Nick Diaz: seria esse o fim do popular infrator?

Renato Rebelo | 09/02/2015 às 21:31
Diaz provocando o Spider

Diaz provocando o Spider

Da série “és responsável por aquilo que cativas”, Anderson Silva quebrou a internet tupiniquim na últimas semana.

Pra quem vive sob uma pedra na superfície lunar, o Spider foi flagrado num exame antidoping – com as substâncias drostanolona e androsterona em seu organismo- pela primeira vez em mais de 17 anos de carreira.

História tão impactante que uma nova infração de Nick Diaz, par de dança do brasileiro no UFC 183, passou praticamente desapercebida por aqui.

Pela terceira vez, a Comissão Atlética de Nevada encontrou, na urina de Diaz, metabólitos de maconha no exame pós-luta.

O drama “em competição” começou com a finalização de Takanori Gomi, ganhou corpo na derrota para Carlos Condit e teve seu último episódio nesse fimzinho de janeiro.

Por ser reincidente, tudo indica que o californiano será severamente punido pelo órgão governamental americano (certamente, entubará pena maior que a de Anderson Silva que, apesar de ter sido pego com esteroides anabolizantes, é réu primário).

E aí desembocamos na velha questão: é justa a “criminalização” da maconha – baseada na defesa do próprio usuário (no dia da luta) e em seu efeito analgésico (se utilizada em grandes quantidades) no período de treinos- no MMA?

Em outras palavras, vale botar em xeque a carreira de atletas que não estão usando substâncias que melhoram suas performances (PEDs)?

Isso não deveria chocar ninguém (ele ter sido pego no exame). O DNA dele é THC (principal componente ativo da maconha), vamos falar a verdade. Ninguém está surpreso com isso. Estou desapontado, pra falar a verdade. É uma grande distração. É um porcaria. Não quero distrações. O cara é um lutador tão brilhante… Preferia estar falando sobre quão talentoso ele é…”, mandou Cesar Gracie, mentor do Bad Boy de Stockton, em entrevista ao MMA Fighting.

Essas perguntas são pertinentes e precisam de respostas – entretanto, esse não é o cerne da questão que pretendo levantar neste textículo.

Se Diaz assinasse contrato que lhe proibisse beber suco de uva pré-luta e fosse flagrado com uma vinícola no sangue, nenhuma sanção seria descabida.

Por mais que não seja um trapaceiro (no Aurélio: “indivíduo que vive a trapacear para obter vantagens sobre outrem”), Diaz não cumpriu o seu lado da barganha em acordo assinado de forma voluntária.

Ele não toma medicamentos para dor. Quando ele está com dor após os treinos, ele gosta de fumar maconha. Isso o acalma e alivia a dor do seu corpo. É o jeito dele de lidar com a dor e outros problemas de forma natural”, seguiu o Gracie.

Diaz provocando Silva (2)

Diaz provocando Silva (2)

E agora?

Considerando – além da suspensão iminente- seus gravíssimos problemas motivacionais (apenas dois dos maiores nomes da história do MMA foram capazes de lhe tirar do sofá nos últimos três anos), e as diferenças irreconciliáveis que têm com o empregador, é seguro dizer que a explosiva carreira do irmão mais velho de Nate Diaz está encerrada?

Afinal, com mais de um milhão de dólares na conta (500 mil de bolsa + fatia dos muitos pacotes pay-per-view vendidos + patrocínios particulares), seu estilo de vida pouco espalhafatoso – baseado em lutas, triatlon, cigarrinhos verdes e noitadas esporádicas- estará financiado por muito tempo…

Acontece que Diaz saiu enorme da luta contra Anderson Silva – e a força da demanda o acompanhará ad aeternum.

Ou, mesmo em enorme desvantagem, o show de provocações do americano não manteve o maior lutador de todos os tempos fora de seu elemento durante boa parte da luta e, de quebra, extraiu alguma emoção (seja boa ou ruim) de 100% dos espectadores?

Além da demanda, para nunca mais calçar as luvinhas de quatro onças, Diaz terá que lutar contra sua própria natureza.

Por mais que diga que detesta estar dentro de uma jaula perante milhões de pessoas, é exatamente nesse ambiente hostil que o cara consegue se expressar de forma plena.

Vale lembrar, também, que, ao contrário de Anderson Silva, Diaz ainda tem o relógio a seu favor.

Caso a contraprova confirme o resultado do exame do dia nove de janeiro e Silva pegue os habituais nove meses de gancho, seu retorno só seria viável em data muito próxima a seu aniversário de 41 anos.

Já Diaz ainda completará 32 anos no próximo mês de agosto.

Portanto…

Vamos encarar a realidade? Ele é um lutador e vai lutar. É isso que vai acontecer, cedo ou tarde”, completou Cesar.

Abraços.

  • Junior

    Deixa o menino com seu cigarrinho tchê…

  • Natan Machado Fauzi

    Ah verdade nua e crua é que no final o Diaz saiu bem na fita, afinal é tudo natural hahahahahah

  • Natan Machado Fauzi

    De boas lendo a matéria do Renato…

  • Naldyn Mesquita

    Eu só não entendo como criminalizar esses lutadores pode ajudar UFC. Pelo contrário, fecha grandes mercados, como Holanda e Uruguai. Além disso, a questão do doping, deveria ser para as drogas de melhoria de rendimento e não com drogas (naturais diga-se de passagem), que não se convertem em melhoria para as lutas…

  • bedotRJ

    O cara não quer ser um lutador profissional regular. O que o motiva são holofotes. Prá azar dele, sua categoria correta, 77kg, tá infestada de bons lutadores, em uma disputa equilibrada que não permite uma escalada meteórica fácil. Mas há o outro lado: como ele é um lutador carismático, que vende, é o único que conseguiria um ‘atalho’, que seria o retorno ao title-shot com 2 ou, no máximo, 3 lutas de recuperação. Com direito a escolher adversários, talvez isso fosse muito mais fácil do que ficar morcegando junto ao evento, exigindo coisas que a ausência de vitórias (ele não vence desde outubro de 2011) torna cada vez mais inexplicáveis. Imaginando que ele não fosse punido pela maconha agora, qual a dificuldade de pedir, digamos, um Ellenberger / Koscheck / Eric Silva na próxima luta e depois garimpar um title-shot contra um Dong Hyun Kim, um Gunnar Nelson ou um Saffiedine? Se fosse minimamente profissional, ele conseguiria isso do evento. A questão é ver se ele consegue botar a cabeça no lugar e raciocinar um pouco.

  • RicardoVivas

    Independente da discussão sobre concordar ou discordar com uso da canabis, o contrato não permite o uso, logo, ele está indo contra o combinado, mas levando em conta que não melhora o rendimento, cabe ai um bom debate.

    • Renato Rebelo

      Perfeito, fera

  • Marcio Rodrigues

    Não entendo como um cara que deve queimar unzinho todo dia só foi pego 3 vezes no antidoping. Sou contra considerar maconha doping mas isso só prova como o sistema é falho.
    Com essa queda pela erva, bolso cheio, suspensão e declarando que nem gosta de lutar, seria provável que ele aposentasse de vez. Mas, não sei pq, acho que ele ainda faz algumas lutas, principalmente se o UFC estiver precisando dar um up em algum card. Dinheiro é o que interessa…

  • Isabella Kida

    Uma pena, pois sou super fã dele. Porém as regras estão aí e precisam ser seguidas, provavelmente o Nick não nasceu pra isso (seguir qualquer tipo de regra rs) e sempre pela sua carreira teve que arcar com as consequencias! Fica realmente a dúvida se a maconha deve ter este peso comparando-se com as outras, é muito relativo e pode ter diversos pontos de vista.
    A pergunta que fica também: o que seria da carreira dele se não tivesse passado por estes altos e baixos, é um excelente lutador, tem sua história escrita, mas que seu principal adversário tem sido ele mesmo.

  • Andre

    Taí… qual a lógica do doping senão pegar gente que tira proveito usando drogas que melhoram seu desempenho? Um talento indo embora (pelo Diaz ok, a escolha é dele, mas o UFC e os fãs perdem um dos últimos moicanos!) é dinheiro e talento jogado fora por moralismo atrasado.
    É a mesma lógica maluca e atrasada de não descriminalizar a maconha. Em vez de por as cartas na mesa, segue com o moralismo que da menos trabalho.

  • Rodrigo Tannuri

    Sinceramente, concordo que o Diaz até tenha saído por cima nessa luta contra o Anderson, mas eu não consigo gostar do cara. Ok, é showman, briga de forma diferente, mesmo assim, não consigo me apegar. Sim, briga, porque uma de suas habilidades é transformar luta em briga. O americano possui um grande número de fãs? Possui, mas, na boa, não acho que seja necessária uma comoção pro mesmo voltar ao esporte. Essa não é a primeira vez que ele diz que vai e até considero tal comportamento irritante. Ele e o irmão tentam de tudo pra terem o passe valorizado, mas agem como se fossem os dois maiorais do esporte. Menos, bem menos. É até engraçado o Diaz ter caído apenas (no caso dele) três vezes no antidoping. Eu acho que a maconha deve sim ser proibida. Ele não é nenhum inocente. Assim como o Andy, os irmão adoram se fazer de vítimas.

  • Carlos Felix

    Para a comissão atlética, maconha é uma droga recreativa. Só é considerada doping se usada durante o período de competição – até 12 horas antes do início da luta.

    Será tão difícil pro Diaz ficar meio dia sem puxar um beck?!?!?!?

    O cara pode fumar um baseado as 11h da manhã, ficar 12h sem fumar… lutar as 23h e depois pegar a bolada que ele ganha por luta e fumar uma tonelada de erva.

    Um mínimo de profissionalismo não mata.

    • Kaue Macedo

      A maconha fica no organismo por um tempo, não sei quanto exatamente, mas não adianta fumar 13 horas antes e ficar despreocupado por que não vai cair no doping, porque vai.

      • Leo Ferreira

        Demora cerca de 12 horas pra sair do sistema

      • Renato Rebelo

        Fala, Kaue, depende mt – da quantidade que vc fumou até do índice de gordura corporal da pessoa. O mais normal é rolar a eliminação do THC (princípio ativo) de 20 horas até 13 dias. Mas essa janela é tão incerta que há casos de pessoas que apresentaram exames positivos após 45 dias.

        • Marcio Rodrigues

          45 dias seria para usuários que fumam regularmente a muitos anos. Justamente o caso do Diaz.

  • will

    Uma pergunta rápida. O Diaz não vai perder o dinheiro ganho na luta? No contrato dele não está previsto a perda da bolsa em caso de doping?

    • Renato Rebelo

      Sim, Will. No UFC 143 (luta contra o Condit), ele teve que ceder 30% da bolsa (paulada de 60 mil dólares). Dessa vez, é possível uma pena ainda maior – pela reincidência e tal.

      • RicardoVivas

        Só uma dúvida, qual o limite de tolerância do evento em relação a esse tipo de situação? Eu sei que tudo gira em torno do dinheiro e querendo ou não, Nick vende, mas já não é a primeira nem a segunda…

        • Renato Rebelo

          A tolerância vai de acordo com o nível de popularidade do infrator. Acho que 90% dos atletas do UFC seriam demitidos depois dessa reincidência. Nick Diaz, que protagonizou, em sequência, dois PPVs que beiram a marca de um milhão de vendas ser demitido para, após a suspensão o Scott Coker apanhá-lo e usá-lo contra o UFC? Pode esquercer.

          • RicardoVivas

            Pois é vei, interesses financeiros subjugando o esporte em si está presente em várias outras modalidades.

          • Marcio Rodrigues

            Exatamente. Inclusive, acho que com o crescimento de outras promoções, o UFC passara a fazer mais isso, algo que a Globo faz aki no Brasil: usar seu poderio financeiro para tirar lutadores(programas) da concorrência mesmo que não tenha intenção de usa-los. Foi o que a Globo fez com o UFC por exemplo.

      • will

        E o Spider? Vai devolver os 800 contos?

  • William Amaral

    Tantas lutas boas de 5 rounds esse cara nos daria… mas acho que chegou ao fim mesmo. Digamos que ele volte daqui uns dois anos, acho muito difícil que ele consiga retornar à melhor forma.

  • heitor

    galera inteirada no assunto da cannabis, é isso ai (o.O)_S

  • Charles Sansaloni

    Pq não colocaram o Minotouro no lugar do Anderson pra já fazer a luta com o Shogun?

    • RicardoVivas

      Pois é broder, vai entender essas porra…

    • Natan Machado Fauzi

      Mano a primeira coisa que procurei na notício foi o “ouro”, mas só achei o “auro”, como asssim?

  • Rei Jaffe Joffer

    Como fã do esporte, ainda espero ver Nick Diaz em um octógono por muito tempo.
    Mas acho que o “coração” dele não está mais no MMA. Ele devia parar e viver essa vidinha de triatlon, BJJ e marijuana.

    Sobre a maconha, sou pessoalmente contra. Mas acredito que só devia haver uma proibição pro período de competição. Fora isso o cara poderia fumar o Jardim Botânico inteiro.

    Abraço a todos

  • Bart Simpsons

    Cesar Gracie disse que grandes desafios são o que movem Nick Diaz, mas será mesmo? O cara tem uma oportunidade de ouro ao encarar o cara que é considerado a maior lenda do ufc, e quando chega lá, só o que fez foi algumas brincadeiras que não deram e nem dariam em nada caso a luta tivesse acontecendo até agora. Daqui pra frente, o máximo que Diaz poderia ter daqui pra frente seria superlutas para encher o bolso, pq cinturão não rola, no entanto ser pego no doping pela terceira vez complica essa chance de estar entrando pra fazer “superlutas”.

  • Felipe Soares

    Rapaz, decepcionado mesmo com a atuação de Nate Diaz contra Rafael dos Anjos. Coisa triste. Fez vergonha!

    Disse aqui em casa que era um dos levinhos que mais gostava de ver. Tive pena de ver tanta lambada na perna!!!

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