O UFC 151 pode azedar a relação promotor-atleta?

Renato Rebelo | 27/08/2012 às 23:09

O cancelamento histórico do UFC 151 ecoa até agora. Vilões foram eleitos, covardes apontados e pontos de vistas nada unânimes expostos. No entanto, algo nada abstrato foi o prejuízo que a Zuffa teve que ‘’entubar’’ com o cancelamento de um card inteiro.

Mesmo tendo em seu poderio um monopólio, o UFC não pode ser acusado de ser uma empresa que negligencia seus atletas.

Empregando novas técnicas de gestão de pessoas baseadas no bem-estar do funcionário – que não é mais aquele ”Homem Economico” primitivo que só se motiva por um cheque gordo-, Dana White e sua trupe investem em incentivos sociais como promoções, presentes, bônus e exposição privilegiada.

Por mais emocional que soe às vezes, o careca não rege seu plantel com um chicote. No entanto, o recente prejuízo da recusa de Jon Jones pode mudar um pouco as coisas por lá.

Obrigado a Deus que o Belfort é da mesma geração que o Liddell, Hughes, etc. Lutador de verdade! – declarou, via Twitter, Lorenzo Fertitta, CEO.

O crescimento do esporte gera um aumento da demanda natural por seus eventos e a chegada de novos talentos pode não ter acompanhado esse fenômeno. Aí, o que verificamos são muitos cards e poucos medalhões para preenchê-los.

Uma lesão como a de Dan Henderson obriga os cartolas a dependerem da boa vontade do campeão para salvar o dia. Quando vem a recusa de estender a mão à empresa, a relação azeda.

Como um passo atrás no avanço do ”business” (como a diminuição dos shows) não é uma alternativa, podemos estar vivenciando a chegada de uma era em que contratos mais coercitivos e duros serão redigidos.

Serão lutadores forçados a aceitar as ordens dos chefes estando sujeitos a duras penas? Só o tempo dirá se o UFC 151 foi um ‘’game changer’’.