Belfort tem chances reais de destronar Jon Jones?

Renato Rebelo | 24/08/2012 às 06:13

Para quem não acompanhou os desdobramentos da madrugada de um dos dias mais movimentados da história do MMA, boatos de que Lyoto Machida havia se recusado a enfrentar Jon Jones no UFC 152 começaram a pipocar no Twitter.

Quando o burburinho atingiu seu auge – com as participações de renomados repórteres americanos- Vitor Belfort emergiu e anunciou que será o adversário do campeão no card canadense.

Loucura, não?

A divisão que conta com um respeitável quadro de atletas teve que recorrer a dois pesos médios (Chael Sonnen e Belfort) para tentar remendar a desfigurada disputa pelo cinturão.

E porque não outro meio-pesado, me perguntei? Ora, Rashad foi o último a ser derrotado, Shogun está fora de forma, Gustafsson e Dan Henderson lesionados, Rampage com os dois pés fora do UFC, Lyoto recusou, Glover recém-chegado, Bader, Phill Davis e Thiago Silva vêm de derrota…

Com as costas na parede, Dana White precisou casar uma superluta para não perder a chance de usar o bom vendedor de pay per views, que é Jon Jones, e tentar suavizar a pancada levada com o cancelamento do UFC 151.

Aí, no melhor estilo Pride, Vitinho, que tem duas vitórias e uma derrota em suas três últimas lutas, pode se tornar campeão dos meio-pesados novamente. Mas, sejamos francos. Quais são suas chances?

Poucas, eu diria. O ‘’Fenômeno’’ entra como grande zebra contra um oponente 10 anos mais jovem, 11 centímetros mais alto, com vantagem de, pelo menos 5 kg de massa muscular no dia da luta, e que goza de 2,15m de envergadura – contra seus 1,88m.

No papel, a tarefa do carioca é uma das mais ingratas dos últimos tempos. Mesmo se considerarmos a vantagem no boxe, com suas mãos mais rápidas, precisas e pesadas, temos que encarar a realidade de que Jones, pupilo do estrategista Greg Jackson (muito criticado pela postura de evitar riscos), dificilmente vai trocar de forma franca.

O americano, por sua vez, mantém muito bem a distância com seu braço esticado e os chutes constantes.

Se quiser optar por um caminho ”mais seguro”, ”Bones” pode se fazer valer do wrestling superior e da diferença física para quedar e amassar no chão. Alí, dificilmente Vitor sai de baixo…

Mas chega de ‘’gato-mestrice‘’ da minha parte. É inegável o abacaxi que Vitor tem nas mãos, mas o MMA é fascinante exatamente porque gaiatos como erram suas previsões.

E, do jeito que as coisas andam, daqui a pouco cancelam tudo e a luta pelo cinturão até 93 kg será Wanderlei Silva x Rich Franklin III.

Obs: parabéns para o Vitor por ter assumido a bronca. Ato de coragem!

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