Weekly, mas se você souber, coloca o nome dele ai.

        Eu vi ele na sessao de autografos da ultima quinta.

        • Renato Rebelo

          Acho que você se refere ao John Morgan, do MMA Junkie. Ele vem a tds os eventos no Brasil

          • Fabricio Alves

            Ele mesmo! Valeu Renato! hahaha

            Tirei uma foto com ele na quinta, mas nao sabia o nome dele.

          • Marcus Vinícius

            Ele vai a todos os eventos do mundo. Bicho é foda! Imagino que quando ele sai de férias, deve ficar em casa. ;P

  • bedotRJ

    As quedas de luta por lesão forçaram essa nova estratégia. Não tenho nada contra, desde que haja por parte do próprio UFC a conscientização de que não se pode cobrar pelos ingressos nestes eventos o mesmo que se cobra em eventos com grandes lutas. Não procurei saber se já saíram os preços para o Fight Night do Maracanãzinho. Considero qualquer coisa acima de R$ 100,00 (inteira) no ingresso mais barato um acinte para o público do Rio, que sempre viu grandes nomes ou disputas de cinturão nos cards realizados por aqui.

    • bedotRJ

      Agora, se há uma outra consequência inevitável é que ninguém mais vai perder tempo prá assistir Fight Night em Cingapura, na China e até mesmo na Europa. Com Manuwa vs Blanchowicz de co-main event por exemplo, só mesmo os fissuradaços ou os profissionais do meio vão largar um futiba, uma night ou um charuto com os amigos que não curtem MMA prá assistir.

  • Max Mendes

    Com licença, Renato. Não quero fazer spoiler mas o Lucas esta fazendo Hangout no tubo sobre UFC FN POA e Dopping

    https://www.youtube.com/watch?v=uPI9waU3iFM#t=15

  • Rodrigo Tannuri

    Sei que a galera tem bastante preconceito com a franquia UFN, mas eu curto muito. Vale lembrar que, desses menores shows, saíram inúmeros bons eventos. É muito legal você descobrir novos talentos e acompanhar o desenvolvimento da carreira de lutadores que não possuem tanta mídia. É óbvio que um evento numerado tem toda aquela pompa, que não precisa de muito pra despertar o interesse, mas, algumas vezes, já vimos UFNs com cards bem mais trabalhados. Por exemplo: o UFN POA tinha tudo pra ser ruim, mas não é que, no final das contas, foi um atrativo legal, mesmo sendo às avessas? Acho até que alguns lutadores vão sem pressão.

    Quanto ao público do RJ, realmente, duvido muito que lote desta vez. E, pra mim, isso é ótimo. Calma, vou explicar essa loucura kkkkk Depois de ver o comportamento da galera contra o McGregor, fico até feliz que tenhamos um público menor.

  • Bart Simpsons

    Vou ser bem sincero, eu não me importo muito com esses cards sem muitas estrelas. Gosto de assistir MMA, aliás gosto de assistir artes marciais em geral, se vacilar eu tô assistindo campeonato de luta marajoara ou de tarracá… heuehueheheuheuehe.
    Brincadeiras à parte, gosto de que os lutadores entrem lá e façam bonito, mostrem que merecem uma oportunidade de aparecer nos eventos maiores da organização. Quem não se lembra do espetacular UFC Fight Night: Rockhold vs Bisping? Evento que de estrela só tinha Rockhold e Bisping, mas teve 11 lutas e nenhuma delas terminou em decisão dos juízes, todos os lutadores fizeram os telespectadores vibrarem. Cada vez que vejo um card sem grandes estrelas, eu recordo e acredito que isso possa acontecer novamente, não o fato de terminar todas as lutas sem ir para a decisão, mas sim no fato de todos os lutadores entrarem com a “faca nos dentes” e nos brindarem com performances incríveis. Se a tendência é essa, então que venham os cards “esvaziados”.

  • will

    Essa é a estratégia certa pro ufc. FightNight não dá dinheiro. Prefiro assistir um evento numerado recheado do que um vexame como aquele ufc177.

  • Rafa FriAll

    1 evento numerado e 1 Fight Night por mês estaria de bom tamanho. E ambos os cards daria pra ter boas lutas.

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