Vitor Belfort no Bellator é
mesmo o melhor caminho

Lucas Carrano | 25/05/2017 às 14:23

Tenho que começar este texto congratulando os poderes místicos do amigo Renato Rebelo (um dos membros mais ilustres do #TeamCarrano, diga-se de passagem), que, em uma recente edição do podcast do Sexto Round, cantou a bola e disse que Vitor Belfort não estava com cara de quem iria se aposentar ao encerrar seu contrato com o UFC, mas seguir sua carreira em outro lugar.

Dito e feito. Em entrevista, o empresário do Fenômeno, Gustavo Lacerda, disse que os planos de Belfort não são de parar de lutar após a luta contra Nate Marquardt no UFC 212, como havia sido cogitado inicialmente. Segundo Lacerda, o duelo deve marcar somente o fim da trajetória do carioca no octógono, e tão somente isso.

Decisão de aposentadoria é exclusiva do atleta. A gente veio de um período que o Vitor estava realmente muito desanimado para lutar. A gente vem algum tempo argumentando entre nós e estamos indo luta por luta. Tecnicamente e fisicamente o Vitor tem plenas condições de seguir lutado. Claro que todos sabem da deficiência hormonal que ele tem, mas vamos luta por luta. Temos esse próximo confronto contra o Nate Marquardt e depois pensamos no que vem pela frente. Mas teremos coisas boas por aí”, disse o empresário ao podcast do site O Ganhador.

A primeira vista, o negócio pode não parecer muito vantajoso, haja vista que Belfort é um dos pioneiros do esporte e já virou a casa dos 40 – tendo lutado profissionalmente por mais de metade da sua vida.

Vitor repetiu a maior série de derrotas da sua carreira

Porém, quando se analisa uma condição preponderante na história, o desejo de Vitor por continuar lutando (ou seja, aposentadoria não é uma opção) tudo muda de figura e a possível ida ao Bellator, como tem sido ventilado, torna-se, de longe, o melhor caminho não só para o brasileiro, mas para todos.

O primeiro, e mais básico, fator envolvido é financeiro. Vindo de quatro derrotas (uma convertida em no contest, mas,  ainda assim, uma derrota) em suas últimas cinco lutas, Vitor fica com pouco, ou nenhum, poder de barganha junto ao UFC, principalmente em momentos de arrocho na organização, para negociar melhores salários.

Por mais que o brasileiro atraia público e tenha relevância, o Ultimate não investirá as centenas de milhares de dólares (certamente ultrapassando a casa dos milhões na somatória de todo o contrato) em um novo acordo.

Para Belfort, portanto, é mais vantajoso ser um peixe grande em um lago menor (difícil usar o termo “pequeno” quando a empresa proprietária do negócio é a Viacom), do que ser um peixe pequeno em um lago grande.

Sem a restrição do UFC, os patrocínios tendem a voltar

Some-se isso à questão Reebok. Vitor hoje recebe 20 mil dólares como sua “cota” na exclusividade de marca, mas dado a história do atleta e, principalmente, sua excelente rede de contatos de negócios, não é difícil imaginar que esse valor possa facilmente em até cinco vezes com a liberdade de exibir seus próprios patrocinadores.

Um último ponto, acredite ou não, é o fator esportivo. Se no atualmente concorridíssimo peso médio do UFC as chances de Belfort chegar ao topo tendem a zero (pra usar uma expressão da moda na matemática), no Bellator as coisas mudam de figura.

Além disso, mesmo quarentão, Belfort pode encontrar diversas brechas, como lutas em países onde não há comissões atléticas ou em estados não regulados, como os diversos cards no cassino indígena Mohegan Sun em Connecticut, onde, quem sabe, até a reposição hormonal é aceita – ou, pelo menos, não é banida.

Será que Scott Coker chamará a Sandy também?

Para o Bellator, aliás, o negócio também é bastante vantajoso. Vitor certamente ajudará a audiência dos shows tanto nos Estados Unidos quanto, principalmente, no  Brasil.

Além disso, ter o Fenômeno em um card em solo brasileiro é praticamente certeza de casa cheia – a organização, aliás, já tornou público que pretende fazer sua primeira visita ao país em breve.

Por último, e não menos importante, o plantel do Bellator tem bons match-ups para o veterano. Nomes como Chael Sonnen, contra quem ele chegou a ser escalado em 2014, e Wanderlei Silva, outro que também quase lutou recentemente contra Vítor e faria uma revanche do primeiro UFC no Brasil, vêm logo à mente.

O que o fã do MMA quer? Quer ver um Vitor e Wanderlei, um Vitor e Sonnen. E são esses tipos de lutas que nos interessam agora. O Vitor não precisa provar mais nada com relação a ranking ou com relação a título. Ele praticamente fundou o esporte. A ideia agora é que sejam de interesse para o público e que também desperte o lutador. […] Onde vai ser e como vai ser, eu não posso te dizer agora. Mas que elas devem acontecer, devem”, comentou Lacerda.

Se a “liga de masters” proposta por Vítor não foi adiante no UFC, digamos que ele encontrou uma excelente alternativa ao lado de outros veteranos.

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