De olho no vice: os pontos altos do Bellator 123

Lucas Rezende | 06/09/2014 às 12:14

Já podemos afirmar que a estreia da 11ª temporada do Bellator foi um sucesso?

Com propriedade, digo que sim. E justifico.

Sob nova supervisão, Scott Coker pôde assistir o desenrolar de seu primeiro card como presidente da companhia e – caso tenha quisto – estourar um champanhe e fumar um charuto comemorativo ao fim da noite.

Separado por 16 km do UFC Fight Night 50 – por sua vez abastecido de estrelas como Ronaldo Jacaré, Gegard Mousasi, Joe Lauzon e Alistair Overeem – o Bellator 123 manteve-se firme sobre seus pés com alguns veteranos do octógono, como Lavar Johson, Cheick Kongo e Dustin Jacoby.

Além de outros ilustres como King Mo.

Sem falar da disputa do cinturão dos pesos-pena.

Patrício Pitbull enfim teve sua revanche após uma decisão contestável contra Pat Curran.

Mas desta vez eliminou quaisquer possibilidades de interpretações dúbias por conta dos jurados, com uma performance categórica sobre o americano.

Comecemos pela glória, então.

Quem espera sempre alcança

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Pitbull levando a luta ao ex-campeão

Demorou por volta de um ano e meio, mas Patrício Freire agora pode dormir em paz.

A angústia da controversa decisão dividida perdida para Pat Curran em janeiro de 2013 enfim dá lugar à tranquilidade de um trabalho não apenas bem feito, mas reconhecido, dessa vez.

Motivado por esse desejo de não só apagar a memória do primeiro embate, mas de alcançar o maior objetivo de qualquer lutador, Pitbull enfileirou quatro adversários até reaver sua revanche.

Três vezes por nocaute.

Dessa vez sem espaço para levantar suspeitas, o potiguar mixou seus golpes com o jiu-jitsu ofensivo para aturdir Curran por cinco rounds e apoderar-se de sua cinta.

Mas como trilogias fazem sucesso e o plantel do Bellator não é tão profundo assim, não me surpreenderia se logo víssemos a dupla duelando pela vez definitiva.

Ainda que não pareça necessário tão imediatamente.

King Mo escapa pela tangente

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King Mo deitando e rolando

Dessa vez o destino facilitou o trabalho de Muhammed Lawal.

Em um carrossel de lesões, King Mo viu dois de seus supostos adversários abandonarem o card há menos de um mês do evento.

Coube a Dustin Jacoby o papel de ser o bobo da corte para seu entretenimento de sexta-feira.

E assim foi.

Em ritmo de treino, Mo capitalizou sobre o oponente despreparado para obter o nocaute técnico nas primeiras instâncias do segundo assalto.

Uma vitória pouco expressiva em termos de relevância, mas importante para colocar um quadrado verde na frente do vermelho de seu último embate, no cartel.

E também para garantir um cheque mais farto, já que Lawal faz questão de estabelecer que sua principal razão para lutar é o pagamento.

Sendo assim, é melhor que consiga espelhar o mesmo desempenho contra os membros mais célebres de seja lá qual categoria ele decida migrar em seu próximo compromisso.

Uma tarefa que vem se mostrando mais árdua do que nós, e ele, antecipávamos.

Bobby Lashley: O Brock Lesnar do Bellator

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Lashley esganando…

Como meu parceiro de site Lucas Carrano  gosta de dizer: Bobby Lashley é o Brock Lesnar do Bellator”.

E isso não é à toa, já que ambos são ex-membros do WWE que encontraram certo sucesso no MMA.

Diferentemente de Lesnar, no entanto, Lashley não foi arremessado às cabeças da maior organização do mundo com apenas uma luta profissional em seu currículo.

E provavelmente nunca será. O que lhe impede se tornar o melhor peso-pesado do planeta, também.

Por outro lado, isto lhe permite construir uma sólida – e provavelmente curta – carreira na arena circular, sem riscos tão perigosos quanto os de enfrentar Cain Velásquez aos 38 anos de idade.

Estreando com um verdadeiro açoite sobre Josh Burns, Franklin Roberto já pode, e deve, ser promovido tanto quanto Lesnar foi quando em seus tempos áureos.

Se funcionou para o UFC, por que não funcionaria para o Bellator? Se existe algo que pro wrestlers sabem fazer, é auto-promoção.

Já facilita o trabalho da equipe de marketing, aliás.

Sagaz como sei que Scott Coker é, já consigo visualizar Lashley estrelando – no mínimo – um co-evento principal em sua próxima aparição.

De preferência contra um nome de peso, como Kongo, já que ambos escaparam ilesos de seus triunfos.

E aí já teríamos pista livre para o cenário do título com o vencedor deste confronto.

Pelo menos é o que eu faria.

O previsível improvável

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Quem diria…

Eis um ótimo exemplo da razão pelo qual amamos MMA.

Junte dois sujeitos que combinam 28 vitórias por nocaute na carreira e tranque-os numa jaula.

Espere pouco mais de três minutos e observe o resultado: um finaliza o outro com um mata-leão.

Fantástico, não?

Só existe uma explicação para isso: nunca se pode subestimar a ruindade do jiu-jitsu de Lavar Johnson.

Trocador assumido e orgulhoso por ser unidimensional.

Até mesmo Cheick Kongo, que não finalizava ninguém desde 2003 (Paul Buentello desistiu por golpes, não conta), conseguiu usufruir da deficiência de seu adversário afoito pelo soco perfeito, como sempre.

Apesar do deslize quando obteve a oportunidade de disputar o cinturão em abril, o francês é dono de um cartel de 4-1 desde que ingressou no Bellator.

Nada mal. Especialmente para alguém que confessou vontade de ser campeão ainda em 2014.

Vamos ver se o novo chefe é generoso com seus subalternos.

  • Luiz Guilherme

    excelente resumo do evento!
    -pitbull lutou mto, dominou amplamente um duro curran. mto merecido!
    -king mo deu seu “show” . vc mencionou, parece que quer descer de categoria, veremos…o king mo depois da infecção que teve nunca mais foi o mesmo
    – quem diria que kongo ia vencer por SUB..achava que venceria mas por DEC

    • Renan Trigueiro

      Texto bom msm. Parabéns Lucas. PS: Cheik Kongo no Metamoris?

      • Lucas Rezende

        Haha, não sei se finalizar Lavar Johnson credencia alguém a se meter em campeonatos de jiu-jitsu, hein.

        • Lucas Pereira Carrano

          Não dá passe livre mesmo, mas certamente é melhor do que finalizar o Melvin Guillard, por exemplo! hahahaha

  • Junior

    Queria ver os irmãos pitbull no UFC, mais o Patrício lutando de 61 e o Patricky no 66, acho que chegavam para dar muito trabalho.

    • Renato Rebelo

      Será que eles conseguem fazer esse corte?

      • will

        Renato, aproveita a volta do Tiago Silva ao UFC e tenta fazer uma entrevista com ele no podcast. Seria legal ouvir a versão dele sobre o ocorrido. Valeu, um abraço!

      • Junior

        Creio que com uma boa dieta eles conseguem sim, no peso deles no UFC não vejo eles com muitas chances. Mais nas categorias abaixo a historia muda.

  • Marcelo Silveira

    E o momento TELECATCH do TITO com o BONNAR, será que vende?

    • Renato Rebelo

      A mim não motiva nem um pouco. Pra quem não viu, segue o momento infame: http://www.youtube.com/watch?v=0gIbWE_PEjQ

      • will

        Realmente ficou muito forçada essa briga deles. Mas eu odeio o Tito Ortiz e me agrada vê-lo ter as nádegas chutadas.

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