UFC Brasília: tudo o que poderia ser, mas não foi

Lucas Rezende | 09/08/2014 às 17:16
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Estrelas do card diante do Congresso Nacional

Quinta-feira, 7 de agosto de 2014.

Me chega a notícia de que o joelho esquerdo do Serginho Moraes obriga o mineiro a abandonar outro UFC.

O Fight Night 51, no próximo mês (13 de setembro) – em Brasília – para ser mais exato.

Uma baixa mais significante do que de costume.

Em outros cards até poderia se esgueirar despercebida, embaçada por nomes de mais peso.

Mas não dessa vez.

Não depois de Joe Riggs ter disparado sua arma contra si mesmo e se atirado para fora do show, também.

Para aqueles que ainda não tiveram a chance de checar as lutas casadas para este dia, faço uma ligeira recapitulação das mais relevantes.

No main event contaremos com a presença de Antônio Pezão, em seu regresso pós-suspensão, e Andrei Arlovski – que fez de tudo para que Dana White questionasse se trazer o bielorrusso de volta teria sido uma boa ideia – depois dos 15 esquecíveis minutos do “Pitbull” contra Brendan Schaub.

Uma revanche com potencial de nocaute. Se formos afortunados.

Para não me alongar por todos os 11 confrontos do dia, resumo-me a apontar o sempre inconsistente, Gleison Tibau, e o discreto Piotr Hallman, com um par de finalizações e uma derrota dentro do UFC, debutantes do co-evento principal.

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PT chega a BSB com seis derrotas em oito lutas

Adicionemos alguns rostos conhecidos ao público tupiniquim, como Santiago Ponzinibbio, Paulo Thiago, Francisco Massaranduba, entre outros.

Apropriadamente emparelhados com estrangeiros de poucas conquistas e temos uma festa.

Se você tiver pelo menos R$ 135,00 sobrando pra ver in loco, claro.

É, o rosto sempre sorridente de Serginho fará falta aos fãs mais casuais, assim como suas habilidades no solo deixam saudade aos aficionados.

Mas o show precisa continuar, e de espetáculo o Ultimate entende.

Afinal, só precisamos dar uma espiada no que o UFC 178, duas semanas depois deste, nos oferece.

Jon Jones, Daniel Cormier, Dominick Cruz (até agora), Conor McGregor, Dustin Poirier, Stephen Thompson, Yoel Romero, Tim Kennedy, Cat Zingano, Amanda Nunes, Bobby Green, e a lista continua.

Pasmem, por um infortúnio ainda não tivemos Donald Cerrone vs Khabib Nurmagomedov!

Então por que uma disparidade tão berrante entre dois cards realizados pela mesma companhia?

Bom, de cara, tiramos logo as respostas mais evidentes: o primeiro será transmitido para os EUA somente pelo UFC Fight Pass e o segundo via pay-per-view.

Uns com tanto...

Uns com tanto…

Mas o que isso significa de verdade?

Dana gosta de dizer que nunca devemos julgar um card antes que ele aconteça, independente de quem se apresentará.

Justo, mas é bastante conveniente que o UFC possa entupir o mesmo com lutadores nativos do país onde o evento ocorrerá, estreantes, e por fim, dois indivíduos um pouco mais famosos para se apresentarem ao término da noite.

A fórmula é perfeita, o saldo de bilheteria de qualquer novo mercado onde o UFC se aventura comprova isso.

E Brasília nunca hospedou o UFC antes, veja você.

Ainda que não deva ser encarado como um produto – pois não será comercializado na televisão – o lucro de ingressos e patrocinadores é real.

Ou seja, pagantes desembolsarão centenas de reais na esperança de assistir combates de qualidade proporcionados por ocasionais faces familiares.

Fica fácil falar que não se deve julgar quando se está do lado onde o dinheiro está entrando.

A capital do maior mercado internacional de uma organização bilionária merecia mais em sua estreia.

E isto poderia ser vantajoso para ambas as partes.

A capacidade de promoção do UFC é reconhecida mundialmente, não precisam se safar com algo tão sem graça quando podem ser grandiosos e deixar o público com uma ansiedade ainda maior pelo próximo evento.

Mas as coisas nunca foram desse jeito.

Seria vergonhoso se não acontecesse com tanta frequência e em tantas partes diferentes do mundo, mas essa reincidência nos acostumou à mediocridade.

Sinto muito que Brasília tenha sido a escolhida como anfitriã para isso logo na sua primeira vez.

Mas me sinto pior ainda de saber que isso acontecerá novamente.

E que todos nós continuaremos a assistir.

Card completo:

Antônio Pezão x Andrei Arlovski
Gleison Tibau x Piotr Hallmann
Léo Santos x Lukasz Sajewski
Wendell Negão x Santiago Ponzinibbio
Iuri Marajó x Russell Doane
Jéssica Andrade x Valerie Letourneau
Godofredo Pepey x Dashon Johnson
Igor Araújo x George Sullivan
Francisco Massaranduba x Efrain Escudero
Paulo Thiago x Sean Spencer
Rani Yahya x Johnny Bedford

  • will

    Não acho o evento tão ruim assim. O preço não está caro se você levar em conta o padrão de vida em Brasília, que é um dos mais altos do mundo! Com 130 conto você não almoça em um bom restaurante de lá. Acho que esse grande número de eventos é exatamente o que popularizou o MMA no mundo. Tanto é assim que o pessoal ainda assiste Bellator, mesmo com o excesso de UFC. Eu não me importo com ranking, campeões, etc. O que me atrai são lutas bem casadas e com apelo de marketing.

    • Jerônimo Jê

      Meu amigo, esta balela de poder aquisitivo não pode ser aplicado para toda a população, até porque fã de mma não se limita apenas a classe A e Boa.. Eu já tive a oportunidade de assistir à outros eventos e agora que acontecerá aqui em Brasília não me sinto muito motivado para ir, devido à tamanho desrespeito com os fãs… Enquanto nós continuarmos pagando o que pedem por eventos medíocres eles vão continuar nos enfiando cards lixo pela goela abaixo…

      • will

        Eu entendo sua opinião, mas eu acho que o preço está de acordo com o custo do evento. No Brasil custa caro (impostos) fazer eventos como esse. Falou.

    • Wadson

      Will tu não conhece Brasília não né ? Viajou legal agora. Evento pra playboyzada aqui tem ingresso mais barato que esse UFC, e convennhamos, essa corresponde a maior fatia do público.

      • will

        Eu sou de Goiânia Wadson, mas conheço bem Brasília. Acho que 130 reais é um preço justo para um evento que só acontece raramente por aqui. O evento de Goiânia lotou, mesmo com ingressos mias caro que esse. Falou, um abraço.

  • Marcelinho

    Esse card ta uma porcaria

  • Renan Trigueiro

    Sem querer ofender, Tibau de co-main não dá. Esse evento não perde nem pra aquele em BH que teve só Wanderlei x Rich Frankin e o pessoal do primeiro TUF.

  • Davi Sean Ribeiro

    Lixo de card infelizmente

  • mazzaropi

    Já vi cards horríveis e depois grandes espetáculos… Cuidado pra não morder a língua Lucas Rezende!

    • Lucas Rezende

      Cara, a questão não é se o card empolgará ou não. Inclusive não desmereço os méritos de nenhum dos lutadores. Mas não posso me afastar dos fatos, já que boa parte realmente conquistou pouco dentro do MMA até agora, enquanto que outros já passaram do auge de suas carreiras, como o Paulo Thiago e o próprio Arlovski.

      Quando me refiro que o UFC em Brasília poderia ser melhor, falo em esfera de espetáculo, mesmo. É a primeira vez que a capital do nosso país sedia o Ultimate, sinto que para os padrões do Dana, eles poderiam arrasar o quarteirão com um card muito mais atratente. Mas deixaram a oportunidade passar.

      E agora tudo que realmente podemos dizer de bom sobre o card é que ele pode acabar sendo uma agradável surpresa. Isso, por si só, já ilustra o quanto abaixo da média ele está

      Mas pode ter certeza que estou torcendo para morder a língua!

  • Walber Gomes

    Fui no Jungle na Mangueira que o card tava pau a pau com este…rs

    • Renato Rebelo

      Hahaha faz sentido, fera!

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