Vale assistir? A leitura
dinâmica do UFC FN 109

Thiago Sampaio | 24/05/2017 às 23:08

Para os fãs que estavam com a cabeça prestes a explodir com um final de semana sem UFC, vem um aperitivo por aí. Não é dos mais saborosos, mas serve para matar o verme. O UFC Fight Night 109: Gustafsson vs. Teixeira acontece a partir das 11h deste domingo (28), no Ericsson Globe, em Estocolmo, Suécia.

As atrações são os duelos importantes para o futuro da categoria dos meio pesados. Na luta principal, o atleta da casa Alexander Gustafsson enfrenta o brasileiro Glover Teixeira e, no co-main event, o promissor Misha Cirkunov encara Volkan Oezdemir.

No mais, uma caravana de europeus que interessam mais ao público presente do que os espectadores ao redor do mundo. Dos 24 atletas, apenas três são americanos! Dois (bons) brasileiros vão marcar presença em busca de ascensão.

Mas já que temos que arrancar algum um futuro nesse card, vamos lá!

Sempre à sombra do título

Alexander Gustafsson (17-4, 9-4 UFC) e Glover Teixeira (26-5, 9-3 UFC) têm algumas coisas em comum: ambos perderam por decisão para Jon Jones, conhecem a mão pesadíssima de Anthony Johnson e vêm de vitória sem brilho sobre adversários pouco relevantes.

Mas em uma categoria tão rasa como a dos meio pesados, quem vencer esse duelo que há muito tempo fazia sentido de acontecer (já foi agendado para o UFC Fight Night 69, em junho de 2015, mas o sueco se lesionou), se coloca ali de novo perto de uma disputa de título.

Principal nome do MMA da Suécia, Gustafsson volta a lutar diante da torcida desde que foi nocauteado por Johnson, em janeiro de 2015.

É sempre lembrado por ter dado a luta mais dura da carreira de Jones, no UFC 165, em setembro de 2013, que muitos apontam que ele venceu (o que discordo plenamente). Desde então, não emplacou sequência de vitórias e foi prejudicado pelas muitas lesões.

Venceu Jimi Manuwa por nocaute, foi nocauteado pelo The Rumble, e, mesmo assim, ganhou de mão beijada outra disputa de título, desta vez contra Daniel Cormier, em que perdeu por decisão dividida. Na última aparição, venceu Jan Blachowicz por decisão, em setembro do ano passado.

O mineiro de Sobrália chegou cheio de moral ao UFC, engatando cinco vitórias seguidas, ganhando a disputa de título, em que foi dominado por Jones, no UFC 172, em abril de 2014.

Depois, perdeu para Phil Davis, venceu Ovince St-Preux, Patrick Cummins, Rashad Evans, até ser apagado pelo The Rumble em apenas 13 segundos. Na última exibição, venceu Jared Cannonier por decisão, no UFC 208, em fevereiro de 2017.

O The Mauler é apontado como favorito, até por estar em casa. Tem uma trocação de qualidade, é bem técnico, contando com a envergadura a favor (206,2cm). Tem boas quedas quando precisa (conseguiu derrubar Jones, mas, convenhamos, não precisamos botá-lo num pedestal por isso).

Na última luta, se apresentou de maneira mais cautelosa do que de costume para conseguir os três pontos, o que deve se repetir contra Glover para seguir na crescente.

Glover tem golpes mais potentes, um jiu-jitsu de respeito, apesar de ser menos ágil do que o adversário. Tem chance de arrancar um nocaute ou uma finalização, mas se o resultado for para os juízes, pode se complicar.

Mesmo tendo vencido Cannonier por decisão, teve uma atuação segura e sem riscos, o que pode ter dado a ele uma segurança maior.

Vale lembrar que Cormier x Jones 2 acontece no UFC 214, no dia 29 de julho. Em caso de vitória do DC, Glover tem maiores chances de disputar o cinturão em seguida.

Mas na fila também está o nem tão atrativo Jimi Manuwa. Ah, categoria desgraçada…

Promessas nem tão novas assim

Falando na categoria rasa, aqui vai uma tentativa de renová-la com duas promessas, tanto que a luta está no co-main event desse super card.

Principalmente por conta do letão-canadense Misha Cirkunov (13-2, 4-0 UFC), que por pouco não renovou com o UFC e chega para provar que o novo contrato foi um bom negócio.

Cirkunov, que já não é nenhum menino (tem 30 anos), engatou quatro vitórias no UFC, sempre pela via rápida, sendo que a última, uma finalização sobre Nikita Krylov, no UFC 206, em dezembro de 2016, foi a mais impressionante.

Sem contrato, chegou a ser considerado carta fora do baralho, até que depois de muita “conversa” ($), ele acertou a permanência no UFC.

O suíço Volkan Oezdemir (13-1, 1-0 UFC), 27 anos, estreou no UFC em um combate que aceitou de última hora contra Ovince St-Preux, em fevereiro de 2017, e venceu por decisão dividida numa luta chata e com resultado que poderia ter ido pra qualquer um.

Foi o suficiente para jogá-lo à quinta posição do ranking da varrida categoria. Mas, apesar de aquele duelo não ter mostrado o seu potencial, vale lembrar que nove das 13 vitórias dele na carreira foram por nocaute técnico.

É um típico duelo de projeção para quem vencer, num cenário carente de novas ameaças.

Não se surpreendam se o vencedor dessa peleja enfrentar em seguida Maurício Shogun, vindo de três vitórias, mas sem aparente ânsia de ser campeão novamente.

Pequenos finalizadores em ação

O brasileiro Pedro Munhoz (14-2, 4-2 UFC) chegou ao UFC sem alardes, apesar de ser o ex-campeão do Resurrection Fighting Alliance (RFA), e já é o 12° do ranking do peso galo.

Mas não será dessa vez que terá a chance de bater um adversário de nome, tendo quase a obrigação de vencer Damian Stasiak (10-3, 2-1 UFC) se quiser continuar subindo na divisão.

Talentoso, das quatro vitórias que teve na organização – sobre Matt Hobar, Jerrod Sanders, Russell Doane e Justin Scoggins -, foram três finalizações e um nocaute.

Perdeu apenas para os tops da categoria Raphael Assunção (aceitando duelo com apenas duas semanas de antecedência) e Jimmie Rivera, ambos por decisão.

Já o polonês estreou no UFC com derrota para Yaotzin Meza no pesos pena e, depois, desceu para os galos e venceu por finalização Filip Pejić e Davey Grant. Apesar de desconhecido do público em geral, tem agora o maior desafio da carreira.

Ambos têm o jiu jitsu como principal arma. Nove das 14 vitórias de Pedro foram por finalização. Tem uma guilhotina perigosa! Já Damian arrancou os três tapas de sete adversários das suas 10 vitórias, a maioria delas com mata-leão.

Se for para o solo, podemos ter um duelo divertido de transições. Mas o brasileiro é bem mais técnico, com totais condições de finalizar.

Se o combate se desenrolar em pé, melhor ainda para Munhoz, onde já mostrou que se sente à vontade e já deu trabalho para Assunção e Rivera.

Num evento sem muito brilho, essa luta que fecha o card preliminar até que promete!

Para vencer com ou sem maldade

O brasileiro Joaquim Silva, o Netto BJJ (9-0, 2-0 UFC), por pouco ficava de fora desse evento. Isso porque inicialmente ele enfrentaria o russo Mairbek Taisumov, embalado por quatro nocautes seguidos, que pulou fora por lesão.

Mas eis que de última hora, um atleta “caseiro” e bem conhecido aceitou o desafio para garantir a diversão do público: o sueco-iraniano Reza Madadi (14-5, 3-3 UFC), carinhosamente chamado pelos amigos do Sexto Round de Reza “Maldade”.

Participante do TUF Brasil 5, o invicto Netto BJJ estreou na organização no UFC 191, em setembro de 2015, com vitória por decisão dividida sobre o argentino Nazareno Malegarie. Depois, venceu Andrew Holbrook com um rápido nocaute aos 34 segundos, em julho de 2016.

Apesar do apelido de BJJ, o atleta pouco tem usado o jiu-jitsu e tem apresentado uma notória evolução na luta em pé, incluindo cinco vitórias por nocaute.

Reza Madadi, que tem no currículo uma passagem pelo xadrez entre 2013 e 2015 por roubo, não esconde o papel de mal. Grita, provoca o adversário nas pesagens, tem um estilo louco que anima, mesmo que seja para a torcida que espera que ele vire farofa.

Mas além do personagem, o Mad Dog é um guerreiro no octógono, daqueles que sempre anda pra frente e luta com o coração, mesmo sem tanta técnica. Na última exibição, em que aguentou três rounds de surra de Joseph Duffy, em março de 2017, é exemplo disso.

Na teoria, Netto BJJ ganhou um adversário mais fácil do que Mairbek Taisumov e tem a vantagem de ter feito um camping completo. Porém, nunca enfrentou alguém com a experiência do “Maldade”.

Certeza é que os dois vão partir para a pancadaria e, se estiver levando a pior, o brasileiro vai tentar levar para o solo, onde Madadi também não é leigo, com variadas finalizações no cartel.

Um desafio na medida para testar as ambições que o goiano de Anápolis pode almejar no UFC.

Card completo

Alexander Gustafsson x Glover Teixeira
Volkan Oezdemir x Misha Cirkunov
Peter Sobotta x Ben Saunders
Abdul Razak Alhassan x Omari Akhmedov
Oliver Enkamp x Nordine Taleb
Jack Hermansson x Alex Nicholson
Pedro Munhoz x Damian Stasiak
Trevor Smith x Chris Camozzi
Reza Madadi x Joaquim “Netto BJJ” Silva
Nico Musoke x Bojan Veličković
Darren Till x Jessin Ayari
Marcin Held x Damir Hadžović

Vale assistir?

É mais um típico card de TV aberta com o intuito de conquistar o mercado europeu. Teremos algumas lutinhas bem interessantes, como as citadas acima, e Peter Sobotta contra Ben Saunders (o cara da primeira finalização por omoplata do UFC).

Tem também a vantagem de ser transmitido numa tarde de domingo, já que teria que alguém ser esquizofrênico pelo esporte a ponto de perder o sábado à noite para assistir isso. Então, se tiver de bobeira, vê lá.

Mas pensando bem, uma tarde de domingo é tão agradável! Pensa na segunda-feira e nos estresses do trabalho que virão. Aproveita! Leva aquela pessoa que você gosta para o cinema.

Opa, mas shopping dia de domingo é o caos. Melhor ver esse UFC, então? Não! Vai com a pessoa tomar uma água de côco na praia, depois vai passear pela orla e assiste ao pôr do sol.

Mas não quer sair de casa de jeito nenhum? Ainda tem a opção de assistir a algum seriado que esteja atrasado. “American Gods” e “Twin Peaks” estão aí, fica a dica. E o UFC? Olha o resultado depois na internet.

  • IMPERADOR

    Sera que Gustafsson esta com o psicológico e dia, novamente?
    Sera que esta motivado? Torco para que sim!
    Sempre foi minha aposta para vencer Jon Jones.

    • Denis Prudente

      Pode crê , será que vale apena assistir?
      Você paga a assinatura do canal mais caro do mundo (combate) aí chega o dia do evento o que acontece???? a porra da luta principal é cancelado é sempre assim

      • Thiago Sampaio

        Isso aconteceu na luta do Fedor Emelianenko contra o Fábio Maldonado, pelo Fight Nights, quando a luta que interessava era só a principal mesmo….haha

        • Leo França

          Aconteceu no UFC 206 também, que mesmo tendo lutas fenomenais como Cub vs Choi e Cowboy vs Brown, na hora da luta principal o sinal caiu, ai ngm pode ver pettis vs holloway

          • Thiago Sampaio

            Bem lembrado! Aconteceu tb no TUF 15 Finale, em 2012, que teve Jake Ellenberger x Martin Kampmann na luta principal….haha

  • Fernando Pestana

    Genial o VALE ASSISTIR? KKKKKKKK…

  • Anderson Tomaz

    Esse card não vai passar no fx1 ?
    Jurava que os únicos eventos em canais abertos na gringa fossem os on fox

  • João Mário

    Thiagão hateou pesado esse card KKKKKK

    • Thiago Sampaio

      Menti? hahahaha

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Nem glover nem Gustafsson me convenceram, viraram grapplers nas vitórias contra Blachowicz e Cannonier depois de ver que em pé não seria tão legal.

    Reza Maldade e BJJ promete!!

    E Oezdemir, o top 5 mais digno do UFC também tá aí? É motivo pra assistir!! -n

    • Vinicius Maia

      Reza “The Heist” Maldade.

    • Thiago Sampaio

      Confesso que depois da luta principal, a que estou mais animado para ver é mesmo Reza Maldade x Netto BJJ!

  • Hyuriel Constantino

    Nada contra o Gustavão, mas torcendo pelo Glovão da Massa e Circo9.

  • Bruno

    Glover e Gustafson tem tudo para ser um lutaço. Mas também pode ser uma luta morna se os dois vierem cautelosos demais.
    Circo 9 (créditos ao Hyuriel) é uma grande promessa na categoria, acho que vale conferir.

  • Rudá Corrêa Viana

    “Ah, categoria desgraçada…”

    Isso resumiu o pensamento geral da nação sobre o meio-pesado do UFC.

    • Thiago Sampaio

      Gian Villante, Tyson Pedro e Jan Blachowicz são top 15, para se ter ideia!

  • Gabriel Nicacio

    Poxa Thiago, o UFC vai te matar se verem essa propagando suaai kkkkkkkkkk, tá ficando mais hater que o Tannuri quando fala dos ex-campeões do Bellator atuais do UFC poxa kkkkk. Mas olha mano, o card preliminar vai ser só pra cumprir tabela mesmo, mas no principal, ou pelo menos a luta principal, é sim uma boa luta, eu acho que essa pelo menos dá pra ver, então enquanto não chega a 5 temporada de Arrow, e ainda não comecei a ver Luke Cage ou Punho de ferro (adoro quadrinhos), vou assistir sim, kkk

    • Thiago Sampaio

      Também sou fã de séries e quadrinhos. Quando “Os Defensores” sair, tratarei de maratonar logo de uma vez para não perder o UFC que tiver no fim de semana….hehe

      • Gabriel Nicacio

        Digo o mesmo kkkk

  • Álvaro

    Colocasse o Jaca contra certo sujeito aí e tinha tudo pra virar um card numerado

    • Thiago Sampaio

      Jacaré x Camozzi III vem aí…a trilogia mais aguardada da História do MMA!

  • Romulo Aleixo

    Que conclusão genial, Thiago! Mais sinceridade que isso, impossível! hahaha

    • Thiago Sampaio

      Só falei verdades, Rômulo! kkk

  • douglas karpinski

    Gosto do Glover mas vou de Gustavão, e vou quase como unanimidade contra os pontos mencionados pelo autor do texto com relação aos dois lutadores, se tratando de uma luta entre (na minha opinião) o 3º melhor e o 4º melhor lutador da categoria atualmente, e por favor não desmereça a surra que o Jones levou do Gustafsson (e olha que sou fã do Jon Jones incondicionalmente);

    • Thiago Sampaio

      De fato, são o 3º e o 4º melhores da categoria, concordo. Mas esse é o mesmo cenário há anos e a divisão está tão obsoleta que não há previsão de mudanças. Do jeito que as coisas estão, será uma eterna repetição de desafiantes.

      Eu não desmereci a boa luta que o Gustafsson fez contra o Jon Jones. Mas marquei 48×47 para o Jones de maneira até clara. O que argumentei é que desde ali, o sueco não manteve uma continuidade. Venceu o Manuwa, voltou quase um ano depois sendo nocauteado pelo Anthony Johnson e ganhou um title-shot contra o Cormier sem nenhum mérito.

      Gustavão conseguiu quedar o Jones e isso não é qualquer coisa. Mas disse que não devemos botá-lo num pedestal porque isso aconteceu em 2013. Ninguém vive apenas de passado.

      Esta semana mesmo, Alan “Finfou” Nascimento, treinador de jiu-jitsu do sueco, argumentou que ele “Derrubou Jon Jones”. Sim, aconteceu há três anos em uma luta que não venceu e depois não repetiu o mesmo bom desempenho.

      Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

      • douglas karpinski

        Entendo, mas a categoria estar em “banho-maria” é culpa, por parte de lutadores que não atingem o nivel dos 4 (que disparadamente estão a frente) melhores, e do UFC pelas contratações.

        Mas entendi seu ponto, ainda discordando (hahaha), realmente ele(Gustavão) não manteve a sequencia de lutas pelas lesões, porem tirando a luta do AJ a do Cormier foi animal, achei muito melhor a luta deles do que a do JJ vs Comier, ou seja ele entrega lutas boas, e contra o Cormier achei o desempenho dele ótimo, é um ótimo nome pra categoria.

        Já Glover não tem muito apelo midiatico, então pega sempre o caminho do merecimento, é perigoso em pé e no chão, comparando os dois o Gustavão tem mais chances, mas luta é luta…

  • Vitor Oliveira

    O único erro da análise, é dizer “Olha o resultado depois na internet” e não ” Olha o resultado depois no Sexto Round”

    • Thiago Sampaio

      Boa, Vitor! Mas já fica subentendido, pois o Sexto Round é o melhor site de MMA da internet! hehe

  • Wellington Fonseca

    Cardzinho bem mequetrefe!

    Espremendo bem, tem umas 4 lutas assistíveis. Vale também ver se o Marcin Held desencanta e começa a deslanchar no UFC.

    No frigir dos ovos, melhor sair pra tomar umas brejas num boteco, depois ler a resenha do evento no 6R e assistir só as lutas que a galera disser que vale a pena.

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