Receita do Cappelli: nova dinâmica pro velho Spider?

Fernando Cappelli | 02/02/2015 às 20:08

Não foi bem o show que os mais afoitos esperavam. Mas Anderson Silva finalmente retornou ao octógono e venceu Nick Diaz por decisão unânime no combate principal do UFC 183.

No auge da carreira, o Spider sempre se mostrou pouco à vontade com lutas que se prolongavam muito e bastante avesso a padrões estratégicos detalhados demais.

Pelas circunstâncias atuais (quase quarentão e vindo uma das lesões mais devastadoras da história do esporte), teve a capacidade de modificar pontos cruciais na espontaneidade de seu estilo e apresentou dinâmica renovada.

Espremendo causas e consequências, lá vai minha visão sobre o desafio.

Iniciativa frente ao volume

BeneficialDirtyAmoebaContragolpeador frio e milimétrico na maioria das atuações pelo UFC, Anderson mudou o instinto a tomou mais vezes a iniciativa contra Diaz.

Se houve algum cuidado estratégico desenvolvido para isso nos treinamentos, foi para evitar que o brasileiro acabasse engolido pelo conhecido volume de golpes do norte-americano.

Enxuto nas combinações, Anderson adotou a simplicidade como estrutura geral de luta. Também sobrou espaço para demonstrar elementos da versatilidade ímpar que o tornou famoso, mesmo sem ter as intenções letais comuns nas outras apresentações.

Sem lutar desde 2013, Nick Diaz bateu de frente com o brasileiro, mas visivelmente estava com o punch descalibrado.

Cheio de marra, muitos de seus golpes pareciam cutucões. Ele levou perigo mais real na curta distância, quando previa o primeiro ataque de Anderson e respondia com sequências iniciadas pelos hooks (ganchos no tronco), uma das marcas registradas mas frequentes.

Pra lá, pra cá

tumblr_nj3gupuqCk1u2ragso1_250O norte-americano mudou algumas vezes de base, mas o desenho canhoto x canhoto foi predominante nos cinco assaltos.

A movimentação circular livre e evasiva do brasileiro foi a usual para casos do tipo: ‘cortar’ o octógono para a esquerda constantemente para evitar ser pego por alguma surpresa disparada do lado forte adversário (o esquerdo).

Em boa parte das ações ofensivas, o Spider mudava a passada, deslizava e angulava rapidamente para a direita enquanto atacava. Auxiliado pela envergadura superior, jabear sistematicamente foi a medida de segurança mais frequente para Anderson garantir vantagens.

Toda a ciência estratégica e sagacidade que envolve o movimento mais básico do boxe – e que muitas vezes é renegado no MMA – novamente foi diferencial.

Os jabs abriam espaço para diretos (claro!), foram misturados com cruzados do mesmo punho e criavam fintas para cotoveladas, chutes e joelhadas. Mais plantado na lona, Diaz tomou o centro do octógono e usou o ‘padrão reto’ de costume: avançava para atacar, recuava para se defender.

tumblr_nj3gupuqCk1u2ragso3_250Assim, facilitou para os golpes provenientes das entradas e saídas em diagonal do brasileiro atingissem o alvo. E os chutes?

Claro que a cautela com a nova/velha canela era a grande expectativa da noite. Anderson disparou pelo menos três low kicks com a perna esquerda, além de pisões. Nesse sentido, foi interessante ver o trabalho mais apurado com a perna direita, que acertou em cheio as costelas de Diaz.

A maioria dos demais chutes foram precedidos de rápidos setups de um ou dois socos para confundir o senso de defesa do adversário e facilitara execução mais limpa.

Nesse sentido, o mais peculiar foi um combo cotovelada reversa (igual a que nocauteou Tony Fryklund no Cage Rage) seguido low kick, bem tirado da manga pelo Spider.

Conclusão

Disse no meu palpite antes da luta que o grande lance dessa empreitada seria perceber se Anderson ainda tinha condições de seguir competitivo.

Minha resposta é sim… mas colocaria ainda o adendo do ‘até certo ponto’. Para o brasileiro, o tom de provação pessoal era o que realmente importava contra Diaz.

O combate certamente não vai concorrer a qualquer prêmio de melhor do ano, mas recebe o carimbo de ‘grande’ por tudo que representava nas entrelinhas.

Tecnicamente, Diaz lutou dentro do esperado: plantado, provocativo, traiçoeiro em gestos e ações. Mas a falta de ritmo pesou. Anderson colocou pra jogo um estilo de paciência, acumulativo de vantagens, com pitadas aqui e ali de boxe olímpico e muay thai, sem se expor em demasia.

Faltou um nocaute clássico à la Spider. Sobrou sentimentalismo. Não achei que seria tão diferente disso. E vocês?

  • Gefferson Nesta

    Pra mim a luta não poderia ter sido melhor, pois o Spider mostrou paciência,ótimo preparo físico, mostrou que a perna ta boa e que esta de volta. apesar de bater já na faixa dos quarentões muitos não tem sua capacidade física e seu acervo de golpes. é um lutador fantástico sem duvidas e sei que ainda irá tirar muitos coelhos da cartola… Anderson mostrou mais que superação, mostrou que é brasileiro e não desiste nunca.

  • Douglas Machado

    Acervo de golpes do Anderson e fantastico…Mesmo nao nocauteando fiquei impressionado com o tanto de golpes desferidos, joelhada, chute alto, cotovelada

    • Marcos Augusto

      Jogo de mãos impressionantes ! haha

  • bedotRJ

    Confesso que me contaminei pelo retrospecto e pela diferença de tamanho / força física. Esperava uma vitória mais fácil do Anderson. Pensando racionalmente, a luta seguiu mesmo o roteiro mais óbvio diante das circunstâncias. Por causa disso, deixou mais aberta do que nunca a dúvida sobre a possibilidade do Anderson conseguir retornar ao topo da divisão. Title-shot agora nem pensar! E se o plano for mesmo lutar com o GSP, a dúvida persistirá.

  • Marcos Augusto

    Nem eu mano, o cara veio pra se superar e se superou legal ! Muitos criticando por que não teve um KO ou TKO, mas a movimentação daquele cara foi surpreendente dentro do Cage.. Agora é subir de pouquinho, não daria um GSP para ele, mas sim Tim Kennedy ou ate mesmo um Costa Philippou.

    • Filipe C.

      Anderson é Top 1 da categoria! Kennedy ou Philippou são adversários para lutadores top 15 – 8, ou recém tops como Thales ou Hall. Anderson tem que pegar algum top 2 – 7 para mostrar que está disposto e preparado para lutar pela cinta novamente.

      • Bart Simpsons

        Verdade, Anderson precisa de adversários mais duros, mas ainda assim, se eu fosse Anderson pegava mais um “frango”, tipo kennedy ou phillipou, principalmente o kennedy, que gosta de trabalhar o wrestling e tal, pra ver como Anderson se compartaria. Aí sim, vencendo bem, nem precisava ser ko, tko ou finalização, aí daria um cara ali do pelotão de cima pra baterem de frente.

        • Lero

          Kennedy seria uma luta de altíssimo risco para o Spider 2015. Nem sei se considero ele favorito.

          • Bart Simpsons

            Pois é, caro Lero! Agora, se Kennedy é uma luta de risco, imagina colocar ele contra os caras que estão mais acima no top, contra Romero e Luke? Ia ser complicado. Ah, nem tô citando os brasileiros pq Anderson disse que não quer lutar com mais nenhum compatriota, e mesmo que o que Anderson fale não se deva escrever, estou levando isso em consideração no comentário.

  • Jonas Angelo

    “Tu és Capelli, e sobre esta pedra edificarei minhas análise sobre MMA”. Esmiuçou muito bem a luta Capelli.

    Também não achei que seria tão diferente disso, primeiro pelo contexto que tudo envolve e segundo porque Diaz não é Forrest P̶e̶t̶e̶r̶ ̶ Grifin, que cai com Jab. Mas confesso que estava muito curioso para ver como se desenrolaria o psicológico do duelo, e admito que me surpreendi muito com a postura do Diaz ao não fazer o jogo que o Spider gosta, e não deixá-lo a vontade em nenhum momento. Como bem disse o Rebelo, Anderson se sente à vontade sendo caçado, e quando estava começando a ser caçado e se sentir bem, Diaz hesitava e dava passos atrás. Um teste para a perna, e um teste para o emocional, e ele passou nos dois. Por mim, AS não precisaria mais subir ao cage, mas nós sabemos que ele vai querer mais…

    • Fernando Cappelli

      ahahahah… quéisso, Jonas. Valeu a leitura, meu velho. O psicológico sempre foi o forte do Anderson, mas dessa vez, pelas circunstâncias, foi claro que ele estava apreensivo. Qualquer um estaria, não? Não seria nada de outro mundo se ele resolvesse parar, mas concordo contigo que ainda não o fará.
      abs!

  • Marcelo

    Capelli, é isso o que se têm comentado na mídia especializada, o Anderson tomou mais iniciativa no combate, abriu o seu arsenal de golpes, desferiu chutes rodados, cotoveladas invertidas, combinações e então saiu um pouco do seu jogo habitual.
    Achei que ele mostrou que entende os erros do passado, ele entende que o estilo contra-golpeador, reforçado com as provocações, incluindo a guarda baixa e etc, não vai funcionar contra o Weidman e foi isso o que me deixou curioso, achei que pela primeira vez em muito tempo ele deu a impressão de estar se preparando para desafios maiores, buscado evoluir o seu jogo, o que pode ser consequência natural de ter perdido o título de campeão depois de tanto tempo. Eu acho que a forma como o interesse da Globo, dos patrocinadores e a mídia fabricando o novo “herói nacional” podem acabar convencendo ele, na base do incentivo $$$$$, a buscar algo maior, porque se ele recuperar a cinta dessa vez, será o momento mais lucrativo da carreira dele, superando até Sonnen II.

    • Fernando Cappelli

      Essa luta contra o Diaz foi, como o próprio Anderson disse, uma “volta às raízes marciais”. Isso é interessante e mostra que, independente de vitória ou derrota, um cara que treina desde criança nunca deve se acomodar e tem de estar sempre reciclando todos os aspectos. Se analisarmos melhor, dá pra perceber que o Anderson ‘desceu do salto’ depois da fratura, mesmo com todo esse oba-oba da mídia pirulito, que só quer saber de endeusamentos e de mostrar que é amigo de ‘lenda’. Em uma primeira impressão, O Weidman engoliria o Anderson mais uma vez. Mas o norte-americano também está se machucando direto, a coisa poderia mudar de figura. Mas se eu fosse o Spider, não cogitaria ainda qualquer chance de cinturão por enquanto.
      abs!

  • Bart Simpsons

    Cappelli, texto sensacional Aliás, algo já normal vindo de você. Bom, elogios a parte, realmente pelo que eu vi nos treinos de Anderson durante a preparação, vi ele treinando golpes bastante variados, e queria ver se ele colocaria alguns desses. Ele colocou, a cotovelada de baixo pra cima, tentou joelhada voadora e avançada, algo que eu não me lembro qual foi a última vez que vi, fez clinch de muay thai e mesmo não fazendo muita coisa nessas situações, mostrou a técnica deixando o Diaz aperriado no momento da clinchada. Faltou uma movimentação que eu vi durante o treino aberto, quando ele com a mão direito finge que vai entrar p pegar na perna do oponente e gira dando uma cotovelada com a mão esquerda. Esperei que essa fosse feita, mas quem sabe numa próxima. O jogo de pernas como li algum especialista falando por aí continua incrível. Espero uma próxima luta para analisar até onde o Spider pode chegar nesse retorno. O cara continua com a técnica afiadíssima, falta só trabalhar a parte psicológica mais um pouco, mais confiança e o resto já sabem

    • Fernando Cappelli

      Fala, meu amigo Bartolomeu. Então, é aquela velhíssima história: treino é treino, jogo é jogo. O Anderson levando o combate com seriedade – como fez contra o Diaz – é elegância técnica pura, com golpes, movimentação, fintas, tudo muito bem lapidado. Eu realmente não esperava nada muito bombástico nessa luta, foi muito mais o desfecho de uma história de provação e tal. Não sei se o Spider tem mais tanto pique pra manter a carreira por muito mais tempo. Acho que um próximo desafio vai comprovar isso. Ou não.
      Abs!

  • joao neto

    Muito Bom cappeli!! eu leio suas analises, e bate uma vontade de treinar Boxe…acho que vou fazer umas aulas!! quero entender um pouco na pratica (ou seja apanhando)..kkk Abraço!!!

    • Renato Rebelo

      Hahaha irado, fera!

    • Fernando Cappelli

      ahhahaha… manda bala, João. Esse é o espírito! Qualquer tipo de arte marcial que você ‘pegar para se criar’ vai ser, no mínimo, muito interessante.
      abs!

  • Matheus

    Excelente pra variar um pouco. Cappelli e o Anderson contra o GSP? Acha que o canadense pode ir bem na trocac’ão?

    • joao neto

      Olha Matheus!! a pergunta foi p o Cappelli,desculpa minha intromissao mas não resisti…acho que o GSP não iria trocar hein,acho que usaria o jogo de quedas (grappling) não sei se conseguiria encurtar a distancia para quedar o spider..seria um Lutão!! Abraço amigo!!

    • Fernando Cappelli

      Valeu, Matheus! Se rolasse Anderson x GSP (o que acho difícil), o canadense com certeza apostaria no jogo de neutralização (como o João disse aí embaixo) para aproveitar as diversas brechas no wrestling que sempre acompanharam o brasileiro.
      abs!

  • João Washington

    Ótima análise Cappelli. O problema é que, e eu gostaria de saber sua opinião se possível, Anderson foi atingido na cara várias vezes por um cara bem menor, mais fraco e sem potência nos golpes. O que aconteceria se o AS topasse com um Rockhold da vida, que é bem maior, mais forte e com golpes duros?

    • Carlos André

      Fiquei com esta mesma dúvida, afinal, Weidman já mostrou que o queixo do negão nem de longe é uma maravilha e seu reflexo, antes primoroso, ficou lento para a velocidade e precisão alcançadas pelos caras bons da categoria.

  • Malk Suruhito

    Grande Capelli, aproveitando que estamos falando de um dos mestres da evasão e subterfúgios para não ser atingido (as vezes, só quando quer), há algum tempo gostaria de perguntar para ti o quanto você considera efetivo a guarda alta no MMA, visto que sempre vejo muitas pessoas criticando a guarda baixa do Cigano, mesmo sabendo que ele faz a verdadeira defesa com movimentação e deixa os braços baixos como defesa de queda. Pergunto isso, porque basicamente todas as lutas que vejo alguém de guarda alta, vejo os socos entrando do mesmo jeito, aparando no máximo um ou outro chute.
    Então, existe realmente efetividade na guarda alta? Qual o melhor lutador neste quesito defensivo na sua opinião?

    • Fernando Cappelli

      Malk, o lance da ‘guarda alta/queixo baixo’ é lei sem precedente em quase todas as modalidades de striking. O diferente do MMA quando comparado ao boxe/kickboxing/thai é que as luvas são bem menores (4oz), então a cobertura ou bloqueio (quando você coloca as duas luvas sobre o rosto) é bem menos eficiente, o que te obriga a usar mais a movimentação, esquivas e pêndulos como melhor base defensiva. O lance de manter a guarda baixa para defender quedas é perigoso, acho bem menos arriscado quando os lutadores mantém a postura com pernas um pouco mais flexionadas para manter o centro de gravidade mais baixo e sólido. Mas guarda alta sempre!
      abs!

  • Fernando

    Achei interessante uma fala do Nick pós luta que disse ter treinado pra tentativa de clinch do AS…. que foi justamente um dos momentos de dificuldade na última luta dele contra o CW !!

    • Fernando Cappelli

      Boa, Fernando. O Anderson levou um knockdown quando tentou um clinch na segunda luta contra o Weidman, lembra? E achei que o Diaz levou perigo em diversos momentos ali no ‘hand fighting’ contra o Spider.
      abs!

  • Hugo F. Camargo

    Ótima análise, como de praxe.
    Cappelli, poderia também extender sua análise sobre o jogo apresentado pelo Nick Diaz? Não me refiro às provocações do primeiro round, mas à algumas de suas sequências usadas ao longo do combate.
    Ontem, com o pessoal daonde treino boxe (Salve RingStar Goiânia!), estávamos discutindo uma sequência que funcionou quase todas as vezes contra o Spider e que você citou aqui: “…Ele levou perigo mais real na curta distância, quando previa o primeiro ataque de Anderson e respondia com sequências iniciadas pelos hooks (ganchos no tronco), uma das marcas registradas mas frequentes.”.

    • Fernando Cappelli

      O Diaz fez muita coisa dentro do esperado, Hugo. O boxe dele é pouco ortodoxo e ele gosta daquelas sequências de socos mais extensas, com os braços bem alongados, mas que desta vez não surtiram o efeito desejado porque, além de sentir a falta de ritmo, estava em desvantagem no alcance. Tem um vídeo bacanão no YouTube sobre as técnicas dele. Dá uma olhada.

      https://www.youtube.com/watch?v=kqQNkXDwII4

      Abs!

      • Hugo F. Camargo

        Obrigado! Excelente vídeo, destrinchou o arsenal do Nick Diaz!

  • Fabio Gyuru Konder

    Mais uma analise impecável do mestre Cappelli ! Além disso me da satisfação ler a galera comentando aqui, acho que é o único site onde tem gente que realmente entende participando!…

    • Fernando Cappelli

      Valeu a leitura, meu irmaozão! Viu só como tem vida inteligente que acompanha e entende de MMA. Graças!
      abs!

    • Nubia Castro

      Com certeza os comentários desse blog tem um nível muito elevado. Os comentários da site combate chega dar náuseas!!!

  • Danyel P Lorenzo

    O bom de aguardar as analises do Sexto Round é que não me irrito ao ler os comentários.
    Disse tudo, p os mais afoitos não foi o show…, mas p quem tem um pouquinho de
    conhecimento de causa sabe que era uma luta que tinha tudo para ser sistemática,
    sem correr riscos ou sustos. Havia feito um post sobre o Anderson, no dia da
    pesagem, tentando acalmar a galera do “uh vai morrer” , obviamente
    sem sucesso já que o Spider move uma multidão para assisti-lo do mais cético
    até aos mais entusiastas. Na minha opinião eu não senti o Anderson com muita confiança em seus chutes baixos como foi dito na transmissão, tanto q suas sequencias que sempre terminam com o chute baixo não surtiu muito efeito, seus melhores chutes vieram da média p alta. Acredito que essa confiança deve voltar aos poucos, mas só em sua próxima luta saberemos a real competitividade em que ele estará.
    Excelente analise como sempre.
    Abraços,

  • Vinícius

    Capelli, antes da luta eu esperava que, até por enfrentar um oponente menor que não oferecia perigo de derrubá-lo, o Anderson apostaria mais no thai clinch. No entanto, todas as vezes que tentou, o Diaz se desvencilhou facilmente e até acertou mais golpes que o brasileiro nessa posição. Em um comentário abaixo, você mencionou o knockdown que o Weidman conseguiu dali também. O que esses caras (ou o próprio Anderson) fizeram de diferente para não levarem aquelas sequências de joelhadas que outros, até mais fortes que o Diaz, levaram? Me surpreendi com o fato de que o Anderson, em nenhum momento, conseguiu, de fato, fechar esse clinch do muay thai, tão perigoso em outras oportunidades? Aliás, parabéns a você e ao Sexto Round por mais uma excelente análise.

    • Fernando Cappelli

      Boa, Vinicius, obrigado! Cara, o grande lance do thai clinch é você se antecipar e não deixar fechar o ‘colar’. Cotovelo colado no peito e pescoço puxado pra baixo é caixão. Claro que no MMA é diferente, porque dessa posição você pode engatilhar alguma queda, usar dirty boxing e trabalhar grade, mas basicamente é isso. Não deixar fechar o ‘cadeado’, o Diaz conseguiu isso na marra, antecipando, tirando a cabeça e batendo junto. Contra o Weidman, pode ver que o Anderson até estava com os dois braços em volta do pescoço, mas estavam muito esticados ainda. Ele cedeu espaço e recebeu o cruzado deu a ‘desligada’.
      abs!

  • will

    A maior qualidade do Anderson era ter reinado limpo num meio cheio de trapaceiros bombados. Ele acabou de jogar tudo fora por uma luta irrelevante contra um adversário insignificante! Derrotado dentro (Weidman) e fora (Diaz) do octógono. Não é só o Wand que tem talento pra afundar a própria carreira. Espero que seja banido também!

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