A sorte de Dana White e seu verdadeiro nome

admin | 03/09/2012 às 09:22

Há algum tempo li entrevistas de Dana White dizendo que as pessoas não imaginam o que ele passa diariamente sendo o presidente do UFC.

Segundo ele, nem 5% do que acontece chega à mídia. E o chefão garante que esses 95% fariam qualquer casca-grossa ficar vermelho de vergonha e/ou raiva. Eu imagino que seja isso mesmo.

Lidar com não sei quantos lutadores, a maioria com egos e backgrounds de vida turbulentos, não é para qualquer estômago.

O próprio Dana definiu seu emprego como “o pesadelo dos seus sonhos”, e não duvido que seja isso mesmo. Mas de uma coisa o careca mais famoso do MMA não pode reclamar: ele tem sorte.

Se não tivesse, como se imaginaria que um evento cancelado – que é uma tragédia financeira e de marca para o UFC – seria seguido por dois eventos com lutas principais memoráveis como Jon Jones x Vitor Belfort e José Aldo x Frankie Edgar, ambas valendo títulos importantes?

E como mensurar a grandeza da revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen em números, branding, PPVs e exposição do UFC na mídia mundial?

Muitas vezes a sorte acompanha Dana White e seu evento. Mesmo uma aparente lambança é seguida de uma grande volta por cima, que faz o UFC voltar ao topo dos assuntos mais comentados pelas redes sociais.

Entretanto, há uma palavra-chave nisso tudo. Uma, não. Duas. 1) Joe. 2) Silva.

Sim, amigos, esse é o grande nome da “sorte” de Dana White.

Seu carisma e sua força para tomar decisões fortes e complicadas não são NADA se comparados ao trabalho que o baixinho de origem latina e que é proibido por contrato (acertadamente) de dar entrevistas faz nos bastidores da empresa.

O coração do UFC é justamente o seu “matchmaker”, o cara que casa as lutas e mexe as peças do complicado tabuleiro que envolve lutadores, lesões, datas e tempos de recuperação.

Joe Silva, hoje, é muito mais importante que o próprio Dana White para o funcionamento azeitado do UFC e seus 34 eventos anuais mundo afora.

No UFC desde o UFC 3, Joe Silva já treinou boxe, kickboxing, wrestling e percebeu, desde o UFC 1, que poderia fazer parte da organização.

Desencantado com o rumo que as artes marciais estavam tomando antes do UFC, parecendo algo circense, Silva decidiu aliar-se aos irmãos Fertitta e a Dana White após a aquisição completa dos direitos do evento para buscar a profissionalização do esporte, e tambem melhorar a sua imagem perante o público e seus fãs.

O seu trabalho, hoje, consiste em montar os cards dos eventos levando em conta o apelo e a competitividade dos atletas e das lutas.

Além disso, os calendários, contratos, tempos de recuperação de lesões e eventuais substituições fazem parte do seu dia a dia, sem contar exames antidoping e problemas dos atletas com a Justiça.

Apesar da decisão final sobre as lutas ser sempre de Dana White, Joe Silva é, verdadeiramente, o coração do UFC.

Imaginem como foras as suas noites entre dois dias antes do cancelamento do UFC 151 e o anúncio de Aldo x Edgar no UFC Rio III.

Imaginaram? Multipliquem por 20, então, já que levamos em conta que apenas sabemos 5% do que acontece.

É ou não é um pesadelo, mesmo que muito bem remunerado, que a maioria dos fãs do MMA preferiria evitar ter de viver diariamente?

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