Johnson x Gaethje: quando
trash talk vira baixaria

Lucas Carrano | 06/07/2017 às 13:41

A história não é nova.

Alguém vai lá, faz primeiro, faz bem feito, tem excelentes resultados e, como num passe de mágica, a grande massa passa a seguir a “receita de bolo”.

Johnson vs Gaethje virou duelo de vulgaridade

Foi assim com o corte de peso. Quando campeões eram massivamente maiores que suas categorias de origem, o negócio era cortar peso.

Quando a turma do peso natural chegou ao topo, lutar próximo ao seu peso em off era a solução.

Os estilos de luta também ditaram moda. Jiu-jitsu, muay thai ou wrestling tiveram suas “eras de ouro”, quando todos os atletas não-oriundos se ligaram que a grande sacada era se aprimorar na arte marcial em questão.

Mais recentemente, após experiências bem sucedidas de nomes como Tito Ortiz ou Chael Sonnen, os tempos do trash talking/entretenimento chegarem a seu apogeu com a ascensão do maior fenômeno de marketing da história do MMAConor McGregor.

Lee vs Chiesa não ficou atrás em baixaria

Pois bem, com o crescente número de adeptos do estilo “falador” (com muitos, é bom que se diga, obtendo grande benefício, principalmente financeiro, no processo), é claro que também apareceriam casos extremos – especialmente de mãos menos habilidosas no trato com o microfone.

Motivo de surpresa, no entanto, foi de onde surgiu este caso de extremismo: a luta principal do TUF 25 Finale entre Michael Johnson Justin Gaethje.

Após um evento promocional, enquanto caminhava lado a lado com Gaethje, Johnson adotou a estratégia Eric Cartman (personagem de South Park, pra quem esteve naufragado em uma ilha deserta pelos últimos 20 anos) e entrou em modo “full pistola” .

Sua mãe fez sexo com o irmão dela para ter você, ou foi com o primo dela? Por que você é o m*** mais inato que eu já vi na minha vida”, disse o peso leve, com a delicadeza de um elefante em uma loja de cristais – pra dizer o mínimo.

No momento, o ex-campeão do WSOF Gaethje manteve a compostura, mas, posteriormente, resolveu rebater o rival, embora não a altura – até por que é difícil ir mais baixo que as insinuações de incesto na família do adversário.

O Johnson é um retardado. Você vê as entrevistas e o jeito que ele fala, ele está tentando construir essa luta. Não. Isso não é um jogo pra mim. Tudo o que você disse, eu levo para o lado pessoal. Não me afeta emocionalmente. Eu queria matar ele quando a luta foi anunciada e eu quero matá-lo agora. Nem mais, nem menos. É vida ou morte pra mim toda vez que piso no cage”, declarou Justin, ao MMA Fighting.

E assim está feito. Junta-se a fome e a vontade de comer. Um cidadão cujos limites morais são mais flexíveis que Natalia Tatarintseva (campeã mundial de pole dancing) e outro que leva tudo que ele diz para o lado pessoal.

A história ainda não acabou. Gaethje e Johnson vão ficar frente a frente na encarada pré-luta e no octógono até o fim desta semana e ainda tem tempo, e oportunidades, de sobra pra trazer mais capítulos à narrativa – adicionando elementos de antidesportividade no combate, por exemplo.

É difícil imaginar onde vai ser o fim da linha para a era do trash talking – e pelos números e rendimento financeiro fica complicado inclusive acreditar que este dia vai chegar.

Mesmo os grandes nomes dos microfones, como o já citado Sonnen, as vezes pisam fora da faixa. A linha é tênue.

Por outro lado, episódios como Gaethje x Johnson, ou mesmo o anterior – e não menos lamentável – Kevin LeeMichael Chiesa, podem, e devem, criar uma referência do que não deve ser feito.

Se há uma coisa que não se pode negar, é o potencial didático de um episódio que expõe os envolvidos ao ridículo.

  • Bruno Goes

    Acho que tem que saber separar o que é trash talk, e o que é ofensa verdadeira, xingamento. Trash talk é o que faz o McGregor, Sonnen, onde não existe uma verdadeira animosidade com o adversário, é só a pentelhice de querer tirar o cara do sério e obviamente vender a luta. Em um nível “menor” e mais “educado”, dá para colocar o Cruz como um trash talker também. Aí sim eu concordo que tem que existir limites, e nem tudo é aceitável. Mas casos como Jones x Cormier, e os dois citados no texto, acho que passou de ser uma simples promoção de luta, e sim uma verdadeira rixa. Aí fica complicado de querer regular o que os caras dizem. Duvido muito que quando o Cormier falou que queria cuspir no rosto do Jones, e ele respondeu que o mataria, eles estavam pensando em vendas de PPV. Até porque nem sabiam que estavam no ar. O mesmo nesse diálogo do MJ com o Gaethje. É bonito de ver? Não. Mas são seres humanos, os caras tem sentimento, e nem sempre dá para fazer tudo pensando no bem do esporte ou da própria carreira.

    • Alex sousa freitas

      Se guerra de garrafas dágua e ameaças com cadeiras for trash talk, não sei se mais nada!!

      • Hyuriel Constantino

        Mitou, fera.

      • Bruno Goes

        Acho que o hate ao Conor é tão grande que vocês conseguiram enxergar o meu comentário como uma proteção ao irlandês. O meu ponto é exatamente esse. Atitudes como essas citadas por você devem ser condenadas, porque não passam de showzinhos, com o objetivo de vender lutas e nada mais. Sendo que na verdade só piora a imagem do esporte quando passa do ponto. Já uma briga como a do Jones x Cormier, por mais que também seja condenável, dá para compreender que foi consequência do calor do momento, verdadeiro, e todo mundo está propenso a se exceder. Mas se querem transformar em uma carta de defesa ao McGregor, fiquem à vontade, não vou discutir com quem já vem com opinião formulada, e nem se dá ao trabalho de entender o que foi escrito.

        • Carlos André

          Aqui tem uma turma que não consegue interpretar um texto qualquer básico por mais objetivo que seja e, obviamente, não consegue estabelecer uma reflexão sobre tal. Perda de tempo discutir.

        • Shotokan Karate

          Bruno eu entendi o que tu quis dizer a questão é que o irlandês não se limitou a falar groselhas (o que já é condenável pra mim) ele chegou a mandar garrafas pra cima do Nate Diaz. Isso em uma federação minimamente séria é caso pra suspensão da licença pra lutar por um ou dois anos e em reincidência é banimento do esporte. A regra tb valeria pra Jones x Cormier no incidente do arranca-rabos naquele evento. Não se trata só de “haterismo” pra cima do irlandês. O colega acima mandou exemplo concreto.

          • Bruno Goes

            Desculpa Shotokan, você não entendeu porque é exatamente isso que eu falei no meu comentário, e vocês estão me corrigindo repetindo exatamente o que eu falei. Vou tentar deixar o mais explícito possível. CONCORDO TOTALMENTE que o caso do Conor é o mais lamentável entre todos. É o que falo lá em cima. Ele é um trash talker, não se existe real rivalidade com o adversário. Eu não estou dizendo que por ser trash talker tem que ser perdoado. Estou falando EXATAMENTE O CONTRÁRIO. É tudo feito de caso pensado, um teatrinho com intenção de vender mais. E por isso acho que a crítica no texto do Carrano, de que devem existir limites para isso ( limites que foram passados na “guerra de garrafas”, por exemplo), É TOTALMENTE COERENTE. Quem eu estou defendendo, e pedindo para que dêem uma relevada, são exatamente o Jones/Cormier e MJ/Gaethje, por serem coisas verdadeiras, e todo ser humano pode se exceder um pouco.

          • Shotokan Karate

            Relaxa Bruno não seja tão radical (em parar de comentar) aproveita o espaço pra dar risadas que é o que faço mtas vezes quando vejo groselhas sendo postadas… O lance do irlandês que é quando tu falou que ele “faz trash talking” deu a entender que ele se limita só a falar groselhas quando na verdade ele deu garrafadas no Nate Diaz e mesmo o Jones e o Gordinho bom de briga Cormier tb tem que ser criticados… Inclusive eu próprio critiquei os dois em posts aqui… Eles só não foram suspensos pq o MMA infelizmente não é um esporte federado pq se fosse os dois teriam licenças suspensas…

  • Edilson Santos Jr
    • Lucas Pereira Carrano

      Bem por aí hahahaha

  • Diogo Barbosa

    Pra mim todo trash talk é bosta. Há quem goste mas não sou um desses.
    Sobre os limites , o limite é enquanto vende a luta, se cagar numa sacola e jogar no oponente vender PPV ,vai ser totalmente aceito.
    Cadeiradas, garrafadas, cuspidas na cara, empurrões nas pesagens tudo isso é baixaria não é menos ou mais aceitável que a zoada da mãe do outro.
    MMA, como diz no texto, é cíclico. Logo menos começa a faze de bom moço estilo Demian e Pacquiao

  • João Monteiro

    Acho que o Michael Johnson exagerou um pouquinho no trash-talk. Passou levemente do ponto. Pouca coisa.

    Mas belo texto, Carrano!

  • William Oliveira

    Michael Johnson e Kevin Lee devem ter algum grau de parentesco, não é possível que sejam ambos tão retardados sem terem alguns genes defeituosos em comum.

    Espero que o Gaethje passe o carro nele de forma brutal, mas não confundo torcida com realidade, acredito que o MJ leva por early TKO.

  • Lucas Silva

    Estou muito ansioso pra essa luta, se tem um cara que posso chamar de ídolo é o Gaethje, o sujeito é insano, parte pró tudo ou nada mesmo. Já me proporcionou momentos de pura emoção do WSOF, e desejo tudo de bom pra ele no UFC. Amanhã será mais uma guerra, e espero que ele ganhe de novo, por mais guerreiros assim no MMA.

  • Shotokan Karate

    Esse tal trash talk sempre foi sinônimo de baixaria… Loko que precisa apelar pra isso é pq não confia no próprio taco… Quando tu é bom pra valer tu vende luta abrindo o bico pra falar m* ou não…

  • Lucas Pereira Carrano

    Só voltei aqui pra comentar que felizmente, apesar dos incidentes pré-luta, a imagem que vai ficar é a de um dos combates mais movimentados do ano.

    No fim das contas, o que acontece dentro do 8 fala mais alto.

  • Renan Augusto

    Thrash Talking era o que o Ali fazia, ou ate oq o Sonnen e Tito fazia, oq acontece hj no MMA é mais uma pagina lamentavel. Nem todo mundo nasceu pra ser trollador nota mil com eficiencia sem ser um completo palhaço.

    Conor rebaixou o thrash talking no mma pro nivel do wwe, e infelizmente depois do irlanda o nivel só tende a cair cada vez mais, vide Johnson e Lee. Menção Honrosa a Miss Tanajura Correia

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