UFC e o fortalecimento do WMMA sem Ronda Rousey

João Vitor Xavier | 12/02/2015 às 15:15
Ronda na SI

Ronda na SI

Rosto do MMA feminino, Ronda Rousey segue sua trajetória de sucesso tanto dentro quanto fora do octógono.

Desta vez, a campeã peso-galo do UFC foi uma das mulheres escolhidas para abrilhantar a edição Swimsuit da revista Sports Illustrated, dividindo a honraria com mulheres do quilate de Irina Shayk (ex de Cristiano Ronaldo) e de Caroline Wozniacki, antiga número um do mundo no tênis.

Mas enquanto Ronda aumenta a cada dia suas opções fora da luta, as outras meninas do Ultimate sofrem com a falta de competição – e de atenção do próprio evento.

Aos poucos, a gratidão pela chance na maior promoção de MMA do mundo vai se transformando em impaciência para as mais de 50 lutadoras afiliadas.

Primeiro foi a peso-palha Joanne Calderwood, que reclamou publicamente por não ter tido uma luta marcada desde o fim do TUF 20, que coroou Carla Esparza como primeira campeã da categoria.

JoJo à espera de um desafio

JoJo à espera de um desafio

Até ontem à noite, aliás, apenas duas lutas da nova categoria estavam confirmadas.

A detentora do cinturão vai defendê-lo contra Joanne Jedrzejczyk e, em um duelo de musas, Paige VanZant enfrentará Felice Herrig.

O UFC anunciou ontem que a brasileira Claudinha Gadelha, da Nova União, pode pegar Aisling Daly na Polônia.

Muito pouco para uma categoria que tem 23 lutadoras contratadas oficialmente pela promoção.

Mas a insatisfação também está no peso-galo, onde Rousey segue absoluta. Ex-desafiante ao título, Liz Carmouche lamentou a dificuldade em achar desafiantes de nível mundial.

Sem luta marcada há meses, a “Girlrilla” volta ao octógono em abril, mas admite que já poderia ter lutado muito antes.

Esses são apenas dois exemplos de um dos grandes problemas que vêm sendo enfrentados pelo UFC.

A promoção nunca escondeu que Rousey era o grande pilar do MMA feminino. O Ultimate promoveu a lutadora em todos os níveis possíveis, conseguindo aparições para ela em grandes programas dos Estados Unidos e a ajudando na hora de conseguir importantes papéis em Hollywood.

Mas o foco na campeã desviou a atenção do restante das lutadoras do evento. A impressão que se tem é que enquanto Ronda não luta, ambas as divisões ficam em compasso de espera.

Prova disso é que Raquel Pennington x Holly Holm no UFC 184 será o primeiro co-main event feminino de um pay-per-view que não envolva título. E isso só foi possível pois Weidman x Bellfort foi adiado.

Vanzant já de Reebok

Vanzant já de Reebok

Nem Miesha Tate, maior rival de Rousey, é capaz de se colocar em melhores posições nos cards.

Certo que ela mesma pediu para estar no card preliminar do UFC 183 – mas a ideia original era ter sua luta com Sara McMann abrindo o pay-per-view, longe dos holofotes do evento principal histórico, com o retorno de Anderson Silva.

Buscando ter alguma independência da figura de Rousey para vender lutas femininas que atraiam a atenção do fã mais casual, o UFC infelizmente parece estar usando da mesma fórmula, desta vez apostando ainda mais na beleza e menos no talento.

Recentemente, VanZant, uma versão mais leve e menos polêmica de Ronda e com a metade do talento e da força da campeã, foi contratada pela Reebok.

A intenção é clara – investir na aparência da jovem lutadora para torná-la uma nova Ronda Rousey.

Enquanto isso, lutadoras mais tarimbadas e talentosas – como Gadelha e Esparza seguem ignoradas.

Assim fica difícil, Ultimate…

  • Renato Rebelo

    Pessoal, esse é o texto de estreia do João Vitor Xavier – jornalista ex-editor do jornal Lance! do Rio de Janeiro. O cara é fera e sempre foi um grande entusiasta das coberturas de MMA. Espero que curtam o trabalho dele. Joãozão, te agradeço muito por ter topado se juntar a nós para falar sobre o esporte. Seja muito bem-vindo e sinta-se em casa, irmão!

    • Natan Machado Fauzi

      Que seja bem Vindo!

    • Lucas Andrade

      Bem vindo!

    • Dan Mendes

      Renato Rebelo esta se tornando o Nasser Al-Khelaïfi do MMA

      • Renato Rebelo

        Hahahaha quem sou eu, meu amigo

    • Lucas Sousa

      Seja bem vindo João!!!!

    • Thiago Arruda

      Já começou com o pé direito, ótimo texto! É sempre bom ver gente nova.

      Tenho uma pergunta sobre os colunistas. Onde está o Alexandre Matos?

    • Maxsupremo

      Como é que é Renato, Não falou pro João Vitor do teste do Sofá?!
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      Brincadeira…. Seja bem Vindo João Vitor, Já começou com o pé direito com um texto muito bom!

  • Danyel P Lorenzo

    E mesmo pq ultimamente as lutas femininas tem sido de tão alto nível que qndo tem musas no card já cravo em dizer que será lutão.
    Boa estréia no site que é nosso xodó de notícias especializadas em MMA.

  • Rubens Rodrigues

    Bem vindo!
    Já chegou assim com um baita texto.
    Grande abraço.

  • Carlos Ricardo de Moraes

    Boa estréia e seja bem vindo

  • Matheus

    Bem-vindo e ótima estreia João. Mantendo o nível dos outros colunistas já ta mt bom rsrrsrs Abs!

  • Diego_Rod

    Parabéns pela estreia! Podem me xingar, mas acho o MMA feminino ainda mt dependente da beleza. Tipo, só ganha notoriedade msm se for bonitinha. Olha o UFC ai não fazendo esforço pela Cyborg…

  • Bruno Conde

    Assim como no caso dos homens, a promoção está focando em personalidades e não em lutadoras. Deram sorte que Ronda é uma personalidade e uma grande lutadora, e de quebra é bonita também, o que faz com que os homens que tinham preconceito com lutas femininas deem mais atenção.

    Conor é outro que tem personalidade e sabe lutar, para fazer o paralelo. A estrela é que vende PPV, grande foco de 2015, por ter sido um desastre em 2014.

    A Bethe é que está certa fazendo a promoção como contraponto à Ronda. Assim ela ganha este personagem da promoção e chama atenção. Pena não falar inglês.

  • Luiz Guilherme

    boa estréia, boa análise.

  • Juan

    Excelente estréia. Parabéns!

    Particularmente, gosto muito das lutas femininas, por que como elas ainda estão em desenvolvimento técnico, a imprevisibilidade dos combates é maior.

  • Carlos Montalvão

    Bem vindo João! O UFC atualmente tá pensando apenas na imagem, não no talento. Houve um tempo (Strikeforce) em que as mulheres, mesmo com pouco espaço, eram mais valorizadas e hoje é fato que o UFC empurra as meninas com a barriga. Ora, pra que demitir Sheila Gaff, Rosi Sexton e Alexis Dufresne numa categoria rasa, deixando muita gente sem luta. Sem contar nos grandes nomes como Alexis Davis e Sarah Kaufman, que ficaram mais de meio ano sem lutar, implorando no Twitter luta após luta de mulher nos eventos durante meses. Por que a Sarah Moras tá de “férias” desde julho de 2014?

    Sem contar que o que o UFC e a Reebok fizeram essa semana foi o cúmulo da cara-de-pauzice kkkk, tipo “hey, vamos assinar com a novinha Paige VanZant, ela é loira, o público gosta de loiras, ela é gostosinha, o público gosta de gostosinhas, ela vende bem pela aparência e vem de uma estreia com bônus de luta da noite, a campeã chata que se dane”. E não é só sacanagem com a Esparza, é sacanagem com as outras atletas muito mais experientes, talentosas e empolgantes nessa categoria como a Randa Markos, Rose Namajunas, Jessica Penne, Tecia Torres (que deu uma surra linda de se ver na Paige quando ela ainda se tinha um movimento de cabeça igual de uma galinha e era bem limitada, lá no Invicta, onde as lutadoras tem o devido respeito) ou a própria Joanne Calderwood.

    Eu como fã de WMMA sou suspeito pra falar, mas acho que o UFC atrairia mais público para o peso-palha se investissem em publicidade com a JoJo por exemplo, com highlights mostrando a fera no cage e aquele jeitinho meigo dela fora dele ou se encaixassem melhor lutas entre lutadoras do mesmo estilo do que insistindo na tecla da imagem da “loira bonita” (que não tinha nem idade pra entrar no TUF). Se lutas como Jessica Eye x Sarah Kaufman, Sarah Kaufman x Leslie Smith, Cat Zingano x Miesha Tate, Cat Zingano x Amanda Nunes, Alexis Davis x Sarah Kaufman, Miesha Tate x Sara McMann no galo ou Randa Markos x Jessica Penne, Bec Rawlings x Heather Clark, Bec Rawlings x Tecia Torres no palha e potencialmente algo entre Calderwood-Torres-Namajunas (que pra mim são as top 3) não empolgam o público pra assistir, não vai ser uma loirinha sexy que vai mudar isso (a Ronda é um caso à parte, coisa que a Paige tá muito longe de ser)

    • Renato Rebelo

      Obrigado pelo ótimo complemento, Carlos! Obs: tb sou fã da JoJo = )

      • Rodrigo Tannuri

        Todos somos. #WeAreOne kkkkk

      • Carlos Montalvão

        Independente dela ter um Muay Thai animal, com a JoJo é amor à primeira palavra que ela fala hehehe

        • Renato Rebelo

          Acho q a JoJo é a única mulher no mundo pela qual não tenho nenhuma atração física e, msm assim, consideraria matrimônio hahaha

          • Carlos Montalvão

            Mas Renato, a Joanne é uma gracinha, apesar de ter um corpo de tábua hahaha. Ela é um caso em que não é a aparência mas sim a personalidade e o jeito que chamam atenção. E ela faz “spinning stuff” cara, spinning stuff! kkk

          • Renato Rebelo

            Hahaha é vero. Ela é estilo “sweet heart”. Mas corpo de mulher atleta (a maioria) não me desce

    • Marcio Rodrigues

      Fui assistir a luta da Vanzant vs. Torres pra ver o tal movimento “cabeca de galinha” que já haviam citado em outros comentários.
      Realmente HILÁRIO hehehe…!!!

    • ANDRÉ

      Eu apoio as gostosas.

  • Dan Mendes

    É bom lembrar que pessoas principalmente, mulheres bonitas se destacam em qualquer esporte e não só no MMA. Exemplo é a Maria Sharapova.

    • Marcio Rodrigues

      Sim. Se Vanzant não fosse bonita, com certeza não estaríamos falando nela…

  • Rodrigo Tannuri

    Como tinha mencionado no texto anteior, o WMMA também não está sendo bem aproveitado pelo UFC. Ok, a organização criou um baita produto chamado Ronda Rousey, está sabendo lucrar em cima dela, mas e as demais? O TUF feminino foi bem legal, nos apresentou boas lutadoras, mas parou por aí. Se for pra ficar assim, era melhor termos apenas o Invicta, porque lá sim, o foco é o MMA e não o apelo da imagem. Sobre o texto, só discordo em um ponto. A VanZant não é só um rostinho bonito. Realmente, ela foi privilegiada pelo quesito atração, mas seu hype é grande. É justo pela estreia que teve. Não acho que ela seja tão sem talento assim. Contudo, concordo, acho que o UFC deveria promover as divisões por completo e não esperar por um produto bonitinho ou midiático. Ah se o esporte fosse apenas luta…

  • Hygor

    Olha lá hemm. A Paige tá treinando forte na Alpha Male e vai dar o q falar!

    • Carlos Montalvão

      Ela evoluiu de forma absurda, mas a Gadelha vai dar um jeito de acabar com ela e depois que o Barão arrebentar o Dillashaw, o Aldo sobe e estoura o Danny Castillo e o Andre Fili pra terminar de fechar as portas da Team Alpha Male kkkkk

  • Daniel Cazan

    Pô, acho a Gadelha mais bonitinha que a VanZant, sem patriotismo..Mas esta é uma questão mercadológica, as empresas sempre buscarão as melhores representantes do estereótipo feminino para vender a imagem…João Vitor, ótimo texto! seja bem vindo!

  • Maxsupremo

    Concordo com o texto, No UFC nas lutadoras femininas só tem dois critérios pra ganhar mídia: Beleza ou Personalidade.

    O UFC investe pouco nos seus atletas, lembro que na época do Pride tinha vários comerciais com Sakuraba,Wand,Hendo,Fedor no Japão, O Pride promovia seus lutadores, Vejam o caso do Fedor, Russo, não falava inglês, Gordinho e com cara de quem não tá nem aí e era famoso,as pessoas queriam ver as lutas do Fedor.
    Ronda tem a combinação perfeita para o sucesso, é bonita, tem personalidade e usa movimentos plásticos nas suas lutas.

    O que os lutadores precisam ver é que é um negócio… um Show, Imaginem o WWE com todos aqueles movimentos ensaiados fodas, cadeirada, nego se jogando do ring e etc… Agora pensem nesse evento sem a autopromoção dos lutadores e investimentos da organização… Com certeza não ia ser o que é hoje!
    A Bethe Correa chegou a pouco tempo e tá ganhando mídia.

    Não confundam promoção com Trash Talking com promoção de luta, Seja o malvadão, seja o bonzinho, Mas tenha personalidade, O pior não é ser odiado, o pior é ser ignorado,esquecido.

    • Carlos Montalvão

      Realmente, a Bethe chegou por último (em 2013) e já conseguiu lugar na janela, não é atoa que tá cotada pra ser umas das próximas desafiantes ao título e tem lutadoras de nome meio que “caçando” ela.

  • Maykon Douglas

    Pra mim a Paige atualmente é uma promessa, pode ser que no futuro ela “decole” no peso canudinho, mas confesso que não fiquei impressionado com sua estréia. Sobre a sua popularidade no UFC, fica evidente que o fato dela ser bonita e estar vindo de vitória, acabe atraindo mais fãs para o seu lado, o público médio se importa muito com a imagem, uma prova disso é que as únicas lutadoras do Ultimate que assinaram patrocínio com a Rebook foram Ronda e Vanzant.

  • Leo Corrêa

    1° – Eminem não entende de mulher.
    2° – texto muito interessante. tomara que o site publique mais artigos sobre mma feminino. às vezes, a falta de atenção do público médio para a categoria deve-se à escassez de informação sobre as lutadoras (quem são, de onde vêm, qual o background, etc.).

    – abraços o

  • Yuri David

    O MMA praticamente só tem telespectadores homens – ou só tem -. E os homens sempre dão mais atenção a mulheres bonitas. Ou não? Ainda mais quando a maioria das lutas femininas não são um primor de técnica e muito menos potência, embora vontade não falte.

    E se a Ronda não fosse bonita? Tenho certeza que o UFC até hoje só ia ter machos.

  • Isabella Kida

    Boa matéria João! Pensando pelo lado da marca é até compreensível a contratação: no final das contas o interesse da Rebook também é de vender os seus produtos e se formos levar em consideração o público feminino, o apelo comercial é diferente do masculino. O approuch no caso PODE SER muito mais ligado à um lado emocional/aspiracional, portanto mais fácil de utilizar a VanZant/Ronda do que a Esparza. Em relação ao UFC, acho que devem tomar um cuidado maior em relação à isso, a categoria nunca vai se desenvolver totalmente e ter o merecido respeito enquanto falarmos de celebridades ao invés de atletas. Beijos

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