Rumos do MMA brasileiro dependem do UFC 179

Felipe Paranhos | 21/10/2014 às 22:43
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Poster do recheado UFC 134

Você pode até não estar tão empolgado em ver José Aldo x Chad Mendes, mas saiba que, para o futuro do MMA brasileiro, o UFC 179 é o evento mais importante entre os realizados aqui desde o 134, em agosto de 2011.

E por motivos bem diferentes.

Se o UFC Rio 1 tinha em seu card principal astros da popularidade de Anderson Silva, Rodrigo Minotauro e Maurício Shogun, o evento deste sábado tem como principais nomes José Aldo e Glover Teixeira — sem dúvida bem menores para o grande público, a despeito de o manauara da Nova União ser o detentor do cinturão dos penas.

E é justamente o destino deste título que pode mudar o rumo do MMA brasileiro.

Enquanto o UFC 134 foi responsável por consolidar o boom do esporte no país, uma eventual derrota de Aldo pode deixar o Brasil sem cinturões pela primeira vez desde 2006.

E isso, sem dúvida, seria um grande baque nas aspirações daquele que muitos apontavam como o ‘próximo esporte número 1 do Brasil‘. Baque este só possível de ser rebatido por Fabrício Werdum e Vitor Belfort num futuro próximo.

Glover e a fuga do limbo

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Tyson e Glovão

O mineiro de Sobrália tem uma dura missão pela frente: evitar ser jogado para o fim da fila na disputa pelo título.

Se Glover já teve seus planos atrasados por um rapaz de sobrenome Jon Jones meses atrás, imagina se Phil Davis arrancar uma vitória contra o brasileiro: o país ficaria sem contenders a médio prazo na categoria até 93kg, já que Maurício Shogun não me parece capaz de fazer uma nova caminhada ao título e Rafael Feijão ainda sofre para fazer valer tudo o que seu talento pode proporcionar.

E estamos falando de uma categoria em que o Brasil teve dois campeões num passado recente: o próprio Shogun e Lyoto Machida — este já nos médios.

Fábio Maldonado e a força do ídolo sem título

Caipira de Aço

Caipira de Aço

Antes da derrota para Stipe Miocic, cheguei a dizer que o Caipira de Aço é um dos poucos esportistas brasileiros com potencial de ser ídolo sem ter chances de ser campeão.

Meu prognóstico era o de que, se Maldonado repetisse em rede nacional uma derrota marcante como a contra Glover, mostrando queixo e coração, poderia dar um enorme passo para alcançar o respeito também daqueles que só veem esporte pra torcer por brasileiro se este tiver chance de ser o número 1.

Imagine se vencesse. Mas não aconteceu.

Apesar disso, é inegável que Maldonado exerce um papel importante na manutenção do MMA como esporte popular no Brasil.

Para a mídia em geral, é melhor um Fábio que cinco top-10 sem brilho, por exemplo.

Contra Hans Stringer, um adversário ‘ganhável’, o sorocabano tem mais uma chance de se firmar como aquele lutador que todo mundo quer ver — do fã mais hardcore ao tio que pergunta por que o sujeito é tão burro que perde a chance de chutar a cara do outro no chão.

Patolino e Mineiro: uma outra geração

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Patolino no TUF

Eu sei que Carlos Diego Ferreira é um lutador muito promissor e que Gilbert Durinho, agora com 70kg, tem tudo para finalizar Christos Giagos, mas, ao falar de representantes de uma próxima fase do MMA brasileiro no card do UFC 179, eu mantenho o foco em William Patolino e Lucas Mineiro.

O carioca tem só 23 anos e já vai enfrentar um adversário num patamar acima daquele a que está acostumado: Neil Magny já tem seis lutas no UFC, passou pelo The Ultimate Fighter e, justamente por isso, é muito mais experiente e experimentado do que Patolino.

Não que seja um primor técnico, mas está desfrutando do tempo e dos adversários necessários para se firmar no Ultimate.

Patolino vive exatamente a situação contrária: não tem vida fácil. Mas, com a personalidade que o brasileiro tem, não duvido que uma eventual vitória sirva de escada para planos mais ousados. Só que vai ser bem difícil.

Mineiro, de 25, é outro que dá um passo largo e que pode colocá-lo no ranking dos penas pela primeira vez.

Darren Elkins tem um jogo que é muito complicado para o brasileiro, uma vez que tem boa envergadura, é grande para a categoria e derruba muito bem, mas pode representar aquela vitória destacada que colocaria o garoto da Chute Boxe SP nos holofotes.

E vocês, o que esperam do UFC 179? Concordam que o evento é, em muitas frentes, o mais importante em três anos entre os realizados no Brasil?

  • Carlos Benevides

    Felipe, a verdade é que o UFC 179 tem um card fraquíssimo. Se levarmos em conta os combates, foram bem casados e têm tudo para serem divertidos. Seria um UFC bem legal se fosse Fight Night ou na Fox…

    Dos oito lutadores do card principal (tirando a disputa de cinturão/main event), quatro são rankeados. Hans Stringer e Beneil Dariush encabeçando um evento numerado é completamente bizarro. Enfim, torceremos para o Aldo!

    • Felipe Paranhos

      Mas nesse caso a questão não é a qualidade do card, e sim a importância que ele tem nesse momento, sacou? Abraço!

    • Renan

      Mas qual foi o melhor card desse ano? teve algum? esse ano tá ruim no geral mesmo..o melhorzinho foi o ufc 178…acho que esse tá longe de ser fraco,só tem bons lutadores…e acredito que vai acontecer cada vez mais de ter eventos numerados com lutadores não tão bem rankeados,já que para o tanto de evento que eles querem fazer por ano,não tem o tanto de lutadores conhecidos para abastecer todos os cards(inclusive numerados) ,acho natural que isso aconteça. agora, Lucas Mineiro, Diego Ferreira, Maldonado, Glover, e outros lutam sempre pra frente e normalmente dão show, merecem estar em um card numerado,pois são lutadores empolgantes,não tá ótimo,mas ruim, não tá não longe de ser um 177.

  • elton fernandes

    só se vc nao ta empolgado em ver aldo x mendes 2

  • Natan Machado Fauzi

    Werdun x Hunt pelo interino amenizou o peso desse evento, uma vez que werdun trocou o córner azul pelo vermelho.

    • Felipe Paranhos

      Vai ser lutaça. E o Hunt é corajoso de aceitar essa luta.

  • Diegoo

    Em termos de lutas principais, esse card ta fraco msm. Mas o preliminar tá bom. Sertanejo x Fili, Mireiro x Elkins, Patolino x Magny, Jorgensen x Wilson Reis, Durinho…

    • Felipe Paranhos

      Sertanejo x Fili tem tudo pra ser uma porradaria boa!

  • Rodrigo Tannuri

    Concordo que esse evento, apesar de não ser estelar, possui um ar de mistério. Confesso que achei que o evento fosse ser mais fraco. Analisando melhor, até que ele possui confrontos interessantes. Não são lutas que despertam a atenção do grande público, mas, pra quem acompanha o esporte mesmo, serão bem divertidas. Aldo se encontra contra a parede. O futuro do MMA brasileiro está em jogo sim. Glover, apesar de ser favorito, realmente, não pode bobear contra o Davis, que já provou gostar de lutar no Brasil. Sobre o Maldonado, o acho muito fraco mesmo e, se bobear, perde pro Stringer. Ele é muito mais carismático, figurão do que bom lutador. Também vejo Mineiro e Patolino como duas boas promessas, mas acho que foram jogado aos leões muito cedo. Elkins e Magny são mais experientes e têm capacidade pra amarrá-los. Um fator que pode dar uma equilibrada nesses duelos é a intimidação da torcida, mas acho que os gringos estão vacinados contra isso. Eu boto fé no Durinho! Como deu pra ver, creio que alguns gringos farão a festa regados a açaí e outras coisinhas kkkkk

  • Diego Cavera

    Concordo com você, pra mim é o evento mais importante mesmo, pela cereja do bolo, acho que o Mendes vai dar a luta mais dificil da carreira do Aldo, e não me espantaria se rolasse uma decisão dividida para qualquer um, quanto ao resto do card, lutas bem casadas e bem dificeis para os brasileiros, bem nivelado, Glover acho que passa com uma certa tranquilidade pelo Davis, sem subestimar o sunga rosa, Jorgensen vs Reis eu acho bem bacana, luta com alternância de transições, assim espero, temos o invicto Carlos Diego, que eu vejo um bom potencial, agora o Lucas vai pegar uma carne de pescoço doída, o Elkins é um carrapato, Patolino acho que consegue surpreender, ah e tem o Fili vs Sertanejo, um bom quebra pau.

    • Felipe Paranhos

      Eu tô ansioso pelo evento. Tem algumas lutas com potencial de emoção e nível técnico relativamente bom. E concordo contigo: as missões de Patolino e Elkins são duríssimas.

  • Paulo Melo

    Caro Felipe , eu sinceramente estou bem ansioso pelo UFC desse sábado , e também motivos não faltam , primeiramente pq já são 3 semanas sem UFC , ou seja sem a “nata” do MMA rs
    O card para um UFC numerado está médio na minha opinião , já que querendo ou não , este evento não possui nomes tão conhecidos do chamado público médio , e acho que nomes de expressão são necessário em um evento com disputa de cinturão .
    Mas tenho expectativas de ótimas lutas devido ao nivelamento dos atletas envolvidos . Fora as duas lutas principais tenho mais curiosidade nas lutas do Sertanejo pelo fato de que não tenho uma ideia clara de que vencerá e do Durinho por achar que ele tem futuro na divisão.
    Obviamente a ansiedade maior é pela disputa de cinturão , pelo momento do MMA no Brasil , o UFC 179 é sim o mais importante de todos realizados por aqui, dessa vez , só temos um campeão e numa luta com um adversário que é bem difícil ( Okami, Chad Mendes na primeira luta e Zumbi Coreano não causavam muita preocupação com relação aos brasileiros perderem os cinturões ) , apesar que acredito muito no Aldo .
    Se seu texto fosse postado hj haveria uma pequena mudança , já que o Werdum disputa o interino e na minha opinião com mais chances de vencer do que contra o Cain , ou seja , a importância desse evento de sábado cairia um pouquinho , mas cairia.
    Penso que o único esporte consolidado aki no BR é o futebol , não importa que o time tome goleada , seja rebaixado , ou qlq coisa, o cara nunca larga o futebol , todos os outros esportes ( todos mesmos )inclusive o MMA dependem de brazuca campeão para se manterem na hype … vc pensa assim tb ?
    Parabéns pelo texto !

    • Felipe Paranhos

      Paulo, esse é um assunto interessantíssimo, sobre o qual eu tratei nesse texto aqui, ó. Dá uma lida: http://sextoround.com.br/12846-o-brasileiro-nao-gosta-de-mma-gosta-de-campeao/

      Concordo com você e, sem cair na vala comum dos comentaristas de portal que creditam todo os problemas do mundo à Globo, acho que a emissora é a principal responsável pela elaboração de uma cultura esportiva em que só o campeão interessa.

      • Paulo Melo

        Obrigado pela resposta Felipe , não só já tinha lido esse seu texto como também compartilhei no meu face , um dos melhores textos que já li ! Apenas não comentei lá por ter lido um bom tempo depois de ele ser publicado
        É isso que penso tb , a Globo não tem culpa por todos os problemas do mundo , mas tem uma grande parcela no que se diz respeito à maneira de se tratar o esporte em geral .

  • Rodrigo Loureiro

    O que me deixa um pouco chateado foi o que já comentaram aqui, teremos um UFC no Brasil onde teoricamente teria um grande apelo por ser um ppv e ser um “UFC Rio” e temos um card que na minha opinião é bem abaixo por exemplo do UFC on Fox 13, que temos Cigano, Gadelha e Formiga com lutas decisivas para futuros desafiantes a cinturão ( isso falando apenas dos brasileiros ), e quando comparado ao UFC 179 temos a 3º defesa do Aldo no Brasil, o que na minha opinião esta se tornando bem repetitivo e um coevento entre dois lutadores que vem de derrota, e ainda estão “longe” de uma corrida por um TS.
    Não me entenda mal, eu sou grandessíssimo fã do Glover e principalmente do Maldonado, mas acho que eles poderiam ter trabalhado melhor o card, principalmente com os vencedores do TUF 3.

    • Felipe Paranhos

      Acho que o Brasil deveria receber um card mais cheio de estrelas, sim, mas, como o UFC tem enfrentado dificuldades pra tornar atraentes os 9.257 cards do ano, preferem pulverizar.

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