UFC dobra a aposta e é agraciado com a dolorosa

Renato Rebelo | 20/11/2014 às 23:06

Para o espanto dos que vivem no mundo da lua – ou na propaganda televisiva de partido político-, a dolorosa chegou.

Segundo a renomada agência de classificação de riscos Standard and Poor’s, a receita bruta do UFC deve encolher estrondosos 30% em 2014.

Esse balanço pra lá de negativo terá um impacto na nota de avaliação da empresa – consequência que pode afastar investidores e/ou parceiros comerciais- se as coisas não melhorarem no primeiro quarto de 2015.

Um aumento na nota dependerá de um acréscimo na receita televisiva capaz de mitigar consideravelmente o impacto financeiro negativo de futuros eventos cancelados ou remarcados”, dizia o reportagem.

Culpar a pobre bruxinha, pra variar, é a primeira linha de defesa dos caras.

Afinal, foram as lesões que mantiveram estrelas como Anderson Silva, Cain Velásquez, Jon Jones e Anthony Pettis pouco ou nada ativas no ano vigente – além de terem mandado o UFC 176 pro jaz.

Mas, não seria colocar a culpa pelos resultados negativos no acaso e nos treinos pesados atirar no mensageiro para não ler a mensagem?

Se você olhar para a NFL, eles não estão mais batendo nos treinos. Eles jogam toda semana. Os treinos de MMA evoluíram e chegaram a um outro nível. Eu acho que é hora de pegar um pouco mais leve”, disse Dana White recentemente no site oficial do UFC.

Cancelado!

Cancelado!

Sim, seria.

E a maior prova disso é que, em 2015, o UFC simplesmente dobrará a aposta – fará 45 eventos (13 pay-per-views – mais de um por mês- e 32 Fight Nights) em 53 semanas.

Isso significa que, em nome do crescimento (que vem se provando desordenado), os poucos ovos de classe XL (leia-se medalhões do esporte) seguirão sendo pulverizados nesta enorme quantidade de cestas.

No popular, continuarão xuxando desconhecidos e estreantes garganta abaixo do público médio com pouco ou nenhum tempo -entre cards- para promovê-los devidamente.

Faça-se a seguinte pergunta:

Por que o UFC 176 foi cancelado e o UFC 178 não – considerando que as lutas principais de ambos caíram e a segunda (Jon Jones x Daniel Cormier) era muito mais aguda que a primeira (José Aldo x Chad Mendes)?

Elementar, meus caros.

O UFC 178 tinha o campeão dos moscas, Conor McGregor, Dominick Cruz, Donald Cerrone x Eddie Alvarez, Yoel Romero x Tim Kennedy e o retorno de Cat Zingano para segurar a onda em caso de lambança (e, mesmo assim, não vendeu grandes coisas…).

O UFC 176, por sua vez, ficaria frágil demais com apenas Ronaldo Jacaré, Gegard Mousasi, Grey Maynard e Fabrício Morango na linha de frente.

Às vezes, menos (eventos) é simplesmente mais (qualidade) e melhor (distribuição).

O Ultimate sempre quis – e continua querendo- virar sinônimo de MMA, mas, às vezes, parece se esquecer que indivíduos (que, claro, se alavancam com o aparato promocional da máquina) lotam arenas e não a marca.

É verdade que as estrelas parecem se alinhar para 2015, mas negligenciar o imponderável (que, francamente, não é tão imponderável assim) é pedir pra tomar outra calça arriada.

Lembrem-se: dinheiro não leva desaforo!

Abraços.

  • Tiago Paiva

    Excelente análise, Renatão, como de costume, hehehe.

    Antes de qualquer iniciativa mais ousada, é necessário uma pavimentação e uma margem de “deu merda, vamos voltar atrás”. Infelizmente, o UFC não fez isso, e acabou dando dois passos para frente e três pra trás.

    E a consequência disso é no bolso, local onde Dana White e os Fertittas sentem mais dor que extração de siso sem anestesia. Mas o que me preocupa é que esse “knockdown” não fez o Ultimate aprender a lição de levantar a base, pra ser mais seguro e mais preciso.

    Como em 2014, vamos ter 13 eventos numerados em 2015. Teremos dez categorias ativas com cinturões, sendo que apenas cinco e meio (efeito Conor McGregor nos pesos) que vendem-se por si só. Na melhor das hipóteses, vamos ter uns seis ou sete pay-per-views “garantidos”, com o resto a mercê de lesões, bruxas ou casamentos de superlutas ou combates extremamente chamativos.

    Junta isso com a escassez de fatores de venda no evento, vide Rafaéis dos Anjos, e temos a possibilidade de fracasso.

    Pra qualquer negócio, é preciso paciência, racionalidade e principalmente visão fora da caixa, isso do menor dos eventos regionais até o maior evento de MMA do mundo.

    Abraços!

    • mazzaropi

      “levantar a base”… perfeito!

    • Renato Rebelo

      Perfeito, meu amigo baiano!

  • Renan Trigueiro

    Eu acompanho tds os eventos e até gosto disso. Mas sei que não sou parametro e pra maioria fica massante, banal. Perde um pouco o encanto de esperar por algo de impacto (como o UFC Rio I). Por isso que a Copa só tem de 4 em 4 anos.

  • will

    Eu gosto desse novo UFC. Cheio de eventos. Todo Sábado um evento é legal. Ver novos atletas. O problema é que tem muito atleta no plantel. Manda uns 100 embora e contrata gente nova. Começa mandando o Shogum embora. Já ia dar o choque nos demais. Mesmo com todos esses eventos nego ainda assiste Bellator ué! Mercado tem, basta saber vender. Eu assisto todos, cansei de ver futebol.

    • Jonas Angelo

      “O problema é que tem muito atleta no plantel. Manda uns 100 embora e contrata gente nova”.

      Se tem muita gente, pra quê contratar de volta?

      • Rafa FriAll

        Não é a questão de simplesmente contratar, isso eles já fazem. O problema é esses desconhecidos se tornarem lutadores de nivel.

        • Jonas Angelo

          Rafa, apenas parafraseei o Will. Foi ele quem disse isso, não yo.

      • will

        Eu quis dizer muito atleta ruim. Tem que contratar os talentos que estão surgindo. O Pitbull não está no UFC, por exemplo.

        • Rafa FriAll

          Os irmãos Pitbull não são parâmetro…eles já estão em um evento grande e são realidade. Principalmente o Patricio.

    • mazzaropi

      Não manda ninguém embora e contrata mais 200… kkk! (Pense grande my friend!)

      Oportunize que outros atletas de eventos menores subam e você verá que o pequeno se tornará grande…

      Valorize o já existentes, pois eles tem história… Os pequenos se inspiram nos grandes para que se tornem um deles um dia… É o ciclo da vida.

  • Rafa FriAll

    Penso que 2 eventos por mês seria o melhor. Até o fã mais hardcore chega uma hora que cansa, não tem pique pra ver 8 horas de evento onde 60% dos lutadores são fracos tecnicamente. Até entende o fã que descobriu o esporte a pouco tempo, a empolgação de ter toda semana um evento. Porem eu gostava daquela expectativa para ver os bons cards do UFC e Pride da década passada.

    • mazzaropi

      Verdadeiros fãs de MMA não se importam com cards e sim com qualquer luta que gere espetáculos!

      Desconhecidos ou não, não importa desde que promovam o SHOW!

      Lutem para vencer e mostrar garra, determinação, superação!

      • Rafa FriAll

        Amigo, você falar que determinada luta entre dois caras fraquissimos foi um lutão é uma coisa, mas DUVIDO que você antes do evento está empolgado. Como disse, os fãs recentes se empolgam até com Aaron Rosa x Joey Beltran…o que deve ser o seu caso.

        • mazzaropi

          Eu ia responder, mas vou deixar você tentar decifrar meus pensamentos já que é tão humilde para entendê-los… kkk!

  • Evandro Juninho

    Que existe atletas que nivelam por baixo dentro do UFC, não tem como negar! E muitas vezes, os famosos “Fight Nights” estão repletos deles, mesmo o mais fiel dos fãs, gosta de lutas boas, é a mesma coisa do futebol, você pode ser apaixonado pelo esporte, mas não vai querer ver um amistoso de Madureira x XV de piracicaba. Mas esses atletas também são necessários dentro do evento, tanto pra servir de escada ou porteiro pra outro melhor, o que tem que acontecer, é saber onde coloca-los, usar melhor o card preliminar, não abarrotar o principal de lutas ruins.

  • mazzaropi

    Errado.

    O UFC escolheu vender como fodástico todos os cards, errou… Se ele continuar a fazer o maior número de eventos será fantástico para o esporte, mas deve-se ter o cuidado em dar o valor devido a cada um deles.

    Outra coisa muito importante a fazer é valorizar mais seus atletas. No formato

    de marketing os olhos são apenas para os grandes campeões. Se você acreditar nos prospectos a chance de existir maiores espetáculos é infinitamente grande, pois teremos a certeza de que eles não apenas lutariam para não perder, e sim, lutariam com suas vidas para a vitória. Neste ponto de vista simplista sempre seriam valorizados aqueles que viabilizam “O Show”…

    Com maior número de eventos acontecendo e novos prospectos trabalhando, os renomados atletas tem maior tempo para curar suas lesões e prepara-se corretamente para os combate.

    Olha agora, daqui uma semana teremos em Campinas uma luta diga de card principal do UFC que é o Flávio Álvaro x Kexada, mas para quem não entende de luta será apenas uma luta qualquer… Se existisse realmente um machtmaker no UFC esta luta seria no UFC e não no Maxfight (Premium Fight 4)!

  • Flávio Bueno

    Ótimo texto! Agora, apesar dos problemas citados acima, concordo com a estratégia do UFC. Eles buscam fidelizar o torcedor, tornar o MMA um esporte que esteja presente na vida cotidiana e não apenas um espetáculo mensal. Além, é claro de aumentar a chances de fisgar novos torcedores! A longo prazo, acredito que a estratégia vai trazer bons resultados.

    • Renato Rebelo

      Obrigado, irmão!

  • Matheus

    Tibau de co-main event é sinal que os cara precisam dar um passo atrás e esperar até q novas estrelas surjam.

  • Rei Jaffe Joffer

    Na minha opinião de merda, O UFC tá caindo na arapuca que ele mesmo criou. Ter vários eventos por ano (inclusive dois no mesmo dia) fica complicado. Bombardear o fã, tanto o hardcore quanto o casual, com diversos eventos faz as pessoas se cansarem em algum momento.

    Recentemente passei por esse “cansaço”. Tava de saco cheio de evento com lutas meia-boca. Passei um tempo sem ver, só lendo as noticias (ou como diz o Salgueirinho em “Cidade de Deus”: Só lendo as figura”).

    Espero que esse calendário seja o primeiro passo pra resolver isso.

    Parabéns pelo texto, Renato. Como sempre muito bom

    Abraços a Todos!

    • Renato Rebelo

      Obrigado e não se diminua, meu caro amigo chefe de estado ahahha

  • Dan Mendes

    Relaxa, gente eles Os Irmãos Fertita e o Dana White, sabem gerenciar um negócio, sabem ganhar dinheiro, não tocam o negócio deles como tocam por capricho, não rasgam dinheiro. Eles não são milhi/bilhionários por que ganharam na Mega Sena.

    Eles sabem o que estão fazem

    Eles sabem por exemplo que grandes negócio mesmo no seu auge, coisas como Facebook, Groupon, Google, Cocs, tiveram prejuízo prejuízo no seus anos de grande popularidade isso por que grandes empresas usam ano de fluxo de caixa elevado para fazer investimento não de lucro imediato mas de consolidação e visando lucro em décadas.

    Eles sabem que investir em salário alto para Conor Mcgregor, TUF China, TUF America Latina não tará lucro não agora. Mas lá na frente.

    Eles sabem que vender barato o direito de transmissão para FOX e outras TVs ao redor do mundo não trará muita receita agora em compensação quando o esporte estiver consolidado e mais popular, NO FUTURO, os valores iram ser bem maiores.

    Eles sabem o que fazem pessoal, se até eu um reles formado em Adm e MKT como eu sei, imagina eles que poderiam dar aula pros meus melhores professores.

    😉

  • Bart Simpsons

    Particularmente, para os verdadeiros fãs, quanto mais eventos, melhor será. Uma pena que os fãs hardcore são minoria. Mas gostei desse ano com mais eventos. Eu vou assistir todos, assim como tenho feito de muito tempo pra cá. Sou muito fã de MMA, por isso pratico, assisto os eventos, acompanho os lutadores nas redes sociais e tudo mais.
    Show de UFC em 2015
    PS: Eu só espero que Dana pare de contratar tanta porcaria pra lutar no evento. Tem muita gente de qualidade espalhada pelo mundo, enquanto isso ele contrata cada porcaria que não dá pra entender. Eu não me importo de assistir luta entre lutadores desconhecidos, longe disso, mas tem algumas caras de qualidade pessimamente absurda que como eu disse, não dá para entender nem porque foram contratados.

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