Cris Cyborg sem Ronda Rousey: é preciso aceitar

Lucas Rezende | 17/12/2014 às 20:05

Como sempre imaginei, o dia em que veremos Ronda Rousey e Cris Cyborg dividindo a mesma arena não chegará.

Depois de diversos contratempos, a brasileira decidiu permanecer nos 66kg, longe de Rowdy e também do UFC, que não comporta a divisão.

Acredito que o sacrifício tem que vir de ambas as partes, pois somos duas campeãs, apenas de pesos diferentes”, justificou a brasileira em entrevista ao site Dama de Ferro.

Photo Credit Esther Lin/STRIKEFORCE

Cyborg barulhando Carano – outra queridinha dos americanos

E assim, Cris seguirá sua carreira exibindo-se sob holofotes menos cintilantes (o do Invicta FC, pra ser preciso), satisfeita em sofrer na hora do embate, porém não para perder peso – abrindo mão de um pé-de-meia que nunca será emparelhado, independente de quantas vitórias conquiste.

Uma pena o corte ser um processo tão debilitante, não é? Entretanto, um homem acredita que não precisa ser.

Marqueteiro agressivo, o nutricionista mais famoso dentro do esporte – Mike Dolce – afirma com todas as letras que Cristiane Justino possui totais condições de alcançar este objetivo, sem passar por grandes martírios.

A mente por trás da dieta Dolce afirma que, se Ronda passeia por volta dos 70kg – quando não está treinando – e corta para 61kg sem maiores dificuldades, Cyborg também deveria ser capaz.

Já a vi chegar aos 66kg um dia antes da pesagem dizendo que sentia incrível, então como ela não conseguiria bater 61kg com algumas mudanças em seu estilo de vida?”, mandou Dolce no Bloodyeelbow.com.

Incisivo, Dolce insinua que Cris é mal gerenciada, pois o abandono ao peso galo sem nem sequer tentar seu método é insanidade.

Especialmente quando isso significa a maior oportunidade de sua vida. E certamente não faria nenhum mal aos já fartos bolsos do popstar dos regimes.

Ex-campeã do Strikeforce e atual do Invicta FC, mais me parece que Cyborg desprendeu-se dessa obrigação em comprovar qual das duas é a lutadora superior.

Pouco me frustro, pois este sempre foi um confronto conturbado, repleto de empecilhos.

Acordos afundados, lesões, compromissos diferentes e até um flagra no doping por parte da brasileira dissiparam as chances do duelo realizar-se pouco a pouco.

Cristiane está farta de perseguir Ronda e posso entendê-la. Não concordo que exista um problema com o modo em que seus empresários manuseiam sua carreira, como Dolce insiste.

Eu nunca disse que ela morreria se tentasse bater 61kg, apenas repeti que o médico disse que a Cris não deve seguir uma carreira com 61kg. Nós oferecemos um acordo para três lutas e eles (o UFC) disseram não – queriam sete”, explicou Tito Ortiz no programa Inside MMA em fevereiro desde ano, quando anunciou que não seria mais o empresário de Cyba, pois acreditava que seu péssimo relacionamento com Dana White poderia prejudicá-la.

Cyborg já foi bombardeada por perguntas sobre Ronda Rousey desde que a judoca ascendeu ao estrelato, e já faz parte do ramo tempo o bastante para entender o significado de enfrentar a americana.

Mas os anos de obstáculos cobram o preço e a motivação se esvai. Pode ser comodismo, mas Cris aparenta gostar do lugar onde se encontra atualmente, então mesmo que os fãs, o UFC e Mike Dolce clamem para que ela tente mais uma vez, compreendo sua abdicação.

Pior seria se o combate acontecesse e – em meio ao turbilhão e a falta de vontade de estar ali -a catarinense se apresentasse aquém do esperado, mais ou menos como Nate Diaz apareceu para enfrentar Rafael dos Anjos.

O querer tem de ser genuíno.

Óbvio, é válido lembrar que nada é definitivo para uma atleta de 29 anos e a chama pode se reacender, mas até lá, respeitemos a escolha de Cristiane Justino.

Amo lutar e vou estar lutando onde eu me sentir bem-vinda, porque isso é o mais especial para mim”. Sintetizou.

Ser feliz com pouco – sabendo que se pode ter mais – é uma virtude, mas quase ninguém compreende isso.

  • Ramon Reis

    Ser feliz com pouco – sabendo que se pode ter mais – é uma virtude, mas quase ninguém compreende isso.

    Karay!!!! ÉPICO!!!!!!!!!!!!

    • Lucas Rezende

      Muito obrigado!

      • Ramon Reis

        E ainda se incomoda em vir agradecer que cara humilde!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Bruno Conde

    A única chance de isso acontecer seria a Ronda continuar limpando a categoria, a Cris se manter campeã, e quando faltarem desafios e não houver desafiante de apelo comercial fazer uma única superluta em catchweight. O problema é que a Ronda já se disse avessa a mudar de categoria, e flerta com a aposentadoria caso se dê bem nos cinemas. Difícil acontecer mesmo.

    • mazzaropi

      Os iluminatis UFCs (risos) patrocinam seus campeões americanos e é de total interesse deles mantê-los assim… Aposentadoria, cinema, tudo faz sentido!

    • Lucas Rezende

      Me parece que nenhuma das duas tem interesse nessa luta, na verdade.

      • Bruno Conde

        A Cyba não aceitaria nem em um peso combinado?

        Você acha que ela pipoca para a Ronda?

        • Lucas Rezende

          Talvez aceitasse, mas o UFC nunca faria isso.

          • Bruno Conde

            Ooooolhaaaa rapaaaaizzzzz (citando Rebelo). Pra proteger a princesa?

            Sei não ein. Imagina se a Cyba ganha, a possibilidade de uma revanche, com possibilidade de trilogia. Em tempos de baixa venda de PPV não cairia mal para o evento.

            Por mais que a Cat seja boa ela não tem apelo. Tate já perdeu dois braços. A Bethe tem apelo e trash talk mas não fala inglês nem tem qualidade suficiente (ainda) pra fazer frente.

          • Lucas Rezende

            Se fosse fazer, já o teria feito, acho.

            Não para proteger Ronda, pois ela não precisa ser protegida, mas vejo que está bem claro que a Cyborg só seria aceita como peso galo.

            Não dá pra fazer trilogia de luta peso casado sem valer cinturão.

          • Bruno Conde

            Verdade.

          • Carlos Montalvão

            Tá meio que parecendo que as duas falam e falam mas na verdade uma corre da outra, na minha opinião de merda haha. A Princesa já tinha aceitado lutar contra a Gina Carano em peso casado no maior estilo “vem-fácil-que-pra-você-tô-abrindo-a-porta-de-trás” enquanto faz o típico “doce” pra Cristiane. No bolo das top da categoria tá difícil mesmo, fora essas que você citou, a Alexis foi exterminada de forma vergonhosa e as duas Saras (Sara e Sarahhhhhhh) tiveram suas mortes declaradas em menos de 1 minuto cada. A última lutadora de elite ali é a Jessica Eye, que tem apelo visual, técnico e bastante personalidade, mas acho que ela vai ter que lutar mais uma vez antes de pegar a vencedora de Ronda x Cat e como qualquer outra, corre o risco de perder, apesar de eu achar que o UFC não vai queimar uma próxima contender de título.

      • will

        Faltou você dar o seu palpite. Quem venceria numa luta de 61kgs? E numa luta com peso combinado? Eu aposto na Ronda.

        • Lucas Rezende

          Também iria de Ronda, Will.

  • Matheus

    Se a Cris Ñ conseguiu fazer esse corte msm sabendo que ganharia na loteria é pq realmente ñ dava. Até pq ela quer ser mãe. Respieto a decisao dela

  • mazzaropi

    Infelizmente devo admitir que o UFC fez uma arapuca perfeita para Cris!

    Veja os pontos…

    1. Criou uma divisão para Ronda de maneira que Cris tenha que perder peso, e não o contrário…

    2. Nesta janela de tempo de discussões, doping, polêmicas e etc, Ronda criou um nome forte (já tinha por conta das olimpíadas) vencendo de maneira contundente suas adversárias.

    3. O UFC atavés de Ronda bombardeou o que pode Cris por conta do doping e depois seu manager Tito, sem piedade… (Isso abala o psicologico a longo prazo)

    4. Se Cris Ciborg tivesse lutado e ganhado na categoria da Ronda desde o início da criação da categoria no UFC, sim, Cris estaria certamente adequada no peso e não precisaria sofrer na perda de peso…

    5. Sim. A perda de peso drástica continua sendo agressiva à saúde dos atletas e não garante recuperação 100% em 1 dia, muito menos a munutenção das respostas de força…

    6. Hoje, a configuração do UFC trazendo Cris só beneficia Ronda esclusivamente. São mais desvantagens para Cris do que vantagens…

    7. Mike “Azedo” Dolce é um tremendo maketeiro e pau mandado do UFC. Ele dizer a esta altura que Cris pode descer de peso errou duplamente, pois a questão não é apenas descer de peso e sim manter saudável e bem para a luta. Oras, ele não pode saber mais do que as pessoas que convivem com a Cris todos os dias e a Cris não aceitaria uma mentira destas… Dolce cometeu o terceiro erro ao criticar seus empresários e equipe. Dolce deveria sentir-se envergonhado de falar estas asneiras…

    8. Mesmo que os astros estivessem alinhados e tudo estivesse lindo, maravilhoso, e claro, se os valores das bolsas não forem compatíveis… Não, cris não deve aceitar nehuma proposta, inclusive proponho que continue chamando Ronda para fazer uma luta em sua categoria, valorizando sua própria bolsa e nome… Bingo!

    • will

      Eu acho que essa categoria 61kgs é a única que faz sentido no feminino. As mulheres em geral conseguem se encaixar nesse peso. Achei desnecessário criar um peso mosca.

      • Nelson Junior Ticaum

        Acho o contrário… A longo prazo devem existir mais categorias de peso para as lutadoras. O que disse não chega a ser preconceituoso, mas é até um pouco rude. É o mesmo que dizer “o peso médio do homem é 84 kgs, não é necessário a criação de outras categorias. ..” Imagina se não tivesse a categoria do Aldo, Barão, do Might Mouse. Imagina quantas lutadoras devem existir por ae com 50 kgs, 45 kgs, 70 e 80 kgs. Eu espero justamente o contrário, o que deve acontecer com a popularização do MMA feminino (só lembrar o Dana falando que jamais veríamos mulheres no UFC. Hoje já temos duas categorias e uma super estrela como a Rowsey)…

        • Raphael Seiji

          Concordo plenamente. Quem sabe daqui algum tempo não tenhamos o peso átomo no UFC…

          • Carlos Montalvão

            Peso Mosca é que mais levantaria o “mercado” de lutadoras femininas no UFC, pois subiriam algumas do Peso-Palha e desceriam algumas do Galo, é ideal pra quem saiu da zona de conforto ou categoria original por falta de opção no UFC. Já peso átomo tá quase na mesma situação do peso pena, meia-dúzia de lutadoras (talvez o átomo até consiga sucesso maior via Invicta e chame a atenção do UFC, já a categoria da Cris é a pior possível para os tios Fertitta e Dana encaixarem na organização)

        • will

          O número de lutadoras é muito pequeno, não justifica tantas categorias como no masculino. Foi o que eu quis dizer.

      • Raphael Seiji

        Foi criado um palha, Will

    • Carlos Montalvão

      Discordo do primeiro tópico, o UFC pegou o 61 porque era a categoria mais movimentada do Strikeforce e foi justamente Tate x Rousey (FOTN) que fez o Dana White mudar de ideia, sem contar que no mesmo dia teve a pancadaria estilo TUF1 Finale entre Alexis Davis e Sarah Kaufman, foi pensando nesse tipo de lutão equilibrado que eles fizeram o peso-galo feminino no UFC, White e Fertittas não queriam ver uma japonesa apanhando tanto de uma Cris Cyborg que no meio da luta começava a se jogar no chão e chamar pra guarda por medo de apanhar mais, sem contar que a Cyborg ainda tava cumprindo punição e a Gina Carano tinha semi-aposentado, ou seja, o peso-pena feminino tava morto na época (e ainda está, salvo Marloes Coenen e Julia Budd carregando o 66 nas costas agora). Mas o resto faz sentido sim.

  • Diego_TT

    Estranha essa arregada da cyborg. Ela ñ já tinha luta marcada nessa categoria?

  • will

    A situação é muito simples de explicar. Não tem conspiração ou perseguição contra a Cyborg. O histórico de dopings aliado a incapacidade dela de bater o peso são motivos suficientes pro UFC não querer arriscar. Ela quer ter privilégios e lutar com peso casado. E o pior, ainda está se fazendo de vítima. A Ronda é a “estrela” do UFC e não o contrário!

    • Malk Suruhito

      Doping, no singular.

  • Marcelo

    Pois é. Mas eu não gosto disso. Era melhor se os grandes lutadores se enfrentassem – e quisessem se enfrentar, e pequenas diferenças de peso não fossem entrave. O MMA correndo aí um risco de ficar igual o boxe. Essa luta também faria bem para a categoria feminina e a Cyba poderia se tornar a primeira “vilã” do MMA feminino, que o povo americano pagaria pra torcer contra, como fazem com o Jão Jãones.
    Ela está certa. Só pediram pra ela fazer o sacrifício. Da parte da Ronda, evitar a luta num peso mais elevado é mais importante do que um desafio para uma atleta que já provou ser dominante. A cara de brava e a agressividade fica só ali, olhando pra adversária, quase sempre claramente menor que ela, mas pra pegar alguém que ela tenha que olhar de baixo pra cima, aí a gente deixa a carinha de brava pra depois.

    • Lucas Rezende

      Perdemos a história com a Cyborg, mas já tivemos a rivalidade de Ronda com Miesha e também a Bethe Correia, que vem esculhambando a campeã a torto e a direito.

      Zingano pode não estar fazendo muito barulho, mas é uma lutadora perigosa, também.

  • Jonas Angelo

    Tocou num ponto bem importante Lucas: Ser feliz com pouco – sabendo que se pode ter mais – é uma virtude, mas quase ninguém compreende isso.

    Também acho que cada um sabe até onde quer e tem vontade de ir, ou ficar, no caso. De um modo geral, vivemos na sociedade do “sucesso”, e se você não possui o tal “sucesso” ou a gana para tal, não é digno de respeito. Basicamente é isso que impera.

    • Lucas Rezende

      Pois é, a cobrança também desgasta. A Cris ama lutar e diz estar feliz fazendo isso onde for bem-vinda. Pra mim, é uma vitória.

  • Gefferson Nesta

    É Uma pena! Gostaria muito de ver a Cyborg deformar o rosto da Ronda.

  • Carlos André

    Muita atenção para uma “atleta” desonesta, drogada. Deveria já ter sido banida do esporte, assim como todos os demais drogados: Vitor, Wanderlei, Chael, Alistar… e todos os outros de outras modalidades desportivas.

    • aleatorio

      é, ufc frango daí, só vc e tua família lutando por lá ¬¬

  • Muito bom, Lucas.

    Uma pena, perder a Cris, mas sinceramente eu não curto essa parada de esforço para chegar no peso. A Ronda já é dominante ha um tempão nesta categoria e vejo até certa vantagem nisso, pelo fato de adaptação dentro dos Galos.

    Fora que ainda temos algumas bem legais para acontecer que estou ansioso, como Bethe Correia, Zingano e Holm.

    • Lucas Rezende

      Justamente. A categoria vai sobreviver, novas desafiantes não param de surgir.

  • Carlos Montalvão

    Eu vejo uma falta de confiança dela nesse corte de peso, cada corpo reage de uma forma diferente e tudo mais, mas a Rousey também veio do peso pena, então acredito sim que a Cris conseguiria bater o 61. Mas se ela não se sente à vontade, é melhor não insistir então. Assim evitamos de assistir uma performance igual a última do BJ Penn, por exemplo. Mais uma superluta que ficamos apenas chupando dedo pra assistir, por falta de compromisso/vontade REAL de realizar, dos dois lados, assim como Spider vs JJ/GSP. É estranho pensar que entre os melhores do mundo, nenhum parece realmente ter interesse em “superlutas” com excessão talvez entre Aldo e Pettis, o resto infelizmente não dá a mínima pra isso, talvez por medo da derrota, achando que isso mancharia o “status” de pica das galáxias. Uma pena.

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