Estaria o estrelato de Conor em xeque na Irlanda?

Felipe Paranhos | 16/07/2014 às 00:59
Brimage recebendo a pá de cal

Brimage recebendo a pá de cal

Vocês já estão cansados de ouvir e ler que o UFC vive uma crise de estrelas.

Não à toa, há duas semanas, Joe Rogan foi o porta-voz de uma das ações mais ridículas e desesperadas da história do Ultimate, quando o comentarista propôs a uma Ronda Rousey de mão cortada a missão de salvar o UFC 176.

Ela recusou (após aceitar publicamente), Frankie Edgar preferiu cuidar de sua filha pequena, outros lutadores de ponta já tinham lutas marcadas, e a organização teve que cancelar o evento.

É neste contexto que Dana White e os irmãos Fertitta depositam suas esperanças num ruivo presepeiro da Irlanda.

Conor McGregor tem só duas lutas no UFC e já fez mais barulho do que muito veterano.

Com boxe afiado (mixado com caratê) e seu jogo de pernas esperto, nocauteou Marcus Brimage; depois, dominou o trocador Max Holloway com facilidade.

Mas, se os adversários não eram tão credenciados, o próprio McGregor se encarregou de crescer sozinho dentro da empresa.

De autopromoção, ele mostrou que manja: provocou um, criticou outro e sobrou até pra José Aldo.

Ele é básico. Sua movimentação é limitada. Ele não faz movimentos criativos. Não há nada que me salta aos olhos quando o vejo lutando. Sempre achei isso. Muitos caras acham que ele é isso ou aquilo, mas eu certamente não acho. Essa luta vai acontecer e eu vou provar o que estou dizendo”, mandou o bocudo em março.

E técnica não falta.

Apesar de mostrar falhas em seu jogo, o irlandês é jovem (25 anos), promissor e de um mercado em que o UFC não é forte.

Eis a receita perfeita para virar uma estrela do Ultimate hoje em dia.

D9DE819D06CF04DA2D674293C59E

Hollaway sendo castigado

Não à toa, o cara já conseguiu levar um evento pra Dublin.

Isso porque, em outubro passado, Cole Miller pediu por ele após vencer Andy Ogle e acabou atendido.

(Antes de seguir, um parêntese: vocês estão de acordo que, às vezes, os matchmakers “dão” umas lutas pra fazer o cara crescer na categoria, certo? E que às vezes um cara perde uma luta e recebe uma pra ganhar? E que às vezes o cara perde e recebe outra pra perder novamente e ser demitido? E que isso às vezes faz do esporte algo ainda mais interessante, já que a técnica e o talento muitas vezes suplanta isso? Se quiserem, dou alguns muitos exemplos disso semana que vem).

Agora vocês vão entender o porquê do parêntese: Cole Miller veio a calhar para os interesses do UFC.

Quando o Ultimate aceitou o pedido do Magrinho da American Top Team, não foi ele quem ‘ganhou’ Conor, mas Conor que ganhou Cole de presente.

Acompanhem o raciocínio: o irlandês estreou contra Brimage, um desconhecido proveniente do TUF; depois, pegou Max Holloway, com dez centavos a mais de nome, mas ainda novo e verde em vários aspectos do jogo; agora, teria pela frente um cara que, para o grande público, é mais conhecido, além de ser um veterano da organização.

Mas não foi por isso que Miller era um presente pra Conor.

É porque o irlandês destroçaria o americano.

Apesar de ser monstro nas finalizações, Cole frequentemente se entrega à trocação por vontade própria – e normalmente se dá mal-ou por não conseguir derrubar – e normalmente se dá mal.

Trunfo do irlandês: treinos com Gunnar Nelson

Trunfo do irlandês: treinos com Gunnar Nelson

Por não ser um cara decorado nas quedas e não saber usar tão bem sua envergadura, Magrinho provavelmente teria dificuldade com a movimentação heterodoxa de McGregor.

E, tcharam, lá viria outra vitória de Conor, com aquele trash talk no microfone e muitas manchetes nos dias seguintes.

Com a lesão de Miller, calhou de Conor enfrentar um cara que, no papel, tem o perfil mais ou menos parecido com o do seu ex-adversário.

Diego Brandão também é versadíssimo no jiu-jitsu e não é craque em pé – apesar da mão bem mais pesada.

Só que outras características ameaçam os sonhos do UFC: Ceará traz a bagagem de wrestling de quando treinou na Jackson’s MMA (hoje, ele está baseado em Santo Antônio, Texas) e pode ser um excelente parâmetro para o ainda não testado chão do irlandês.

Há um ano, Brandão, campeão do TUF 14, castigou Daniel Pineda com quedas durante os três rounds.

Em sua luta seguinte, Diego chegou a conseguir levar Dustin Poirier, que tem bom takedown defense – 64% no UFC- para o chão, antes de acabar sucumbindo à melhor trocação do rival.

Se por um lado Poirier era claramente um passo maior do que a perna do Ceará, por outro acabou dando uma boa noção do caminho que o brasileiro deve tomar com McGregor.

Se o favorito Conor (-344) espera um lutador do nível de Miller, provavelmente vai se enganar.

Nocaute. No primeiro round. Devastador. Não pisque. Diego Brandão não vai aguentar a pressão que irá sofrer. Ele não está preparado para mim. Na verdade, ninguém está. Mas ele ousou vir no meu quintal aqui me desafiar. Admiro a sua coragem, mas ele vai pagar o preço por ela”, afirmou o barbudo em entrevista ao Combate.com.

É aí que Diego pode surpreender no Fight Night 46 deste sábado.


  • Leo Ferreira

    Não acredito que Diego possa surpreender, acho que o momento agora é do Conor e essa luta deve terminar com um TKO no 2° round no máximo. McGregor é uma aposta de fazer uma estrela dentro da categoria mesmo, até pq ele já tinha certa fama na Europa, justamente o mercado que o UFC mais quer conquistar no momento. Em mais uma luta, já vejo McGregor arrepiando um title-shot, seja lá quem for que esteja segurando o ouro.

    • Felipe Paranhos

      Eu também acho que Conor vai ganhar. Mas não descarto Diego, não. 🙂

  • Renan Trigueiro

    Acho que o hype do Conor tá tão grande (e o apoio local tb) que ele vai levar essa, mas acho que se ele pegar o Poirier na sequência (como vc sugeriram no podcast), ele se arrasa.

  • Marcelooo

    Nocaute do Ceará e Irlanda caladinha!

  • Ricardo Maia

    Esse sujeito fala demais pra quem acabou de chegar. Apanha pra qualquer top e é bem capaz de levar uma surra do Brandao

  • Eduardo Fernandes

    Excelente texto,se o connor não se ligar o ceara acaba derrotando ele,agora uma brexa que connor certamente vai usar e se aproveitar do gás limitado do diego se ele partir pro K.o como fala vai se dar mal,acredito q ele cozinhe a luta e la pro terceiro,quarto round quando o gás do brandão não existir mais nocautear.

  • Andre Fausto

    No Fantasy apostei em McGregor por nocaute no segundo round. Diego sempre deixa a desejar no gás, não deve lutar até o quinto round. Mas se o brasileiro ganhar, vou ficar muito feliz em queimar a língua.

Tags: , ,