Pensando alto: a análise informal do UFC 174

Renato Rebelo | 15/06/2014 às 05:20

Um pouco ofuscado pelos acontecimentos da última semana – e até mesmo pela Copa do Mundo, não vamos negar-, o UFC 174 entregou um card morno à torcida que marcou presença na Rogers Arena, em Vancouver, Canadá.

Mornas mesmo, aliás, foram minhas previsões.

Se no Fight Night 42 quebrei a banca, hoje me arrasei quase que por inteiro.

De qualquer forma, na riqueza ou na pobreza, trago minha tradicional leitura do card principal:

DJDemetrious Johnson x Ali Bagautinov

DJ é leão(zinho) demais pro quinta dos moscas. Bagautinov, que fora apressado ao tilte shot por pura e simples falta de desafiantes, caiu diante da velocidade, timing e técnica (muito) superior daquele que, talvez, seja o campeão mais dominante do UFC atualmente. Os 25 minutos de seminário de clinch ministrado pelo pupilo do “Mago” Matt Hume fez até parecer que o russo não era um desafiante legítimo. Mas era. “Mighty Mouse” é que se distanciou demais da patuléia e, caso bata John Dodson novamente, terá, oficialmente, limpado duas vezes a categoria. Tá feia a coisa.

Já venci o Dodson decisivamente. Acho que tem outros desafios na categoria, como um cara que já me bateu (Brad Pickett) e o (Zach) Makovsky – analisou o pequeno campeão.

RORYRory MacDonald x Tyron Woodley

Ares é bipolar – só pode! Se no passado o bicho chateava plateias encarando adversários até o gongo derradeiro, hoje ele se portou feito um exímio caçador e apertou o gatilho. Anulado, Woodley pôs-se integralmente na defensiva para, ao menos, sobreviver à trocação volumosa, movimentação impecável e, principalmente, à agressividade do talentoso canadense (que finalmente desabrochou). Rory conseguiu, inclusive, ignorar o “gap” no wrestling (defendendo tudo e quedando no R3). Atuação maiúscula do pupilo de GSP que espuma por um “title shot”. Resta saber se, na próxima rodada, veremos Ruth ou Raquel

Acho que essa foi a melhor performance da minha carreira e estou feliz com o que fiz aqui. Não me importo se vou receber o title shot agora ou não, sei que minha hora vai chegar – murmurou o sempre sereno Rory.

RYANRyan Bader x Rafael Feijão

O brasileiro, que jamais havia chegado a uma decisão de jurados exatamente pelo estilo “vai ou racha”, demonstrou passividade inédita e foi absolutamente engolido. Bader fez tudo certinho: cansou os braços do rival no R1, inseriu quedas em combinações de mão (Cain Velascou), bateu e saiu quicando na ponta dos pés e não botou a língua pra fora. Feijão, por sua vez, parecia um mero tapa-buraco (que fora convocado às pressas). Plantado, lento e 100% desinteressado, ele quase levou Erivan Conceição, seu treinador de boxe, ao infarto do miocárdio: “Você perdeu dois rounds e não fez nada ainda! Não entrou pra lutar” – berrou o baiano da Team Nogueira entre rounds. Pior performance da carreira do ex-campeão do Strikeforce que, francamente, até ofusca um pouco a vitória do Bader…

Tive que fazer uma luta feia porque o Feijão é um dos caras que batem mais forte na categoria. Precisei ser esperto, estabelecer meu jab, conseguir minhas quedas e fazê-lo desistir – analisou o wrestler.

ANDREIAndrei Arlovski x Brendan Schaub

Da série “gato escaldado tem medo d’água”, dois pesos-pesados com sérios problemas de absorção de golpes apresentaram ressabiamento nada surpreendente. Enquanto Arlovski, que já nos brindou com mãos velozes no passado, parecia estar cimentado ao octógono, Schaub cagou para combinações e tentou fazer verão com uma só andorinha (leia-se uma dúzia de inefetivos swingões de direita). Ou seja, o concurso sacal de empurrões contra a grade e golpes telegrafados foi decidido (pra mim) por um double leg de Schaub no terceiro round. Sabe-se lá por que, deram pro Pitbull. Retorno pra lá de frustrante e pior luta da noite.

O Dana White me deu uma grande oportunidade e eu não correspondi. Não gostei da minha apresentação hoje. Por algum motivo, eu estava nervoso demais e minhas pernas tremiam muito. Prometo me apresentar melhor da próxima vez – disse o bielorusso.

Abraços.

  • Rubens Rodrigues

    Eu fiquei totalmente confuso! Na luta entre os pesados, eu tive a certeza que ia ser socos e mais socos trocados… mas não! Ainda pensei que Schaub buscaria o jogo de clinchar… mas não! Foi exatamente ao contrário! Ja com o nosso meio-pesado da TEAM Nogueira, eu esperava que Bader faria uma mista de trocação e variasse bem pouco, mais muito pouco, com as quedas… mas não! E na luta que eu estava ansiosamente apavorado para assistir, eu tinha a completa razão que Woodley jogaria na base de tentativas de derrubadas e manteria a luta no chão… mas não!
    Bom, é isso. Meu comentário acima pode ter sido meio confuso, me perdoe.
    Parabéns pelo excelente trabalho, grande abraço e tudo de melhor sempre!

  • Pedro Salaar

    Dps do evento evans vs henderson esse foi um dos piores do ultimos tempos tds lutadores com medo de perder so teve luta morna e uma aula dd muay thai do DJ!!

  • Mazzaropi

    A verdade é uma só… Existem lutadores que lutam para ganhar e outras que lutam para não perder… kkk!

  • William Amaral

    O Bader leu teu plano de jogo, Renato. Deu muito certo!

  • Lucas Andrade

    Um cara que eu sempre tenho gosto em ver lutar é Ryan Bader, sempre gostei do seu estilo e concordo categoricamente com o Carlão Barreto. Se ele não tivesse aquela derrota de forma dominante pro Jones hoje ele seria um dos mais temidos, pois acredito também sua confiança nunca mais foi a mesma; Versátil, ele não se prende somente ao seu volumoso wrestler. Sinceramente acredito que com a auto-confiança restaurada, há poucos que que segurem esse cara!

    • Mazzaropi

      Bader evoluiu… Simples!

  • Leo Ferreira

    Feijão, assim como Erick Silva, perdeu uma excelente oportunidade de se lançar ao TOP 10 da categoria e ter a chance de ser chamado luta decisiva a qualquer momento. É claro que o desafio do capixaba era muito maior, mas Feijão parecia que tinha deixado a alma no Brasil. Totalmente apagado, fez questão de frisar no Countdown que não luta por dinheiro pois sempre teve muito, mas a falta de vontade que demonstrou no octógono fez parecer que ele não estava no oficio correto.

    • Mazzaropi

      Não existe esta comparação amigo, desculpe-me…

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