Sai Rebney, entra Coker: o que muda no Bellator?

Renato Rebelo | 20/06/2014 às 22:10
Maior conquista de Rebney: o PPV do Bellator

Maior conquista de Rebney: o PPV do Bellator

No finalzinho de 2011, a bilionária Viacom assumiu o controle majoritário do Bellator pela módica quantia de 50 milhões de doletas.

À época, executivos do conglomerado midiático, satisfeitos com o caminhar do segundo maior evento de MMA do mundo, mantiveram Bjorn Rebney, o pai da criança, à frente das operações.

Acontece que o cenário mudou e, dois anos e meio depois, os mesmos cartolas promoveram a colisão de suas botas com o traseiro do careca.

A tática de não repetir os erros de Afliction, EliteXC e IFL (que torraram grandes quantias com estrelas decadentes e marketing agressivo) e apostar em virtuais desconhecidos brigando por cheques polpudos em torneios que duram 12 semanas só funcionou até a página dois.

Ou seja, o modelo mais conservador, que garantiu a sobrevivência da empresa por seis anos (e 121 edições), passou a ser visto como um grande entrave para o crescimento do bolo.

Para dar o passo à frente, a Viacom, doida para incomodar o líder de mercado, foi atrás de um ousado faixa-preta de taek won do para presidir seu evento de MMA.

Coker entre Cyborg e Carrano: WMMA no Bellator?

Coker entre Carrano e Cyborg: WMMA no Bellator?

Scott Coker fundou um torneio de kickboxing chamado Strikeforce em 1986 e o manteve até março de 2011 – quando este foi arrematado pela Zuffa.

Ele e Rebney possuem estilos opostos.

Enquanto um é pragmático e longo-prazista, o outro quer mais é fazer barulho.

Isso significa que a troca de guarda trará muitas mudanças – para o bem e para o mal:

1- Esqueçam os torneios institucionalizados. Scott casará atletas a seu bel-prazer e, quando pintar a oportunidade, lançará GPs expertos à la Pride (lembram do Strikeforce Heavyweight Grand Prix?).

Meu plano é ir de um formato de torneio para um formato mais tradicional, baseado em superlutas. Só faremos torneios quando fizer sentido.

2- Veteranos famosos e atletas de outras modalidades, independente do momento que atravessam na carreira, ganharão força. Já foi, inclusive, cogitada a contratação de Kimbo Slice. É tudo pela audiência!

O trabalho é muito claro, é botar grandes lutas na Spike TV e mover a agulha (da audiência) o melhor que pudermos.

3- A disputa não será mais periódica. Ao invés de temporadas, os cards serão distribuídos irmãmente ao longo do ano.

Minha visão é mais contínua. É um esporte de um ano inteiro e não só de uma temporada.

4- Ex-UFCs em evidência dificilmente serão deixados de lado. O WSOF terá grande concorrência para assinar atletas do naipe de Thiago Silva, Rousimar Toquinho, Jon Fitch, etc…

5- Contratos podem ficar mais flexíveis e co-promoções devem pintar. Que tal Bellator x One FC? Ele fez isso com a M-1 Global

Se pudermos casar lutas que fazem sentido para mover a agulha na Spike TV, faremos isso. Não éramos donos de muitos lutadores que lutaram para nós no passado.

6- Pratas da casa e jovens podem perder espaço para atletas mais tarimbados nos principais eventos e ser relegados a subprodutos do naipe do Strikeforce Challengers.

Não é mais sobre a liga, é sobre criar estrelas e fazer lutas que as pessoas queiram ver. Nem todos os lutadores movem a agulha (dão audiência) e faremos o melhor para dar audiência à televisão.

7- O Strikeforce acumulou dívida gigantesca (estima-se que chegava à casa dos milhões) e por isso foi vendido. Caso a agressividade de Coker cause mais prejuízo que retorno, como ficaria seu prestígio junto a Viacom?

Resumindo: o gordinho é um veterano experimentado que conhece o maior rival de dentro (ele trabalhou em todo o período de transição do Strikeforce para o UFC).

Agora, conseguirá ele tirar o sono de Dana White – coisa que seu predecessor não foi capaz?

Meios para isso (o cash da Viacom e a distribuição da Spike TV) ele tem, resta saber se a habilidade de juntar bons valores debaixo do mesmo guarda-chuva –e, de quebra, revelar Tyrons Woodleys, Lukes Rockholds, Daniels Cormiers, etc- segue intacta.

Abraços.

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  • Dan Mendes

    O que eu acho legal é que ele não tem vergonha de dizer que esta para fazer dinheiro e trazer audiência.
    .
    Acho que ele tornará o Bellator a mesma bagunça que era o SF no fim, torço para que não.

    • Renato Rebelo

      Esse é o perigo, meu amigo, o longo prazo! Um conservador demais, outro ousado demais… Nos resta torcer pra dar certo!

      • Dan Mendes

        Torcer para que ele tenha aprendido com os erros e encontrado um ponto de equilíbrio.

      • Mazzaropi

        Bjorn Rebney com seu modelo de torneio e com a evidência do Bellator em alta, ele ia simplesmente popularizar novos nomes e quem sabe aproveitar algum nome famoso de outros eventos… Claramente vejo o Sr. Rebney como um visionário tipo Steve Jobs do mundo das lutas! Rebney e o Bellator estavam em franca ascensão até o desfecho do imbróglio! Enquanto o UFC desprezava Ben Askren e sucateando contratos com lutadores não vitoriosos… É incompatível!

  • Eu achei uma ótima decisão de contratar Scott Coker. Nada contra o Bjorn, mas seu estilo conservador estava fazendo com que a World Series of Fighting crescesse e ameaçasse o posto de segunda maior organização da terra do tio Sam.

    A única preocupação é a dívida que este estilo agressivo e arrebatador do Coker pode trazer à Viacom, pois sinceramente, não me agrada em nada este monopólio do UFC no esporte. É sempre bom ter uma alternativa.

    Acho que a Bellator tomou as decisões certas, se organizou e colherá os frutos dessas escolhas em um futuro próximo. Coker já tirou o sono do Dana uma vez, sabe como fazer e sabe o que não fazer. Acho que agora ele vem com sangue nos olhos.

    Parabéns pelo texto, Renato. Ótima qualidade.

    • Mazzaropi

      Matheus, o UFC já deve trabalhar “na calada da noite” para comprar o Bellator também… Com Scott Coker tudo será mais fácil!

  • Dan Mendes

    Já que ele falou em Superluta, ele poderia casar Holly x Cyborg. Seria foda! Uma coisa que eu acho que pode rolar é Ranpage x Tito ou até Tito pelo cinturão.

  • Mazzaropi

    Porque a Viacon colocaria um cara no Bellator que acumulou dívida gigantesca no extinto Strikforce? Seria este um prelúdio de uma possível negociação com o UFC? Pra mim Bjorn Rebney é o cara da história! Ele criou o evento, incomodou os grandes, precisou de investidores e descobriu obstáculos que pudessem interferir nos negócios… Seus próprios sócios!

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