De olho no vice: os pontos altos do Bellator 130

Lucas Rezende | 25/10/2014 às 06:06

Olá, pessoal. Retorno de meu hiato já me desculpando por não ter comparecido na última edição do “De Olho no Vice”, e, ao mesmo tempo, já os convido para saborear essa montanha-russa emocional que foi o Bellator 130.

Em um dos eventos principais mais malucos dos últimos tempos, Emmanuel Newton defendeu seu cinturão com certa insegurança, mas defendeu.

Bobby Lashley mandou outro zé-ninguém para a lona e o peso-pena feminino foi devidamente estreado na arena circular.

Uma noite de sexta-feira melhor que o de costume para os residentes da pacata Mulvane, no estado do Kansas.

Cortando o papo furado, vamos ao que interresa.

Emmanuel Newton, incrivelmente ainda campeão

CourteousCarefulEskimodogO que não mata, fortalece, não é mesmo?

Depois de passar sufoco surpreendente graças ao afoito jiu-jitsu de Linton Vassell, o campeão encontrou forças para virar a mesa quando o cansaço tomou conta do inglês a partir do quarto assalto, encaixando um mata-leão sem-vergonha – sem gancho nenhum- ainda no primeiro minuto do quinto round.

Passando arrastado por mais um desafiante do mesmo jeito que fez na revanche com Attila Végh e contra Joey Beltran, a sorte de Emmanuel Newton pode se esgotar contra seu próximo desafiante já definido, Liam McGeary.

O britânico invicto é sagaz no solo, dono de uma envergadura poderosa e não tem medo de usá-la.

Não creio que será vítima de mais um dos socos giratórios de Newton, ou muito menos se permitirá perder a montada como Vassell perdeu – no mínimo três vezes, contadas por mim.

Para um raio que já caiu no mesmo lugar bem mais do que deveria, Emmanuel Newton precisa parar de sonhar com suas vitórias e começar a demonstrar mais afinco em consegui-las.

Lashley não tem tempo a perder

FaintWildCopperbutterflyOk, Bobby Lashley já estreou no Bellator e venceu numa boa. Em seu segundo combate, despachou Karl Etherington em poucos minutos.

Se me permitem a metáfora, o ex-WWE termina suas lutas depressa como quem diz “não estarei aqui por muito mais tempo”.

Na sua entrevista pós-luta, o cara pediu o título.

Se tratando de quem ele é, da divisão em que luta e da organização onde trabalha, acredito que já tenha feito o bastante para conseguir essa chance.

Francamente, Lashley é a maior galinha dos ovos de ouro que Scott Coker tem na divisão dos pesados, mas, aos 38 anos, ela não botará esses ovos para sempre.

Coloquem-no diante de Vitaly Mikanov antes que seja tarde e extraiam tudo que puderem o quanto antes.

Mesmo que perca feio, já garantirão um bom impulso de popularidade.

Pasmem, se essa empresa está disposta a colocar Tito Ortiz e Stephan Bonnar como luta principal de pay-per-view, por qual motivo não dariam um title shot ao homem mais próximo de Brock Lesnar que eles tem?

Elas estão de volta

ShabbyMarriedCapybaraDemorou, mas a finalização veio. Depois de punir Annalisa Bucci por dois rounds inteiros no solo, com cotoveladas e diversas tentativas de finalização, Marlos Coenen conseguiu a desistência ainda no início do terceiro assalto.

Resultado nada surpreendente, salvo pela tenacidade da italiana que lutava pela primeira vez em solo americano e virou estatística como a décima sexta a ser finalizada por Coenen.

Sejamos sinceros, todos esperávamos que ela perderia ainda no primeiro. Mais importante que o embate em si, o duelo simbolizou o retorno das lutas femininas ao Bellator, descontinuadas em 2013.

Com uma reestreia sólida para boa sorte, o caminho agora é começar a engordar o plantel raquítico da categoria, composto por um total de cinco lutadoras.

A importância de defender chutes

Foi como assistir uma das primeiras edições do UFC, quando o confronto de estilos resumia o MMA. Dave Jansen, apesar das raízes no wrestling, era o kickboxer.

E Rick Hawn, mesmo um judoca de nível olímpico, foi o pugilista.

Sem nenhuma tentativa de queda por ambas as partes, Jansen passeou por Hawn com chutes baixos, altos e médios, já que seu oponente não se importou em defender nenhum deles, contanto que conseguisse aterrissar seus socos.

Spoiler: ele não acertou quase nenhum.

Hawn provou que não aprendeu nada depois da derrota para Douglas Lima – quando sofreu com os pontapés do brasileiro – e amarga o segundo revés consecutivo pela primeira vez na carreira.

Jansen consegue o primeiro triunfo depois de um ano e meio parado, aumentando sua atual sequência de vitórias para sete. A última sendo contra o atual desafiante ao cinturão dos leves, Marcin Held.

Já dá pra sentir o cheiro do ouro, Fugitivo?

  • Douglas Bernardi

    Adversario do Lashley era um zé ninguem sim mas é complicado ficar invicto na HW e sobre a sorte do Newton,nem diria sorte,diria que seu condicionamento é que fez a diferença nos rounds de cinturão

  • Tito

    Cara, na boa esse Newton ñ seria nem top 15 no UFC

    • Renato Rebelo

      Cara, infelizmente, concordo com vc.

  • Renato Rebelo

    Hahahaha essa tentativa de queda de sacrifício do Karl Etherington foi uma das mais bisonhas que já vi na vida!

    • Isso foi uma tentativa de levar para o chão?..rsrs..
      Meodeus!

      • Renato Rebelo

        Sim, Davizão. Queda de sacrfício é quando vc lança seu próprio corpo pra trás (puxando o adversário junto) e, no ar (ou durante o movimento), vc gira para inverter a posição. Um belo exemplo foi o que Demian Maia fez com o Chael Sonnen – que terminou num triângulo da montada. Nesse caso, o camarada “puxou pras costas” hahhaha

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