Fight Pass: a nova galinha dos ovos de ouro do UFC

Renato Rebelo | 24/06/2014 às 21:51
WWE Network: o futuro do Fight Pass?

WWE Network: o futuro do Fight Pass?

Em janeiro, o UFC passou a oferecer a canadenses, americanos e australianos sua rica biblioteca de lutas (via streaming de vídeo) por $9,99 mensais.

Impulsionado por essa tímida proposta (lutas antigas de UFC, Pride, WEC, EliteXC, Strikeforce e outros eventos menores arrematados pelos Fertitta), o Fight Pass foi crescendo e já atingiu a infância em apenas sete meses.

Hoje, nos países supracitados, versões estrangeiras do reality show The Ultimate Fighter (como o protagonizado por Chael Sonnen e Wanderlei Silva no Brasil) e alguns eventos (o Fight Night 43 deste sábado, na Nova Zelândia, e o aguardado Fight Night 46, na Irlanda, em julho) só poderão ser conferidos na plataforma.

Há também conteúdo original, como entrevistas, programetes, etc, etc.

Mas esse não é o meu ponto.

Recentemente, foi anunciado que Cris Cyborg e as demais meninas sob contrato no Invicta FC se apresentarão exclusivamente no Fight Pass.

Este é um grande dia para a minha empresa. Desde o começo do Invicta, estou comprometida em prover a maior e melhor plataforma para mulheres e, com a distribuição do UFC, o Invicta vai alcançar os fãs de MMA mais apaixonados, aonde eles estiverem no mundo – declarou Shannon Knapp, presidente do evento feminino.

E o grande objetivo a curto-médio prazo é exatamente esse: incrementar o portfólio com programação relacionada para atrair novos assinantes:

O Metamoris Pro (que, em sua quarta edição contará com Chael Sonnen x André Galvão) é algo que definitivamente queremos no Fight Pass. As pessoas vão ficar absolutamente surpresas com o que vai pipocar no Fight Pass – mandou Dana White ontem, em entrevista ao site “MMA in Asia”.

McMahon, o magnata do telecatch

McMahon, o magnata do telecatch

Torneios de wrestling, jiu-jítsu e muay thai também já foram cogitados pelo próprio Dana em coletivas de imprensa diversas.

Por isso, não precisa ter a imaginação mais fértil do mundo para entender onde os caras querem chegar.

A receita proveniente dos pacotes pay-per-view é minguante (O UFC 173 vendeu só 200 mil pacotes e o UFC 174 ainda menos) e, neste velho modelo, operadoras (leia-se a Net e a Sky deles) ficam com uma bela fatia dos lucros.

Matando o intermediário (e oferecendo um serviço próprio), o Ultimate degola dois coelhos com uma só cajadada: barateia o produto e fatura mais.

Esta, inclusive, é uma nova tendência global no mundo dos negócios.

Nos EUA, por exemplo, a Tesla Motors, fabricante de carros elétricos, passou a vender seus modelos pela internet – tirando as concessionárias da jogada.

Nem no fight business a manobra seria inédita.

Vince McMahon tornou-se o inimigo número um das televisões a cabo americanas por ter levado todo o seu popular WWE (telecatch) para uma plataforma digital (a WWE Network – que, “curiosamente”, também custa 9,99 por mês).

O plano de Vince, o tiozão do suco, é fechar 2014 com 1 milhão de assinantes! Segundo cálculos recentes, faltam “só” 337 mil cabeças…

De todo modo, não nos animemos tanto.

Há contratos pesadíssimos em curso e TVs do mundo inteiro não aceitariam perder milhares de assinantes do dia pra noite (alguns deles, inclusive, pagam 69 pratas por mês).

Mas, quem sabe num futuro distante…

O terreno está claramente sendo preparado.

Abraços.

*O Sexto Round agora tem Twitter próprio!

  • Tiago Paiva

    Ótimo texto, como sempre! Só quero deixar uma adendo que o Vince McMahon perdeu recentemente a modesta bagatela de 350 milhões de dólares graças ao novo contrato com a NBC, que detém os direitos dos programas da empresa.

    Quando foi anunciado o serviço de streaming, as ações da WWE subiram assustadoramente, graças a maldita especulação, porém depois de seis meses se não me engano, foi divulgado que haviam “só” 600 mil assinantes, que era abaixo do projetado pelos investidores.

    Juntando isso com o contrato novo, menos grana na carteira pro coroa.

    Abraços!

    • Renato Rebelo

      Verdade, Tiago. Mas essa porrada foi só inicial. É o custo que eles bancaram para aumentar a margem de lucro a longo prazo. Pelo que leio a respeito, é um negócio promissor (e muito).

  • Francis Couto Falbo

    9,99 dolares por mes da maios ou menos 25 reias. Por esse valor da pra cancelar o canal combate na hora , pago 69 reais por mes , é mto caro é um abuso, mais vai demorar pra chegar aqui por causa do contrato, q c naum m engano vai ate 2016

    • Renato Rebelo

      Exato, Francis. Obs: o WWE Network custa 9,99 e passa TDS os eventos de telecatch – inclusive os PPVs

      • Francis Couto Falbo

        hahah telecatch to fora!

      • Mas o Fight Pass passa meia dúzia de eventos ao vivo por ano e não sei se eles seguiriam o modelo de passar PPV mantendo este preço, com o boxe ganhando rios de dinheiro no PPV de TV.

        O UFC tá dando um jeito de fazer o pessoal ver lutas antigas sem precisar baixar evento no torrent ou correr pro FightNext, MMA-Core e outros.

  • Dan Mendes

    Será que não dá para assinar o FP usando IP gringo?

    Duas desvantagens
    1) Redução dos ganhos com publicidade, tanto do evento como dos atletas;
    2) Evento teria menor crescimento de novos fãs principalmente e menor visibilidade do fã individual.

    • Renato Rebelo

      Rapaz, esse é uma boa pergunta. Não faço idéia de como fazer isso.

    • wand

      Não.

    • Dá pra ver usando proxy gringo sim. E não necessariamente teria redução de ganho com publicidade, já que também há publicidade na plataforma online.

      Além das coisas que o Renato elencou no texto, na verdade mesmo eu acho que o UFC tá querendo diminuir a pirataria com o Fight Pass.

      • Dan Mendes

        1º) Só o fato de estar na Internet já reduz consideravelmente a audiência e isso por si só, já reduz os ganhos com publicidade. E montante de publicidade na internet nem se compara ao da TV

  • Kaue Macedo

    Bem que podia ter esse Fight Pass aqui no Brasil. Aqui ou eu pago quase 60 reais no combate ou tenho que assistir no First row de graça mas com uma qualidade meia boca. Pagando 9,99 dolares ia ser perfeito.

    • Lembre-se que os 9,99 não garantem todos os eventos ao vivo, são só alguns poucos.

  • Mazzaropi

    A popularização do esporte e a massificação com preços populares é o caminho!

    Inclusive é a única maneira de combater a pirataria!

  • DCMoreira

    Não seria a “Gansa dos ovos de ouro”… rs

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