Kyle Kingsbury e o legado do lutador de MMA

Renato Rebelo | 28/07/2014 às 19:59

Aposentadoria sempre foi e sempre será um dos assuntos mais delicados a serem abordados no meio do MMA.

Não faltam exemplos de veteranos que, mesmo com os bolsos recheados, têm verdadeiras crises de urticária quando essa controversa palavrinha pipoca.

Dana White costuma descrever com precisão a atividade com sua tradicional frase “esse é um jogo para jovens”.

Acontece que um manual auxiliando aqueles que dedicaram toda sua vida à causa a simplesmente largarem o osso ainda não foi redigido.

E, acreditem, os seguintes fatores pesam – e muito:

 Vício por adrenalina
Apego à rotina de treinos
Necessidade de performar (obter resultados)
Poder inspirar outrem com seu trabalho
Atenção de fãs e mídia
Facilidades trazidas pela fama

O legado do profissional (qual é a imagem que as pessoas terão de mim?) também costuma fazer parte da equação na hora da despedida.

Vejam o caso de Anderson Silva.

Na boca pequena, dizia-se que o Spider estava 100% saturado da vida de lutador e abandonaria o octógono após a primeira luta contra Chris Weidman.

Duas derrotas e uma fratura depois, o ex-campeão espuma por redenção.

Duvido, também, que os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, que construíram carreiras super vitoriosas, aceitariam dar tchau após nocautes tão traumáticos (impostos por Roy Nelson e Anthony Johnson, respectivamente).

Cummins descendo a mamona

Cummins descendo a mamona

Até aqueles que não gravaram o nome para a posteridade ficam indóceis com a inatividade e pedem outra chance ao papai careca.

Kyle Kingbury, meio-pesado da American Kickboxing Academy, pediu as contas em setembro de 2012 após ser surrado, em sequência, por Jimi Manuwa, Glover Teixeira e (pasmem) Stephan Bonnar.

Não contente pelo fato da maior vitória de sua carreira, contra Fábio Maldonado, não ter apagado a pataquada que fez em rede nacional (largou sêmen no sushi Phillipe Nover no TUF 8), o cabrunco voltou à ação no UFC on Fox 12 do último sábado para um último tiro.

Infelizmente (pra ele), Patrick Cummins, o famoso leão de academia, mostrou, com placar raríssimo no UFC (30 a 24 – segundo um dos jurado), que, às vezes (digo, sempre), é melhor segurar a chacrinha (ou raciocinar) a ficar marcado por episódio tão deprimente (talvez, o mais baixo de toda a história do reality show).

Essa foi, definitivamente, minha última luta. É o suficiente. Não faz sentido apanhar mais”, analisou Kingsbu.

Afinal, nem todo mundo tem capacidade e/ou força de vontade para construir um castelo sólido ao longo dos anos.

Abraços.

  • Rubens Rodrigues

    Renato, estou passando por um fim de um relacionamento.
    Acho que são basicamente a mesma coisa. hehe
    É tipo como largar um vicio, abandonar uma coisa que era o sentido da sua vida, uma coisa que você vivia só pra ela, aquela coisa que só ela te fazia feliz… e sem tudo isso… é muito difícil de viver, digo, quando você perde tudo isso.
    Não sei se deu muito bem pra entender, mas… é bem difícil, ainda mais quando não tem escolha: é largar ou largar. :'(

    Grande abraço!

    • marcos

      hehehehehe!!!

      • Rubens Rodrigues

        Ah, Marcos… eu estou quase morrendo por ela :'(

        • marcos

          Eu te entendo cara, realmente essas coisas são bem tristes e complicadas de lidar mas você vai superar isso e encontrará uma outra pessoa que irá te fazer feliz. Infelizmente isso faz parte da vida. Força irmão!!!

    • Renato Rebelo

      Essas coisas são complicadas, mas ainda há muita vida pós-término de relacionamento ou aposentadoria. Rubão, força aí, guerreiro – e nada de “macular o cartel” para afogar as mágoas! hehehe

      • Rubens

        Perfeito!
        Valeu Renatão! Muito obrigado mesmo!
        Pode deixar. hehehe

    • Rodrigo Purgato

      Pow cara até me emocionei.

    • Tiago Assis

      Força irmão!

      • Rubens

        Valeu irmão! <3

    • Andre Nishimura

      Força guerreiro …. todos nós passamos por isso e graças a deus pra amar nossa idade não pesa como no MMA, e sempre haverá uma outra chance de conquistar um novo cinturão (novo amor) !!! Osss

    • Antonio

      Um relacionamento comparado com a aposentadoria de um lutador… kkk?

      Vem cá! Me dá um abraço!

      • Antonio

        Pelo menos no caso do Kings o UFC não vai tentar tirar tudo que ele tem… kkk! (Alusão a tradicional separação de casais!)

  • William Amaral

    Ótimo texto. Conseguiu resumir os muitos sentimentos de uma despedida forçada e dolorosa.

  • marcos

    Infelizmente a aposentadoria faz parte, e por mais que o “Kingsbu” não seja um lutador com uma apelo midiático e qualidades técnicas de se chamarem atenção, é um pouco triste vê-lo se aposentar( principalmente desta forma). Ótimo site e mais um grande texto Renato.

    • Renato Rebelo

      Obrigado, fera!

  • Zeca

    Rebelo, o 30 x 24 acho que não é inédito não, foi dado por um dos juízes na luta do james bond contra o nam phan

    • Renato Rebelo

      O Vaughan Lee, fera? Foi 30 a 27, 30 a 27 e 30 a 26. 30 a 24 só vi fora do UFC, mas se vc lembrar de outro, eu corrijo e boto o seu crédito!

  • Luiz Guilherme

    Excelente texto renato. Aqui no Brasil essa dificuldade de se aposentar foi acentuada pelo boom que tivemos no esporte após aquela luta entre o Anderson x Belfort. Vejo que alguns lutadores consagrados da época do pride só continuam por causa disso na minha opinião.

    • Plinio Salgado

      Lutar ainda rende uma ótima renda com excelente custo benefício! Acredito que o plano econômico também pese, fora que muitos fizeram isto a vida toda e não deve ser muito fácil parar não… Eu que nunca lutei ainda tenho vontade de me testar.

  • Cão

    O UFC é discrepante, discordante e irritante!

    Veja, a decisão de parar é do lutador, mas insistir ter um lutador que só perde na folha de pagamento realmente não mostra que é o campeonato mundial do MMA!

    Atenção: Lembro mais uma vez que o UFC é quem criticava o Pride por ter lutas “freaks”, mas fazer um Couture x Toney ou manter Leonard Garcia por 5 derrotas seguidas é o quê?

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