Pensando alto: a análise informal do Fight Night 42

Renato Rebelo | 09/06/2014 às 00:14

Amigos queridos, primeiro, peço desculpas pela demora.

Além da nossa gloriosa Net ter me deixado na mão sábado à noite, tive compromissos familiares hoje ao longo do dia e, na real, só pude assistir o evento na tarde deste domingo.

Mas, vamos ao que interessa: UFC pela primeira vez em Albuquerque, Novo México.

Muitos alunos de Greg Jackson, algumas decisões controversas e nenhum pasto para as pobres zebras (favoritos deitaram e rolaram).

Segue minha modesta leitura do card principal:

BENDOBen Henderson x Rustam Khabilov

Disse na prévia e repito: com seu gás infindável, paciência budista, base de wrestling sólida e faixas-pretas de jiu-jítsu e taek won do, Bendo é, talvez, o cara mais difícil a ser batido na categoria até 70kg. Pra mim, seu problema com Anthony Pettis é muito mais de ordem psicológica do que técnica. Afinal, um lutador de MMA que chega à semifinal de um Mundial de jiu-jítsu na faixa-marrom não deveria dar aquele mole no armlock, certo? Enfim. O cabeludo bateu de frente com um mestre internacional de sambo e wrestler de mão cheia e, graças a um gancho lindíssimo de direta seguido por mata-leão justo, deixou o octógono com poucos arranhões. Gostaria muito de vê-lo botando à prova o nome de outro russo…

O título não está sendo defendido. Qualquer um que queira disputar o cinturão, venha me ver antes! – mandou o ex-campeão.

SANCHEZDiego Sanchez x Ross Pearson

Jeff Collins – jurado que marcou 30 a 27 Sanchez- precisa ser demitido hoje mesmo (não amanhã). É absolutamente impossível enxergar êxito do atleta local no segundo round. Na real, acho que o “Pesadelo” perdeu os três – e até entendo como alguém, embalado pela platéia (entre parentes e amigos, Sanchez botou 120 cabeças na arena) e facilmente impressionado por movimentação e domínio territorial (que não se converteram em danos) possa julgar diferente o primeiro round. Resumo da ópera: Pearson que, repito, venceu claramente, pagou pelo conservadorismo e Sanchez, lento toda vida, esqueceu que é grappler e nos brindou com umas das piores performances de sua longa carreira.

Sinto que metade da minha bolsa foi roubada… Espero um dia poder lutar com o Sanchez novamente em algum lugar neutro – desabafou Pearson.

DODSONJohn Dodson x John Moraga

Que nanico rápido e poderoso! Mesmo Moraga tendo evitado a apegada de canhota do bichinho por quase 10 minutos, um joelhaço transformou seu nariz em patê no finzinho do R2. Tá ficando difícil encontrar passatempos para Dodson até que Demetrious Johnson concorde com a revanche. Caso o dominante campeão mantenha seu cinturão no UFC 174, não vejo outra saída. O problema é se Ali Bagautinov, companheiro de Dodson na Jackson’s MMA, vencer. Nesse caso, sobraria até para o novo monarca dos galos, TJ Dillashaw, que já fora deitado pelo “Mágico” no passado:

Eu daria uma revanche a ele quando ele quiser. Se lutar com ele com 61kg, levarei seu cinturão para casa.

RAFARafael dos Anjos x Jason High

Com apenas uma decisão, High foi de meio-médio pequenino para peso leve gigantesco. Isso explica por que o americano tirou onda de bully e dominou fisicamente o carioca no primeiro. Mas, como sabemos, muita massa muscular exige bastante oxigênio para que o corpo se mantenha operacional – e o americano simplesmente não conseguiu manter o ritmo. Foi aí que Dos Anjos, vacinado pela imposição isonométrica de Khabib Nurmagomedov, emergiu. Pronto para uma maratona dentro da jaula e ciscando em pé feito boxer, Rafa foi, aos poucos, machadando a árvore com pernadas na linha de cintura e combinações de mão espertas que geralmente terminavam com cruzados ou diretos de canhota por cima do jab do rival. Bingo. TKO no R2. A derrota pro russo há dois meses representou, sim, uma aguada no chope, mas me parece improvável que evitem nova incursão do evoluído Rafael ao topo da montanha…

Treino jiu-jítsu há 16 anos e, por isso, tento desenvolver mais a minha trocação. Treino muito com o Rafael Cordeiro na Kings MMA e fico muito feliz com minha evolução e com a vitória por nocaute hoje – mandou Rafa.

  • Jonatas Maciel da Silva

    Ótima matéria ….Parabéns Renato

  • Gabriel Castelani

    Boa Renato! Tambem acho que pode haver algum bloqueio psicologico de Ben Henderson contra o Showtime…só que….ficou claro que quando o pettis saiu da grade e comecou a trocar, ele superou o Henderson em velocidade, esse ultimo comecou a levar golpes que mal conseguia ver! Depois, Pettis, dobrou ele com 4 ou 5 chutes nas costelas que foi crucial, tanto é que, mesmo aplicando aquele “mico” de papagaio, caiu por baixo, acao que tratou de evitar com muito custo durante os primeiros minutos da luta. Porém, a luta já estava definida pelas caneladas, o palitinho já tava no automatico e nao tinha resistencia e nem forca pra devender o armlock!

  • Luiz Guilherme

    boa! mas acho que numa eventual terceira luta o bendo não perde!

    no aguardo da coluna dos casamentos das lutas

  • Marcelo

    Diego Sanchez venceu a luta fazendo careta e com apoio da torcida. Esse resultado foi inacreditável. O Diego ganhou minha antipatia, por declarar depois da luta que venceu mesmo, e por fazer muita cena e cair pra dentro de menos.. A luta contra o Gomi foi igual, só que nem cena ele fez. Os lutadores deveriam se recusar a lutar com Sanchez até que seja revisto o seu cartel, de 3-3 pra 0-6, porque ele não ganhou nenhuma luta, só fez careta, gritou, fez birra, fez que ia cair pra porrada e no fim, em todas as lutas apanhou muito mais do que bateu.

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