Robbie Lawler: uma saga improvável até o cinturão

Lucas Carrano | 08/12/2014 às 13:40
Sendo atingido por Diaz

Nocauteado por Diaz…

Em maio de 2002, aos 20 anos, Robbie Lawler estreia no Ultimate Fighting Championship com uma vitória por decisão unânime sobre Aaron Riley.

No dia 6 de dezembro de 2014, aproximadamente às 20h pelo horário de Las Vegas, soa o gongo no Mandalay Bay e começa a luta principal do UFC 181.

A segunda luta no Ultimate vem logo e, apenas um mês depois de seu debute, o jovem Lawler consegue seu primeiro nocaute no octógono – a vítima foi Steve Berger.

No primeiro dos cinco rounds programados para a luta contra Johny Hendricks, o desafiante começa com tudo e, abusando das joelhadas no clinch, abriu o duelo em vantagem.

O ano de 2003 chegou e com ele veio a primeira derrota da carreira de Robbie, após uma lesão contra Pete Spratt.

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Finalizado por Tanner…

O ritmo de Lawler cai antes dos cinco minutos iniciais ele termina a parcial por baixo do rival.

Contra Nick Diaz no UFC 47, Ruthless conheceu seu primeiro nocaute em um cruzadinho maroto que, direto no queixo, o deixou desnorteado.

No segundo assalto, Lawler aposta em um jogo unilateral e começa a sentir a variação de Johny entre as sequências, sempre encerradas com um low kick, e as entradas de quedas.

Mais uma derrota, desta vez para Evan Tanner, e a primeira passagem de Robbie pelo UFC chega ao fim em outubro de 2004.

Apesar da desvantagem aparente, é Lawler quem conecta o golpe mais contundente do round: um potente chute frontal, absorvido por Hendricks.

A saída do Ultimate parece ter surtido efeito positivo sobre o promissor atleta que, agora nos pesos médios, fatura os cinturões dos eventos SuperBrawl e ICON.

Jason Miller...

Jason Miller…

O combate segue e mesmo com o duelo majoritariamente em pé, é o campeão quem leva a vantagem, diante de um Robbie Lawler que aposta em golpes isolados.

Não demora, porém, e Lawler dá novas mostras de que é um lutador irregular e sofre uma daquelas derrotas pra se esquecer, uma finalização para Jason Mayhem Miller.

No quarto round, após momentos de inatividade, que fizeram inclusive o árbitro Herb Dean recomeçar a luta no centro do octógono, Robbie foi posto novamente de costas para o chão pelo wrestler.

Jacaré...

Jacaré…

Os altos e baixos continuaram e o californiano encaixou uma série invicta de seis lutas, com direito a vitória sobre Frank Trigg e a conquista do título do EliteXC, batendo Murilo Ninja.

No fim do penúltimo assalto, no entanto, Ruthless encontrou uma brecha e passou os 30 segundos finais descendo uma verdadeira saraivada de socos, marteladas e cotoveladas em Hendricks no ground and pound.

Em 2009, Lawler se transfere para o Strikeforce e começa com o pé esquerdo na nova organização, com derrota para Jake Shields. No último intervalo do combate, os corners já antecipavam que Robbie lidaria com um adversário buscando garantir a parcial nas quedas.

Shields...

Shields…

O nocaute brutal sobre Melvin Manhoef, eleito o melhor de 2010, sugeria que os ventos poderiam mudar para Robbie, mas o momento não passou de um breve suspiro no pior momento de sua carreira.

Ao todo, foram três tentativas quedas de Hendricks negadas, todas sob fortes vaias do público presente no round final, mas isso consumiu muito tempo e restou a Ruthless menos de um minuto no relógio.

Foram duas derrotas em 2011, para Ronaldo Jacaré na disputa do título dos médios e Tim Kennedy, e os indícios eram cada vez mais fortes de que Lawler seria uma promessa jamais concretizada.

Porém, campeão do mundo!

Porém, campeão do mundo!

Nos últimos segundos, o desafiante entrou em modo “Briga de bar” e golpeou como pode o adversário, que terminou a luta prostrado no canto da grade.

Em sua última luta no Strikeforce, no dia 14 de julho de 2012, Ruthless foi dominado por Lorenz Larkin e chegou ao fundo do poço.

Aproximadamente às 20h30m pelo horário local, 2h30 da madrugada de domingo no Brasil, Robbie Lawler é anunciado como novo campeão dos meio-médios do UFC em uma decisão controversa e recebe o cinturão das mãos de Matt Hughes – seu ex-companheiro de equipe na lendária academia de Pat Miletich 

E a pergunta que não quer calar: o que houve no ínterim entre essas duas histórias para garantir o primeiro cinturão do UFC em 12 anos de história à American Top Team e a grande barbada na categoria “Comeback of the year” no World MMA Awards?

Abraços!

  • Natan Machado Fauzi

    Só de ter acabado com o Rory já ganha minha simpatia.

  • Jorge Anderson Winchester

    Gostei do texto, poderia ser até mais longo pra mostrar a reviravolta nesse retorno ao UFC junto com mudança de categoria!
    só achei um pouco confuso essa mistura de parágrafos pois se fosse um de cada história tem dois seguidos em uma parte falando do strikeforce!

    • Lucas Pereira Carrano

      Jorge,

      Tudo bem?

      Agradeço pelo retorno, especialmente em um texto “experimental” e não ortodoxo como esse.

      A questão do que consta e o que não consta é de edição mesmo, escolher quais “drops” de história vão ou não vão entrar neste panorama (afinal de conta são anos e anos resumidos em poucas linhas – o que, grosso modo, é pouco até pra descrever em detalhes uma luta de 25 minutos).

      Por fim, apesar da vontade de abraçar o mundo, é preciso foco na narrativa (que aqui é mesmo remontar o quão improvável é Robbie Lawler como campeão diante de sua trajetória) e esse gap entre o fim do Strikeforce e o UFC é o grande “pulo do gato” e um convite à reflexão dos amigos do Sexto Round.

      Novamente muito obrigado,

      Abraço!

  • Matheus

    Excelente texto! O Robbie tem virado um dos meus lutadores favoritos e achei irado ele ter vencido sábado

  • Natan Machado Fauzi

    Mano esse cinturão vai ser o mais ensaboado dos próximos anos, não vejo ninguém com nível de dominância na categoria.

    • João

      Se os juízes não fossem toscos como são, era pra esse cinturão ser do Hendricks desde o ano passado, já que ele estaria 3-0 em lutas por cinturão.

  • Deivis Chiodini

    Robbie demorou a voltar aos meio médios, ele já não era muito dedicado e lutava numa categoria de peso que não era boa pra ele. Lembro que ele aceitou uma catchweight com o Babalu em 88,5 kgs e ainda não bateu o peso nas duas primeiras tentativas, pra mim na época soou como um “não ligo pra carreira, quero lutar pela grana que me pagam, seja contra quem for, em que peso for”. Sem dúvida a chegada dele a ATT (onde ele era na epoca so mais um lutador,sem vínculos de amizade, onde era obrigado a cumprir as regras, tinha alguem para lhe orientar, e muito mais qualidade nos treinos tb.) e a descida pro peso certo são os fatores preponderantes nessa história de Cinderela.

  • Matheus Araujo

    Saraivadas de socos no quarto round que na minha visão não foram contundentes pra roubar o round pra ele ao meu ver

  • Jonas Angelo

    Lucas, brilhante o texto cara. Gostei do paralelo das histórias. Muito boa a brecha que você deixou, o vazio questionador. Me senti num filme dos Irmãos Cohen, haha.

    • Lucas Pereira Carrano

      hahahaha

  • Felipe

    Dá pra fazer um paralelo de volta por cima com o Vitor
    Belfort, mesmo o brasileiro sendo mais velho e veterano na organização. Hoje,
    Lawler é um lutador dificílimo pra qualquer um, tem ótima defesa de quedas e é
    um dos melhores pugilistas do UFC.

  • Luiz De Marco Freitas

    esse texto ficou muito louco pq mostra a irregularidade do lawler tanto num longo espaço de tempo, quanto num curto espaço de tempo, bagulho metafísico hahah…

    agora, requentando a discussão da pontuação da luta, tava vendo outra hora o john morgan dizendo que a posição da cabeça do hendricks naqueles double legs influencia na percepção de quem está na posição de dominancia… se vc considerar aquilo uma posição de dominancia do lawler e acrescentar q nesses momentos ele era o unico agredindo, a vitoria dele se justifica… mas ñ faço ideia se esse papo da posição da cabeça procede ou não

  • Thiago Marques

    A heterodoxia do texto foi um acerto. Parabéns.

  • ilton souza

    Belo texto, Sr. Carrano, mt interessante a maneira de intercala-los, fazendo-nos viajar um pouco na história desse merecido campeão e relembrar os melhores momentos dessa luta, parabéns.

  • ilton souza

    Com três gandes vitórias esse ano, uma que valeu o cinturão e uma luta que que está entre as melhores do anos, Lawler corre na frente para ser considerado melhor lutador do ano???

    • Rafa FriAll

      Não tinha pensado nisso..é um bom candidato.

  • Ramon Reis

    Foi muito triste ver a luta do Lawler e Hendricks porque sou muito fã dos dois, torci para o Lawler por que enquanto ele nocauteou o Jake e fez uma das melhores lutas do ano com o Matt Brown, o Hendricks engordou 23 quilos, por mais que estivesse lesionado.

  • Gefferson Nesta

    Esse cinturão vai rodar a categoria toda, a não ser que RORY pegue e não largue mais. Mas se Lowler vencer novamente Rory vai ficar engraçado!

  • Malk Suruhito

    Ótimo texto Lucas! Da mesma pegada do “Rumble in the Jungle”. A espera dos próximos!

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