UFC Fight Nights 43 e 44: em quem botar uma graninha?

Renato Rebelo | 27/06/2014 às 16:50

Sabadão de rodada dupla no UFC.

Primeiro, de manhãzinha, Auckland, Nova Zelândia, recebe o oceânico James Te Huna e sua trupe.

À noite, do outro lado do globo, será a vez de Santo Antônio, Texas, testemunhar o nascimento do novo desafiante número um do peso pena.

Boa oportunidade pra este jornaleiro abordar as lutas principais com belos chutes de fora da área, não?

Vamos lá:

Fight Night 43 (Nova Zelândia):

NUM1Nate Marquardt vs. James Te Huna

Se por um lado Deus, via sonho maroto, orientou Marquardt a retornar aos médios (sim, ele disse isso), o ortodontista de Te Huna o proibiu de competir entre os meio-pesados – temendo que outra bomba, como a de Maurício Shogun, mandasse o maxilar do cliente pro espaço. Sendo assim, a dupla se encontra num dos piores main events já casados. Isso porque, somados, os caras estão há mais de três anos sem vencer e nenhum deles deve incursionar o top 15 em qualquer momento próximo. Com isso dito, acredito que a versatilidade e a experiência do Grande com 84 kg colaborarão para cinco rounds de uma equação bem bolada (trocação na média distância + intenso trabalho no clinch – a pesada mão direita do australiano, que pode ser anulada com movimentação contínua). Palpite: Marquardt por decisão chata.

NUM2Hatsu Hioki vs. Charles Oliveira

No duelo de guardeiros habilidosos, com pouco wrestling e trocação em desenvolvimento, rezo por berimbolos alucinantes e tentativas de finalizações mis – mas temo receber luta amadora e sem sal de kickboxing. Abandonando a chupeta das utopias em favor da bigorna do realismo (salve, Roberto Campos), terei de favorecer o santista que sai de seu habitat natural duas vezes por semana para aprender o muay thaizão ensinado por Diego Lima na Chute Boxe SP. Palpite: Bronx, decisão.

Fight Night 44 (Santo Antônio, Texas)

NUM1Cub Swanson vs. Jeremy Stephens

Não seria nenhum exagero afirmar que ” O Esquentadinho” é o maior pegador da divisão. Seu problema nunca foi poder e sim precisão e consistência. A derrota por decisão dividida para Anthony Pettis ilustra bem a minha tese. Já Swanson, pupilo favorito do ex-campeão mundial de kickboxing Mike Winkeljohn, por sua vez, é um trocador volumoso que baseia seu jogo em velocidade supersônica e combinações mais elaboradas (dependendo menos de pombos sem asa). Por gosto pessoal, tendo sempre a botar minha grana em velocidade sobre poder (culpa do Cassius)… Palpite: Swanson, que também bate pesado, por TKO no R3. 

NUM2Kelvin Gastelum vs. Nicholas Musoke

Musoke, o negão sueco, até carrega consigo trocação bacana e envergadura avatajada para acompanhá-la, mas, contra Alessio Sakara e Viscardi Andrade, foi o jiu-jítsu que salvou sua pela. E isso é um problemão se entendermos que o talentoso Gastelum, de apenas 22 aninhos, é um wrestlerzão impetuoso e gigantesco para a categoria. Com o controle do meio-campo, Cain Velasquinho costuma deitar e rolar – sem ter que, necessariamente, jogar na perigosa guarda do rival. Palpite: Gastelum via bate e sai, clinch e quedas oportunas (decisão unânime).

NUM3Hacran Dias vs. Ricardo Lamas

Dizem por aí que as mãos de Hacran são calibradas e pesadas. Eu que, confesso, não acompanho sua carreira desde o início, ainda não pude comprovar tal tese. Já Lamas troca, comprovadamente, acima da média – apesar da refugada recente contra o campeão José Aldo. Isso nos leva ao ponto forte de ambos: o meio-campo. Por mais louvável que seja o trabalho de Daniel Pirata na Nova União, fica difícil ignorar o pedigree de wrestler colegial do americano (all-american na terceira divisão da NCAA). Resumindo: pra onde quer que olhamos, o ex-desafiante número um do peso parecer ter uma pequena vantagem. Palpite: Lamas por decisão.

NUM4Clint Hester vs. Antonio Braga Neto

Simplesmente não há casamento striker x grappler mais genuíno que esse. Hester, membro da equipe de Jon Jones no TUF 17, é um reles faixa-azul de jiu-jítsu com wrestling nota seis e vastíssima experiência no boxe amador. Do outro lado, Netão foi campeão mundial na arte suave em rigorosamente todas as faixas (na preta duas vezes, inclusive) – mas porta trocação rudimentar. Vencerá aquele que tiver evoluído mais nas fraquezas ou o que impor seu arroz com feijão? Vou de segunda opção e me basearei na lição ensinada por um Gracie franzino em 12 de novembro de 1993 para apontar o vencedor. Palpite: Briga Neto, cujo queixo é resistente, por finalização no segundo round – após cinco minutos de sufoco. 

Peço a ajuda dos amigos com Cezar Mutante x Andrew Craig. Quem vença essa?

Abraços.


  • Aldebah

    Apesar de muitos duvidarem, acho que o jogo do Mutante vai entrar contra o Andrew Craig. Ele tem movimentos repentinos, e, apesar do tamanhão, é até rápido. Acho que dá Mutante por finalização no segundo round.

  • bozobolado

    Meus pitacos pras lutas mais importantes desse sabadão de UFC (e jogo do Brasil também):

    Marquardt por decisão
    Rosholt por decisão
    Oliveira por decisão
    Whittaker por decisão
    Monstro por finalização (indo contra a maré, mas acho que por mais complicado que seja pro Monstro botar o Magny pra baixo, quando ele botar, o Magny não sai mais de lá).
    Villante por decisão

    Stephens por decisão
    Gastelum por decisão
    Craig por decisão
    Lamas por nocaute técnico
    Hester por nocaute técnico
    Ferreira por finalização
    Guimarães por decisão
    Oliynik por finalização

  • Renan Trigueiro

    O Mutante deve vencer, até pq se não vencer o Andrew Craig, no peso, não deve vencer mais ng… Quanto aos outros palpites, concordo com tds, só acho que o Stephens vai aprontar

  • Jorge Anderson Winchester

    Subestimar o muai thay de Charles é ruim…ele trocou porrada com o Edgar!não esqueça…

  • Rage Against Metal

    Como Rebelo ainda cita o decadente Shogun? Como se fosse grande o feito do Shogun contra Te Huna. Shogun a maior farsa de todos os tempos, nunca derrotou um top sequer. E mesmo na “aclamada” era pride venceu Minotouro com roubo dos juízes que devem ter visto outra luta só pode. Esse shogunismo das shogunzetes chega ser engraçado.

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