Considerações Finais: a leitura do UFC FN 46

Lucas Rezende | 19/07/2014 às 20:20

19 de julho de 2014. O dia que instantaneamente entrou para a história como o mais importante para o MMA irlandês até hoje.

Um card com quatro representantes legítimos do país, além de um vizinho, da Irlanda do Norte, no qual todos deixaram o octógono triunfantes.

Eternizados não só nos registros, mas nos berros e coros do típico “olê, olê, olê”, das arquibancadas lotadas da O2 Arena, em Dublin.

Até chegarmos ao culminante ponto da noite, o regresso e a coroação do príncipe Conor McGregor diante seu povo.

Abram alas, o Notório chegou

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Conor sendo ovacionado pela massa

Há mais de cinco anos e meio o UFC não realizara um evento na Irlanda.

A escassez de talentos rentáveis com quem o povo pudesse se identificar era um contratempo terrível para abordar o novo mercado.

Lutadores como Tom Egan e Marcus Davis poderiam carregar a cultura, mas não a habilidade e o carisma que Conor McGregor trouxe à tona.

Isto permitiu que, com pouco mais de um ano de casa, o Notório já se senta mais à vontade para “beber um uísque com Lorenzo Fertitta” do que atletas bem mais calejados e com anos de carreira somente no UFC.

Autoconfiança e extroversão são essenciais para garantir o emprego neste ramo. É a boa e velha lei da atração.

O triunfo sobre Diego Brandão era aguardado, embora não possamos esquecer os recorrentes problemas de condicionamento físico que o brasileiro apresenta em todos os seus combates e não se dá o trabalho de corrigir.

O que nos leva a pensar, num ponto de vista lógico, que Conor ainda precise de um desafio menos perigoso antes de ser arremessado ao poço do Top 10 da categoria.

Sua popularidade, no entanto, provavelmente se virará contra ele mesmo quando se vir diante de um grande oponente, com apenas três lutas na firma.

É evidente que o momento possa ser perfeito para que o irlandês se estabeleça de vez como o fenômeno que afirma ser.

Mas também pode fazer com que seu castelo celta, que levou anos para se erguer, desmorone sobre sua própria cabeça.

Vá procurar alguém do seu tamanho

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A celebração do islandês

Assim como contra Jorge Santiago, a pureza da técnica de Gunnar Nelson o salvou de uma mancha em seu cartel impecável.

Claramente um peso-leve, o islandês encontrou dificuldades para lidar com um óbvio peso-médio, em diversas ocasiões.

Para sua felicidade, ele ainda possui um dos jiu-jitsus (e caratês) mais apurados de toda a organização.

Mas a pergunta paira: o que acontecerá com Gunnar Nelson quando se encontrar de frente com combatentes tão imensos quanto Cummings, mas que possuem a aptidão para enfrenta-lo em pé de igualdade (tanto em pé quanto no chão)?

Me refiro a verdadeiros monstros da genética como Tyron Woodley ou Rory MacDonald.

Até quando Gunni poderá brincar de Frankie Edgar até que ele encontre seu próprio Benson Henderson?

Tarde demais

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Contragolpe certeiro

É sempre imprescindível que existam lutadores empolgantes. Independente de sua relevância em relação ao título.

Os atletas que se empenham para entreter sempre encontrarão espaço sob os holofotes do UFC. Outrora tivemos nomes como Chris Lytle, Chris Leben, etc.

Hoje temos outros como Joe Lauzon, Donald Cerrone e, irrefutavelmente, Brad Pickett.

O inglês nasceu um pouco cedo demais para poder tirar proveito da inclusão da divisão dos moscas no maior evento de MMA do mundo.

E ainda demorou mais dois anos para fazer a migração.

Vencer Neil Seery (chamado em cima do laço) até foi uma boa estreia, mas Pickett passou por adversidades para derrotar um debutante, com um então cartel de 13-9, e isso não pode ser ignorado.

Não poderíamos nos surpreender se a derrota viesse mais cedo do que tarde.

Perto de completar os 36 anos de idade, só podemos esperar de Brad o que ele mais nos ofereceu por toda a sua carreira.

Empolgação. E isso não pode ser condenado.

Enquanto isso, Ian McCall, muito mais rápido e atlético no duelo de hoje, finalmente parece ter espantado os maus espíritos.

Há dois anos no UFC, somente agora emplacou seu segundo triunfo na organização.

É um longo caminho de recuperação para o “Uncle Creepy”.

Revezes para o campeão Demetrious Johnson e Joseph Benavidez devem deixá-lo de fora de qualquer disputa de cinturão por, pelo menos, mais duas exibições.

E isso tudo porquê ele decidiu fazer umas gracinhas quando poderia ter nocauteado “Mighty Mouse” ainda no primeiro confronto entre ambos.

Alguns só aprendem da pior maneira possível.

Ainda não, Stormin Norman

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Parke liquidando a fatura

Mais alguém notou uma assombrosa similaridade entre o combate de Norman Parke e Naoyuki Kotani, e o confronto de Erick Silva e Takenori Sato?

Dois representantes da casa que receberam, meio que de presente, japoneses bem abaixo do nível.

A única diferença foi Parke ter levado dois rounds para despachar o seu.

Mas pelo menos definiu a luta, o que já é uma novidade para ele.

Após o decepcionante empate contra Léo Santos, o britânico retornou ciente de que precisava acabar com a série de decisões ou nunca seria levado a sério.

O tempo que Norman levou para nocautear Kotani, que parecia ter aceitado a luta com uma semana de antecedência, serviu para expor o quanto ele ainda não está pronto para o próximo patamar, mesmo tendo desafiado Diego Sanchez em seu discurso pós-luta.

Provocar um lutador conhecido, mas muito após o seu auge. Que maneira inovadora de buscar reconhecimento.

  • Renan Trigueiro

    Curti esse formato proposto pelo Henry – que é diferente do do Rebelo, mas tb é bacana. Só discordo quanto a descida de peso do Nelson. Acho que no meio-médio ele mantém a vantagem na agilidade e nos leves ele sofreria mt pra perder mais sete kg.

  • Eduardo Marques

    1- McGregor sujo ao chutar o Brandão na hora de tocar as luvas
    2- Brandão não queria luta e desistiu rápido demais, sem nem experniar
    3- McGregor tomar uma surra de qq top 5

  • Cristiano

    Olha…pelo que vi, acho que McGregor tem altura, envergadura e técnica suficientes pra num futuro bem próximo engrossar o caldo contra os tops da categoria. É falador? Sim! Mas mediano como Sonnen ele não é.

    A pareceria com o Gunnar vai render muitos frutos. Não sei, quando vejo caras assim, sinto um certo desgosto pelo Junior Cigano. A impressão que eu tenho é que ele ficou deslumbrado com a fama repentina. É mais fácil encontrar o cara no programa da Luciana Gimenez do que na academia treinando. Sou fã, mas não vejo ele tentando se reinventar pra diminuir essa distância gigante que o separa do Cain. Uma pena.

  • Dan Mendes

    Concordo que o Gunnar poderia baixar para os Leves, agora dizer que ele encontrou dificuldade na luta é exagero. Em nenhum momento ele esteve a ponto de perder, em nenhum momento ele esteve atrás em pontos e finalizou a luta ainda no 2R.

    Ian aceitou a luta com o Jonh acho que será um TE duplo.

  • Leo Ferreira

    Não me surpreendi com o resultado do main-event de ontem, por um lado eu acreditava que Diego teria condições de dar trabalho por uns 3 rounds à McGregor, mas The Notorious não tomou conhecimento e como disse no post anterior, TKO 1st Round! Conor será o próximo campeão, só espero que Aldo seja lightweight antes.

  • Tiago Nicolau de Melo

    Acho (só acho) que o UFC não é bobo de colocar o Notório contra um top 5, ainda. Mas é onde ele deveria ser testado, pq pegando galera do Top 15 vai sobrar, sempre. Não acho que tenha jogo pra Chad, Edgar, Zumbi, Swanson, Poirier (que intimou ele no Twitter).

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