Pensando alto: a análise informal do UFC FN 44

Lucas Carrano | 29/06/2014 às 13:15

Fala, galera do Sexto Round. Que dia este sábado, 28 de junho, hein?

Logo cedo, o surpreendente UFC Fight Night 43.

Em seguida, a sofrida vitória brasileira sobre o Chile na abertura das oitavas de final da Copa do Mundo.

Pra fechar a noite, e abrir a madrugada, teve ainda o UFC Fight Night 44.

Aliás, já que mencionei no primeiro “Pensando Alto” do dia que estaria no Mineirão, peço aos amigos que revejam várias vezes a disputa de pênaltis e constatem como mentalmente empurrei a última cobrança, do defensor Jara, para a trave.

Recuperado da catarse vespertina, já estou devidamente recomposto, e deixo a seguir a análise do evento em San Antonio, que definiu o próximo desafiante ao cinturão dos penas:

CUBCub Swanson x Jeremy Stephens

Em dias como os de hoje, de grande equilíbrio técnico e pouca disposição a arriscar, não dá pra deixar de comemorar quando uma luta entrega tudo aquilo que promete. E foi exatamente isso que fizeram os protagonistas. A tônica do confronto foi a esperada: Swanson movimentado-se freneticamente, enquanto Stephens, mais estático, apostava no reconhecido poder de nocaute. Além da agilidade, Kevin Luke (nome verdadeiro de “Cub”) ainda exibiu uma ampla gama de golpes, que incluiu um insistente paranauê da meia-luta de compasso – que lembrou o Cezar Mutante do TUF Brasil 1. Melhor pra quem ouviu os conselhos do Renato Rebelo e investiu sua grana na velocidade sobre a força. Dana White ainda caguetou que Stephens poderia ter fraturado a mão direita, o que minaria completamente seu ponto forte, e isso explica porque “Lil’ Heathen” foi caçado de maneira impiedosa no octógono pelo produto da Jackson-Winkeljohn na segunda metade do combate. Com sua série vitoriosa ampliada para seis triunfos consecutivos, Cub se credenciou para disputar o cinturão até 66kg – e tentar apagar o fantasma da joelhada voadora em oito segundos no WEC, caso José Aldo mantenha o título em agosto.

Seis vitórias seguidas! Vocês acham que eu mereço uma disputa de cinturão ou não? – mandou Swanson, só na retórica, em sua entrevista logo após a luta, para ouvir a aprovação do público presente no AT&T Center.

KELVINKelvin Gastelum x Nicholas Musoke

Gastelum se colocou numa situação complicada para o duelo contra Musoke ao deixar de bater o peso pela segunda vez consecutiva – desta vez, a “passada de fax milagrosa” não resolveu a pendenga no tempo de tolerância. Pressionado, e com um desfalque garantido de 20% no contracheque, o norte-americano tomou um baita calor do parceiro de Gustafsson no primeiro round – seja na trocação, no chão ou até, surpreendemente, nas quedas. Mas o jovem campeão do TUF 17 usou muito bem o minuto de intervalo, fez boa leitura do acontecido e voltou com outra postura. Conseguindo encurtar a distância com facilidade, Kelvin acuou o sueco nos dois últimos assaltos e mostrou muita inteligência na escolha das combinações – com boa variação de ângulos e a inclusão pontual de chutes baixos ou na linha de cintura. Após seu nono triunfo consecutivo, o invicto Gastelum deu mostras de que deve retomar a parceria com o nutricionista Mike Dolce em breve.

Eu quero me desculpar por não ter batido o peso ontem. Não há justificativa pra isso. Quero me desculpar com o UFC, com o Joe Silva… Estou realmente desapontado com o que aconteceu – disse no octógono o atarracado Kelvin, que ainda reforçou a declaração na coletiva de imprensa.

MUTANTECezar Ferreira x Andrew Craig 

Há poucos dias, Mutante preocupou ao afirmar que a derrota para CB Dollaway foi fruto apenas da sorte. No octógono, diante de Andrew Craig, que é onde a coisa vale de verdade, o campeão do TUF Brasil se desmentiu. Sem o afobamento demonstrado em Natal, Cezar controlou muito bem a distância durante a maior parte do combate, não se expôs de maneira desnecessária e conseguiu as quedas nos momentos certos – algumas delas com estética cinematográfica. Cria da Blackzilians, o paulistano contou com Vitor Belfort e Gilbert Durinho sempre precisos no seu corner, embora em algumas vezes resistisse a ouvir as instruções da dupla – como no caso da insistente mão esquerda abaixada. No fim do combate, já derrotado por pontos, Craig justificou a cautela do brasileiro ao acertar um canelaço que fez o brasileiro ver estrelas (Rafael Sapo já havia caido na mesma armadilha). Grogue, Mutante venceu por decisão unânime, mas deixou a arena sem saber se estava em San Antonio ou na festa de Santo Antônio.

Foi uma luta muito dura, o Andrew valorizou demais o resultado. E no final ele conseguiu inverter a posição e veio impetuoso pra cima. Eu tentei manter a distância e controlar a luta ali (no fim) – analisou Mutante na coletiva pós-evento.

LAMASRicardo Lamas x Hacran Dias 

Hacran já começou a luta mostrando que estudou bem a “Apostila Ricardo Lamas”, produzida sob medida pela Nova União para a última defesa de cinturão de José Aldo, e capitalizou bem com alguns chutes baixos. Mas, como há algumas léguas entre a teoria e a prática, o brasileiro foi pego primeiramente pelo volume de jogo superior do “Bully” na trocação, em meio a uma movimentação insana, e posteriormente pelo wrestling do ex-desafiante, que o manteve na grade quase por toda a reta final do combate. Ao fim dos 15 minutos, após sua vitória por decisão dos juízes, o multicultural Lamas – filho de cubano com mexicana e nascido nos EUA – explicou a motivação de sua adaptação estratégica ao longo do confronto.

A luta foi como tão boa quanto eu esperava, mas acho que eu posso ter quebrado minha mão no primeiro ou no segundo round – revelou o casca grossa da MMA Masters.

HESTERClint Hester x Antonio Braga Neto

Neste duelo striker x grappler, surpreenderam algumas opções de Braga Neto – que, com a experiência no jiu-jitsu de quem já tem mais títulos na modalidade do que Chael Sonnen tem substâncias ilegais em seus exames antidoping, praticamente não tentou as transições do ground and pound para tentativas de finalização. Visivelmente mais cansado a partir do segundo assalto, Neto não conseguiu repetir nas parciais finais a boa atuação do primeiro round, quando marcou o tempo do adversário e conseguiu levá-lo ao chão até com certa facilidade. Mesmo diante da evidente queda de rendimento físico do brasileiro, ao contrário dos juízes, vi vitória de Braga Neto. Bônus de bizarrice para o “cascudo no ar” de Hester, primeira escolha de Jon Jones no TUF 17, que o fez cair ao chão devido à força empregada e deixou-o por baixo de um às na arte suave. No fim das contas, saiu barato.

Abraços!


  • Jorge Anderson Winchester

    Correção: Kevin Luke pode ser desafiante dos Penas, não dos leves!
    Igualmente a vitória do Aldo sobre o Mendes foi a vitória em cima do Cub, não creio em facilidade numa revanche.
    Velasquinho vai voltar a trabalhar com o Dolce, acho que não terá problemas em bater peso de novo!
    Mutante é até talentoso mas, não tem mostrado muita coisa…

    • Lucas Pereira Carrano

      Jorge,
      Perdão pelo ato falho, arrematei o texto já na alta madruga depois de uma maratona que começou às 4 da matina pro UFC FN 43, teve um jogo alucinante no Mineirão, uma viagem de volta pra casa e terminou neste evento. A informação inclusive está correta no lead, mas realmente equivocada mais abaixo. 😀

      Sobre a parceria Lil’Velasquez + Mike Dolce, é óbvia a tendência a melhorar o corte de peso do campeão do TUF, mas vale lembrar que os dois trabalharam juntos no UFC 173 e o lutador só bateu o peso no fim do prazo-limite – e com aquele episódio bizarro da shitada.

  • Renan Trigueiro

    Hahaha boa Lucas! Mutante saiu atordoado msm e sei lá, não consigo botar fé nele. Quanto ao Braga Neto, tb acho que foi garfo.

  • Marcelinhooo

    O que adianta ganhar seis e apanhar de todos os todos? Swanson vai tomar outra surra do Aldeus!

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