UFC on FOX 12: em quem botar uma graninha?

Renato Rebelo | 25/07/2014 às 22:03

O UFC retorna à televisão aberta americana apostando em card sem popstars – mas com duelos manufaturados de forma meticulosa para agradar os telespectadores da Fox.

Sendo assim, seis top 10 e cinco brasileiros trabalharão neste sábado, a partir das 17h30 (horário de Brasília) em San Jose, Califórnia.

Boa oportunidade para este velho jornaleiro arriscar aqueles bicos de fora da área.

Vamos a eles:

LAWLERRobbie Lawler (-337) x Matt Brown (+ 315)

Todo burburinho acerca desta disputa pelo posto de desafiante número um da categoria até 77kg é justificável. Afinal, falamos de dois brutais pistoleiros que, juntos, deixaram 31 corpos estirados no chão em suas carreiras. Em comum, Brown e Lawler não trazem pra mesa apenas altas taxas de mortalidade (respectivamente, 4,13 e 3,41 golpes desferidos por minutos e 69 e 57% de efetividade em golpes significativos), mas ambos também estão acoplados a queixos de titânio (Brown jamais fora nocauteado e Lawler caiu apenas para Nick Diaz, em 2004). Ou seja, a dupla confirma a velha máxima de que a melhor defesa é o ataque. A sutil diferença entre eles está no fato do Imortal, de 1,83m de altura e 1,91m de envergadura, jogar mais na média distância – aproximando-se apenas para concluir combos com joelhadas- e o “Ruthless”, mais baixo (1,79m) e de menor envergadura (1,87m), precisar partir pro infight para aterrissar sua mão direita, amaldiçoada por cultos satânicos em cemitérios indígenas. A fase de ambos também é dourada. Desde que retornou ao UFC, o produto da American Top Team atravessou todo mundo e só parou (questionavelmente) no campeão, Johnny Hendricks. Já o barbudo não sabe o que é perder desde novembro de 2011 e sua série invicta inclui surras em Erick Silva, Mike Pyle, Jordan Mein, Mike Swick e Stephen Thompson. Resumindo, vou recorrer à minha combalida intuição. Lawler, um dos mais violentos pegadores vivos, evoluiu muito tecnicamente nos últimos anos (não falo apenas de defesa de quedas, mas de combinações de mão e, principalmente, movimentação) e intimidará Brown que, estranhamente, não bateu o peso pela primeira vez na carreira, a jogar no contragolpe (fora do seu elemento). Palpite: Morte do Imortal pela mão do Impiedoso no quarto round.

JOHNSONAnthony Johnson (-500) x Rogério Nogueira (+468)

Nos últimos 18 meses, enquanto Minotouro só pôde suar a camisa em sessões de fisioterapia, “Rumble” demoliu três caboclos que cruzaram seu caminho. Enquanto o brasileiro, de 38 anos, admite publicamente que, neste sábado, ou vai ou racha, Anthony, de 30, vende saúde e jovialidade por aí. É verdade que o irmão gêmeo de Rodrigo Nogueira é mais refinado tanto em pé (lembram da medalha de bronze nos Jogos Pan-americanos de 2007?) quanto no chão, mas, o nivelamento do MMA atual faz a vantagem física (falo de força, timing e velocidade) pesar demais a favor do Blackzilian. Para piorar, Johnson ainda controlará o meio-campo (ele é um wrestler de ofício) e, caso tudo não esteja à sua feição, quedas oportunas podem lhe garantir rounds… Palpite: Johnson, num justo 29 a 28.

GUIDAClay Guida (+163) x Dennis Bermudez (-161)

Se o cabeludo ex-carpinteiro leva vida exótica fora da jaula (ele mora num trailer e viaja o país atrás de shows de rock), dentro dela, Guida se transforma num pragmático homem de negócios. Sem dar sopa pro azar (mesmo que isso signifique correr da luta por 15 minutos, como fez contra Grey Maynard), o cara é craque em descarrilhar strikers excitantes e jiujiteiros habilidosos com seu manjado (e eficaz) jogo de abafa. Curiosamente, A Ameaça é um peso pena que bate como um caminhão e, mesmo treinando com o faixa-preta da Nova União Marcos Loro, não é muito chegado a se embolar no chão (prova disso é que todas as suas três derrotas foram por finalização). Preciso dizer mais? Palpite: infelizmente, Guida, o cobertor, que, desde 2007 não perdeu para ninguém que não tenha disputado ou conquistado um cinturão, anulará outro jovem promissor.

Card completo:

Matt Brown x Robbie Lawler
Anthony Johnson x Antônio Rogerio Nogueira
Dennis Bermudez x Clay Guida
Bobby Green x Josh Thomson
Daron Cruickshank x Jorge Masvidal
Patrick Cummins x Kyle Kingsbury
Tim Means x Hernani Perpétuo
Mike De La Torre x Brian Ortega
Akbarh Arreola x Tiago Trator
Noad Lahat x Steven Siler
Gilbert Durinho x Andreas Stahl
Juliana Carneiro Lima x Joanna Jedrzejczyk

E vocês, amigos, como enxergam esses casamentos?

Abraços.


  • Flávio

    Rabelo…seu texto é demais. Frases como “dois brutais pistoleiros que, juntos, deixaram 31 corpos estirados no chão” e ” precisar partir pro infight para aterrissar sua mão direita, amaldiçoada por cultos satânicos em cemitérios indígenas” são pra deixar o dia mais incrível. Além disso, gostaria de dar parabéns por seu ultimo podcast. Vc teve a coragem de levantar debate sobre o uso de anabolizantes que foi demais. Parabéns!!!!

    • Renato Rebelo

      Hahaha muito obrigado, Flávio! Tento dar uma descontraída.

  • William Amaral

    Legal, só acho q o Lawler acaba com a luta antes e com chute no corpo. Creio também que o Minotouro não conseguirá vencer nenhum round.

  • Roberto Brandão

    Discordo na luta do Lawler. Acredito que ele vá acabar com o Brown ainda no primeiro round. Todos os outros adversários do Brown não souberam aproveitar o momento, em que o Brown sente os bodyshots e capitalizar em cima. Após a luta contra o Erick Silva, isso ficou mais que exposto para os próximos postulantes, e acredito que para um atirador de elite com a experiência e frieza do Lawler, o Brown vai sucumbir à uma apresentação de gala do futuro campeão da categoria.

    • Se Lawler-Brown acabar no primeiro round, vou ficar muito desapontado… isso é pau pereira pra 25 minutos.

  • Andre Nishimura

    Rebelo sempre manda umas frases épicas, geniais manow hahahahaha ….

    • Renato Rebelo

      Valeu, Andrezão. Vou tentar criar umas novas hahaha

  • Tiago Nicolau de Melo

    Deu um moral pro Brown, heim? Acredito que veremos ele apagado pela primeira vez, até o 3rd round. Johnson não deve deixar o Touro Sentado e sim deitado (tentando soar engraçado como o autor). Na torcida pro Durinho “queimar” o Stahl.

Tags: