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Perto do ouro: a corrida pelo
cinturão dos médios no UFC

Thiago Sampaio | 26/02/2017 às 16:01

Na segunda coluna “Perto do Ouro”, vamos fazer um panorama geral da categoria peso médio, considerada umas das mais disputadas em termos de nível e quantidade de atletas de elite.

Johny pode surpreender?

E no último domingo (19), no UFC Fight Night 105, surgiu um forte candidato ao título: Johny Hendricks, ex-campeão da categoria meio-médio que, depois de três derrotas consecutivas, estreou na divisão até 84kg com vitória (bem contestada, diga-se de passagem) sobre Hector Lombard.

Sim, foi ironia, mas não impressionaria se o atual detentor do cinturão, Michael Bisping, aparecesse pedindo para enfrentar o barbudo alegando que ele foi um grande ex-campeão, que foi o “vencedor moral” contra Georges St-Pierre e eles fariam um belo combate.

A situação é essa: cheio de fortes nomes no topo aguardando apenas uma ligação com a proposta para o title shot, o “The Count” parece querer desfrutar o quanto pode do título que, até um passado recente, era um sonho que beirava o impossível.

Não me entendam mal. Michael Bisping é um bom lutador, até menosprezado por muitos. Tem um ótimo jogo em pé, apesar do pouco poder de nocaute, é eficiente no wrestling (defensivo) e tem jiu-jitsu razoável.

Campeão do TUF 3 na categoria meio-pesado, lá em meados de 2006, o britânico tem uma carreira sólida no UFC, tendo se mantido sempre entre os principais nomes da organização.

Bisping: constante em 11 anos de UFC

São 20 vitórias (recorde, empatado com Georges St. Pierre) e sete derrotas, mas sempre batia na trave e perdia quando estava à beira de uma disputa de cinturão. Sempre foi aquele atleta que oferecia perigo aos “menores”, mas nunca foi o melhor.

Após conseguir três vitórias em seguida por decisão sobre CB Dollaway, Thales Leites e Anderson Silva (num resultado controverso, em que foi “nocauteado” ao fim do quarto round), viu a chance da vida quando Chris Weidman foi retirado da revanche contra o campeão Luke Rockhold na luta principal do UFC 199, em junho de 2016, por lesão.

Aceitou substituí-lo com apenas duas semanas de antecedência. O inglês já havia sido finalizado sem muita dificuldade pelo americano em 2014 e 11 em cada 10 pessoas apostavam em um resultado semelhante.

Mas aconteceu o inesperado: a mão entrou, Rockhold caiu desligado, e Bisping viria a se tornar campeão 10 anos depois da sua estreia no UFC.

O destino o favoreceu para a sua primeira defesa de título: Ronaldo Jacaré se recuperava de lesão, Yoel Romero cumpria suspensão por doping, Chris Weidman vinha de derrota.

Bisping pôde se vingar do rival histórico

Fez campanha para enfrentar Dan Henderson, 46 anos, que tinha seis derrotas nas últimas nove lutas, mas foi o responsável pelo nocaute mais brutal sofrido por ele, lá no UFC 100, em 2009. Foi atendido e a revanche aconteceu no UFC 204, em outubro de 2016, vencendo por decisão unânime apertada, onde passou por muito sufoco e saiu com o rosto destruído.

Desde então, Bisping alega se recuperar de cirurgia no menisco e sinaliza um retorno para o meio do ano, sempre com o discurso de querer money fights, colocando como possíveis adversários Georges St-Pierre, Nick Diaz, uma revanche contra Anderson Silva, ou mesmo uma “superluta” com Tyron Woodley, campeão dos meio-médios.

Acontece que tem uma verdadeira tropa de elite na categoria dele esperando por uma oportunidade! Quem são eles? Vamos lá!

“Se saio, chego; se chego, entro; se entro, triunfo”

De acordo com os que conviveram com Fidel Castro durante o exílio no México, estas foram as palavras mais repetidas por ele antes de partir, em 1956, no iate Granma.

Romero: voando até o topo

E esse parece ser o dilema do seu conterrâneo, o cubano Yoel Romero, já apontado por Dana White como o próximo desafiante de Michael Bisping, mesmo rodeado de polêmicas.

Com um cartel de 12-1, tem um retrospecto perfeito no UFC, com oito vitórias consecutivas, sendo a última, quando nocauteou o ex-campeão Chris Weidman com uma joelhada avassaladora no UFC 205, a que carimbou o seu title shot, com direito a uma discussão bem teatral com Bisping logo depois do combate.

Nocauteador e com um ground and pound de assustar qualquer um, tem vantagem sobre Ronaldo Jacaré na corrida pelo ouro por ter vencido adversários da maior relevância, como Derek Brunson, Tim Kennedy, Lyoto Machida, o próprio Jacaré e Weidman. Acontece que no meio desses triunfos tiveram vários fatores negativos.

Contra Tim Kennedy, após quase ser nocauteado no segundo round, demorou sentado quase um minuto a mais do que o normal permitido no intervalo para o terceiro round, quando voltou recuperado e liquidou a fatura. A desculpa de que não fala bem inglês e não entendia o que o juiz falava não colou muito.

Na polêmica vitória por decisão dividida contra Ronaldo Jacaré, segurou descaradamente na grade, evitando uma queda que possivelmente mudaria os rumos do combate. Pouco depois, foi pego pela Agência Americana Antidoping (USADA) por uso da substância Ibutamoren, que serve para crescimento hormonal, cumprindo seis meses de suspensão.

Mesmo assim, segue fazendo a sua parte. Pelas redes sociais, iniciou até uma campanha para financiar a aposentadoria de Michael Bisping. O inglês respondeu alegando que não gosta de lutar com trapaceiros, mas, se acontecer, pediu que o “Soldier of God” use fralda, em referência à “borrada” no calção do cubano no combate contra Derek Brunson, em 2014.

Papo de Jacaré

Já virou disco furado a conversa de que Ronaldo Jacaré está sendo injustiçado pelo UFC por ele não receber a sua chance de disputar o cinturão, seja por partes dos fãs, da imprensa brasileira ou dele próprio. Um dos atletas mais completos da atualidade, com sete vitórias e uma derrota na organização, não deixa de ser verdade.

Número 13 indefeso contra Jacaré

Mas os motivos para estar atrás de Romero na fila são bem compreensíveis. O revés para o cubano em dezembro de 2015, mesmo que bastante contestado, está lá no cartel.

Comparando os resultados dos dois, os triunfos sobre Chris Camozzi (duas vezes!), Francis Carmont e um desgastado Yushin Okami têm peso menor. De impacto, estão as vitórias sobre Gegard Mousasi e Vitor Belfort, mesmo que o Fenômeno não tenha mais a credibilidade de outrora.

O Jaca cansou de esperar pelo ouro e resolveu lutar contra quem vier e garantir o seu ganha-pão. Pegou o unidimensional Tim Boetsch no recente UFC 208 e fez o que todos esperavam: finalizou fácil no primeiro round. Acontece que se o brasileiro seguir aceitando “Boetschs” desenfreadamente, existe o risco de uma hora pagar o preço e ficar ainda mais distante do título.

Uma revanche contra Luke Rockhold, para quem perdeu o título no Strikeforce em decisão apertada em 2011, pode ser uma boa opção para credenciá-lo para enfrentar o vencedor de Bisping x Romero.

O combate já aconteceria no dia 27 de novembro, na Austrália, mas foi cancelado por conta de lesão do americano. Faz todo sentido.

Weidman x Mousasi: ou vai ou racha

Dois dos principais nomes da categoria, Chris Weidman e Gegard Mousasi estão escalados para lutar no dia 8 de abril, no UFC 210, em Buffalo, Nova York.

Quem vencer, inevitavelmente vai figurar como um nome forte entre os principais desafiantes, ainda que dificilmente conseguirá o title shot logo em seguida. Quem perder, vai ter que percorrer um caminho bem mais longo.

Dos dois, Mousasi vem embalado após emplacar quatro vitórias em 2016 (sobre Thales Leites, Thiago Marreta, Vitor Belfort e Uriah Hall). Ex-campeão do Cage Warriors, Strikeforce e do Dream, o armênio naturalizado holandês é um lutador completo e vive a melhor fase no UFC.

“The Dreamcatcher” tem contra a si o fato de não ter tanto apelo midiático, apesar que ultimamente até tem tentado mudar sua constante poker face e provocado mais. Mas uma derrota pode atrasar bastante seus planos.

Já Chris Weidman vive situação oposta, vindo de duas derrotas acachapantes, para Luke Rockhold e Yoel Romero. Tem ao seu favor o status de ex-campeão da categoria, o que ao se colocar de novo no caminho das vitórias, se torna um alvo de quem estiver com a cinta. A expansão do UFC por Nova York, onde nasceu, também está ao seu favor.

Quem for derrotado no duelo, também pode ter o caminho para o cinturão encurtado subindo para a categoria até 93kg, que anda cada vez mais escassa de nomes relevantes. Mousasi lutou a maior parte da carreira na divisão de cima, enquanto Weidman cogitou recentemente a possibilidade de também mudar para os meio-pesados.

Além da Demi Lovato

De volta aos treinos, Luke quer lutar em junho

Desde que caiu apagado para Michael Bisping, em junho de 2016, Luke Rockhold não dá as caras e vem se recuperando de seguidas lesões (afinal, ele é da AKA).

Exceto nos bastidores, tendo um affair com Demi Lovato, quem ele também perdeu, já que a cantora agora está com o brasileiro Guilherme Bomba, atleta do Bellator.

Mas não tem como negar que o metido a modelo ainda é um nome de força para recuperar o cinturão que era dele até a sua última apresentação.

Rockhold chegou ao UFC como o último campeão dos pesos-médios do extinto Strikeforce, mas foi recepcionado com uma pezada giratória na cara por Vitor Belfort.

Mas depois, emplacou boas vitórias sobre Costa Philippou, Tim Boetsch, Michael Bisping e Lyoto Machida, nenhuma delas por decisão, o que o credenciou para a disputa de título. Contra Chris Weidman, no UFC 194, massacrou o então invicto All-American na montada, se sagrando campeão.

Apesar de ter perdido o título logo em sua primeira defesa, pode ganhar uma nova chance se vencer o próximo desafio, principalmente se Bisping continuar como campeão, já que eles têm um histórico de provocações e já se enfrentaram duas vezes, com uma vitória para cada.

Como citado acima, um confronto contra Ronaldo Jacaré seria perfeito para definir o próximo desafiante.

Anderson Silva: Como Água

Silva passa raspando por Brunson

“Esvazie sua mente, seja amorfo, sem forma, como a água. Agora você coloca a água num copo, ela se torna o copo. Você coloca a água numa garrafa, ela se torna uma garrafa. Você coloca numa chaleira, ela se torna uma chaleira”, essa lição de Bruce Lee, que dá título ao documentário sobre Anderson Silva lançado em 2012, define a atual fase do Spider, que tenta se adaptar à sua nova realidade, aos 41 anos, longe do auge.

Até a vitória contestada sobre Derek Brunson, no UFC 208, Anderson Silva não vencia desde 2012.

Campeão mais dominante da organização e dono da maior sequência de vitórias (16 ao todo), ele é uma das raras lendas do esporte ainda em atividade e, por causa do seu histórico, ainda é um produto importante.

Por isso, não surpreenderia se alguma furada de fila acontecesse e Spider ganhasse uma nova chance de disputar o cinturão antes de se aposentar.

Anderson e Bisping vivem trocando farpas desde o polêmico confronto entre eles em fevereiro de 2016. Como meritocracia não faz parte das diretrizes do UFC, uma possível revanche poderia ter forte apelo comercial. Mas como a atuação diante de Derek Brunson não foi muito convincente, não deve ser agora que isso vai acontecer.

Por enquanto, não se sabe qual será o próximo desafio de Spider. Talvez contra algum atleta bem ranqueado, como Robert Whittaker, um confronto mais “vendável”, como a já utópica revanche com Vitor Belfort em um card no Brasil, ou até uma superluta contra Georges St-Pierre.

Brincando de Mãe Dináh

Vamos prever como vai terminar a categoria dos médios do UFC em 2017? Claro que muita coisa pode acontecer, mas não custa especular.

Vamos lá: Michael Bisping defende o cinturão contra Yoel Romero no meio do ano e vence por decisão dividida (calma pessoal, é só um devaneio), numa luta bem semelhante a que foi a segunda contra Dan Henderson, saindo todo arrebentado, mas levando pequena vantagem pela preparação física ao longo dos cinco rounds.

Enquanto isso, Ronaldo Jacaré vence Luke Rockhold em uma decisão emocionante, cheia de reviravoltas, transições no chão, e se credencia para a disputa de cinturão. Bisping e o brasileiro trocam muitas provocações e o duelo acontece no fim do ano.

Após um primeiro round de estudo, Jaca consegue a queda no final e quase finaliza com uma americana, mas o inglês é salvo pelo gongo. Na metade do segundo, “The Count” cai no perigoso katagatame do rastejante e é obrigado a dar os três tapas.

O título é do Brasil, finalmente é de Ronaldo Jacaré! Bom, não custa sonhar…

  • Anderson Tibana

    Se o Bisping defender o cinturão em Londres, as chances de sair vitorioso são grandes, hehe!

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Muita boa análise, eu colocaria o Belfort no bolo da revanche também, se ele vencer o Gastelum vai querer pedir chance com o Bisping, aí o inglês vai querer vingar o olho que ficou detonado, e quem sabe né… mas espero que seja respeitado as vitórias de Romero e Jacaré, e que eles sejam os próximos desafiantes.

  • Saulo Henrique

    Se sou o jacaré, pegando a cinta, peço a trilogia com Camozzi. Se é pra escaralhar, vamos com tudo. Hahaaha.

  • douglas karpinski

    Volto a repetir, Bisping perdeu e perdeu feio pro Handerson nessa ultima luta, a chance de passou pelo soldier of god é bem pequena, não tera a mesma sorte que teve com o luke….

  • il Quasímodo

    Excelente texto! Parabéns!

    Toda vez que penso nos médios me dá uma dor no coração e me sinto um pouco culpado por ter torcido pelo Bisping na luta contra o Rockhold… https://uploads.disquscdn.com/images/e25d8b43283a14c3d2daac93ce63fd30d167a5cd0c0e5e708d8bd9aebcd9f475.jpg

  • Bruno

    Muito bom texto!
    Adorei a parte da Mãe Dinah! hahaha
    Só não consigo ver o Bisping vencer o Romero de jeito nenhum, mas de resto acho bastante provável.

  • Rudá Corrêa Viana

    Romero cansou diante do Tim Kennedy. depois de aplicar uma surra no primeiro round, cansou no segundo e foi praticamente nocauteado em pé. A estratégia do Kennedy de minar o gás do Romero com aqueles chutes na linha da cintura surtiram efeito. Isso aliado com o ímpeto do Romero em acelerar pra terminar a peleja. Romero ficou mais inteligente depois disso. Agora luta com mais calma pra nao cair no mesmo erro (ele tbm passou perrengue com o brunson antes). Talvez o bisping precise fazer algo assim pra vencer. Nao ir pra cima com tudo. Mas ir minando o gás com chutes, até pra manter distância e evitar um nocaute. Não sei se a peleja está tão fácil pro Romero como a maioria diz. Se bisping lutar com uma boa estratégia para não ser nocauteado, poderá levar por ptos e quem sabe até nocautear se o cubano do mal cansar. O problema eh q esse não eh o estilo do inglês, que costuma fazer pressão com volume. Acho q se for assim, a mão vai entrar e o cinturão vira comunista.

  • magnuseverest

    Bisping vs Romero;
    Jaca vs Luke;
    Spider vs GSP;
    Weidman sobe e pega Shogun;
    Mousasi sobe e pega o perdedor de DC vs AJ.

  • Caio Abreu

    Divisao muito empolgante, nao acho que o GSP nao vai pra cima dessa galera tudo depende se o Bisping estará com o ouro nas maos ou não, no mais temos material ai pra animar e bem ate a divisao de cima. Vejo a possibilidade de uma disputa de cinturão interino vem cabivel na categoria, caso as lesoes e principalmente fugas do campeao permanecerem.

  • flavio israel

    As Money fights estão sempre falando mais alto, o UFC tem que ter um equilíbrio se não acaba ficando chato ver caras como Romero ,jacaré ,Demian tendo suas chances adiadas por conta disso.

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