Bethe: caminho mais longo pode ter final melhor

Felipe Paranhos | 16/09/2014 às 20:16

Golpeando Duke no UFC 172

Domingo de manhã, a Globo transmitiu um microdocumentário sobre a preparação de Bethe Correia para a luta contra Shayna Baszler.

Bem legal, apesar do tom meio épico demais às vezes.

Acho sempre bom quando o público mais leigo descobre quão duro é preciso lutar até chegar a um cage.

O ponto é que, desde a chamada, a emissora cravou Bethe como “a brasileira que pode ser campeã do UFC“.

(Já discutimos tantas e tantas vezes sobre como a estratégia de promoção esportiva da Globo muitas vezes joga contra os atletas e o próprio esporte. Pulemos, então, este assunto por enquanto.)

Bethe está no top-10 de sua categoria e, embora não tenha enfrentado nenhuma adversária deste seleto grupo, vem evoluindo muito rapidamente para quem tem cerca de três anos de MMA.

Mas o rótulo de possível desafiante ainda é muito prematuro.

Juntas, Julie Kedzie, Jessamyn Duke e própria Baszler, suas adversárias no Ultimate, têm 1-5 na organização e 2-9-1 (NC) se contarmos as quatro últimas lutas de cada uma.

Ainda é pouco para desafiar Ronda Rousey.

Mas a potiguar soube aproveitar como ninguém o caminho que trilhou até agora no Ultimate.

Numa categoria dominada por uma lutadora cujo patamar é bem acima das demais, a estratégia de incomodar as Four Horsewomen — grupo formado pelas amigas Ronda, Duke, Baszler e Marina Shafir — foi perfeita para alçá-la às manchetes e fazer a campeã falar da brasileira.

“Eu vejo uma garota que está invicta, que é uma das melhores do mundo. E ela não apenas derrotou minhas amigas, mas também foi um pouco desrespeitosa com elas. E isso foi muito inteligente da parte dela, porque, sim, você conseguiu chamar minha atenção. Eu quero te enfrentar. Mas não vai acabar muito bem para você.”, Ronda Rousey

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Encurralando Baszler no UFC 177

Bethe já está nos holofotes. E vai ser cada vez maior a expectativa por uma luta entre as duas.

Neste contexto, porém, o pior dos cenários é uma ascensão muito rápida ao title shot.

Tudo porque, apesar da qualidade de Bethe, a dona do cinturão ainda é, hoje, um passo longo demais.

Numa categoria rasa como a dos galos feminina, chegar muito cedo é mais fácil, e o baque pode ser grande.

Hoje, existe uma diferença física muito grande entre uma judoca olímpica e uma atleta com pouco mais de três anos de atividade no MMA, sobretudo no jogo de isometria.

Numa luta de 25 minutos, diante de uma lutadora mais rápida, mais resistente e mais técnica, o punch de Bethe provavelmente teria menos poder de decisão.

Isso sem falar que Ronda, antes unidimensional, está cada vez melhor em pé — seus dois nocautes seguidos que o digam.

Neste momento, a potiguar já tem pelo menos uma desafiante à frente: a vencedora de Cat Zingano x Amanda Nunes, no UFC 178.

Zingano, sem lutar há 17 meses e devastada pelo suicídio do marido, é uma incógnita; Amanda, embora na melhor fase da carreira, nunca venceu uma lutadora do nível da invicta americana.

Dada a limpa que Ronda já fez na categoria, permitam-me fazer um rápido cenário para as futuras desafiantes: se Cat vencer, o title shot que ficou pra trás com a contusão pré-TUF 18 volta às suas mãos.

Se Amanda ganhar, um provável duelo com Bethe define quem enfrenta a campeã, já que Jessica Eye vem de derrota e Miesha Tate, Sara McMann, Alexis Davis e Sarah Kaufman já foram derrotadas por Rousey ao longo de sua carreira.

Jéssica Andrade também estaria na briga, mas, além de também não ter vencido nenhuma atleta do top-10, perderia para Bethe no quesito promoção.

Feita a digressão, volto ao assunto para encerrá-lo: numa categoria em que o ‘one punch knockout’ é muito difícil, Bethe precisa de tempo para continuar evoluindo na velocidade atual e chegar melhor do que nunca para um eventual confronto contra Ronda.

Mas a tentação vai ser grande: uma disputa de título de Ronda com Bethe seria ótima para o valorizado mercado brasileiro, para a TV Globo e, particularmente, para o Ultimate — que adora explorar o nicho mulher bonita x mulher bonita e duelos entre lutadores “inimigos”.

E vocês, acham que Bethe pode vencer Ronda?

  • Felipe Queiroz

    Com esse grappling atual, sem chance.

    • Felipe Paranhos

      Eu realmente achei que a Bethe não cairia no jogo da Baszler no primeiro round. Fiquei surpreso com a facilidade com que a Shayna a colocou no chão. Mas acho que é justamente fruto da inexperiência. Quando você vê a divisão, é nítido quem tem pra onde crescer e quem não vai muito longe. A Bethe tem muito espaço pra evoluir. É uma top-10 do UFC com três anos de carreira.

  • Paulinho MT

    Acho que a Bethe tinha que torcer pra contratarem a Carrano e a Zingano vencesse a Amanda pq ai ela teria tempo p/ se desenvolver.

    • Felipe Paranhos

      Com certeza. O melhor dos mundos é entrar mais alguém na frente dela e ela vencer sua próxima luta contra uma top-10. O nome dela fica ainda mais quente e, de quebra, vai ter mais tempo pra se consolidar.

  • Luiz Guilherme

    Se a amanda vencer acho que o TS cai no colo da bethe…ou da própria amanda..não acho que teria tempo pra ter outra luta ..a ronda falou que quer lutar em dezembro ou janeiro.mas concordo com o que VC disse, perfeito.

    • Felipe Paranhos

      Pô, brigado! Mas acho que você pode ter razão também, porque a Amanda tá na frente da Bethe. Quem sabe o UFC não promove um Brasil x EUA duplo… haha

  • Junior

    Pra mim a Bethe vs Holly Holm, em dezembro valendo o TS. Dps da vencedora de Amanda VS Zingano.

    • Felipe Paranhos

      Rapaz! É verdade. Esqueci da Holly Holm. Ela já deve entrar pegando uma pedreirazinha, apesar de que eu, se fosse matchmaker, “construiria” ela um pouco dentro da divisão. Ela tem muito potencial de promoção.

      • Junior

        A categoria não tem tempo de esperar ela fazer um nome dentro do UFC, acho que uma luta já e suficiente, se ganhar ela já deve ganhar o TS, pra mim só ela e a Cyborg podem parar a Ronda.

      • Carlos Montalvão

        Das duas uma, ou a Holm peidou pra intimada da Jessica Eye via Instagram ou o UFC tá deixando a bela morena de molho como punição devido ao incidente com ~cannabis hehe, mas estão enrolando demais pra moça estrear e ela com esse papo de “tenho muito o que aprender” e blábláblá já mostra que ainda está longe de ser uma contender legítima (a Bethe pode até não ser também, mas pelo menos corre atrás do dela). Eu sinceramente acho a Holm a lutadora mais overrated da divisão e não acredito que ela vingue não (pelo menos por enquanto)

  • Thiago Sousa

    Manda buscar a Cyborg…
    Não é conveniente o TS p/ Beth não…
    Agora não.Tá muito crua no chão.Morre facil na chave de braço da loira…

  • Renan Trigueiro

    O Felipe tocou num ponto importante. Sei que precisamos de ídolos brasileiros para o esporte bombar por aqui, mas quem assiste só as transmissões do Combate e esses programas da Globo acha que os brasileiros são imbatíveis e quando perdem ficam com a impressão que a luta foi comprada pq sempre seremso os melhores. Nem o Galvão Bueno faz que nem o Rhoodes que diz “se Deus quiser o brasileiro vai ganhar”. Acho isso um desserviço

  • Carlos Montalvão

    Por um lado, o cartel das 3 oponentes da Bethe nos 2 últimos anos não era nada legal, mas vale ressaltar o feito da Bethe que com apenas 3 anos de MMA venceu a Julie Kedzie e Shayna Baszler que se somar o cartel delas, deve chegar a umas 60 (!) lutas e isso é uma experiência absura de combate. Isso mostra que a Pitbull não é brincadeira e que se treinar (muito, diga-se de passagem) wrestling e possivelmente judô, ela pode se tornar uma ameaça real pra campeã. Quanto à Jessamyn, acredito que se a luta tivesse acontecido antes do TUF, era mais provável da americana vencer pois até então (ou até a Finale do programa) ela sabia muito bem usar a envergadura e o Muay Thai dela (aparentemente treinar com Ronda Rousey e Marina Shaffir emburreceu tanto ela quanto a Shayna que fez pancadaria boa contra a Sara McMann no Invicta FC), mas enfim, só uma observação rs.

    Eu se fosse o Sean Shelby organizaria futuras lutas assim (acreditando que Zingano irá destruir a Amanda Nunes, que não me apetece e Miesha Tate volte a ser o que era até março de 2012, não no sentido técnico, mas no sentido de vontade de e garra pra vencer finalizando lutas):

    Ronda Rousey x Cat Zingano (pra dar um fim nesse TS lendário)
    Jessica Eye x Holly Holm
    Miesha Tate x Sarah Kaufman II
    Alexis Davis x Valerie Letorneau (sobrenome lazarento que eu nunca acerto)
    Leslie Smith x Sara McMann
    Amanda Nunes x Lauren Murphy
    Raquel Pennington x Alexis Dufresne
    Germaine de Randamie x Jessamyn Duke
    Sarah Moras x Milana Dudieva
    Liz Carmouche x Elizabeth Phillips

    Bethe podia pegar a McMann caso essa vencesse a Dona Florinda mais pra frente pra testar bem o chão dela ou caso desse Smith, seria um bom teste em pé contra uma lutadora mais rápida que sabe usar bem o tamanho e as pernas. Aí sim, colocar ela contra a Ronda (mesmo se ela perdesse pra Cat, que seria um sonho se acontecesse). Mas o que eu queria mesmo era ver a Marina Shafir descer e assinar com o UFC já estreando contra a Bethe, pra botar mais fogo nessa história hehe

  • will

    Depois da última luta vimos que a Bethe não tem poder de nocaute. O juíz teve que interromper a luta por cansaço da adversária e não por nocaute. Ela ficaria batendo alí a noite toda sem resultado. O boxe dela está excelente, mas falta força nos golpes. Também achei ela com muita gordura, precisa secar e ganhar mais massa magra. Corrigindo isso ela tem chance. A Rounda tem queixo de vidro e vai cair contra uma striker eficiente!

  • Luiz Felipe

    Se fosse a Ronda que tivesse por cima no primeiro round no lugar da Shaina Baszler você pode ter certeza que a luta teria acabado ali. Se Bethe Correia quiser ganhar da Ronda no mínimo tem que ter uma boa defesa de queda ou encarar um chão perigoso que a Campeã tem pra oferecer.
    Vejo a Bethe como uma atleta com um futuro determinado pro topo porém ainda lhe falta experiência ou no pior dos casos uma derrota para que ela possa realmente aprender com os erros.
    #CyborgNoUFC

    • Felipe Paranhos

      Isso eu concordo. O vacilo que a Bethe deu no primeiro round seria fatal se a adversária fosse a Ronda. Agora, sobre a Cyborg… Há algum tempo tenho minhas desconfianças sobre essa certeza das pessoas de que ela derrotaria a Ronda.

      • Luiz Felipe

        kkkkk seria uma decepção para muitos, lembro da luta dela com a

        Gina Carano no Strikeforce em que ela aplicava umas quedas pra lá de displicentes e ficando por baixo quando poderia ficar em pé trocando, o coração quase saia pela boca rs, seria uma boa briga.
        Admiro muito essa atenção que vocês dão aos leitores, parabéns pelo conteúdo e pela equipe foda.

      • A minha dúvida já começa nela batendo o peso.

      • Luis Felipe Fabricio

        A Bethe já estaria no departamento médico amputando o braço. rs

  • Tucano

    Muito bem falado, muito bem dito. ronda está realmente um passo a frente das demais, apesar de amar a Beth Correia. Penso também ser um duelo bom para o evento, para as emissoras, para a promoção do Card, mas ainda não está bom para a brasileira. Vou torcer por Amanda contra a Cat, Amanda para mim é uma grande potência, fera no chão, sabe Judô também. Depois, melhor que Amanda e a Beth se enfrentarem é cada uma ter a sua chance de disputar o título. Apesar de amanda entrar como “azarona” (?) na luta, penso que ela leva essa contra a Cat pra casa.

    • Tucano

      Ronda*

  • Rodrigo Purgato

    Sinceramente acho que essa Bethe Correia ta mais pra Chael Sonnen do que pra qualquer outra coisa. Acompanhei todas as lutas dela no UFC e inclusive a última que ela fez antes de entrar na organização contra a Erica Paes pelo Jungle 54 e na minha opinião é uma lutadora mediana ainda, cheia de falhas técnicas e com uma língua que pode ser seu pecado mais pra frente. Fora esse último nocaute contra a Shayna, achei suas lutas muito maçantes, com pouca objetividade, pouca técnica e repleta de erros pontuais. Me surpreendeu o bom jogo de boxe no último confronto, porém, errou bastante também no primeiro round. Enfim, na minha opinião está longe de estar preparada para um confronto contra a Ronda e se por ventura o UFC coloca-las em rota de colisão, a vitória da americana virá com facilidade e a falastrona brasileira corre sério risco de cair em descrédito com fãs e organização.

  • Eduardo Sanguinetti

    Ótimo texto, mas como assim Mulher bonita x mulher bonita? Esse teu parâmetro aí ta bem baixo hein kkk A Ronda até que mente um pouquinho, mas a Beth.. aí tu forçou a barra kk… Ela é tão sexy quanto a dancinha que ela fez na última luta kkk

    • Felipe Paranhos

      Eu acho a Bethe uma mulher bonita. Mas luta piora o rosto, mesmo.

      • Eduardo Sanguinetti

        Bah cara.. de corpo ela é bem top!! Mas aquele rostinho ali causa um certo constrangimento se tu tiver que passear de mão dada no shopping hehe

    • Dan Mendes

      Eu iria comentar exatamente isso. A Ronda é bonita pakas, mas a Beth é gente boa rsrs

      • Eduardo Sanguinetti

        Bonitas pakas também não né !?! hehe.
        Mas ta valendo sim, até pq aquela ali “finaliza” rapidinho qualquer marmanjo kkkk

  • Muito legal o UFC feminino crescendo assim, neh?

    Muito bom o texto, Felipe!

  • Dan Mendes

    Essa luta venderia bem! Se eu fosse Casador de Luta do UFC não perderia o “time” e casava essa luta. Se demorar muito a Ronda pode se aposentar ou mesmo a Bethe perder (imagina ela contra a luta aguarrada da Sarah).

    Vão dizer: “Ah mais ela não esta preparada!” Não tem problema a categoria é rasa e ela é jovem. Vai aprender muito com essa derrota e terá nova chance no futuro.

    Obs.: A Ronda disse que gostaria de enfrentar a Bethe no Brasil, imagina como seria épico.

  • mazzaropi

    Eu acredito na Bethe!

  • Rodrigo Tannuri

    Acho que a Bethe foi realmente muito feliz ao provocar o grupinho da Ronda. Não só isso, ela está falando e fazendo. Concordo que suas vitórias não foram contra lutadoras do mais alto escalão, mas, pra sorte dela, a própria Ronda já demonstrou um certo interesse no confronto, o que pode dar uma facilitada nas coisas.

    O que me incomoda é o tom que a brasileira adota em entrevistas ou conferências pra falar sobre uma futura disputa de cinturão. Não sou muito fã desse estilo “bad girl”. Por exemplo, vejo Jéssica e Bethe num mesmo patamar, mas com mentalidades e promoções diferentes. Uma, sabe sua verdadeira posição e mostrou humildade ao dizer que ainda está crua pra ser desafiante. Já a outra está muito por cima da carne seca, mesmo sendo novata no MMA. Essa é uma postura perigosa e o baque pode ser profundo.

    • Luis Felipe Fabricio

      Pode crer, se a bethe levar um nocautaço em 20s igual a ultima luta da Ronda vai ser mais dificil segurar o psicológico do que o treino duro, o negócio é ficar quietinha, treinar pesado e encarar mais umas duas lutadores de ponta antes.

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