Vale Assistir? A leitura
dinâmica do UFC FN 110

Thiago Sampaio | 08/06/2017 às 13:58

Depois de um evento numerado com direito a um cinturão a menos para o Brasil, esse fim de semana tem mais luta. O UFC vai à Nova Zelândia, com o UFC Fight Night 110: Lewis vs. Hunt, que acontece na noite deste sábado (11), na Spark Arena, em Auckland.

Trata-se do retorno da maior organização de eventos de MMA do mundo à terra do diretor de cinema Peter Jackson (das franquias “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”), que recebeu antes o UFC Fight Night: Te-Huna vs. Marquardt, em junho de 2014, com Nate Marquardt e James Te-Huna na luta principal (credo!).

Mas a novidade não tem nada de cinematográfica. O card desse sábado aleatório traz Derrick Lewis contra Mark Hunt num duelo de pesos pesados, na luta principal, e Derek Brunson contra Dan Kelly, no co-main event.

Mas como somos brasileiros e não desistimos nunca, vamos lá tentar arrancar destaques!

Pegou pesado, hein…

E lá vem a Besta Negra, Derrick Lewis (17-4-0-1, 9-2 UFC), de novo numa luta principal, desta vez contra um combalido Mark Hunt (12-11-1-1, 7-5-0-1 UFC). E como já é de costume, resta a todos nós orarmos para pintar um nocaute cedo, pois, se os rounds postergarem, teremos dois brutamontes de quase 250 quilos, juntos, buscando reserva de gás e torcendo por um fim urgente.

É até entendível a intenção do UFC em fazer de Lewis um produto vendável: é sincero nas entrevistas como poucos (na última, assumiu flatulência durante a luta e provocou dizendo que queria o traseiro de Ronda Rousey), e principalmente, as vitórias estão aparecendo, sejam convincentes ou não.

São seis vitórias seguidas, sendo que os adversários mais conhecidos que venceu, vinham em péssima fase, casos de Gabriel Gonzaga, Roy Nelson e Travis Browne (com direito a dor de barriga e tudo mais). No main-event que fez contra Shamil Abdurakhimov, foi tortura. Não para o adversário, mas para quem assistiu, de tão ruim que foi!

Já o neozelandês, que luta diante da torcida e tem um cartel mais irregular do que areia molhada, venceu a última vez em março de 2016, quando nocauteou Frank Mir, mas depois foi superado por Brock Lesnar (resultado convertido para no-constest) e Alistair Overeem na ultima aparição, no UFC 209, em março deste ano. Recentemente tem travado uma briga com a organização por causa dos recorrentes casos de doping dos adversários.

Lewis bate pesado, apesar da brutalidade acima da técnica quase inexistente. O Super Samoan é conhecido pela resistência, mas que aos 43 anos, não é mais a mesma: foi nocauteado por Júnior Cigano, Stipe Miocic, Fabricio Werdum e Overeem. Apesar da boa defesa de queda, se cair por baixo do gigante americano, vai ser castigo.

Mas Hunt é outro nocauteador nato, de chão nulo, mas com a diferença que tem uma vasta experiência no kickboxing e mesmo no MMA. A técnica para ampliar potência que falta à Besta Negra, ele tem. Ainda tem a motivação por estar “em casa”, ganhando até uma dança Haka com presença do Aquaman, Jason Momoa.

Se Derrick Lewis vencer, emplaca a sétima vitória seguida mas seguirá sob dúvida por conta do nível dos adversários. Se Hunt fizer as pazes com o nocaute, pelo menos vai ganhar alguma motivação para seguir em frente.

Que evento principal!!!

Mamãe, olha o papai na TV!

Dan Kelly (13-1, 6-1 UFC) parece um professor de Física, tem um estilo de luta esquisito, mas já é o 15° do ranking do peso médio e alçado a um co-evento principal, contra o sempre perigoso, mas vindo de derrotas, Derek Brunson (16-5, 7-3 UFC).

Aos 39 anos, o veterano judoca com quatro Olimpíadas no currículo vem de quatro vitórias em seguida, sobre Steve Montgomery, Antônio Cara de Sapato, Chris Camozzi e, na última, sobre o ex-campeão dos meio-pesados Rashad Evans, no UFC 209, em março deste ano. Só perdeu na carreira para Sam Alvey, em 2015, nocauteado em 49 segundos.

Apesar do background no judô, o australiano utiliza das quedas apenas em casos pontuais. A trocação é um tanto atabalhoada, sem técnica aparente nos golpes e uma base não bem definida. Estranho ou não, as vitórias têm vindo. Inclusive, sobre um nome como o de Rashad, que, mesmo em notória decadência, atrai atenção.

Brunson é aquele típico peso médio de meio de tabela, com poder de nocaute e um wrestling de qualidade. Só perdeu no UFC para Yoel Romero e Robert Whittaker, que disputam o cinturão interino no UFC 213, no dia 8 de junho, e para o ex-campeão Anderson Silva, na última aparição, no UFC 208, em fevereiro de 2017, por decisão unânime.

Vale ressaltar que, na luta contra Anderson (a qual muita gente marcou vitória pra ele), Brunson entrou bem mais travado do que o normal por estar diante de uma lenda do esporte. Contra Kelly, isso não deve acontecer.

O americano tem totais condições de arrancar um nocaute, mas, se for para cima afobado como às vezes já fez, pode pagar o preço (Whittaker sabe bem). Por mais esquisito e pragmático que seja, Kelly tem mostrado que pode ser um perigo.

Quem vencer ou perder, pode ter um futuro próximo um encontro com Vitor Belfort, que falou que deseja mais cinco lutas no UFC e o matchmaker vai ter que se rebolar para achar tanto adversário à essa altura da carreira.

Frankenstein x Hulk! Ahn?!

Único brasileiro nesse fabuloso card, Henrique “Frankenstein” da Silva (12-2, 2-2 UFC) enfrenta Ion Cutelaba (12-3-0-1, 1-2 UFC), o The Hulk. Se o embate entre os personagens que levam os respectivos apelidos seria inusitado, entre os atletas, nem tanto. Nenhum deles engrenou no UFC ainda e buscam sobrevida.

O brasileiro chegou invicto, estreando com vitória por nocaute sobre Jonathan Wilson no UFC 199, em abril de 2016, e depois vencendo Joachim Christensen por decisão. Um começo promissor, se não tivesse sido nocauteado em seguida para Paul Craig e  perdido para Jordan Johnson, por decisão, em janeiro deste ano.

Já o atleta da Moldávia conseguiu chamar mais atenção. Mas não pelo desempenho no octógono, mas por aparecer todo pintado de verde e rasgando a blusa na pesagem, quase como um cosplay mal feito do Hulk vivido por Lou Ferrigno na série dos anos 70.

Cutelaba foi finalizado na estreia por Misha Cirkunov, em junho de 2016, depois venceu Jonathan Wilson (ele e Frankenstein dividem essa proeza) e, na última aparição, perdeu para Jared Canonnier por decisão unânime, em dezembro do ano passado.

O retrospecto dos dois é parecido: perderam para lutadores sem muita relevância (com exceção de Cirkunov), sempre buscam o nocaute, mas desenrolam um pouco no jiu-jitsu (leve vantagem para o brasileiro nessa área). Em linhas gerais: são dois atletas limitados que cumprem tabela. A tendência é mais uma decisão na mão dos juízes.

Do jeito que a organização está passando o facão sem dó nem piedade, não surpreenderia se o perdedor desse confronto, mesmo em uma categoria tão necessitada de renovação como a dos meio pesados, seja mandado para o R.H.

Em boca fechada não entra mosca

Inicialmente o confronto que aconteceria era Joseph Benavidez x Ben Nguyen, que parecia mais uma luta para manter o eterno “vice-campeão” dos moscas em atividade e longe do title-shot. Mas o Joe Jitsu se lesionou e no seu lugar entrou Tim Elliott, deixando a atração mais equilibrada.

Elliott (14-7-1, 3-5 UFC) foi demitido do UFC após passagem irregular, com duas vitórias e quatro derrotas. Foi para o Titan FC, se tornou campeão e, depois, venceu o TUF 24, ganhando passagem direta para um confronto contra o campeão Demetrious Johnson.

O que parecia uma tragédia anunciada, surpreendeu ao encaixar uma guilhotina no Mighty Mouse e até deslumbrar um nocaute no primeiro round, mas foi dominado em todos os outros, perdendo apenas por decisão. Mas a atuação rendeu moral e, depois, venceu Louis Smolka em abril, rendendo o bônus de Luta da Noite.

Nguyen (17-6, 4-1 UFC), vietnamita-americano que defende a bandeira da Austrália, tem como maior destaque o vídeo que viralizou na internet na pesagem contra o tatuado Julian Wallace, pelo Nitro MMA, em que foi intimidado mas, na hora da luta, foi lá e nocauteou em apenas 24 segundos.

No UFC, tem três vitórias e apenas uma derrota, para Louis Smolka. No último confronto, venceu Geane Herrera, em novembro de 2016. Começou a carreira no taekwondo, é perigoso em pé, tem boas finalizações no cartel, mas não é espetacular em nada.

Promessa de uma combate bem movimentado. Elliott, com uma envergadura favorável para a categoria e uma guilhotina perigosa, é favorito.

Quem aí acha que o Mighty Mouse está tremendo de medo levanta a mão! Calma, um de cada vez!

Card completo:

Derrick Lewis x Mark Hunt
Derek Brunson x Dan Kelly
Dan Hooker x Ross Pearson
Ion Cutelaba x Henrique “Frankenstein”
Tim Elliott x Ben Nguyen
Alexander Volkanovski x Mizuto Hirota
Damien Brown x Vinc Pichel
John Moraga x Ashkan Mokhtarian
Luke Jumeau x Dominique Steele
Kiichi Kunimoto x Zak Ottow
JJ Aldrich x Chan-Mi Jeon
Thibault Gouti x Dong Hyun Kim

Vale assistir?

Até quando o UFC vai apostar em eventos com Derrick Lewis na luta principal? Na boa, esse aí, apostando no gigante bruto e no tiozão Dan Kelly, tá difícil defender.

Além deles há outras atrações, como um protagonista de um viral de youtube contra um campeão de reality show e um cara que se pinta de verde nas passagens. É…não tem muito para onde fugir, por mais que se espere um nocaute nas lutas principais.

Dan Hooker (procure sempre a tradução do sobrenome desse cara e a piada fica por sua conta) contra um quase demitido Ross Pearson promete ate ser legalzinha. Mas e aí?

É redundante dizer que ninguém vai desmarcar nenhum compromisso no sábado à noite para ver esse card. Mas se não surgir nada e ficar em casa mesmo, segue uma lista de opções de coisas mais divertidas a se fazer:

1- Ensinar a vovó, bisavó ou qualquer geração amada que necessita dessa informação, a utilizar um email (incluindo enviar arquivos em anexo, por favor).

2- Assistir aqueles canais que vendem joias, que na verdade são bijuterias.

3- Convidar aquele tiozão metido a engraçado da família que todos respeitam por educação, para um longo papo cabeça.

4- Revisar a lista de livros paradidáticos da época do seu vestibular por nostalgia.

5- Zorra Total.

  • João Mário

    O card tá legalzinho até, se olhar pelo lado positivo (sem olhar de maneira alguma pro negativo)

    Mas ainda tá pra vir um card que o Thiagão vai amar do começo ao fim rs

    • Thiago Sampaio

      Já sei qual é! Aguarde! haha

      • João Mário

        Ctz que é o 214, com os negões de main event haha

  • Luis Coppola

    Pior card do ano com ctz!
    Possibilidade grande do Hunt zerar seu cartel, Shang Tsung roubando mais uma vitória e Dan Puta fazendo a antepenúltima luta do card, meu deus..

    • Thiago Sampaio

      Do ano, sem dúvida é o mais fraco. Mas tem coisa pior vindo por aí…

    • Fernando Ribeiro

      Aquele da Suécia foi pior, nem o Bruce Buffer foi de tão ruim que era.

  • William Oliveira

    Esse card tá brabo mesmo, difícil discordar. Como pretendo ficar em casa e estudar sábado de noite (que vida), darei um tempo pra assistir ao card principal, mas só isso mesmo, porque de resto.. Meu deus! Que peneira!

    • Thiago Sampaio

      Só assim mesmo…pois deixar de sair para ver esse evento é insanidade.

  • Matheus V.

    Quero muito ver Elliot x Nguyen, acho que só.

    • Thiago Sampaio

      Acredito que, tecnicamente, é a luta mais interessante do evento.

  • Binho Vianna

    Dizer que um card que tem luta entre dois mastodontes de desinteressante é no mínimo estranho para quem trabalha com o público de MMA. O card está cheio de lutadores técnicos e também explosivos.

  • IMPERADOR

    Torco por uma vitoria do veterano Hunt.
    Um lutador limpo, e que luta pelo fim do doping, deve ser valorizado sempre!

    • Thiago Sampaio

      Também curto o Hunt. Sempre ficamos à espera de um nocaute à qualquer momento…mas a idade chega para todo mundo, a resistência não é mais a mesma.

  • Leo França

    Jajá o UFC ativa um plano para eliminar o Thiago KKKK a cada card ruim ele vem so abaixando a média de publico nas televisões, principalmente as brasileiras.

    • Thiago Sampaio

      Não sei se tomo isso como um elogio ou fico com medo! kkk

  • Minirott

    O evento é à noite mesmo?

    • Thiago Sampaio

      Sim, sábado à noite.

    • magnuseverest

      Começa 8 horas da noite,pensei que fosse de manhã até.

  • Eduardo Kovasc

    Henrique Frankenstein salva o card. Sou fã.

  • Saulo Henrique

    Zorra total, só se for com o Dan Kelly. Já tem cara de tio mesmo..haha

  • Savio Cardoso

    Muito boa explanação sobre o evento e lutadores, parabens pela leitura sempre leve e original.

    • Thiago Sampaio

      Obrigado, Savio. Essa é a intenção mesmo.

  • felipe

    credo

  • flavio israel

    Pô cara “Zorra total” foi de lascar kkkkk…

  • magnuseverest

    Todos esses cards de meio de tabela são suspeitos …. tem até PPV bem mal organizado,o pior são as baixas perto do evento acontecer,como é o caso do Spider saindo de última hora…
    Mas acho que esse fica no mesmo nível daquele de Glover e Gusta,vai que role alguma luta legal,apesar de alguns nomes desconhecidos.

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