NU e a influência coletiva no esporte individual

Renato Rebelo | 13/10/2014 às 23:43
Treino/espaço da NU

Treino/espaço da NU

No meio do futebol, costuma-se dizer que, quando a fase é ruim, a bola não entra.

E por mais que tal frase não carregue significado mais profundo, é simples entender que a moral da tropa influi diretamente no balançar das redes.

Em outras palavras, assim como poucas gotas de óleo contaminam um tanque cheio d’água, uma ou duas laranjas podres podem dizimar a autoestima de um grupo de onze jogadores.

Afinal, o conto de que fulano resolve o jogo sozinho está morto e enterrado junto com a era romântica do futebol.

Em esportes individuais, então, não temos esse problema, certo?

Errado.

É claro que, na hora H, só um cidadão bota a própria saúde em risco, mas, sem (muitos) corpos ajudando na preparação, não há mágica.

Andersons Silvas, Jon Jones e GSPs seriam lendas urbanas sem companheiros de treinos, professores, nutricionistas, preparadores físicos, endocrinologistas, etc.

Com a cama feita, tentarei levantar alguns pontos sobre o período turbulento que vive uma das mais condecoradas de equipes de MMA do mundo: a Nova União.

Primeiro, o problema não se limita a duas retumbantes perdas de cinturão.

Os galos Renan Barão e Dudu Dantas não foram os únicos dominados por seus adversários (TJ Dillashaw e Joe Warren, respectivamente) nos últimos tempos.

Hacran Dias, Valmir Bidu, Yan Cabral, Francimar Bodão, Zeilton Nenzão, Bruno Carioca, Luiz Philipe Monstro e Hernani Perpétuo também vêm de derrota.

Na coluna da esquerda, apenas Leo Santos, Thales Leites, Jussier Formiga, Claudinha Gadelha e Johnny Eduardo no UFC e John Macapá e Marlon Sandro no Bellator.

Nenhuma catástrofe, é verdade, mas temos que admitir que o cenário é drasticamente diferente do abençoado ano de 2013 – quando, injustamente, a Alpha Male levou o prêmio de melhor equipe do ano no World MMA Awards.

Mas a coisa pode piorar – e muito.

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Chad: único homem a nocautear Clay Guida

No UFC 179 do dia 25 de outubro, José Aldo, porta-bandeira da academia e único brasileiro detentor de cinturão no maior evento de MMA do mundo, receberá o duríssimo Chad Mendes no Maracanãzinho.

E a soma de todos os medos consiste na possibilidade desta má fase atingir em cheio nossa estrela solitária.

Costumo dizer que Aldo – tanto técnica quanto psicologicamente- é uma espécie de ferrolho.

Sua eficiência consiste exatamente em não deixar fatores exógenos influenciarem seu plano de voo.

Contra o Zumbi Coreano, até um pé quebrado no primeiro round pôde ser contornado graças à frieza incomum e ao vasto arsenal técnico disponível.

Mas Aldo é um fora de série.

Por mais a filosofia da ciclicidade de Chico Xavier (tudo nessa vida é passageiro) me agrade, precisamos de um diagnóstico claro.

Estrutura da Wand Fight Team, em Las Vegas

Estrutura da Wand Fight Team, em Las Vegas

Do contrário, botamos toda a culpa no acaso e não evoluímos/detectamos falhas de processo.

Então, além do corte de peso notoriamente problemático (não adianta varrer sujeira pra debaixo do tapete), o que mais pode ser ajustado nesse baluarte do MMA mundial?

Como cagar regra não é o meu forte e também não vivo o dia a dia da equipe, seria até leviano da minha parte apontar o dedo.

Mas não deixo de notar que todos os nossos times patinam num cenário insolúvel a curto-médio prazo.

O custo de viver nos grandes centros atualmente brasileiro é tão elevado que importar treinadores, sparrings, material de última geração e até investir em infraestrutura é absolutamente inviável economicamente.

O fato dessa grandiosa equipe contar com apenas um ringue, nenhum octógono e espaço pra lá de escasso não é resultado de má vontade e sim da impossibilidade de se expandir/investir no coração da zona sul do Rio de Janeiro.

Vale lembrar que, não fosse o sucesso da Upper – que é, primariamente, uma academia de musculação-, provavelmente a NU não teria poder de alavancagem no começo de sua caminhada.

Soma-se a esse cenário o caos urbano (trânsito caótico que come tempo de treino e repouso), a dificuldade de empreender no país (há pouquíssimas empresas bem-sucedidas no ramo capazes de investir nos atletas), etc, etc.

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Dillashaw relaxando numa câmara hiperbárica

Se entendermos que esses caras precisam competir em pé de igualdade com rivais que têm acesso a tudo do bom e do melhor em termos de tecnologia, material humano, patrocínios, centros de treinamentos, suplementação e serviços, está desenhada a disparidade entre Brasil e Estados Unidos no atual quadro de medalhas do MMA.

Em suma, os Blackzilians também passaram por uma fase terrível nos últimos tempos – e a superaram.

No Brasil, temo que ela não seja tão passageira.

Temo que, com o esporte cada vez mais físico e nivelado, só os foras de série despontarão por aqui.

De todo modo, espero estar sendo pessimista.

Abraços.

  • Welington Borges

    Sempre um excelente texto…

    • Renato Rebelo

      Muitíssimo obrigado, irmão

  • joao neto

    Nossa Renatão!! confesso que ao ler seu texto fiquei com medo do futuro do (MMA) no Brasil,nao e sempre que nasce um fora de serie como Anderson silva, Jose Aldo.Os Americanos tem mais estruturas sim concordo,mas na minha humilde opiniao eles nao sao um pouco mais esforçados? Podemos citar por exemplos varios lutadores americanos que hoje são fora de serie no Jiu-Jitsu,treinados por Brasileiros,e nossos lutadores? vc conheçe algum fora de serie no Wrestling?

    Parabens pelo texto!!!

    • Rodrigo Tannuri

      Boa colocação. Por falar em Wrestling, parece que a maioria dos lutadores brasileiros desconhece ou tem medo dessa arte ou não querem treinar mesmo. Essa deficiência fica muito evidente no ringue,

      • joao neto

        Obrigado Rodrigo!!! Seu comentario foi muito informativo tambem,nao sabia que o Sarafian e o Ronny tinham ido treinar fora na Academia do Bader,otimo sinal que estao tentando sair da zona de conforto,como vc citou!!!! Abraço!!

      • Cauã Albuquerque

        Rodrigo, não sei se a palavra certa seria medo, mas, todo que já treinaram sabem que a luta olímpica é a que exige mais esforço e cardio de um atleta. Imagina: vc vai treinar, chega lá, leva um paú e de tão cansado não consegui ir, sequer, treinar no dia seguinte. É complicado. Tem que praticar desde novo pra aprender a dosar o gás e não cansar como vemos Tibau e Aldo fazendo quando utilizam a arte.

    • Renato Rebelo

      Não sei se são mais esforçados, mas tem um lastro de treino e uma vida competitiva mt maior. Um moleque que vai pro wrestling na escola compete todo fim de semana. Cria-se, desde cedo, um regime de trabalho e competitividade desigual. Um jovem lutador de jiu-jítsu, nem que ele viaje todo o Brasil, consegue competir td o fds.

  • Maykon Douglas

    Eu só espero que Chad Mendes, no dia 25, não venha comprovar a lei de murphy na história do MMA Brasileiro, pois caso o Aldo perca do americano e considerando que a probabilidade do Verdum vencer o Cain é muito pequena, terminaríamos o ano sem nenhum Brasileiro dono de cinturão no UFC, lembrando que em 2012 tínhamos 4 campeões…

    • Renato Rebelo

      O Sexto Round vai virar Sexto Set e vamos ter que falar de vôlei = (

      • Maykon Douglas

        ai eu deixaria de acompanhar o site, pois não gosto de vôlei hehehehe

        • Renato Rebelo

          = (

  • Rodrigo Tannuri

    Renatão, você não está sendo pessimista e sim realista. Por essas e outras que sempre pedimos pra fulano com talento dar um tempo nos treinos no Brasil e ir pra fora, respirar novos ares, aprender coisas novas, melhorar o cardio, etc… Ficar aqui é um suícidio. Vi que o Sarafian e o Ronny Markes foram dar uma treinada com o Bader e o CB Dollaway e achei muito legal. Os lutadores também devem ter ambição pra saírem da zona de conforto. Outro exemplo muito feliz que você citou foi a Blackzlians. A academia é mítica, os atletas são monstros e o aparato é indispensável. Outra academia que não se localiza nos EUA, mas que me chama atenção é a Evolve MMA, lá na Ásia. Sobre essa luta do Aldo, estou temendo o pior. O hype em torno do McGregor está tão gigante que acho que ambos estão pensando mais nesse cara do que nessa revanche. O cenário está muito diferente dessa vez. O fato da Team Alpha Male ter vencido a NU, em disputa de cinturão e daquela forma, pode ter um peso. Vamos aguardar…

    • Renato Rebelo

      Tem td razão, meu amigo. Só o fato de ter tanta coisa me jogo traz um cenário inédito pro Aldo. Vai ser mt interessante como ele lidará com isso tudo no 179.

  • Maykon Douglas

    O que me faz acreditar muito no Aldo nessa revanche, é o fato do cara saber lidar muito bem com os momentos adversos durante a luta, o cara é tão fora de série neste quesito, que se ele perdesse um braço lutando, de alguma forma, iria encontrar algum jeito de vencer, sem falar da qualidade técnica, agora que o Chad será o maior desafio da carreira do Brasileiro isso todos nós sabemos…

    • Gabriel

      Não acho que é o maior desafio da carreira dele, acho que Frankie Edgar sim foi o maior desafio dele e ainda tem o conor mcgregor que além de ser excelente em pé, tem muita confiança.

      • Maykon Douglas

        Respeito sua opinião, parece até exagero da minha parte ter dito que ele é o maior desafio pro Brasileiro, mas o Chad Mendes que o Aldo vai enfrentar no UFC 179 não é o mesmo do 142, o próprio americano falou que, naquela primeira luta entre eles, ele não tinha nem sequer um treinador de trocação, tornando seu estilo de luta baseado apenas no wrestler, hoje podemos ver uma evolução em seu jogo, principalmente na trocação do cara, fruto do trabalhado bem feito de seu treinador Duane Ludwig.

        • Gabriel

          Ele realmente melhorou muito na trocação, mesmo achando que será uma luta dura Chad tem poucas chances contra Aldo: O brasileiro tem umas das melhores defesas de queda do UFC (ao meu ver só perde pro Jon jones), pode até conseguir derrubar mas é muito difícil manter o campeão no chão e na trocação Aldo tem muito mais técnica do que o desafiante, onde mostra isso em todas as suas lutas. Acredito que Aldo manterá em pé controlando a distância com seus chutes baixos.

  • Mark Sgarbi

    É isso mesmo Renato, triste ouvir outra pessoa pensando o mesmo que eu, achei que quem estava sendo pessimista estava desse lado do computador, porém vejo que não estou sozinho.
    Não é a toa que vários brasileiros estão se mudando pros EUA (RDA, Lyoto, Werdum Edson B., Tibau, Belfort entre outros, e os treinadores como o Cordeiro, Pateta e os outros mil BJJ que estão lá) dessa forma além de tudo o falado no texto, também estão ficando com o material humano melhor e o conhecimento vai junto.
    O negocio está é feio para o BR.

    • Renato Rebelo

      A situação é delicada msm, Mark. Creio eu que a primeira solução é identificar a doença ao invés de procurar bode expiatório. Infelizmente, nossas equipes estão contidas num cenário econômico caótico e só a boa e velha criatividade brasileiro pra remediar.

  • Bruno Alves

    Boa Renato, sempre colocando a mão na ferida. Ainda acho a imprensa do MMA brasileiro, muito “amiguinha” dos lutadores, treinadores etc e com isso nem sempre a verdade é exposta. E aqui sinto esse diferencial em vocês. Não seria uma idéia que essas equipes migrem pra cidades do interior? Aonde se tem espaço para grandes centros de treinamento com melhor qualidade de vida com empresários locais investindo nestas equipes? Forte abraço

    • Rafa FriAll

      Concordo contigo sobre a imprensa ser baba ovo, principalmente o pessoal das antigas. Mas temos que ser justos em algo, os lutadores brasileiros também são muito melindrados, reclamam de tudo e não aceitam criticas.

    • Renato Rebelo

      Já houve um êxodo nesse sentido. Os irmãos Pitbull e o Rony Jason deixaram a base da Team Nogueira no RJ e voltaram para Natal. O Braga Neto saiu daqui tb e foi pra Amazônia. O motivo é sempre o msm: os custos de se viver por aqui. Essa migração tem tb seu lado ruim. Em cidades menores, é mais difícil de encontrar material humano adequado. E levar pra lá tb é sai ccaro.

  • Cauã Albuquerque

    O texto foi EXELENTE, como sempre. Sabe pq fico chateado com os atletas nacionais? Pq eles são ignorantes. O governo não dá ajuda alguma para esses atletas e quando eles chegam ao topo, por seus méritos, ficam falando que venceu pro Brasil, e quando perdem vão trazer de volta pro Brasil… Velho, o esporte que estava em ascensão a 2 anos atrás já começa a cair em decadência e eles ficam com essa onda de patriotismo barato. Tenho pena desses caras. Dedé deveria vender sua academia e alugar algum galpão nos EUA. Traria dinheiros com inscrição de pesos leves que viriam treinar com Aldo, Barão e Dantas e baratiavam ou intercabiavam os treinadores de Wrestling e de todas as outras artes. Contratava algum cronista e obrigada seus atletas a falarem inglês pra assim aprender a vender lutas.

    • Yuri Yamaura

      Cara, você tocou num ponto muito interessante, a fórmula da entrevista de atleta brasileiro: reclama do governo, exalta o povo, e fala que vai conseguir o resultado para o país. Acho ruim que os atletas tenham na sua formação a concepção de que o governo tem que ajudar atleta profissional. Governo tem que investir em esporte formação, de inclusão social.

      • Cauã Albuquerque

        O ministério da cultura investiu 5 milhões na Cláudia Leite (kkkkk), pq não poderia trazer junto com os médicos cubanos, wrestlers e boxers de lá tb? MMA caminha pra ser o segundo maior esporte do mundo e o grande conhecimento do Brasil (país) lá fora vem do futebol e esse já não é tido como o melhor do mundo na atualidade (e pelo pensamento continuará a andar pra trás). Investir no MMA é investir no reconhecimento lá fora. A mala do globo esporte na Copa mostrava a foto de brasileiros e Senna e Anderson Silva eram os dois fora do futebol mais conhecidos.

        • Renato Rebelo

          Cauã, adoraria que tivéssemos wrestlers, boxers e atletas de outros países por aqui para nos ajudar. Agora, existem prioridades nesse país. Tirar dinheiro de nós, pagadores de impostos, para trazer lutador cubano seria o cúmulo se tratando de varrer sujeira pra baixo do tapeta/desperdício de recurso público escasso. Pq não caminharmos na direção de um país próspero, competitivo, com preços justos, empreendedorismo e um mercado mais livre e acolhedor para todos? Bolsa lutador não dá! Seria tão abjeto quanto pagar cinco milhões pra Cláudia Leite enquanto pessoas morrem em filas de hospitais e temos 60 mil assassinatos por ano.

          • Cauã Albuquerque

            Tão sonhador esse Renato. Rsrs

      • Cauã Albuquerque

        Por um terço de um estádio da Copa o governo poderia criar uma espécie de Stadium Lumpinee pra eleger os melhores do Brasil a cada ano.

  • Rafa FriAll

    Infelizmente a Nova União é fraca de estrutura comparada a X-Gym e Team Nogueira. Porem nessas duas academias falta o algo, que é o grande diferencial da Nova União, Dedé Pederneiras.

    • will

      Eu acho que o Dedé está errando com o corte de peso dos atletas dele. A longo prazo essa estratégia não dá certo. Os atletas ficam muito debilitados. Devia rever isso. No mais, acho que a NU está no caminho certo.

      • Rafa FriAll

        Dedé como técnico é muito bom, mas o cara não é preparador físico. Ele não é o grande culpado por isso, mas como lider da equipe ele tem sua parcela.

  • Cauã Albuquerque

    Rio de Janeiro, dia vinte e pouco do mês de outubro. Noite quente na Arena maracanãzinho, os expectadores sentindo calafrio. Uma venda de cinco dedos em cada olho e, um balançar de cabeça negativo tomou conta da arena. Pernas trêmulas, cabisbaixos e com lágrimas que pesava mais do que qualquer orgulho, assim estavam o ex-campeão e seus ex-fãs. A vista embaçada fazia com que parte das pessoas ali presentes não encontrassem a saída. O “impossível” aconteceu! No fundo todos sabiam, mas, poucos, deveras acreditavam. O atleta que mais sofre bulling de um irlandês cachaceiro, venceu – mal sabe o irlandês que ofender um anão é como ofender sua própria nação.

    A realidade é muito cruel pra qualquer pessoa que acredita ter alguém além do cósmo olhando para ela. Aceitar a derrota e si aperfeiçoar, parece algo que só depende de Deus e não de si mesmo. Hora! orar pode aliviar a angústia, mas, não trará de volta o respeito que um cinturão trás. Religião e PATRIOTISMO, os maiores maus da humanidade. Um desrespeita o que está do lado de lá da ponte e o outro quer dá a mão pro “irmão” que tenta te derrubar dela. No final, apenas os fortes (fãs) sobreviverão.

    Confesso: o que entrou com uma bandeira escrito, “ordem e progresso” (kkkk), era mais lutador, mas, o que entrou com bandeira “cor sim, cor-não” sabia jogar melhor conforme as regras.

    Aquele que tirar ou acrescentar qualquer letra, vírgula, acento, parágrafo… desta palavra profética, certamente é um FDP.

  • William Amaral

    Respondeu à minha pergunta feita para o “Colunista Respondem”. Era esse ponto que eu queria que fosse abordado por vocês. O futuro do MMA brasileiro não parece ser dos melhores e acho que uma mudança nesses rumos tem de ser feita pra já. Eu, no lugar do Dedé, por exemplo, estaria desesperado para equiparar a estrutura da minha equipe com a das tops do mundo. A não ser que essa precariedade seja o trunfo psicológico que ele passa aos seus atletas, do tipo: “Lá eles têm tudo, nasceram em berço de ouro ,blá, blá, blá.”

    • Renato Rebelo

      Faz sentido. Mas acho que essa psicologia só funciona até a página dois.

  • Léo

    Renato, comecei a notar essa disparidade numa das disputas de cinturão do nosso menino Junior Cigano contra o Velasquez. Enquanto o countdown do UFC (programinha que mostra a preparação dos atletas para a luta) mostrava o Cain treinando na AKA, academia de primeiríssimo mundo, com todo o material físíco e humano que um campeão necessita, Cigano treinava na Champion, com um ringuezinho de boxe e um octógono meio improvisado, fazendo sparring com Ednaldo Lula… Nesse cenário, concordo totalmente que apenas atletas fora de série conseguirão despontar, ou conseguir um senhor patrocínio para treinar numa das academias espetaculares que os americanos/brasileiros oferecem por lá ( American Top Team, Blackzilians, etc)

  • Paulo Melo

    Excelente texto como sempre !
    Bora lá ! Acho o seguinte :
    Realmente treinar numa academia que não tem octógono é um absurdo , acho o cúmulo da falta de estrutura , e realmente comparando com a Alpha Male , dá pra ver tb nos Coutdowns que a diferença é gigante .
    Mesmo com essas dificuldades , Barão tinha o cinturão e o Aldo ainda tem o dele , acredito que muito por serem foras de série .
    Tenho a impressão que essa queda de rendimento da NU ocorreu no mesmo período ou um pouco após a perda do cinturão do Barão , que na minha opinião não devia ter aceito antecipar a luta dele pra maio ( mas isso são outros 500 )
    Provavelmente essa derrota mexeu muito com o psicológico da equipe e a partir dai a queda de rendimento foi evidente .
    Talvez a localização da NU não seja adequada ( sou de SP , mas fui algumas vezes ao RJ , tenho a impressão de o custo de vida lá ser altíssimo, ficando mais difícil, por exemplo, para fazer os intercambios com os gringos para a parte de wrestling ) devido a ter esse fator do trânsito ( se não me engando o Sarafian comentou que qdo treinava em SP gastava 2h só de trajeto para a academia ) , isso deve contar sim .
    Talvez uma mudança de local de academia uma nova filosofia na administração da mesma para o crescimento , contem muito para a volta do bom retrospecto .
    Claro que o fator psicológico tb conta , uma vitória no dia 25 encaminharia muito bem as coisas na NU

  • Felipe

    Mesmo com todas as dificuldades mencionadas, a NU poderia evoluir com apenas um pouco de senso crítico. Qualquer um que já tenha assistido meia dúzia de lutas de boxe percebe que a defesa dos atletas de lá é muito fraca. Barão sempre bateu como um brigador de rua e não evoluiu nada desde que entrou no UFC. Wineland apontou o caminho, Dillashaw capitalizou. O Aldo luta menos escancarado, mas também peca muito na defesa a curta distância.
    Por mais que treinar no terceiro mundo seja desigual, pequenas coisas podem ser
    melhoradas sem investimentos astronômicos.

  • Pedro

    Mais qual a melhor solução? Fazer um projeto de longo prazo e melhorar as academias brasileiras,ou os brasileiros migrarem?

    • Renato Rebelo

      A curto-médio prazo, migrar. Infelizmente, não tem jeito. A longo prazo, tentar construir um país mais próspero, livre economicamente. Tudo isso começa nas urnas…

      • will

        Esse Renato é Reacionário! Discípulo do astrólogo! E o pior, flamenguista! Rss…

        • Renato Rebelo

          Haahaha não sou discípulo do astrólogo, Will. Não existem apenas duas vertentes. Quanto ao flamenguista, realmente, me declaro culpado hehe

          • will

            Eu tava só brincando. Concordo com você. No Brasil é quase impossível ser empreendedor. O governo mais atrapalha do que ajuda.

      • Malk Suruhito

        Acho que a curto prazo seria mudar o HQ da NU, talvez para Zona Oeste (Vargem Grande e adjacencias) para a maioria dos treinos e futuros investimentos e deixar (talvez) a da Zona Sul apenas para treinos específicos e pontuais. Mas não sei como funciona o caixa da Nova União, recursos, investimentos, etc. Mas Know-How eles possuem para serem uma fábrica de monstrinhos maior que a Team Nogueira, hoje a franquia de academias que tem MMA como carro chefe de maior sucesso no país.

  • will

    Renato, não é só no mma que isso acontece. De modo geral, apenas atletas fora de série se destacam no Brasil. As dificuldades são épicas pra um brasileiro vencer num esporte de alto rendimento. Em função disso, acho muito injustas as críticas em relação à falta de auto-promoção do Aldo. O cara é um herói só de ter conseguido chegar onde chegou. Faltam elogios e sobram críticas. Comparar EUA com Brasil, em termos de preparação, é até sacanagem.

    • Renato Rebelo

      Vc tem certa razão, Will. Só acho que, por mais que o Aldo seja um ponto fora da curva, isso tb não o impossibilidade de evoluir em outros setores.

  • Natan Machado Fauzi

    Me lembro da luta entre Kevin Randleman e Carlão Barreto no Maracanãzinho, Kevin veio como uma máquina de cardio para cima de nossos lutadores desprovidos de tal estrutura, ou seja, não é de agora que esse lacuna existe entre Brasil e Eua. Levantado tais fatos deduzimos que José Aldo é um Ninja.

    • Natan Machado Fauzi

      Aliás, excelente texto, como sempre!

      • Renato Rebelo

        Valeu, Natan!

  • Achei que esse tem seria abordado após o 179, mais é interessante de ser analisado.
    Afinal, a NU estava confortável até o ano passado com as suas conquistas, e não vimos nenhuma mudança no cenário até então, pelo menos não brusca.
    Cenário atual que conta com – espaço minúsculo, onde sparrings são pausados toda hora devido a esbarradas em colegas ou paredes, treino cardiovascular feito na rua, banheira de gelo feita na caixa d’água da academia e por ai vai…tudo isso era engraçado, curioso, porém pouco questionado, até a derrota do Barão, que também era bajulado pelo DW que o colocava como #1P4P em sua lista particular. Após a queda de Barão veio a do Dudu, e agora temos Aldo como a última esperança.
    Perdendo ou ganhando dia 25 de outubro eu espero de coração que Dedé invista em sua academia, afinal verba pra isso ele tem, patrocínios, apoios, se pegarmos a bolsa só do trio de ouro(Dudu, Barão e Aldo) ele já pega uma fatia considerável, fora outros tantos atletas, filiais Brasil afora, renda do Shooto e etc…
    Daria pra alugar um espaço digno de NU, com materiais e tecnologia de ponta, toda uma infra por trás dos atletas, material humano e todas as coisas necessárias enfim ficaria um disputa de “igual para igual”.

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